Respostas para vários dos porquês das vertentes espíritas domingo, abr 1 2012 


POR QUE ESU É O PRIMEIRO?Para que os seres humanos possam viver bem neste mundo, é preciso estar bem com os deuses. Por isso os homens propiciam os orixás, oferecendo-lhes um pouco de tudo o que produzem e que é essencial à vida. As oferendas dos homens aos orixás devem ser transportadas até o mundo dos deuses, o Orum. O orixá Exu tem esse encargo de transportador. Também é preciso saber se osorixás estão satisfeitos com a atenção a eles dispensada pelos seus descendentes, os seres humanos. Exu propicia essa comunicação, traz suas mensagens, é o mensageiro. É fundamental para a sobrevivência dos mortais receber as determinações e os conselhos que os orixás enviam do Aiê.Exu é o portador das orientações e ordens, é o porta-voz dos deuses e entre os deuses. Exu faz a ponte entre este mundo e o mundo dos orixás, especialmente nas consultas oraculares. Como os orixás interferem em tudo o que ocorre neste mundo, incluindo o cotidiano dos viventes e os fenômenos da própria natureza, nada acontece sem o trabalho de intermediário do mensageiro e transportador Exu. Nada se faz sem ele, nenhuma mudança, nem mesmo uma repetição. Sua presença está consignada até mesmo no primeiro ato da Criação: sem Exu, nada é possível. O poder de Exu, portanto, é incomensurável.

O sacrifício é o meio através do qual os humanos se dirigem aos orixás, e o sacrifício significa a reafirmação dos laços de lealdade, solidariedade e retribuição entre os habitantes do Aiê e os habitantes do Orum. Sempre que um orixá é interpelado, Exu também o é, pois a interpelação de todos se faz através dele. É preciso que ele receba a oferenda, sem a qual a comunicação não se realiza. A relação homem-orixá tem como fundamento à materialidade do sacrifício, a concretude da oferenda. Isso é uma definição religiosa, um ponto de partida essencial na concepção africana do sagrado. A própria possibilidade de o homem professar a sua religião de orixás — seja na África, no Brasil, ou noutro lugar — depende, pois, do trabalho de Exu.

Como mensageiro dos deuses, Exu tudo sabe; não há segredos para ele, tudo ele ouve e tudo ele transmite. E pode quase tudo, pois conhece todas as receitas, todas as fórmulas, todas as magias. Exu trabalha para todos, não faz distinção entre aqueles a quem deve prestar serviço por imposição de seu cargo, o que inclui todas as divindades, mais os antepassados e os humanos. Exu não pode ter preferência por esse ou aquele. Mas talvez o que o distingue de todos os outros deuses é seu caráter de transformador: Exu é aquele que tem o poder de quebrar a tradição, pôr as regras em questão, romper a norma e promover a mudança. Não é, pois, de se estranhar que seja temido e considerado perigoso, posto que se trata daquele que é o próprio princípio do movimento, que tudo transforma, que não respeita limites. Assim, tudo o que contraria as normas sociais que regulam o cotidiano passa a ser atributo seu. Exu carrega qualificações morais e intelectuais próprias do responsável pela manutenção e funcionamento do status quo, inclusive representando o princípio da continuidade garantida pela sexualidade e reprodução humana, mas ao mesmo tempo ele é o inovador que fere as tradições, um ente, portanto nada confiável, que se imagina, por conseguinte, ser dotado de caráter instável, duvidoso, interesseiro, turbulento e arrivista.

Para um iorubá ou outro africano tradicional, nada é mais importante do que ter uma prole numerosa, e para garanti-la é preciso ter muitas esposas e uma vida sexual regular e profícua. É preciso gerar muitos filhos, de modo que, nessas culturas antigas, o sexo tem um sentido social que envolve a própria idéia de garantia da sobrevivência coletiva e perpetuação das linhagens, clãs e cidades. Exu é o patrono da cópula, que gera filhos e garante a continuidade do povo e a eternidade do homem. Nenhum homem ou mulher pode se sentir realizado e feliz sem uma numerosa prole, e a atividade sexual é decisiva para isso. É da relação íntima com a reprodução e a sexualidade, tão explicitadas pelos símbolos fálicos que o representam, que decorre a construção mítica do gênio libidinoso, lascivo, carnal e desregrado de Exu-Elegbara.

Isso tudo contribuiu enormemente para modelar sua imagem estereotipada de orixá difícil e perigoso, que os cristãos, erroneamente, reconheceram como demoníaca. Quando a religião dos orixás veio a ser praticada no Brasil do século XIX por negros que eram também católicos, todo o sistema cristão de pensar o mundo em termos do bem e do mal deu um novo formato à religião africana, no qual Exu veio a desempenhar outro papel. A visão “cristã” dos orixás confundiu Oxalá com Jesus, Iemanjá com Nossa Senhora, e outros santos católico com os demais orixás. Para completar o panteão afro-católico, sobrou para Exu ser confundido com o Diabo. Foi, portanto, o sincretismo católico que deu a Exu a identidade de um demônio. Mas essa identidade destorcida sempre foi católica, cristã, sincrética. Não tem nada de africano.

Pensam os que se acostumaram a ver os orixás numa perspectiva cristã (imposta pelo catolicismo e hoje reforçada pelo evangelismo) que Exu deve ser homenageado em primeiro lugar para não provocar confusão, para não bagunçar a cerimônia, como se ele fosse um simples e oportunista arruaceiro. É uma visão bem simplista e demasiadamente falsa. Ora, Exu é antes de tudo movimento e nada pode acontecer sem ele, nem mesmo em pensamento, sem movimento. Nada pode, portanto, se dar sem a interferência de Exu. Por isso ele é sempre o primeiro a ser homenageado: é preciso permitir o movimento para que o evento, seja ele qual for, se realize, seja para o bem ou para o mal. Esse movimento não é dotado de moralidade, nem poderia ser, pois se assim fosse o mundo ficaria paralisado. A vida é um pulsar permanente, e em cada passo, em cada avanço ou retrocesso, em cada mudança, enfim, Exu está presente. Tudo começa por ele; por isso ele será sempre o primeiro.

COMO ÈSÙ TORNOU-SE ÒSIJÈ-EBÓEssa história revela o nascimento do 17o. Odù, como e de onde nasceu Òsetùwá, em decorrência, veremos a analise através de como Èsù se tornou ÈSÙ ÒSIJÈ-EBÓ, o transportador e encarregado de encaminhar as oferendas entre a terra e o òrun.
Quem deveria consultar o porta-voz-principal-do-culto-de-Ifá; a nuvem esta pendurada por cima da terra…
Bábálàwó dos tempos imemoriais; Os “siris” estão no rio; a marca do dedo requer Yèréòsùn (pó sagrado de Ifá).
Estes foram os Bàbáláwo que jogaram Ifá para os quatrocentos Irúnmolè, senhores do lado direito, e jogaram Ifá para os duzentos malè, senhores do lado esquerdo. E jogaram Ifá para Òsun, que tem uma coroa toda trabalhada de contas, no dia em que ele (Òsetùwá) veio a ser o décimo sétimo dos Irúnmolè que vieram ao mundo, quando Òlódumàrè enviou os òrìsà, os dezesseis, ao mundo, para que viessem criar e estabelecer a terra.
E vieram verdadeiramente nessa época. As coisas que Òlódumàrè lhes ensinou nos espaços do òrun constituíram nos pilares de fundação que sustentam a terra para a existência de todos os seres humanos e de todos os ebora. Òlódumàrè lhes ensinou que quando alcançassem a terra, deveriam abrir uma clareira na floresta, consagrando-a de Orò, o Igbó Orò. Deveriam abrir uma clareira na floresta, consagrando-a a Eégún, o Igbó Eégún, que seria chamado Igbó Òpá. Disse que deveriam abrir uma clareira na floresta consagrando-a a Odù Ifá, o Igbó Odù, onde iriam consultar o oráculo a respeito das pessoas. Disse ele que deveriam abrir um caminho para os Òrìsà e chamar esse lugar de Igbó Òrìsà, floresta para adorar os òrìsà. Òlódumàrè lhes ensinou a maneira como deveriam resolver os problemas de fundação (assentamento) e adoração dos ojóbo (lugares de adoração) e como fariam as oferendas para que não houvesse morte prematura, nem esterilidade, nem infecundidade, que não houvesse perda, nem vida paupérrima, não houvesse nada de tudo isso sobre a terra.Para que as doenças sem razão não lhes sobrevivessem, que nenhuma maldição caísse sobre eles, que a destruição e a desgraça não se abatessem sobre eles. Òlódumàrè ensinou aos dezesseis Òrìsà o que eles deveriam realizar para evitar todas as coisas. Ele os delegou e enviou à terra, a fim de executarem tudo isso. Quando vieram ao òde àiyé, a terra fundaram fielmente na floresta o lugar de adoração de Orò, o Igbó Orò. Fundaram na floresta o lugar de adoração de Eégún. Fundaram na floresta o lugar de adoração de Ifá que chamamos Igbódù. Também abriram um caminho para os òrìsà, que chamamos Igbóòòsa. Executaram todos esses programas visando a ordem. Se alguém estava doente, ele ia consultar Ifá ao pé de Òrúnmìlá. Se acontecia que Eégún poderia salvá-lo, dir-lho-iam. Seria conduzido ao lugar de adoração na floresta de Eégún ao Igbó-Igbàlè, para que ele fizesse uma oferenda para Egúngún. Talvez que um de seus ancestrais devesse ser invocado como Eégún, para que o adorasse, a fim de que esse Eégún o protegesse. Se havia uma mulher estéril, Ifá seria consultado, a respeito dela, a fim de que Orúnmìlà pudesse indicar-lhe a decocção de Òsun, que ela deveria tomar. Se havia alguém que estava levando uma vida de miséria, Orúnmìlà consultaria Ifá, a respeito dele. Poderia ser que Orò estivesse associado à sua própria entidade criadora. Orúnmìlà diria a essa pessoa que é a Orò que ela devia adorar. E ela seria conduzida à floresta de Orò. Eles seguiram essa prática durante muito tempo. Enquanto realizavam as diversas oferendas, eles não chamavam Òsun. Cada vez que iam a floresta de Eégún, ou à floresta de Orò, ou à floresta de Ifá, ou à floresta de Òòsà, a seu retorno, os animais que eles tinham abatido, fossem cabras, fossem carneiros, fossem ovelhas, fossem aves, entregavam-nos a Òsun para que ela os cozinhasse. Preveniram-na que quando ela acabasse de preparar os alimentos, não devia comer nenhum pouco, porque deviam ser levados aos Malè, lá onde as oferendas são feitas. Òsun começou a usar o poder das mães ancestrais – àse Iyá-mi – e a estender sobre tudo o que ela fazia esse poder de Iyá-mi-Àjé, que tornava tudo inútil. Se se predissesse a alguém que ele ou ela não fosse morrer, essa pessoa não deixava de morrer.

Se fosse proclamado que uma pessoa não sobreviveria, a pessoa sobreviveria. Se se previsse que uma pessoa daria à luz um filho, a pessoa tornava-se estéril. Um doente a quem se dissesse que ele ficaria curado não seria jamais aliviado de sua doença. Essas coisas ultrapassavam seu entendimento, porque o poder de Olódumàre jamais tinha falhado. Tudo que Olódumàre lhes havia ensinado eles o aplicava, mas nada dava resultado. Que era preciso fazer? Quando se congregaram numa reunião, Orúnmìlà sugeriu que, já que eles eram incapazes de compreender o que se estava passando por seus próprios conhecimentos, não havia outra solução senão consultar Ifá novamente. Em consequência, Orúnmìlà trouxe seu instrumento adivinhatório, depois consultou Ifá. Contemplou longamente a figura do Odù que apareceu e chamou esse Odù pelo nome de Òsetùwá. Ele olhou em todos os sentidos. A partir do resultado definitivo de sua leitura, Orúnmìlà transmitiu a resposta a todos os outros Odù-àgbà. Estavam todos reunidos e concordaram que não havia outra solução para todos eles, os ÒRÌSÀS-IRÚNMÀLÈ, senão encontrar um homem sábio e instruído que pudesse ser enviado a Olódumàre, para que mandasse a solução do problema e o tipo de trabalho que devia ser feito para o restabelecimento da ordem, a fim de que as coisas voltassem a normalizar-se, e nada mais interferisse em seus trabalhos. Ele, Orúnmìlà, deveria ir até a Olódumàrè. Orúnmìlà ergueu-se. Serviu-se de seus conhecimentos para utilizar a pimenta, serviu-se de sua sabedoria para tomar nozes de obi, despregou seu òdùn (tecido de ráfia) e o prendeu no seu ombro, puxou seu cajado do solo, um forte redemoinho o levou, e ele partiu até os vastos espaços do outro mundo para encontrar Olódumàrè.

Foi lá que Orúnmìlà reencontrou Èsù Òdàrà. Èsù já estava com Olódumàrè. Èsù fazia sua narração a Olódùmarè. Explicava que aquilo que estava estragando o trabalho deles na terra era o fato de eles não terem convidado a pessoa que constitui a décima sétima entre eles. Por essa razão, ela estragava tudo, Olódumàrè compreendeu. Assim que Orúnmìlà chegou, apresentou seus agravos a Olódumàrè. Então Olódumàrè lhe disse que deveria ir e chamar a décima sétima pessoa entre eles e levá-la a participar de todos os sacrifícios a serem oferecidos. Porque, além disso, não havia nenhum outro conhecimento que Ele lhes pudesse ensinar senão as coisas que Ele já lhes havia dito. Quando Orúnmìlà voltou à terra, reuniu todos os òrìsà e lhes transmitiu o resultado de sua viagem. Chamaram Òsun e lhe disseram que ela deveria segui-los por todos os lugares onde deveriam oferecer sacrifícios. Mesmo na floresta de Eégún. Òsun recusou-se: ela jamais iria com eles. Começaram a suplicar a Òsun e ficaram prostrados um longo tempo. Todos começaram a homenageá-la e a reverenciá-la. Òsun os maltratava e abusava deles. Ela maltratava Òrìsànlá, maltratava Ògún, maltratava Orúnmìlà, maltratava Òsányín, maltratava Orànje, ela continuava a maltratar todo mundo. Era o sétimo dia, quando Òsun se apaziguou. Então eles disseram que viesse. Ela replicou que jamais iria, disse, entretanto, que era possível fazer uma outra coisa já que todos estavam fartos dessa história. Disse que se tratava da criança que levava no seu ventre. Somente se eles soubessem como fazer para que ela desse à luz uma criança do sexo masculino, isso significaria que ela permitiria então que ele a substituísse e fosse com eles. Se ela desse à luz uma criança do sexo feminino, podiam estar certos que esta questão não se apagaria em sua mente. Ficariam aí, pedaços, pedaços, pedaços. E eles deveriam saber com certeza que esta terra pereceria; deveriam criar uma nova. Mas se ela desse a luz a um filho-homem, isso queria dizer que, evidentemente, o próprio Olórun os tinha ajudado. Assim apelou-se para Òrìsànlá e para todos os outros òrìsà para saber o que deveriam fazer para que a criança fosse do sexo masculino. Disseram que não havia outra solução a não ser que todos utilizassem o poder – àse – que Olódumàrè tinha dado a cada um deles; cada dia repetidamente deveriam vir, para que a criança nascesse do sexo masculino, Todos os dias iam colocar seu àse – seu poder – sobre a cabeça de Òsun, dizendo o que segue. “Você Òsun ! Homem ele deverá nascer, a criança que você traz em si!” Todos respondiam “assim seja”, dizendo “TÓ!” acima de sua cabeça…

Assim fizeram todos os dias, até que chegou o dia do parto de Òsun. Ela lavou a criança. Disseram que ela deveria permitir-lhes vê-la. Ela respondeu “não antes de nove dias”. Quando chegou o nono dia, ela os convocou a todos. Esse era o dia da cerimônia do nome, da qual se originaram todas as cerimônias de dar o nome. Mostrou-lhes a criança, e a pôs nas mãos de Òrìsà. Quando Òrìsànlá olhou atentamente a criança e viu que era um menino, gritou: “Músò”…! (hurra…!). Todos os outros repetiram “Músò”…! Cada um carregou a criança, depois o abençoaram. Disseram “somos gratos por esta criança ser um menino”. Disseram “que tipo de nome lhe daremos”. Òrìsà disse: “vocês todos sabem muito bem que cada dia abençoamos sua mãe com nosso poder para que ela pudesse dar à luz uma criança do sexo masculino, e essa criança deveria justamente chamar-se À-S-E-T-Ù-W-Á (o poder trouxe ela a nós)” Disseram: “acaso você não sabe que foi o poder do àse, que colocamos nela, que forçou essa criança a vir ao mundo, mesmo se antes ela não queria vir à terra sob a forma de uma criança do sexo masculino? Foi nosso poder que a trouxe à terra”. Eis por que chamaram a criança de ÀSETÙWÀ. Quando chegou o tempo, Orúnmìlà consultou o oráculo Ifá acerca da criança, porque todos devem conhecer sua origem e destino, colheram o instrumento de Ifá para consultá-lo. Eles o manipularam e o adoraram. Era chegado o momento de consultar Ifá a respeito dele, para saberem qual era seu Odù, para que o pudessem iniciar no culto de Ifá. Levaram-no à floresta de Ifá, que chamamos Igbódù, onde Ifá revelaria que Òsè e Òtùá eram seu Odù. Este foi o resultado que ele deu a respeito da criança. Orúnmìlà disse: “a criança que Òsè e Òtùá fizeram nascer, que antes chamamos de Àsetùwá”, disse, “chamemo-la de Òsètùá”. Foi por isso que chamaram a criança com o nome do Odù de Ifá que lhe deu nascimento, Òsètùá. Àsetùá era o nome que ele trazia anteriormente. Assim, a criança participou do grupo dos outros Odù, ao ponto de ir com eles a todos os lugares onde se faziam oferendas na terra. Foi assim que todas as coisas que Olódùmàrè lhes tinha ensinado deixaram de ser corrompidas. Cada vez que proclamavam que as pessoas não morreriam, elas realmente sobreviviam e não morriam. Se diziam que as pessoas seriam ricas, elas tornavam-se realmente ricas. Se diziam que a mulher estéril conceberia, ela realmente dava à luz. A própria Òsun deu a essa criança um nome nesse dia. Disse ela: “Osó a gerou (significando que a criança era filho do poder mágico), porque ela mesma era uma ajé e a criança que ela gerou é um filho homem. Disse ela: “Akin Osò”, (Akin Osò: poderoso mago; homem bravo dotado de um grande poder sobrenatural) eis o que a criança será!
É por isso que eles chamaram Òsetùá de Akin Osò, entre todos os Odù Ifá e entre os dezesseis òrìsà mais anciãos. Depois eles disseram que em qualquer lugar onde os maiores se reunissem, seria compulsório que a criança fosse um deles. Se não pudessem encontrar o décimo sétimo membro, não poderiam chegar a nenhuma decisão, e se dessem um conselho, não poderiam ratifica-lo. Finalmente, aconteceu! Sobreveio uma seca na terra. Tudo estava seco! Não havia nem orvalho! Fazia três anos que tinha chovido pela última vez. O mundo entrou em decadência. Foi então que eles voltaram a consultar Ifá, Ifà àjàlàiyé. (aquele que administra a terra)

Quando Orúnmìlà consultou Ifá àjàlàiyé, disse que deveriam fazer uma oferenda, um sacrifício, e preparar a oferenda de maneira que chegasse a Olódùmàrè, para que Olódùmàrè pudesse ter piedade da terra, e assim não virasse as costas à terra e se ocupasse dela para eles. Porque Olódùmàrè não se ocupava mais da terra. Se isso continuasse, a destruição era inevitável, era iminente. Somente se pudessem fazer a oferenda, Olódumàrè teria sempre misericórdia deles. Ele se lembraria deles e zelaria pelo mundo. Foi assim que prepararam a oferenda. Eles colocaram, uma cabra, uma ovelha, um cachorro e uma galinha, um pombo, uma preá, um peixe, um ser humano e um touro selvagem, um pássaro da floresta, um pássaro da savana, um animal doméstico. Todas essas oferendas, e ainda dezesseis pequenas quartinhas cheias de azeite de dendê que eles juntaram nesse dia. E ovos de galinha, e dezesseis pedaços de pano branco puro. Prepararam as oferendas apropriadas usando folhas de Ifá, que toda oferenda deve conter. Fizeram um grande carrego com todas as coisas. Disseram então, que o próprio Èjì-Ogbè deveria levar essa oferenda a Olódumàrè. Ele levou a oferenda até as portas do òrun, mas não, lhe foram abertas. Èjì-Ogbè voltou à terra. No segundo dia Òyèkú-Méji a carregou, ele voltou. Não lhe abriram as portas. Ìwòrí-Méji levou a oferenda, assim fizeram Òdi-Méji; Ìrosùn-Méji; Òwórin-Méji; Òbàrà-Méji; Òkànràn-Méji; Ogúndá-Méji; Òsá-Méji; Ìká-Méji; Òtúrúpòn-Méji; Òtúá-Méji; Ìrètè-Méji; Òsè-Méji; Òfún-Méji.

Mas não puderam passar Olórun não abria as portas. Assim decidiram que o décimo sétimo entre eles deveria ir e experimentar o seu poder, antes que tivessem que reconhecer que não tinham mais nenhum poder. Foi assim que Òsetùá foi visitar certos Babaláwo, para que eles consultassem o oráculo para ele. Esses Babaláwo traziam os nomes de Vendedor-de-azeite-de-dendê e Comprador-de-azeite-de-dendê. Ambos esfregaram seus dedos com pedaços de cabaça. Jogaram Ifá para Akin Osò, o filho de Enìnàre (aquela que foi colocada na senda do bem) no dia em que ele conseguiu levar a oferenda ao poderoso òrun. Disseram que ele deveria fazer uma oferenda; disseram, quando ele acabasse de fazer a oferenda, disseram, no lugar a respeito do qual ele estava consultando Ifá, disseram, ali, ele seria coberto de honras, disseram, sucederá que a posição que ele ali alcançasse, disseram, essa posição seria para sempre e não desapareceria jamais. Disseram, as honras que ele ali receberia, disseram, o respeito, seriam intermináveis. Disseram: “Você verá uma anciã no seu caminho”, disseram, “faça-lhe o bem”. Assim, quando Òsetùá acabou de preparar a oferenda, seis pombos, seis galinhas com seis centavos e quando estava em seu caminho, ele encontrou uma anciã. Ele carregava a oferenda no caminho que levaria a Èsù, quando encontrou essa anciã na sua rota. Essa anciã era da época em que a existência se originou. Disse: “Akin Osò! à casa de quem vai você hoje ?” Disse: “eu ouvi rumores a respeito de todos vocês na casa de Olófin, que os dezesseis Odù mais idosos levaram uma oferenda ao poderoso òrun sem sucesso”.
Disse: “assim seja”.
Disse: “é sua vez hoje?”
Disse: “é minha vez”.
Disse: “tomou alimentos hoje?”

Respondeu ele: “eu tomei alimentos”.
Disse ela “quando você chegar a seu sitio, diga-lhes que você não irá hoje”.
Disse ela: “Esses seis centavos que você me deu”, Disse: “há três dias não tinha dinheiro para comprar comida”
Disse: “diga-lhes que você não ira hoje”.
Disse: “quando chegar amanhã, você não deve comer, você não deve beber antes de chegar ali”.
Disse: “você deve levar a oferenda”. Disse: “todos esses que ali foram, comeram da comida da terra, essa é a razão por que Olórun não lhes abriu a porta!”
Quando Òsetùá voltou a casa de Oba Àjàlàiyè, todos os Odù Ifá estavam reunidos lá. Disseram: “você deve estar pronto agora, é sua vez hoje de levar a oferenda ao òrun, talvez a porta seja aberta para você!” Disse ele que estaria pronto no dia seguinte, porque não tinha sido avisado na véspera. Quando chegou o dia seguinte, Òsetùá, foi encontrar Èsù e lhe perguntou o que deveria fazer. Èsù respondeu: “Como! Jamais pensei que você viria me avisar antes de partir”. Disse ele: “isso vai acabar hoje, eles lhe abrirão a porta !” Perguntou ele: “Tomou algum alimento?” Òsetùá lhe respondeu que uma anciã lhe tinha dito na véspera que ele não devia comer absolutamente nada. Então Òsetùá e Èsù puseram-se a caminho. Partiram em direção aos portões do òrun. Quando chegaram lá, as portas já se encontravam abertas, encontraram as portas abertas. Quando levaram a oferenda a Olódùmarè e Ele examinou. Olòdumarè disse: “Haaa! Você viu qual foi o último dia que choveu na terra?! Eu me pergunto se o mundo não foi completamente destruído. Que pode ser encontrado lá?” Òsetùá não podia abrir a boca para dizer qualquer coisa. Olódùmarè lhe deu alguns “feixes” de chuva. Reuniu, como outrora, as coisas de valor do òrun, todas as coisas necessárias para a sobrevivência do mundo, e deu-lhas. Disse que ele, Òsetùá, deveria retornar. Quando deixaram a morada de Olódumarè, eis que Òsetùá perdeu um dos “feixes” de chuva. Então a chuva começou a cair sobre a terra. Choveu, choveu, choveu, choveu… Quando Òsetùá voltou ao mundo, em primeiro lugar foi ver Quiabo. Quiabo tinha produzido vinte sementes. Quiabo que não tinha nem duas folhas, um outro não tinha mesmo nenhuma folha em seus ramos. Voltou-se em direção à casa do Quiabo escarlate, Ilá Ìròkò tinha produzido trinta sementes. Quando chegou a casa de Yáyáá, esse havia produzido cinquenta sementes. Foi então até à casa da palmeira de folhas exuberantes, que se encontrava na margem do rio Awónrin Mogún. A palmeira tinha dado nascimento a dezesseis rebentos.

Depois que a palmeira deu nascimento a dezesseis rebentos ele voltou à casa de Oba Àjàlàiyé. Àse se expandia e se estendia sobre a terra. Sêmen convertia-se em filhos, homens em seu leito de sofrimento se levantavam, e todo o mundo tornou-se aprazível, tornou-se poderoso. As novas colheitas eram trazidas dos plantios. O inhame brotava, o milho amadurecia, a chuva continuava a cair, todos os rios transbordavam, todo mundo era feliz. Quando Òsetùá chegou, carregaram-no para montar num cavalo (signo de realeza: só os mais poderosos podem-se permitir a criar ou montar cavalos em País Yorùbá). Estavam mesmo a ponto de levantar o cavalo do chão para mostrar até que ponto as pessoas estavam ricas e felizes. Estavam de tal forma contentes com ele, que o cobriram de presentes, os que estavam em sua direita os que estavam em sua esquerda. Começaram a saudar Òsetùá: “Você é o único que conseguiu levar a oferenda ao òrun, a oferenda que você levou ao outro mundo era poderosa! Disseram, “sem hesitação, rápido, aceite meu dinheiro e ajude-me a transportar minha oferenda ao òrun! Òsetùá! Aceite rápido! Òsetùá aceite minha oferenda!” Todos os presentes que Òsetùá recebeu, os deu todos a Èsù Òdàrà. Quando os deu a Èsù, Èsù disse: “Como!” Há tanto tempo ele entregava os sacrifícios, e não houve ninguém para retribuir-lhe a gentileza. “Você Òsetùá! Todos os sacrifícios que eles fizerem sobre a terra, se não os entregarem primeiro a você, para que você possa trazer a mim, farei que as oferendas não sejam mais aceitáveis”.
Eis a razão pela qual sempre que os Babaláwo fazem sacrifícios, qualquer que seja o Odù Ifá que apareça e qualquer que seja a questão, devem invocar Òsetùá para que envie as oferendas a Èsù. Porque é só de sua mão que Èsù aceitará as oferendas para levá-las ao òrun.
Porque quando Èsù mesmo recebia os sacrifícios das pessoas da terra e os entregava no lugar onde as oferendas são aceitas, eles não demonstravam nenhum reconhecimento pelo que ele fazia por todos até o dia em que Òsetùá teve de carregar o sacrifício e Èsù foi abrir o caminho apropriado para o òrun, para alcançar a morada de Olódumàrè. Quando se abriram as portas para ele. A qualidade de gentileza que Èsù recebeu de Òsetùá era realmente muito valiosa para ele (Èsù).

Então ele e Òsetùá decidiram combinar um acordo pelo qual todas as oferendas que deveriam ser feitas deveriam ser-lhe enviadas por intermédio de Òsetùá. Foi assim que Òsetùá converteu-se no entregador de oferendas para Èsù. Èsù Òdàrà, foi assim que ele se converteu em O portador de oferendas para Olódumàrè, Èsù Òsijé-Ebó, no poderoso òrun. É assim como este Itan (verso) Ifá explica, a respeito de ÈSÙ E ÒSETÙÁ.

ONILÉ A PRIMEIRA DIVINDADE DA TERRA.Os antigos povos que deram origem aos atuais iorubás ou nagôs, de cujas tradições se moldaram o candomblé no Brasil, cultuavam uma entidade da Terra, a Terra-Mãe, que recebeu muitas denominações em diferentes aldeias e cidades que formam o complexo cultural iorubá e seus entornos principais, entre os quais os jejes mahis e daomeanos e os tapas ou nupes e os ibos. Esta antiga divindade é até hoje cultuada e recebe o nome de Onilé, a Dona da Terra, a Senhora do planeta em que vivemos. Outros nomes da Terra-Mãe são: Aiê, Ilé, Ialé, também Ije, Ale, Ala, Aná, Ogerê, e mesmo Buku e Buruku. Entre os jejes do Maranhão e da Bahia é chamada Aisã. Creio que grande parte dos seguidores do candomblé nunca ouviu falar ou teve apenas vagas referências sobre Onilé, mas em certos candomblés de nação Keto, que preservam ou reconstituem tradições que em grande parte se perderam na diáspora iorubana, pratica-se um culto discreto, mas significativo a Terra-Mãe, para a qual se canta, ou no início do Sirê ou no final da chamada roda de Sòngo, a cantiga que diz “Mojubá, orisá/ ibá, orisá/ ibá Onilé”, que pode ser traduzido como “Eu saúdo o orisá/ Saúdo Onilé/ Salve a Senhora da Terra”. Onilé é uma divindade feminina relacionada aos aspectos essenciais da natureza, e originalmente exercia seu patronato sobre tudo que se relaciona à apropriação da natureza pelo homem, o que inclui a agricultura, a caça e a pesca e a própria fertilidade. Com as transformações da sociedade iorubá numa sociedade patriarcal ou patrilinear, que implicou a constituição de linhagens e clãs familiares fundados e chefiados por antepassados masculinos, as mulheres perderam o antigo poder que tiveram numa primeira etapa (um mito relata que, numa disputa entre Oyá e Ogum, os homens teriam arrebatado o poder que era antes de domínio das mulheres). Os antepassados divinizados tomaram o lugar das divindades primordiais e houve uma redivisão de trabalho entre os orisás. As divindades femininas antigas tiveram então seu culto reorganizado em torno de entidades femininas genéricas, as Yiá Mi Osorongá, consideradas bruxas maléficas pelo fato de representarem sempre um perigo para os poderios masculinos, e vários orisás tiveram dividido entre si as atribuições de zelar pela Terra, agora dividida em diferentes governos: o subsolo ficou para Omulu-Obaluaye e para Ogum, o solo para orisá-Oko e Ogum, a vegetação e a caça para os Odes e Osonyin e assim por diante. A fertilidade das mulheres foi o atributo que restou às divindades femininas, já que é a mulher que pari que reproduz e dá continuidade à vida. Constituir-se-iam elas então em orisás dos rios, representando a própria água, que fertiliza a terra e permite a vida: são as Yiagbás Yemonjá, Òsun, Obá, Oyá, Yewá e outras e também Nanã, que como antiga divindade da terra, representa a lama do fundo do rio, simbolizando a fertilização da terra pela água. Onilé teve seu culto preservado na África, mas perdendo muitas das antigas atribuições. Hoje ela representa nossa ligação elemental com o planeta em que vivemos, nossa origem primal. É a base de sustentação da vida, é o nosso mundo material. Embora sua importância seja crucial do ponto de vista da concepção religiosa de universo, os devotos a ela poucos recorrem, pois seu culto não trata de aspectos particulares do mundo e da vida cotidiana, preferindo cada um dirigir-se aos orisás que cuidam desses aspectos específicos. No Brasil, como aconteceu com outros orisás, seu culto quase desapareceu. Certamente um fator que contribuiu para o esquecimento de Onilé no Brasil é o fato de que este orisá não se manifesta através do transe ritual, não incorpora, não dança. Outros orisás importantes na África e que também não se manifestam no corpo de iniciados foram igualmente menos considerado neste País que, por influência do Kardecismo, atribui um valor muito especial ao transe. Foi o que aconteceu com Orunmilá, Oduwduwa, Orisá-Oko, Ajalá, além da Yiá Mi Osorongá. É interessante lembrar que o culto de Osonyin sofreu no Brasil grande mudança, passando o orisá das folhas a se manifestar no transe, o que o livrou certamente do esquecimento. O culto da árvore Iroko também se preservou entre nós, ainda que raramente, quando ganhou filhos e se manifestou em transe, sorte que não teve Apaoká. Na Nigéria mantém-se viva a idéia de que Onilé é à base de toda a vida, tanto que, quando se faz um juramento, jura-se por Onilé. Nessas ocasiões, é ainda costume pôr na boca alguns grãos de terra, às vezes dissolvida na água que se bebe para selar a jura, para lembrar que tudo começa com Onilé, a Terra-Mãe, tanto na vida como na morte. Um mito que já tive o prazer de contar em outras ocasiões ensina qual são a atribuição principal de Onilé, como ela está associada ao chão que pisamos e sobre o qual vivemos nós e todos os seres vivos que formam o nosso habitat, nosso mundo material.Assim conta o mito: Onilé era a filha mais recatada e discreta de Olodumare. Vivia trancada em casa do pai e quase ninguém a via. Quase nem se sabia de sua existência. Quando os orisás seus irmãos se reuniam no palácio do grande pai para as grandes audiências em que Olodumare comunicava suas decisões, Onilé fazia um buraco no chão e se escondia, pois sabia que as reuniões sempre terminavam em festa, com muita música e dança ao ritmo dos atabaques. Onilé não se sentia bem no meio dos outros. Um dia o grande deus mandou os seus arautos avisarem: haveria uma grande reunião no palácio e os orisás deviam comparecer ricamente vestidos, pois ele iria distribuir entre os filhos as riquezas do mundo e depois haveria muita comida, música e dança. Por todos os lugares os mensageiros gritaram esta ordem e todos se prepararam com esmero para o grande acontecimento. Quando chegou por fim o grande dia, cada orisá dirigiu-se ao palácio na maior ostentação, cada um mais belamente vestido que o outro, pois este era o desejo de Olodumare. Yemonjá chegou vestida com a espuma do mar, os braços ornados de pulseiras de algas marinhas, a cabeça cingida por um diadema de corais e pérolas, o pescoço emoldurado por uma cascata de madrepérola. Osòósi escolheu uma túnica de ramos macios, enfeitada de peles e plumas dos mais exóticos animais. Osonyin vestiu-se com um manto de folhas perfumadas. Ogum preferiu uma couraça de aço brilhante, enfeitada com tenras folhas de palmeira. Òsun escolheu cobrir-se de ouro, trazendo nos cabelos as águas verdes dos rios. As roupas de Osumarè mostravam todas as cores, trazendo nas mãos os pingos frescos da chuva. Oyá escolheu para vestir-se um sibilante vento e adornou os cabelos com raios que colheu da tempestade. Sòngo não fez por menos e cobriu-se com o trovão. Óòsàálá trazia o corpo envolto em fibras alvíssimas de algodão e a testa ostentando uma nobre pena vermelha de papagaio. E assim por diante. Não houve quem não usasse toda a criatividade para apresentar-se ao grande pai com a roupa mais bonita. Nunca se vira antes tanta ostentação, tanta beleza, tanto luxo. Cada orisá que chegava ao palácio de Olodumare provocava um clamor de admiração, que se ouvia por todas as terras existentes. Os orisás encantaram o mundo com suas vestes. Menos Onilé. Onilé não se preocupou em vestir-se bem. Onilé não se interessou por nada. Onilé não se mostrou para ninguém. Onilé recolheu-se a uma funda cova que cavou no chão. Quando todos os orisás haviam chegado, Olodumare mandou que fossem acomodados confortavelmente, sentados em esteiras dispostas ao redor do trono. Ele disse então à assembléia que todos eram bem-vindos. Que todos os filhos haviam cumprido seu desejo e que estava tão bonito que ele não saberia escolher entre eles qual seria o mais vistoso e belo. Tinha todas as riquezas do mundo para dar a eles, mas nem sabia como começar a distribuição. Então disse Olodumare que os próprios filhos, ao escolherem o que achavam o melhor da natureza, para com aquela riqueza se apresentar perante o pai, eles mesmos já tinham feito a divisão do mundo. Então Yemonjá ficava com o mar, Òsun com o ouro e os rios. A Osòósi com as matas e todos os seus bichos, reservando as folhas para Osonyin. Deu a Oyá o raio e a Sòngo o trovão. Fez Óòsàálá dono de tudo que é branco e puro, de tudo que é o princípio, deu-lhe a criação. Destinou a Osumarè o arco-íris e a chuva. A Ogum deu o ferro e tudo o que se faz com ele, inclusive a guerra.

E assim por diante. Deu a cada orisá um pedaço do mundo, uma parte da natureza, um governo particular. Dividiu de acordo com o gosto de cada um. E disse que a partir de então cada um seria o dono e governador daquela parte da natureza. Assim, sempre que um humano tivesse alguma necessidade relacionada com uma daquelas partes da natureza, deveria pagar uma prenda ao orisá que a possuísse. Pagaria em oferendas de comida, bebida ou outra coisa que fosse da predileção do orisá. Os orisás, que tudo ouviram em silêncio, começaram a gritar e a dançar de alegria, fazendo um grande alarido na corte. Olodumare pediu silêncio, ainda não havia terminado. Disse que faltava ainda a mais importante das atribuições. Que era preciso dar a um dos filhos o governo da Terra, o mundo no qual os humanos viviam e onde produziam as comidas, bebidas e tudo o mais que deveriam ofertar aos orisás. Disse que dava a Terra a quem se vestia da própria Terra. Quem seria? Perguntavam-se todos? “Onilé”, respondeu Olodumare. “Onilé?” todos se espantaram. Como, se ela nem sequer viera à grande reunião? Nenhum dos presentes a vira até então. Nenhum sequer notara sua ausência. “Pois Onilé está entre nós”, disse Olodumare e mandou que todos olhassem no fundo da cova, onde se abrigava vestida de terra, a discreta e recatada filha. Ali estava Onilé, em sua roupa de terra. Onilé, a que também foi chamada de Ilê, a casa, o planeta. Olodumare disse que cada um que habitava a Terra pagasse tributo a Onilé, pois ela era a mãe de todos, o abrigo, a casa. A humanidade não sobreviveria sem Onilé. Afinal, onde ficava cada uma das riquezas que Olodumare partilhara com filhos orisás? “Tudo está na Terra”, disse Olodumare. “O mar e os rios, o ferro e o ouro, Os animais e as plantas, tudo”, continuou. “Até mesmo o ar e o vento, a chuva e o arco-íris, tudo existe porque a Terra existe, assim como as coisas criadas para controlar os homens e os outros seres vivos que habitam o planeta, como a vida, a saúde, a doença e mesmo a morte”. Pois então, que cada um pagasse tributo a Onilé, foi à sentença final de Olodumare. Onilé, orisá da Terra, receberia mais presentes que os outros, pois deveria ter oferendas dos vivos e dos mortos, pois na Terra também repousam os corpos dos que já não vivem. Onilé, também chamada Aiê, a Terra, deveria ser propiciada sempre, para que o mundo dos humanos nunca fosse destruído. Todos os presentes aplaudiram as palavras de Olodumare. Todos os orisás aclamaram Onilé. Todos os humanos propiciaram a mãe Terra.

E então Olodumare retirou-se do mundo para sempre e deixou o governo de tudo por conta de seus filhos orisás1. E assim este mito, de modo didático e com muita beleza, situa o papel de Onilé no panteão dos deuses iorubás. Como é estrutural nos mitos, o tempo da narrativa não é histórico, dando a impressão que os cultos dos diferentes orisás foram instituídos a um só tempo, num só ato do supremo deus. A narrativa enfatiza, contudo, a concepção básica da religião dos orisás, isto é, que cada orisá é um aspecto da natureza, uma dimensão particular do mundo em que vivemos. Eles são o próprio mundo, com suas forças, elementos, energias e propriedades, mundo que tem por base Onilé, a Terra, o planeta que habitamos o nosso lar no universo.

Mito de Onilé.

Na África iorubá, Onilé ocupa lugar central no culto da sociedade masculina secreta Ogboni. A escultura em bronze aqui mostrada, provavelmente do século XVIII, é originária dessa sociedade tem os olhos em semicírculos, que tudo observam em silêncio, e as mãos fechadas e alinhadas, uma sobre a outra, na altura do umbigo, num gesto que simboliza o conhecimento ancestral, conforme os símbolos Ogboni, sociedade que, até o século XIX, cuidava da justiça, julgava criminosos e feiticeiros e executava os condenados à morte.

Louvar Onilé é celebrar as origens. Por isso, quando aparecem junto aos humanos, os antepassados egungun saúdam Onilé, lembrando-nos que ela é anterior a tudo o mais, mesmo às linhagens mais antigas da humanidade.

Onilé é assentada num montículo de terra vermelha, que representa o coração da Terra, podendo também ser montado com terra de cupinzeiro, que é trazida de dentro do solo pelos insetos trabalhadores, e que é vermelha. Dentro do montículo fixa-se uma quartinha com água, pois não há vida na terra desprovida de água. A quartinha dentro da terra simboliza que a água vem de dentro da Terra e que é assim a primeira dádiva de Onilé. A água que jorra do solo forma os regatos, rios, lagos e o próprio mar, de onde sobe para as nuvens e se precipita em chuva, voltando ao solo e subsolo, num ciclo permanente de propiciação da vida. O assentamento é coberto com moedas ou búzios, que entre os antigos iorubanos era dinheiro, representando toda a riqueza e prosperidade que está na Terra, que dela extraímos e na qual vivemos. Vermelho e marrom, cores da terra, são as cores apropriadas para colares de contas que homenageiam Onilé. Na África, os sacrifícios feitos a Onilé incluem caracóis, aves fêmeas e tartarugas No Brasil a legislação pune como crime inafiançável o sacrifício de animais ameaçados de extinção e assim a tartaruga é substituída pela cabra. Aliás, matar um animal em extinção seria uma ofensa imperdoável a Onilé, que é a própria natureza, a grande mãe da ecologia.

Além desses animais, dá-se para Onilé tudo o que a terra produz e que o homem transforma: obis, orobôs e todas as demais frutas, inhame e outros tubérculos, feijões, milho, favas, mel, dendê, sal, vinho e tudo mais que vem da terra pela mão do homem.

Cultuada discretamente em terreiros antigos da Bahia e em candomblés africanizados, a Mãe Terra tem despertado recentemente curiosidade e interesse entre os seguidores dos orisás, sobretudo entre aqueles que compõem os seguimentos mais intelectualizados da religião. Onilé, isto é, a Terra, tem muitos inimigos que a exploram e podem destruí-la. Para muitos seguidores da religião dos orisás, interessados em recuperar a relação orisá-natureza, o culto de Onilé representaria, assim, a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo que há em seu mundo. Pois é Onilé quem guarda o planeta e tudo que há sobre ele, protegendo o mundo em que vivemos e possibilitando a própria vida de tudo que vive sobre a Terra, as plantas, os bichos e a humanidade.

PORQUÊ CULTUAR ÒRISÁA vida na Terra é tão importante como a vida após esta. Cada religião representa um estilo de vida. As religiões que se baseiam no culto aos Àwón Òrìsà (Orixás) cuidam para que cada ser humano tenha uma relação harmônica com seus congêneres e com o resto da criação, de forma que levem uma vida plena de satisfação e felicidade.Um dos pontos essenciais dessas religiões é que estas não partem da arrogância do ser humano, ao contrário de outras religiões que acreditam que toda a criação foi feita para sua própria satisfação e exploração. Não podemos esquecer que há seres criados que se encontram em níveis mais altos do que o nosso, por isso devemos saudá-los e lhes fazer reverência. As religiões de culto aos Òrìsà não se baseiam no materialismo. Não obstante, segundo diz Ifá, existem três coisas que os seres humanos desejam na vida: Ire méta làwa n wá Àwá n wówó Àwá n wómo Àwá n wá àtubòtán ayé Buscamos três bênçãos, Buscamos a bênção do dinheiro, Buscamos filhos, Buscamos morrer em paz. A bênção das coisas materiais é a menos importante das três. A mais importante é ter uma vida longa, tendo boa saúde e morrer em paz, seguida pela bênção dos filhos. Esses são os três objetivos da vida na Terra. Quando alguém morre, existe a necessidade de saber se essa pessoa será feliz depois de sua morte. Não existe o inferno, mas existe o conceito de julgamento e castigo pós-morte. Ifá diz: E mo sìkà láyé o o ò Nítorí òrun. E mó sìkà láyé, Nítorí òrun. Bé e de bodè é ó rojó. Não faça nada maldoso na terra. Já que irás para o céu. Quando chegares ao portão (entre o céu e a terra) Terás que responder (pelo seus erros).
É no portão que existe entre o céu e a terra que o julgamento tem lugar em nosso caso. Esse portão não está custodiado por um ser humano, mas por um carneiro cujo nome é Àgbò Mòmò Momo. Ele é o guardião do portão entre o céu e a terra. Um verso de Ifá diz: Ajá níí gba bodè ní Ìpóró, Agbò níí gba bodèe Mòmò, Ewúré níí gba bodeè bóki bòki. O cão é o guardião da porta de Ìpóró, Àgbò, o carneiro, é o guardião da porta de Mòmò. Ewúré, a cabra, é a guardiã da porta daqueles que não podem manter a boca fechada! Quando se chegar ao portão que há entre o céu e a terra, haverá o julgamento e punição por aquilo que tiver feito. Se fez o bem será recompensado e poderá regressar à terra como um ancestral. Aqueles que não fizeram o bem não voltarão, tendo que transitar lentamente pelo que nós chamamos Òrun àpáàdì, que se assemelha ao inferno cristão.Aqueles que seguem o culto aos Àwón Òrìsà quando morrem vêem seus ancestrais. A mesma coisa acontece com os cristãos ou muçulmanos. Nunca vi ninguém que estivesse morrendo dizer que via um anjo, ou via Jesus Cristo. As pessoas sempre vão encontrar seus ancestrais, talvez o pai que tenha morrido vinte anos antes, ou a mãe, irmão, irmã, tio ou tia que já tenham morrido. Quando alguém está agonizando e começa a lhe dizer: “Olhe para isso” ou “Minha mãe está aqui! Oh, mamãe, que bom vê-la”, nos damos conta que essa pessoa logo estará junto aos seus ancestrais. Conta-se, por exemplo, que os caçadores, os quais são todos devotos de Ògún, quando morrem, se reúnem ao pé de uma árvore de Ògún, no céu, e assam carne (de caça) para Olúmokin. Em um verso Ìjálá se diz: Wón n be níbi ò gbé séyelé, Kò sádìe, Kò kúkú sí èmìnìkàn Ti í dami obè é nù; Kò kúkú sí kurúù ti í gbádiè. Mo kílé Ilé ò jé mó o. Baba à mi, mo sàgò sàgò títí, Onílé ò fohùn. Mo ní “Níbo lonílé yìí wà. Omo Oníwànnú, Ó yúnko, Àbó ròde.” Ode tí n be lóhùún pò jode ayé lo. Àwon n be nídìí Ògún, Eran ni wón n yan folúmokìn. Òrun dèdèedè mó kàn-ánjú mó, Gbogboo wa lá n bò. tradução Estão em um lugar onde não há pombos, Onde não há galinhas, Onde não há tremores Que possam derramar a sopa. Onde não há falcões que cacem pintainhos. Cheguei em casa e fiz minha saudação, Porém ninguém respondeu. Meu pai, eu o saudei “àgò!”, durante algum tempo, Mas ninguém respondeu. Perguntei, “Onde está o dono desta casa?” Filho de Oníwànnú, Foi à fazenda, Ou foi à cidade? Os caçadores do céu são em maior número Que os caçadores da terra. Oh Céu, que está pendurado acima (de nós), Oh Céu, não tenha pressa, (Pois) Todos nós estamos chegando.
A chave para se chegar a uma idade avançada e com boa saúde, bem como ter uma excelente recompensa no céu, é Ìwà pèlé, caráter bom, gentil e amoroso. Assim, quando alguém de bom caráter morre, ele ou ela irá para um lugar bom (Òrun Rere), o céu onde moram seus ancestrais e onde vivem os Àwón Òrìsà. Por isso é bom cultuar os Àwón Òrìsà, tentando imitar as suas boas qualidades. Acredito que todos nos estamos aqui,no aye para sermos felizes….e ter varias experiencias e emoções!!!!Portanto vamos viver cada momento com dignidade e alegria!!!!

VIDA E MORTE PARA OS YORUBÁ, ANCESTRALIDADE & LENDAS DE IKÚ – MORTE domingo, abr 1 2012 


VIDA E MORTE PARA OS YORUBÁ

Os yorubá, como os demais grupos africanos, crêem na existência ativa dos antepassados. A morte não representa simplesmente um fim da vida humana, mas a vida terrestre se prolonga em direção à vida além-túmulo, exatamente em algum dos nove espaços do Òrun, o domínio dos seres desprovidos do Èmì.
Assim, a morte não representa uma extinção, mas mudança de uma vida para outra. Os antepassados ou ancestrais são denominados Òkú Òrun e Àgbagbà, ou ainda pelo título de Ésà, usado para reverenciar os ancestrais nos ritos de Ìpàdé, dos candomblés do Brasil.

Um antepassado é alguém de quem uma pessoa descende, seja através do pai ou da mãe, em qualquer período do tempo, e que o ser vivente conserva relações filiais afetuosas. Somente alcançarão a condição de ancestral com merecimento de culto aqueles que atingiram uma idade avançada, com uma vida de boa qualidade e trabalho expressivo para a sociedade, além de terem deixado bons filhos. Para os yorubá, um casamento sem filho é algo mal sucedido.

Na verdade, seu sistema de valores tem por base três coisas: Owó (Dinheiro), Omo (Filhos) e Àíkú (Vida longa).

A Vida Longa é considerada a mais importante porque proporciona a oportunidade que pode tornar possível as duas outras. São esses e toda a linhagem de gerações passadas que, depois da morte se transformam, para seus familiares. Embora os ancestrais compreendam membros masculinos e femininos das gerações anteriores, os ancestrais masculinos são os mais importantes. Ao seguirem para o Òrun, os ancestrais são libertos de todas as restrições impostas pela terra, dessa forma, adquirem potencialidades que podem ser usadas para beneficiar seus familiares que ainda estão na terra. Por essa razão, é necessário mantê-los num estado de paz e contentamento. Quando dissemos que existe um culto ao ancestral, queremos dizer que o que existe de fato é uma manifestação de relacionamento familiar indestrutível entre o familiar que partiu e seus descendentes que aqui ficaram.

A palavra culto então colocada tem o significado de homenagem que melhor expressa o nosso entendimento sobre o assunto. O encaminhamento do espírito, depois dos rituais realizados, corresponde a passar de volta pelo portão do Oníbodè em direção a Olódùmarè, para receber o julgamento de seus atos na terra.

De acordo com o Órun ao qual foi destinado, continuará a exercer suas funções familiares, agora de modo mais poderoso sobre seus descendentes que a ele continuam a se referir como Bàbá mi(Meu pai), ou Ìyá mi(Minha mãe). Esta forma salienta o amor e a afeição que caracterizam as relações de ambos. Trazendo ao exemplo: “Eu vou falar com o espírito de meu pai”, mas sim, “Eu vou falar com o meu pai”, numa comprovação de que eles continuam a ter o título de relacionamento que tinham enquanto chefes de família. O fim da vida na terra envolve a questão a respeito do que se transforma o homem após a vida atual. Toda religião encara isto: Nascimento, Vida e Morte( Ìbí, Ìyé, Àti Ikú), o Pós- Vida (Iyè Lébìn Kú), o Julgamento Divino (Ìdájó ti Olórun) e o possível retorno em outra vida, sucessivamente (Àtúnwa). Ikú – Morte É visto como um agente criado por Olodumaré para remover as pessoas cujo tempo na Terra tenha terminado.

A morte é denominada Ikú, e trata -se de um personagem masculino. Sua lógica é para as pessoas mais velhas e que dadas certas condições, devem viver até uma idade avançada. Por isso , quando uma pessoa jovem morre, o fato é considerado tragédia, por outro lado, a morte de uma pessoa idosa é ocasião para se alegrar. Sobre isto, costuma-se dizer: Ikú Kí pani, ayò I’o npa ni – “a morte não mata, são os excessos que matam”.

O odú òyèkú méji revela, em um de seus ìtàn, que a morte começou a matar depois que sua mãe foi espancada e morta na praça do mercado: “No dia em que a mãe da morte foi espancada No mercado de Ejìgbòmekùn A morte ouviu E gritou alto, enfurecida A morte fez do elefante a esposa de seu cavalo Ele fez do búfalo sua corda Fez do escorpião o seu esporão bem firme pronto para a luta”

Posteriormente, a morte foi subjugado depois que seus inimigos conseguiram que ela comesse o que era proibido comer, segundo o conceito do èwò, visto anteriormente,só conhecido através do jogo de ifá. Neste relato, é a esposa de Ikú, Olójòngbòdú, que revela este segredo: “Nós consultamos Ifá para Olójòngbòdú Mulher de Ikú Ela foi chamada cedo, pela manhã Eles perguntaram o que seu marido não podia comer Que o tornasse capaz de matar outros filhos de pessoas ao redor? Ela disse que a Morte, seu marido, não podia comer ratos Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse ratos? Ela disse que as mãos da morte tremeriam sem parar Ela disse que a Morte, seu marido, não podia comer peixe Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse o peixe? Ela disse que os pés da Morte tremeriam sem parar Ela disse que a morte, seu marido, não podia comer ovo de pata Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse ovo de pata? Ela disse que a morte vomitaria sem parar”.

A conclusão deste odú é que foram dados á morte todos os alimentos proibidos, o que a fez acalmar e impedir a sua tarefa que estava sendo feita sem qualquer critério, ou seja, a Morte foi subjulgada apenas depois que seus inimigos conseguiram que ele comesse o que era proibido comer.

Verificamos novamente a importância do respeito às coisas proibidas, éwò, cujo conhecimento só é possível através do sistema de ifá. Devemos registrar que, no processo de divinização de ifá, ocorrendo a caída deste odú, irá revelar vitória de qualquer pessoa sobre a morte.

Embora a morte seja inevitável, e imprevisível, vimos que ele pode sofrer alterações através da intervenção de Orunmyilá ou de qualquer outro Orixá junto a Olodumaré, e isto é previsto em outro mito, quando Exú consegue subornar o filho de Ikú, que revela o modo pelo qual Ikú matava com o uso de uma clava a fonte indispensável de seu poder.

Sem essa clava , Ikú tornava-se impotente. Exú foi ajudado pôr Ajàpàá, a tartaruga, que conseguiu o que desejava, conforme o dito: Ajàpàá gbé òrúkú I’owó Ikú – “A tartaruga tirou a clava das mãos de Ikú”. Posteriormente, fez um pacto com Orunmyilá, com a condição dele ajudá-lo a recobrar a sua clava; em troca, Ikú só levaria aqueles que não se colocarem sob a proteção de Orunmyilá ou aqueles que estivessem com a data já determinada para o fim de suas vidas na terra. Isto reflete a necessidade de um constante acompanhamento da situação de uma pessoa através do jogo. Daí o provérbio: Arùn I’a wò, a Ki Wo Ikú – “A doença pode ser curada a morte não pode ser remediada”. E ainda o odú Irò-sùn – oso revela: _Se Ikú não chegar, adoremos Oxum Se Ikú não chegar, adoremos Orixá Se ikú realmente chegar, não adianta Ikú receber sacrifício”Ìsinkú – Ritos Funerários A circunstância que cerca a morte de uma pessoa, a idade, condição social e o seu relacionamento religioso são fatores importantes que impõem a forma dos rios funerários.

O povo yorubá como o resto do povo africano, eles crêem que a morte não e o fim da vida. Eles acreditam que existe um outro mundo paralelo ao nosso. A morte para eles não representa o fim da vida terrestre e sim um prolongamento da vida além túmulo. Este mundo para o povo yorubá é chamado de Orun ( Céu ) o mesmo é dividido em 9 ( nove ) partes. Este local para eles é o domínio dos seus ancestrais.

A morte para o yorubá não é a extinção da vida terrestre, mas uma mudança de vida para outra. Seus antepassados ou ancestrais são chamados de Òkù Òrun e Àgbagbà, ou ainda tem um outro título chamado de Èsa, usado para reverenciar um ancestral por parte religiosa Lese Orisa ( Culto aos Orixás ), este Título chamado de Èsa e chamado seu nome em um ritual desta religião chamado de Ìgpádè ( Encontro ).

Um antepassado ou ancestral e alguém que uma pessoa descende, seja por parte paternal o maternal, em qualquer período de tempo, em que o ser vivente conversava e tinha relações afetuosas. O povo yorubá tem por costume cultuar seus antepassados ou ancestrais para ter o merecimento de culto, somente aqueles que uma idade avançada ( salvos algumas restrições de nascimento), ter tido um trabalho de boa qualidade perante a sociedade, ter deixado bons filhos, ter sido uma pessoa de boa índole . Para o yorubá um casamento sem filhos não é uma boa forma de ter vivido ou seja um mal negocio.
Para eles existe um sistema de valores que tem 3 partes: Um OWO ( Dinheiro), Dois OMO ( Filhos) Três ÀÍKÙ ( Vida longa ).

A vida longa para eles e a mais importante porque pode proporcionar a ele o alcance das outras duas partes. São estes valores e toda linhagem de gerações passadas que, se transformam para os seus familiares o direito de ser cultuado como antepassado ou ancestral. Existe a ancestralidade por parte de pai e mãe, mais somente a parte masculina e cultuada por ser a mais importante. Através do pai que é passada a ancestralidade da família, ele e o procriador e cabe a ele a transmissão da mesma para os seus filhos, sendo a mãe a genitora recebendo esta ancestralidade e dando a ele a vida. A parte feminina e cultuada de uma forma de energia aglutinada tendo o seu culto junto as Gelede ( Culto de eguns femininos ligado ao culto das Yia mi Aje.” Minha mães feiticeiras”). Os ancestrais quando chega ao Orun, eles são recebidos pelos seus antecessores acolhendo e encaminhando, fazendo-os se desprender dos bens materiais. Sendo, este que faleceu pertencer ao culto dos orisas, ele só poder se desprender de todo bem material deixado na terra, depois do asese ( Axexe. Obrigação feita para as pessoas que morrem e pertence ao culto de orixá). Feito esta obrigação este ancestral poderá se desprender das coisas matérias e encontrar os seus ancestrais que já se encontram no Orun, os mesmos ajudam encaminhando para um lugar de luz, fazendo com que ele ganhe grau espiritual para poder ajudar seus familiares que deixou na terra.

Quando falamos a palavra culto damos a conotação de homenagem aos espírito, assim podemos entender melhor o que falamos. Feito as obrigações do ritual fúnebre, o espírito se desprende de tudo que deixou na terra e passa por um portal que liga o Aye ( terra) ao Òrun ( céu), este portal e guardado por um guardião chamado de Ònibòdè Òrun ( guardião do céu), este portal tem a ligação entre os dois mundos no qual Òrun e a moradia de Òlòdumarè ( Criador supremos de tudo e todos os seres).

Conforme a cultura Yoruba, o Òrun e dividido em 9 ( nove) partes e dependendo da vida e a causa morte deste ancestral ele e colocado em uma destas 9 ( nove ) partes. Cada parte corresponde a um tipo de elevação espiritual. Dependendo da vida, ele pode ficar no Òrun Buruku ( Parte onde se encontra as pessoas que teve uma vida ruim, só causou problemas, matou, roubou, teve uma vida desregrada), até o Òrun Áláfiá ( Parte onde se encontra os que tiveram uma vida solida, sadia, boa, foi uma pessoa de boa índole). Por isso temos de fazer por merecer que nosso espírito seja cultuado e reverenciado por nossos descendentes. Somente seremos reverenciados após nossa morte e poderemos ajudar nossos descendentes se tivermos uma vida correta.

Nascimento ( Ìbi), Vida( Ìyé) e Morte( Àti Iku ), o Pós- Vida ( Ìye Lèbin Iku), o Julgamento Divino ( Idájo ti Òlòrun) e o possível retorno a vida sucessivamente ( Àtùnwa) São visto com criação de Òlòdumarè, para remover da terra as pessoas que tiveram seu tempo de vida. Sendo Iku o seu mais fiel mensageiro. Para os Yorubas Iku também e um orisa. Iku não mata, somente toca as pessoas, com este toque a pessoa se desliga deste mundo acordando no outro. Costuma-se dizer: Ikú Kí pani, ayò I’o npa ni – “ A morte não mate, são os excessos que matam”

O odú Òyèkú Méji revela, em um de seus ìtàn, que a morte somente começou a matar, depois que sua mãe foi espancada e morta na praça do mercado de Ejìgbòmekùn. Ele gritou enfurecido. Fez do elefante a esposa do seu cavalo. Ele fez do búfalo a sua corda. Ele fez do escorpião o seu esporão bem firme pronto para lutar.

Conforme a cultura Yoruba, o Òrun e dividido em 9 ( nove) partes e dependendo da vida e a causa morte deste ancestral ele e colocado em uma destas 9 ( nove ) partes. Cada parte corresponde a um tipo de elevação espiritual. Dependendo da vida, ele pode ficar no Òrun Buruku ( Parte onde se encontra as pessoas que teve uma vida ruim, só causou problemas, matou, roubou, teve uma vida desregrada), até o Òrun Áláfiá ( Parte onde se encontra os que tiveram uma vida solida, sadia, boa, foi uma pessoa de boa índole). Por isso temos de fazer por merecer que nosso espírito seja cultuado e reverenciado por nossos descendentes. Somente seremos reverenciados após nossa morte e poderemos ajudar nossos descendentes se tivermos uma vida correta.

Nascimento ( Ìbi), Vida( Ìyé) e Morte( Àti Iku ), o Pós- Vida ( Ìye Lèbin Iku), o Julgamento Divino ( Idájo ti Òlòrun) e o possível retorno a vida sucessivamente ( Àtùnwa) São visto com criação de Òlòdumarè, para remover da terra as pessoas que tiveram seu tempo de vida. Sendo Iku o seu mais fiel mensageiro. Para os Yorubas Iku também e um orisa. Iku não mata, somente toca as pessoas, com este toque a pessoa se desliga deste mundo acordando no outro. Costuma-se dizer: Ikú Kí pani, ayò I’o npa ni – “ A morte não mate, são os excessos que matam”

O odú Òyèkú Méji revela, em um de seus ìtàn, que a morte somente começou a matar, depois que sua mãe foi espancada e morta na praça do mercado de Ejìgbòmekùn. Ele gritou enfurecido. Fez do elefante a esposa do seu cavalo. Ele fez do búfalo a sua corda. Ele fez do escorpião o seu esporão bem firme pronto para lutar.

A esposa da morte.Ojontarigi era a única esposa da Morte,Mesmo assim Orunmila quis arrebatá-la.À Orunmila foi dito para ele fazer sacrifício,E ele fez.Depois que ele terminou de fazer o sacrifício, Ele arrebatou Ojontagiri para longe da morte.Então a Morte pegou o seu Kumo,E foi para a casa de Orunmila.Ele viu Esu na frente da casa.Esu disse: “Como vai você ?”,Iku Ojepe cujo artigo de vestuário é tingido em osun.Depois que eles trocaram saudações,Esu pergunta para ele: Onde você vai?Morte respondeu que ia para a casa de Orunmila.Esu pergunta: Qual o problema?Morte disse que Orunmila levou sua esposa,E por isso tem que matá-lo.Esu, então, implorou para Morte se sentar.Depois que ele se sentou,Esu deu comida e bebidas.Depois que Morte comeu até se satisfazer, Ele se levantou,Pegou seu bastão, E começou a ir.Então, Esu perguntou novamente: “Onde você vai?”,

Morte respondeu que ele ia para a casa de Orunmila
Então Esu disse: “Como você pode comer a comida de um homem, e ao mesmo tempo querer matá-lo ?”Você não sabe, que a comida que a pouco você comeu, pertence à Orunmila?De repente morte não sabia o que fazer,Ele diz: “Diga para Orumila que ele pode ficar com a mulher”

Assim Ikú ficou sozinho, sem filho e sem esposa! Sendo o Orisa mais fiel a Òlòdumàré

Por isso se recebemos uma pessoa em nossa casa, damos abrigo, alimentação, esta pessoa não poderá nos fazer mal, e se o fizer pagará com a própria vida por este ato. Nem Ikú matou Òrumilá depois de comer sua comida. Quem somos para fazer mal aquele que nos alimenta.

ANCESTRALIDADE

Na Cultura Yorubá, a vida não se finda com a morte. Àtúnwa, É O Nome Dado Ao Processo Divino De Existência Única A Continuidade Da Vida. Olodumarê , O Supremo Deus Yorubá No Momento Do Nascimento Oferece Aos Homens Um Conjunto De Forças Sagradas Que Possibilita A Vida.São elas: Ara: O Corpo Físico Vindo Da Lama. Ese: Elementos Do Organismo Humano. Okan: Coração Físico E Espiritual – Órgão Que Centraliza O Poder De Vida E Sede Da Inteligência, Do Pensamento E Da Ação. Ojiji: Essência Espiritual. Emi: O Sopro Divino De Vida. Ori: A Individualidade E A Identidade. Odu: O Destino E O Caminho A Ser Percorrido. Ase: Força Movimentadora Da Vida. Orisa: Guardião De Cada Existência Humana. Todos Estes Aspectos Não Morrem…Voltam As Suas Origens, Isto É, Ao Orun, Pois Pertencem A Olorun E Só Ele Pode Liberá-Las.
Estas Forças Divinas, Animaram Os Antepassados, Os Ancestrais, As Raízes Mães Do Asé Orisá, Ao Partirem Do AiyE E Voltam Ao AiyE Para Animar Seus Descendentes E Discípulos. A Ancestralidade Confirma A Imortalidade, Pois A Vida Continua No Orun Como Ancestrais. Do Orun A Ancestralidade A Tudo Assiste.No Culto De Orisá, Ancestrais Significa:”Aqueles Que Um Dia Tiveram A Energia De Vida No Aiyê E Que Cuja Energia De Vida É Repassada As Novas Gerações, Garantindo A Continuidade Da Vida E Do Culto Aos Deuses Africanos. “Como Conclusão A Vida Presente Depende Da Vida Passada De Nossos Ancestrais” O CULTO AOS ANCESTRAIS Através do culto aos ancestrais, os Egun ou Egungum é possível reconstruir origens, etnias, memória.
Essa memória, enraizada na multiplicidade da herança negro-africana, expande com força total, um ethos que passando a diversidade de suas expressões manifestas. Permite revelar estruturas, valores, normas, denominadores comuns onde a questão da ancestralidade mítica e histórica, marca a existência de uma forte comunalidade. É na memória e no culto aos antepassados que essa comunalidade se afirma (Mestre Didi) Porque o objetivo principal do cultos dos Egun é tornar visível os espíritos dos ancestrais, agindo como uma ponte, um veículo, um elo entre os vivos e seus antepassados. E ao mesmo tempo que mantém a continuidade entre a vida e a morte, o culto mantém estrito controle das relações entre os vivos e mortos, estabelecendo uma distinção bem clara entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos (os dois níveis da existência).
No símbolo “Egungun” está expresso todo o mistério da transformação de um ser deste-mundo num ser-do-além, de sua convocação e de sua presença no Aiyê (o mundo dos vivos). Esse mistério (Awo) constitui o aspecto mais importante do culto.Vida e Morte para os Yorubás Os yorubá, como os demais grupos africanos, crêem na existência ativa dos antepassados. A morte não representa simplesmente um fim da vida humana, mas a vida terrestre se prolonga em direção à vida além-túmulo, exatamente em algum dos nove espaços do Òrun, o domínio dos seres desprovidos do Èmì

Texto Adaptado por Lokeni Ifatolà

Assim, a morte não representa uma extinção, mas mudança de uma vida para outra. Os antepassados ou ancestrais são denominados Òkú Òrun e Àgbagbà, ou ainda pelo título de Ésà, usado para reverenciar os ancestrais nos ritos de Ìpàdé, dos candomblés do Brasil. Um antepassado é alguém de quem uma pessoa descende, seja através do pai ou da mãe, em qualquer período do tempo, e que o ser vivente conserva relações filiais afetuosas. Somente alcançarão a condição de ancestral com merecimento de culto aqueles que atingiram uma idade avançada, com uma vida de boa qualidade e trabalho expressivo para a sociedade, além de terem deixado bons filhos. Para os yorubá, um casamento sem filho é algo mal sucedido. Na verdade, seu sistema de valores tem por base três coisas: Owó (Dinheiro), Omo (Filhos) e Àíkú (Vida longa).
A Vida Longa é considerada a mais importante porque proporciona a oportunidade que pode tornar possível as duas outras. São esses e toda a linhagem de gerações passadas que, depois da morte se transformam, para seus familiares. Embora os ancestrais compreendam membros masculinos e femininos das gerações anteriores, os ancestrais masculinos são os mais importantes. Ao seguirem para o Òrun, os ancestrais são libertos de todas as restrições impostas pela terra, dessa forma, adquirem potencialidades que podem ser usadas para beneficiar seus familiares que ainda estão na terra.
Por essa razão, é necessário mantê-los num estado de paz e contentamento. Quando dissemos que existe um culto ao ancestral, queremos dizer que o que existe de fato é uma manifestação de relacionamento familiar indestrutível entre o familiar que partiu e seus descendentes que aqui ficaram.De acordo com o Órun ao qual foi destinado, continuará a exercer suas funções familiares, agora de modo mais poderoso sobre seus descendentes que a ele continuam a se referir como Bàbá mi(Meu pai), ou Ìyá mi(Minha mãe). Esta forma salienta o amor e a afeição que caracterizam as relações de ambos. Trazendo ao exemplo: “Eu vou falar com o espírito de meu pai”, mas sim, “Eu vou falar com o meu pai”, numa comprovação de que eles continuam a ter o título de relacionamento que tinham enquanto chefes de família. O fim da vida na terra envolve a questão a respeito do que se transforma o homem após a vida atual.
Toda religião encara isto: Nascimento, Vida e Morte( Ìbí, Ìyé, Àti Ikú), o Pós- Vida (Iyè Lébìn Kú), o Julgamento Divino (Ìdájó ti Olórun) e o possível retorno em outra vida, sucessivamente (Àtúnwa). Ikú – Morte É visto como um agente criado por Olodumaré para remover as pessoas cujo tempo na Terra tenha terminado. A morte é denominada Ikú, e trata -se de um personagem masculino. Sua lógica é para as pessoas mais velhas e que dadas certas condições, devem viver até uma idade avançada.
Por isso , quando uma pessoa jovem morre, o fato é considerado tragédia, por outro lado, a morte de uma pessoa idosa é ocasião para se alegrar. Sobre isto, costuma-se dizer: Ikú Kí pani, ayò I’o npa ni – “A morte não mata, são os excessos que matam” “Todas as coisas que fazemos na terra Damos conta, de joelhos no céu” Somente quando se é absolvido por Olodumaré é que se tem a oportunidade de reunir-se com seus ancestrais, podendo-se reencarnar e renascer dentro da mesma família. Se alguém porém é condenado vai para o Òrun Àpáàdi, onde irá sofrer com maus. Quando finalmente for libertado, não terá oportunidade de viver uma vida normal e será condenado a errar, por lugares solitários, comendo alimentos intragáveis
 —

LENDAS DE IKÚ – MORTEEm outra história, Ikú está ligada ao mito da criação dos seres humanos. Conta a lenda que Olódùmarè, ao decidir criar o ser humano, designou essa incumbência Òòsààlà, que teve a necessidade de obter o material adequado para aquele propósito. Pensou e achou que o melhor material para moldar os seres humanos seria amòn (o barro) formado pela mistura de terra e água. Então, Òòsààlà que fora incumbido daquela tarefa por Olódùmarè, ordenou a Èsù o mensageiro, que fosse buscar um pouco de lama para que Ele pudesse executar sua tarefa.
Como era corrente e sabido por todos, não havia nada que Èsù não pudesse realizar, e a tarefa parecia super fácil para ele. Mas, ao chegar ao local, quando Èsù meteu a mão na lama arrancando-a, Ayé (a Terra) chorou porque estavam arrancando parte dela e ela sentia muita dor com aquilo. Embora Èsù tivesse fama de mau e implacável, ficou mortificado de pena de Ayé e deixou a lama para lá. Regressou a Òòsààlà e relatou o acontecido.
Òòsààlà então chamou Ògún, este sim, guerreiro intrépido e destemido que em batalhas matava o inimigo até mesmo brincando, resolveria aquele pequeno problema. E lá se foi Ògún. Em lá chegando, quando ele retirou a lama para colocar em sua làbà (bolsa capanga), Ayé caiu em prantos lamentando-se. Ògún também ficou penalizado ora, Ayé não lhe fizera nada de mal e ele não estava zangado, e assim, não tinha ímpeto suficiente para feri-la. E também voltou a Òòsààlà para explicar o seu fracasso em cumprir sua missão.
Assim, um a um dos Òrìsà que foram incumbidos por Òòsààlà para aquela mesma missão, voltava com a mesma desculpa: ninguém foi capaz de tirar a lama de Ayé, cada qual com suas qualidades que o recomendava com a certeza do cumprimento da tarefa, mas, tudo em vão.
Foi aí que Òòsààlà chamou Ikú, deu-lhe a àpò (bolsa) e mandou-o para executar a tarefa que todos os demais Ìmolè tinham fracassado em cumprir. Então, Ikú ao chegar na terra começou a retirar a lama de Ayé, e ela chorou, mas, Ikú não se importou com o pranto dela e pegou toda a lama de que precisava e retornou a Òòsààlà com sua missão cumprida.
Então, após moldar os seres humanos, Òòsààlà plantou uma árvore para cada um, para que ela lhe suprisse o oxigênio e desse continuidade à respiração, iniciada pelo sopro divino de Olódùmarè pois, Olódùmarè o Criador Supremo, insuflou o seu hálito (èémí) para dar vida e mobilidade aos seres humanos. E disse a Ikú que, como fora ele quem retirara o material necessário para moldar os seres humanos, em qualquer época que se fizesse necessário, ele estaria também incumbido de levá-lo de volta para recolocar em seu lugar de origem, após a utilização daquele material. Por isso é, que quando chega a época da devolução daquela porção do material primordial, Ikú é quem vem buscar a pessoa para recolocá-la em seu lugar original.
Visto assim, do ponto de vista das lendas Yorùbá, Ikú (a Morte) não é aquela coisa tenebrosa que nos incutiram desde a mais tenra idade. Ikú, para os Yorùbá tradicionais é ao mesmo tempo, o fornecedor primordial e o restaurador da matéria retirada e fornecida por Ele próprio, sendo Ele assim o princípio e fim, o princípio e o fim e, e o princípio e o fim…, e assim sucessivamente, num eterno círculo, onde não há início nem final, que está sempre recomeçando.

Tudo o que nasce um dia morre; qualquer coisa, animal ou indivíduo, mais dias ou menos dias morrerá.
Se pensarmos bem, veremos que a vida e a morte são faces da mesma moeda: a existência.
Em nossa cultura ocidental em geral, ensinaram-nos a temer a morte, como se ela fosse a pior coisa que poderia nos acontecer. E, ainda desde criança, criaram em nossas mentes algumas imagens para esteriotipar a morte como a figura de alguém vestido com uma túnica longa, usando um capuz cobrindo não somente a cabeça, mas, escondendo a face que nunca aparece, por estar sempre na penumbra formada por esse capuz; ou então, uma outra figura também de túnica longa, com o rosto de uma caveira, também com a cabeça encoberta por um capuz e segurando em suas mãos um grande cajado terminado em feitio de foice; isto, para enfatizar a função do “ceifador de vidas”, de quem ninguém jamais escapará.A história Yorùbá como sabemos, é pródiga em pequenas lendas; para tudo ou quase tudo há sempre uma historinha explicando o porque daquilo. Como não poderia deixar de ser, Ikú (a Morte), também tem suas histórias interessantes. E uma delas conta que:
Ikú, era um jovem guerreiro, forte e muito bonito. Sua beleza era tamanha que impressionava tanto às mulheres quanto aos homens.
As mulheres encantavam-se tanto com sua bela figura que onde quer que o vissem, acompanhavam-no só para poderem continuar admirando aquela criatura tão encantadora. Não podiam desviar os olhos dele.
Os homens, embora tentassem disfarçar ou não quererem admitir que estavam encantados com a beleza de Ikú, também acabavam seguindo-o. Alguns do tipo machão, diziam que seguiam-no somente por curiosidade de saber quem era e onde morava.
Só que Ikú morava no Igbó-Ikú (Floresta dos Mortos ou Floresta da Morte), de onde quem quer que fosse até lá e entrasse, jamais sairia; nunca mais seria visto, pois fora para o Igbó-Ikú.
E todo o encanto e beleza de Ikú, tinham justamente o objetivo de chamar a atenção das pessoas e atraí-las, e que inadvertidamente seguiam-no e adentravam no Igbó-Ikú, o reino dos mortos, onde, evidentemente, o rei era o próprio Ikú e de onde não é permitido a ninguém retornar, uma vez ali adentrado.

IYÁMI OSORONGÁ domingo, abr 1 2012 


O QUE É IYAMI OSORONGA?
Iyami Osoronga são entidades femininas que possuem algumas energias especiais tanto na forma positiva quanto na negativa.

Iyami Osoronga é uma convicção, freqüentemente herdada, e às vezes adquirida por atributos orgânicos de uma pessoa. Este atributo faz com que a pessoa tenha poderes que podem prejudicar ou ajudar outros, a uma distância e através de meios de descuido. Mais adiante, a mesma convicção é que uma pessoa pode ter este poder, mas desde que ele não sinta motivos hostis contra outros, permanece dormente e não os afeta. Inveja, fúria, ódio, malícia são os tipos de sentimentos viciosos em que se fixam o poder de bruxaria, se a pessoa possuí-los isto deverá ser trabalhado.

Acredita-se que uma pessoa pode ter este poder e não ter conhecimento disto, até que os sentimentos viciosos dela seja fixados para trabalhar contra os outros. Em alguns casos, bruxaria é a expressão de tensão ou o mecanismo de conflito entre duas pessoas. Então, bruxaria é um conflito de interesse entre o acusador em uma mão, e o acusado na outra.

Como dito anteriormente, os Yorubas acreditam que todos os destacamentos das coisas devem-se à própria essência delas. Para afetar uma pessoa ou situação, feiticeiros, herboristas, Babalawo, etc., extrai a essência por rituais.

ÌYÀMÌ-ÒDU quando veio para ser o mundo recebeu diretamente de DEUS o poder sobre todos os ÒRÌSÀS e todos os seres humanos. Poder este, simbolizado por (Éyé) Pássaro residente no interior de uma grande cabaça, a qual é a imagem do mundo contendo o poder existencial e sobrenatural, expressado pelo pássaro em seu conteúdo.

Por isso na cultura Yoruba, ÌYÀMÌ é chamada de ELEYE ( Poderosa Mãe Proprietária do magnifico poder do Pássaro). Poder que metaforicamente abusou… dando motivos para que Olodunmare (Deus) retirasse a parte superior da cabaça, compartilhando com Òòrìsàn’là (o Céu) seu companheiro, ou parte masculina, o qual é a própria e completa extensão celestial. Apartir de então, cobrindo completamente ÌYÀMÌ (a Terra). Assim os dois vieram ao mundo (criados juntos). Quando Olodunmare literalmente visualizou, decretou e criou a força masculina (Òòrìsàn’là) lhe outorgando a partir daquele momento exercer o Poder, do qual, no entanto, Ela (ÌYÀMÌ) o conservará.

Podemos então perceber na comparação entre os mitos, uma perda de valores culturais e religiosos. Pois quem entender ou afirmar, encarando ÌYÀMÌ simplesmente como agente maléfico, Egungun ou como uma Bruxa, isto é simplesmente incorrer numa total falta de informação segura. Como também, é literalmente negar todas as profundidades simbólicas e poéticas existente no culto Yorubà.

O poder de ÌYÀMÌ é atribuído às mulheres possivelmente para que os homens administrem esse poder, sendo que muitos aqui no Brasil desconhecem tal fato, enquanto outros deturpam a não aceitação por uma completa e real falta de sabedoria.

Este poder feminino é uma função somente conferida às mulheres bem idosas, verdadeiras fêmeas-viviperas ( Parideiras), amamentadoras e protetoras de tudo que faz ou gera. Mas pensa-se, que em certos casos este poder pode pertencer também a moças bem jovens. Isto vai, de gerar filhos até a utilização dos poderes sobrenaturais. Poder este, recebido geralmente como herança de suas entes queridas, seja para dar a luz, amparar, ensinar, etc.

Tanto no aspecto material como espiritual (psicológico), os quais, entre outros são poderes sobrenaturais que seria mais viável utiliza-los numa idade madura, esperando atingirem um melhor preparo na vida.

Muito raramente, mais acontece, é certas mulheres de qualquer idade adquirindo voluntariamente o poder sobrenatural, até mesmo sem que o saiba…

Desde as èpocas mais remotas manifestações do culto à ÌYÀMÌ foi apreciado por mulheres. Nas religiões: Yoruba, egípcia e grega quando a alma “essência” era, e ainda é, representada através do pássaro, o qual sempre acompanhou as mulheres numa referencia do poder sobrenatural associadas principalmente as grandes Deusas de vária culturas; Oxun na cultura Yoruba – Isis na cultura Egípcia – Dianna dos Efesos, etc. Elas são paradigmas de fontes de vida elementares e incontrolaveis como a Liberdade. Possuidoras de força e sabedoria própria, o que estimulavam as mulheres a não se submeterem a nenhuma organização ou lei nacionalista.

Em torno da parte feminina, Deus levanta o entusiasmo da humanidade, convidando diferentemente todos os Povos. a uma experiência diretamente com o sagrado.

A evolução do Poderio Feminino.

No século XIV entretanto, marca o fim desse reflorescimento do feminino, com as primeiras fogueiras acesas pela Inquisição, que arderam 500 anos. Esta grande fogueira queima e difama os Templários e encabeça a caça às mulheres dotadas de poderes sobrenaturais “Bruxas”, numa tentativa de eliminar o princípio feminino de prazer, liberdade e bonança propiciado pela Mãe-Terra. Na verdade, as fogueiras das bruxas só se extinguiram na Era da Razão. Apesar de aparentemente não corresponderem ao ideal da Era da Razão, quando as mulheres surgiam como um símbolo de uma Força sobrenatural, muitas das vezes mais antiga e poderosa, do que a de um Rei ou Papa.

Quando as qualidades sublimes e sutis do feminino foram renegadas e um período de obscurantismo e clandestinidade se abateu sobre o culto a ÌYÀMÌ (a grande Mãe Terra), ou seja, Mãe das mães doadoras de vida, prazer e felicidade.

No inicio da Era Cristã o culto das divindades femininas de todos os Olimpo declinou. O culto à ÌYÀMÌ (Mãe-Terra) sofreu este mesmo declínio e passou a ser clandestino. Chegando até nós somente os ecos de alguns vultos como poucos fundamentos. Já os mistérios de Eleusis na cultura Grega e romana, as quais cultuavam ÌYÀMÌ com o nome de Deméter e Perséfone. Artemisia em Éfeso, continuaram por um bom tempo um culto inabalável. Nem mesmo o Apóstolo Paulo conseguiu impedir seu Culto. Ela era Diana, a Hécate do mundo romano, a Deusa do ramo dourado consequentemente proprietária da madeira, sendo este um traço característico da Mãe Universal e sobrenatural, a qual foi muitas vezes encontrada em árvores, elemento associado a Eegun (ancestralidade masculina).

Saudades e gratidão eternas… quarta-feira, fev 8 2012 


Postei numa madrugada onde se misturavam saudades e gratidão eternas…

 

Não poderia hoje, dormir sem dizer isso…
No total reconhecimento e amor que trascedem o desencarne de uma pessoa enquanto entre nós, símbolo de ser gente, mulher e espírita: mãe Edith!
Que nos meus dez anos de idade, tive a graça de parar em seu barracão de Omolocô, em Saracuruna ( Duque de Caxias ) aonde com toda a sua sabedoria de gente e de verdadeiro espiritismo foi – me passado, em suas mãos des de minha primeira obrigação e daí por diante. Acolhida com muito carinho e responsabilidade fui, tanto que em suas mãos, minha velha, minha vida só prosperou. Juntamente com o seu Preto Velho Pai Benedito das Almas

, sua linda Oxum, seu formoso Xangô e sua estondeante Maria Mulambo. Com todo axé de seu barracão e de seus Orixás, os Meus quando tu pusestes com suas mãos altamente sábias e caridosas na minha primeira deitada de santo e assim sucessivamente, cresci e fui feita o que sou. Devo muito gratidão, tudo do muito que sou como gente e espírita, enorme, sem dimensão e palavras que digam com total exatidão, o tudo de agradecimento e amor que sinto por ti e pelos os seus Orixás e os Meus, os quais suas lágrimas derramaram emocionada quando viu meu Pai vir no roncó! Todas as palavras existentes no mundo, jamais alcançariam com total fidelidade de grandeza da infinita gratidão e amor que sinto por ti, seus Orixás e os Meus. Felizes são aqueles, que passaram por vossas mãos, as pessoas costumam dizerem que não existe ninguém insubstituível… no espiritismo sim, quem conheceu – a, reconhece: a senhora. Terei sempre total certeza em meu coração, nesse meus vinte e seis anos de santo, que estás em um lugar tão maravilhoso que o homem jamais saberá descreve – lo! Quero que sejas feliz plenamente, aliás, creio que já és, aonde estás! Falar das mães é falar de Deus, pois no coração delas está o verdadeiro amor. Amor que poderia até ser usado como exemplo, amor que se dá sem pedir recompensa.

Sem cobrança, sem distinção, sem egoísmo e até sem medir distância, nunca deixa de ser amor.
Sua luta no dia a dia a faz uma mulher madura, competente, que sabe o que quer para sua vida.

Sexo frágil sim.
Mas acomodada não.

Cada dia mais preparada, mas consciente de que o mundo foi feito para ambos os sexos e faz de tudo para que seus direitos e seus ideais sejam respeitados.

Com coragem e persistência luta a cada dia para ajudar na felicidade da família.

Parabéns mãe Edith por tudo o que fostes em vida! E que és aí onde estás!

.Para todo o sempre, irei te amar!!!!!!!

Madre Teresa de Calcutá quinta-feira, fev 2 2012 


 “O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso.”“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”“Quando descanso? Descanso no amor.”“O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.”

“Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão.”

“É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.”

“As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.”

“Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade.”

“A falta de amor é a maior de todas as pobrezas.”

“O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o.”

“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.”

“A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.”

“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

“O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa.”

“Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”

“Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiracão, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.”

“Se um dia eu for Santa, serei com certeza a santa da escuridão’. Estarei continuamente ausente do Paraíso”, escreveu a monja

A vida

A vida é uma oportunidade, aproveita-a.
A vida é beleza, admira-a.
A vida é beatificação, saborei-a.
A vida é sonho, torna-o realidade.
A vida é um desafio, enfrenta-o.
A vida é um dever, cumpre-o.
A vida é um jogo, joga-o.
A vida é preciosa, cuida-a.
A vida é riqueza, conserva-a.
A vida é amor, goza-a.
A vida é um mistério, desvela-o.
A vida é promessa, cumpre-a.
A vida é tristeza, supera-a.
A vida é um hino, canta-o.
A vida é um combate, aceita-o.
A vida é tragédia, domina-a.
A vida é aventura, afronta-a.
A vida é felicidade, merece-a.
A vida é a VIDA, defende-a.

Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas. Perdoe-as assim mesmo! Se você é gentil, podem acusá-lo de egoísta, interesseiro. Seja gentil assim mesmo! Se você é um vencedor terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo! Se você é bondoso e franco poderão enganá-lo. Seja bondoso e franco assim mesmo! O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para a outra. Construa assim mesmo! Se você tem paz e é feliz, poderão sentir inveja. Seja feliz assim mesmo! O bem que você faz hoje, poderão esquecê-lo amanhã. Faça o bem assim mesmo! Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo! Veja você que, no final das contas é entre você e Deus. Nunca foi entre você e os outros!

“Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo.
Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo.
Não viva de fotografias amareladas…
Continue, quando todos esperam que desistas.
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr através dos anos, trote.
Quando não conseguir trotar, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.

Mas nunca se detenha.”

ASSIM MESMO

Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro.
Seja gentil, assim mesmo.

Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto assim mesmo.

O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

Se você tem Paz e é Feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja Feliz assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja que, no final das contas, é entre você e DEUS.

Nunca foi entre você e as outras pessoas.”


Madre Teresa de Calcutá,Missionária católica albanesa, nascida na República da Macedônia e naturalizada indiana beatificada pela Igreja Católica.
Em 1979 recebeu O Prêmio Nobel da Paz. Seu nome verdadeiro é Agnes Gonxha Bojaxhiu, (nascida em Skopje, aos 27 de Agosto de 1910 — Faleceu em Calcutá, aos 5 de Setembro de 1997).Beata Teresa de Calcutá
Considerada a missionária do século XX, concretizou o projeto de apoiar e recuperar os desprotegidos na Índia. Através da sua congregação“Missionárias da Caridade”, partiu em direção à conquista de um mundo que acabou rendido ao seu apelo de ajudar o mais pobres dos pobres.

Biografia
Agnes partiu para a Índia em 1931, para a cidade de Darjeeling, onde fez o noviciado no colégio das Irmãs de Calcutá.
No dia 24 de maio de 1931, fez a profissão religiosa, e emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de “Teresa”. A origem da escolha deste nome residiu no fato de ser em honra à monja francesa Teresa de Lisieux, padroeira das missionárias, canonizada em 1927 e conhecida como Santa Teresinha.

De Darjeeling foi para Calcutá, onde exerceu, durante os anos 30 e 40, a docência em Geografia no colégio bengalês de Sta Mary, também pertencente à congregação de Nossa Senhora do Loreto. Impressionada com os problemas sociais da Índia, que se refletiam nas condições de vida das crianças, mulheres e velhos que viviam na rua e em absoluta miséria, fez a profissão perpétua a 24 de maio de 1937. Com a partida do colégio, fez um curso rápido de enfermagem, que veio a tornar-se um pilar fundamental da sua tarefa no mundo.

foto de madre Teresa de CalcutáEm 1946, decidiu reformular a sua trajetória de vida. Dois anos depois, e após muita insistência, o Papa Pio XII permitiu que abandonasse as suas funções enquanto monja, para iniciar uma nova congregação de caridade, cujo objetivo era ensinar as crianças pobres a ler. Desta forma, nasceu a sua Ordem – As Missionárias da Caridade. Como hábito, escolheu o sári, nas cores — justificou ela — “branco, por significar pureza e azul, por ser a cor da Virgem Maria”. Como princípios, adotou o abandono de todos os bens materiais. O espólio de cada irmã resumia-se a um prato de esmalte, um jogo de roupa interior, um par de sandálias, um pedaço de sabão, uma almofada e um colchão, um par de lençóis, e um balde metálico com o respectivo número.

Começou a sua atividade reunindo algumas crianças, a quem começou a ensinar o alfabeto e as regras de higiene. A sua tarefa diária centrava-se na angariação de donativos e na difusão da palavra de alento e de confiança em Deus.

foto de Madre Teresa de CalcutáNo dia 21 de dezembro de 1948, foi-lhe concedida a nacionalidade indiana. A partir de 1950 empenhou-se em auxiliar os doentes com lepra.

Em 1965, o Papa Paulo VI colocou sob controle do papado a sua congregação e deu autorização para a sua expansão a outros países. Centros de apoio a leprosos, velhos, cegos e doentes com HIV surgiram em várias cidades do mundo, bem como escolas, orfanatos e trabalhos de reabilitação com presidiários.
Ao primeiro lar infantil ou “Sishi Bavan” (Casa da Esperança), fundada em 1952, juntou-se o “Lar dos Moribundos”, em Kalighat.
Mais de uma década depois, em 1965, a Santa Sé aprovou a Congregação Missionárias da Caridade e, entre 1968 e 1989, estabeleceu a sua presença missionária em países como Albânia, Rússia, Cuba, Canadá, Palestina, Bangladesh, Austrália, Estados Unidos da América, Ceilão, Itália, antiga União Soviética, China, etc.

foto de madre Teresa carregando uma criancinhaO reconhecimento do mundo pelo seu trabalho concretizou-se com o Templeton Prize, em 1973, e com o Nobel da Paz, no dia 17 de outubro de 1979.

Morreu em 1997, aos 87 anos, mas o seu trabalho missionário continua através da irmã Nirmala, eleita no dia 13 de março de 1997 como sua sucessora. Tratado como um funeral de Estado, vários foram os representantes do mundo que quiseram estar presentes para prestar a sua homenagem. As televisões do mundo inteiro transmitiram ao vivo durante uma semana, os milhões que queriam vê-la no estádio Netaji. No dia 19 de outubro de 2003, o Papa João Paulo II beatificou Madre Teresa.

Mantenha suas mãos puras para que Jesus possa trabalhar com suas mãos.
Mantenha sua mente pura para que Jesus possa pensar seus pensamentos em sua mente.
Mantenha seu coração puro para que Jesus possa amar com seu coração.
Peça a Jesus para viver sua própria vida em você porque:
Ele é a Verdade da humildade.
Ele é a Luz da caridade.
Ele é a Vida da santidade.Madre Tereza de Calcutá
Fontes:

pensadoruol

Biografias & Orações de: Adolfo Bezerra de Menezes, Allan Kardec, Francisco Cândido Xavier & Ramatis sexta-feira, jan 27 2012 


foto de bezerra de menezes linda

Adolfo Bezerra de Menezes nasceu na antiga Freguesia do Riacho do Sangue (hoje Jaguaretama), no Estado do Ceará, no dia 29 de agosto de 1831, desencarnando no Rio da Janeiro, no dia 11 de abril de 1900.

No ano de 1838 entrou para a escola pública da Vila do Frade, onde, em dez meses apenas, preparou-se, suficientemente, até onde dava os conhecimentos do professor que dirigia a primeira fase de sua educação. Muito cedo revelou a sua fulgurante inteligência, pois aos 11 anos de idade iniciava o curso de Humanidades e, aos 13 anos, conhecia tão bem o latim que ele próprio o ministrava aos seus companheiros, substituindo o professor da classe em seus impedimentos.

Seu pai, o capitão das antigas milícias e tenente- coronel da Guarda Nacional, Antônio Bezerra de Menezes, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de fortuna em fazendas de criação. Com a política, e por efeito do seu bom coração, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar- lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, porém, que seus débitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes propôs entregar tudo o que possuía, o que era suficiente para integralizar a dívida. Os credores, todos seus amigos, recusaram a proposta, dizendo- lhe que pagasse como e quando quisesse.

O velho honrado insistiu; porém, não conseguiu demover os credores sobre essa resolução, por isso deliberou tornar- se mero administrador do que fora sua fortuna, não retirando dela senão o que fosse estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou da abastança às privações.

Animado do firme propósito de orientar- se pelo caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus parentes lhe deram, e animado do propósito de sobrepujar todos os óbices, partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua vocação lhe inspirava: a Medicina.

Em novembro de 1852, ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Doutorou- se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese “Diagnóstico do Cancro”. Nessa altura abandonou o último patronímico, passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes. A 27 de abril de 1857, candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina, com a memória “Algumas Considerações sobre o Cancro encarado pelo lado do Tratamento”. O parecer foi lido pelo relator designado, Acadêmico José Pereira Rego, a 11 de maio de 1857, tendo a eleição se efetuado a 18 de maio do mesmo ano e a posse a 1.o. de junho. Em 1858 candidatou- se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Por intercessão do mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, então Cirurgião- Mor do Exército, Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente, no posto de Cirurgião- Tenente.

Eleito vereador municipal pelo Partido Liberal, em 1861, teve sua eleição impugnada pelo chefe conservador Haddock Lobo, sob a alegação de ser medico militar. Com o objetivo de servir o seu partido, que necessitava dele para ter maioria na Câmara, resolveu afastar-se do Exército. Em 1867, foi eleito Deputado Geral, tendo ainda figurado numa lista tríplice para uma carreira no Senado.

Quando político, levantaram-se contra ele, a exemplo do que sucede com todos os políticos honestos, rudes campanhas de injuria, cobrindo seu nome de impropérios entretanto, a prova da pureza de sua alma, deu-a, quando deliberou abandonar a vida publica e dedicar-se aos pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuía. Corria sempre ao casebre do pobre onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da sua profissão de médico e o auxilio da sua bolsa minguada e generosa.

Afastado interinamente da atividade política, dedicou-se a empreendimentos empresariais criou a Companhia Estrada de Ferro Macaé/Campos, na então província do Rio de Janeiro. Posteriormente, empenhou-se na construção da via férrea de Santo Antônio de Pádua, pretendendo levá-la ate o Rio Doce, desejo que não conseguiu realizar. Foi um dos diretores da Companhia Arquitetônica que, em 1872 abriu o Boulevard 28 de Setembro , no então bairro de Vila Isabel. Em 1875, foi presidente da Companhia Carril de São Cristóvão. Voltando a política, foi eleito vereador em 1876, exercendo o mandato ate 1880. Foi ainda presidente da Câmara e Deputado Geral pela Província do Rio de Janeiro, no ano de 1880.

O Dr. Carlos Travassos havia empreendido a primeira tradução das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a versão portuguesa de “O Livro dos Espíritos”. Logo que esse livro saiu do prelo levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando- o com dedicatória. O episódio foi descrito do seguinte modo pelo futuro Médico dos Pobres: “Deu- mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto… Depois, é ridículo confessar- me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi- me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!… Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no “O Livro dos Espíritos”. Preocupei- me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença”.

Demonstrada a sua capacidade literária no terreno filosófico, que pelas replicas, quer pelos estudos doutrinários, a Comissão de Propaganda da União Espirita do Brasil incumbiu Bezerra de Menezes de escrever, aos domingos, no O Paiz , tradicional órgão da imprensa brasileira, dirigido por Quintino Bocaiúva, uma serie de artigos sob o titulo O Espiritismo – Estudos Filosóficos . Os artigos de Max , pseudônimo de Bezerra de Menezes, marcaram a época de ouro da propaganda espirita no Brasil. Esses artigos foram publicados, ininterruptamente, de 1886 a 1893.

Da bibliografia de Bezerra de Menezes, antes e após a sua conversão do Espiritismo, constam os seguintes trabalhos: “A Escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação”, “Breves considerações sobre as secas do Norte”, “A Casa Assombrada”, “A Loucura sob Novo Prisma”, “A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica”, “Casamento e Mortalha”, “Pérola Negra”, “Lázaro — o Leproso”, “História de um Sonho”, “Evangelho do Futuro”. Escreveu ainda várias biografias de homens célebres, como o Visconde do Uruguai, o Visconde de Carvalas, etc. Foi um dos redatores de “A Reforma”, órgão liberal da Corte, e redator do jornal “Sentinela da Liberdade”.

No dia 16 de agosto de 1886, um auditório de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda Velha, atual Avenida 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em silêncio, emocionado, atônito, a palavra sábia do eminente político, do eminente médico, do eminente cidadão, do eminente católico, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida conversão ao Espiritismo.

Bezerra de Menezes tinha o encargo de medico como verdadeiro sacerdócio por isso, dizia: Um medico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se e´ longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate a porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem chora a porta que procure outro, esse não e´ medico, e´ negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse e´ um infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única esportula que podia saciar a sede de riqueza do seu Espirito, a única que jamais se perdera nos vais-e-vens da vida.

No ano de 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo no Brasil, e os que dirigiam os núcleos espiritas do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma união mais estreita e indestrutível.

Os Centros Espiritas, onde se ministrava a Doutrina, trabalhavam de forma autônoma. Cada um deles exercia sua atividade em um determinado setor, despreocupado em conhecer as atividades dos demais. Esse estado de coisas levou-os a fundação da Federação Espirita Brasileira (FEB).

Nessa época, já existiam muitas sociedades espiritas, porem as únicas que mantinham a hegemonia eram quatro: a Acadêmica, a Fraternidade, a União Espirita do Brasil e a Federação Espirita Brasileira. Entretanto, logo surgiram entre elas rivalidades e discórdias. Sob os auspícios de Bezerra de Menezes, e acatando importantes instruções, dadas por Allan Kardec, através do médium Frederico Júnior, foi fundado o famoso Centro Espirita porem nem por isso deixava Bezerra de dar a sua cooperação a todas as outras instituições.

O entusiasmo dos espíritas logo se arrefeceu, e o velho seareiro se viu desamparado dos seus companheiros, chegando a ser o único freqüentador do Centro. A cisão era profunda entre os chamados “místicos” e “científicos”, ou seja, espíritas que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam simplesmente pelo lado científico e filosófico.

Em 1893, a convulsão provocada no Brasil pela Revolta da Armada, ocasionou o fechamento de todas as sociedades espíritas ou não. No Natal do mesmo ano Bezerra encerrou a série de “Estudos Filosóficos” que vinha publicando no “O Paiz”.

Em 1894, o ambiente demonstrou tendências de melhora e o nome de Bezerra foi lembrado como o único capaz de unificar a família espírita. O infatigável batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presidência da Federação Espirita Brasileira.

Iniciava- se o ano de 1900, e Bezerra de Menezes foi acometido de violento ataque de congestão cerebral, que o prostrou no leito, de onde não mais se levantaria.

Verdadeira romaria de visitantes acorria à sua casa. Ora o rico, ora o pobre, ora o opulento, ora o que nada possuía.

Ninguém desconhecia a luta tremenda em que se debatia a família do grande apóstolo do Espiritismo. Todos conheciam suas dificuldades financeiras, mas ninguém teria a coragem de oferecer fosse o que fosse, de forma direta. Por isso, os visitantes depositavam suas espórtulas, delicadamente, debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, a pessoa que lhe foi mudar as fronhas, surpreendeu- se por ver ali desde o tostão do pobre até a nota de duzentos mil reis do abastado!…

Desencarnou em 11 de abril de 1900. Ocorrida a sua desencarnação, verdadeira peregrinação demandou sua residência a fim de prestar- lhe a última visita.

No dia 17 de abril, promovido por Leopoldo Cirne, reuniram- se alguns amigos de Bezerra, a fim de chegarem a um acordo sobre a melhor maneira de amparar a sua família, tendo então sido formada uma comissão que funcionou sob a presidência de Quintino Bocaiúva, senador da República, para se promover espetáculos e concertos, em benefício da família daquele que mereceu o cognome de “Kardec Brasileiro”.

Digno de registro foi um caso sucedido com o Dr. Bezerra de Menezes, quando ainda era estudante de Medicina. Ele estava em sérias dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinqüenta mil réis (antiga moeda brasileira), para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos indispensáveis em sua habitação, pois o senhorio, sem qualquer contemplação, ameaçava despejá-lo.

Desesperado — uma das raras vezes em que Bezerra se desesperou na vida — e como não fosse incrédulo, ergueu os olhos ao Alto e apelou a Deus.

Poucos dias após bateram- lhe à porta. Era um moço simpático e de atitudes polidas que pretendia tratar algumas aulas de Matemática.

Bezerra recusou, a princípio, alegando ser essa matéria a que mais detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim, lembrando- se de sua situação desesperadora, resolveu aceitar.

O moço pretextou então que poderia esbanjar a mesada recebida do pai, pediu licença para efetuar o pagamento de todas as aulas adiantadamente. Após alguma relutância, convencido, acedeu. O moço entregou- lhe então a quantia de cinqüenta mil réis. Combinado o dia e a hora para o início das aulas, o visitante despediu- se, deixando Bezerra muito feliz, pois conseguiu assim pagar o aluguel e as taxas da Faculdade. Procurou livros na biblioteca pública para se preparar na matéria, mas o rapaz nunca mais apareceu.

No ano de 1894, em face das dissensões reinantes no seio do Espiritismo brasileiro, alguns confrades, tendo à frente o Dr. Bittencourt Sampaio, resolveram convidar Bezerra a fim de assumir a presidência da Federação Espírita Brasileira.

Em vista da relutância dele em assumir aquele espinhoso encargo, travou- se a seguinte conversação:

– Querem que eu volte para a Federação. Como vocês sabem aquela velha sociedade está sem presidente e desorientada. Em vez de trabalhos metódicos sobre Espiritismo ou sobre o Evangelho, vive a discutir teses bizantinas e a alimentar o espírito de hegemonia.

– O trabalhador da vinha, disse Bittencourt Sampaio, é sempre amparado. A Federação pode estar errada na sua propaganda doutrinária, mas possui a Assistência aos Necessitados, que basta por si só para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor.

– De acordo. Mas a Assistência aos Necessitados está adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos enfermos, terapêutica que eu adoto em meu tratamento pessoal, no de minha família e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, médico homeopata. Isto aliás me tem criado sérias dificuldades, tornando- me um médico inútil e deslocado que não crê na medicina oficial e aconselha a dos Espíritos, não tendo assim o direito de exercer a profissão.

– E por que não te tornas médico homeopata? disse Bittencourt.

– Não entendo patavinas de Homeopatia. Uso a dos Espíritos e não a dos médicos.

Nessa altura, o médium Frederico Júnior, incorporando o Espírito de S. Agostinho, deu um aparte:

– Tanto melhor. Ajudar-te-emos com maior facilidade no tratamento dos nossos irmãos.

– Como, bondoso Espírito? Tu me sugeres viver do Espiritismo?

– Não, por certo! Viverás de tua profissão, dando ao teu cliente o fruto do teu saber humano, para isso estudando Homeopatia como te aconselhou nosso companheiro Bittencourt. Nós te ajudaremos de outro modo: Trazendo- te, quando precisares, novos discípulos de Matemática . . .

 

Oração à Bezerra de Menezes

Nós Te rogamos, Pai de Infinita Bondade e Justiça, as graças de Jesus Cristo, através de Bezerra de Menezes e suas legiões de companheiros. Que eles nos assistam, Senhor, consolando os aflitos, curando aqueles que se tornem merecedores, confortando aqueles que tiverem suas provas e expiações a passar, esclarecendo aos que desejarem conhecer a Verdade e assistindo a todos quanto apelam ao Teu Infinito Amor.

 

            Jesus, Divino Portador da Graça e da Verdade, estende Tuas mãos dadivosas em socorro daqueles que Te reconhecem o Despenseiro Fiel e Prudente; faze-o Divino Modelo, através de Tuas legiões consoladoras, de Teus santos espíritos, a fim de que a Fé se eleve, a Esperança aumente, a Bondade se expanda e o Amor triunfe sobre todas as coisas.

 

            Bezerra de Menezes, Apóstolo do Bem e da Paz, amigo dos humildes e dos enfermos, movimentai as tuas falanges amigas em benefício daqueles que sofrem, sejam males físicos ou espirituais. Santos espíritos, dignos obreiros do Senhor, derramai as graças e as curas sobre a humanidade sofredora, a fim de que as criaturas se tornem amigas da Paz e do Conhecimento, da Harmonia e do Perdão, semeando pelo mundo os Divinos Exemplos de Jesus Cristo.

Nascido em Lião, a 3 de outubro de 1804, de antiga família que se distinguiu na magistratura e no foro, Allan Kardec (Léon-Hippolyte-Denizart Rivail ) não seguiu a carreira dos Avoengos, sentindo-se, desde os verdes anos, atraído pelos estudos da ciência e da filosofia. Matriculado na escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais aplicados discípulos daquele eminente professor e um dos mais zelosos propagadores do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu na reforma dos estudos de Alemanha e de França. Dotado de notável inteligência e atraído para o ensino por vocação e especiais aptidões, desde os quatorze anos ensinava aos condiscípulos menos adiantados o que ia aprendendo. Foi com essas lições que se lhe desenvolveram as idéias, que mais tarde deveriam colocá-lo entre os homens do progresso e do livre pensamento. Nascido na religião Católica, mas educado no Protestantismo, serviram-lhe os atos de intolerância por que passou, de incentivo, em boa hora, ao pensamento de uma reforma religiosa, na qual trabalhou, em silêncio, por dilatados anos, procurando alcançar o meio de unificar as crenças, sem que pudesse descobrir, entretanto, o elemento indispensável para a solução do grande problema. Foi o Espiritismo que, mais tarde, lhe facultou esse meio, imprimindo-lhe aos trabalhos particular orientação.

Concluídos os estudos, tornou à França; possuindo profundo conhecimento da língua alemã, traduziu para ela diferentes obras de educação e moral, entre as quais , o que é característico, as de Fénelon, que mui particularmente o seduziram. Era membro de muitas sociedades científicas e entre elas a da Academia Real de Arras, que, no concurso de 1831, lhe coroou uma notável memória acerca da questão: Qual o sistema de estudos mais em harmonia com as necessidades da época?

De 1835 a 1840, fundou em sua casa, na rua Sévres, cursos gratuitos de física, química, anatomia comparada, astronomia, etc.- empresa digna de encômios em qualquer tempo, mas principalmente numa época em que bem poucos eram os interessados que se aventuravam pôr aquela senda. Sempre empenhado em tornar atraentes e interessantes os sistemas de educação, inventou , ao mesmo tempo, um método engenhoso para aprender a contar e um quadro mnemônico da história de França, cujo objetivo era fixar na memória as datas dos mais notáveis acontecimentos, bem como os descobrimentos que ilustram cada reinado.

Entre as numerosa obras de educação, podemos citar as seguintes: Plano para o melhoramento da instrução pública, 1828. _ Curso prático e teórico de aritmética, segundo o método de Pestalozzi , para uso de professores e de mães de família, 1829._ Gramática francesa clássica, 1831._ Manual para exames de capacidade. Soluções racionais de questões e problemas de aritmética e de geometria, 1846. _ Catecismo gramatical da língua francesa, 1848._ Programa dos cursos ordinários de física, química, astronomia, fisiologia (que ele dava no Liceu Polimático).

Pontos para os exames da Câmara Municipal e da Sorbonne, acompanhados de instruções especiais sobre as dificuldades ortográficas, 1849, obra muito estimada na ocasião da qual ainda recentemente se faziam novas edições. Antes que o Espiritismo lhe viesse popularizar o pseudônimo de Allan Kardec, havia ele, como se vê, sabido ilustrar-se com trabalhos de natureza mui diversa, os quais tinham pôr finalidade esclarecer a massa popular, prendendo-a ainda mais ao sentimento de família e ao amor de pátria. Em 1855, quando se começou a tratar das manifestações de Espíritos, Allan Kardec dedicou-se a perseverantes observações do fenômeno e cuidou principalmente de lhe deduzir as conseqüências filosóficas; entreviu de longe o princípio de novas leis naturais; aquelas que regem as relações entre o mundo visível e invisível.

Reconheceu, nas manifestações deste, uma das forças da natureza, cujo conhecimento devia projetar luz a uma infinidade de problemas considerados insolúveis. Finalmente percebeu a relação de tudo aquilo com pontos de vista religiosos. As suas principais obras acerca da nova matéria são: O Livro dos Espíritos, para a parte filosófica, cuja a primeira edição apareceu a 18 de abril de 1857. O Livro dos Médiuns, para a parte experimental e científica, publicada em janeiro de 1861. O Evangelho Segundo o Espiritismo, para a parte moral , publicada em abril de 1864. O Céu e o Inferno, ou A Justiça de Deus segundo o Espiritismo, agosto de 1865. A Gênese, os Milagres e as Predições, janeiro de 1868.

A Revista Espírita, órgão de estudos psicológicos, publicação mensal começada em 1 de janeiro de 1858. Fundou em Paris, a 1 de abril de 1858, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Societé parisiense des études spirites, cujo o fim exclusivo era o estudo de tudo quanto pudesse contribuir para o progresso da nova ciência. Allan Kardec se defendeu admiravelmente da pecha de haver escrito sob a influência de idéias preconcebidas ou sistemáticas. Homem de caráter frio e severo, observara os fatos e das observações deduziu as leis que os regem; foi o primeiro que, a propósito desses fatos, estabeleceu teoria e constituiu em corpo de doutrina , regular e metódico. Demonstrando que os fatos, falsamente chamados sobrenaturais, são sujeitos as leis, os subordinou à categoria dos fenômenos da natureza, e fez ruir, assim, o último reduto do maravilhoso, que é uma das causas da superstição.

Durante os primeiros anos de preocupação com os fenômenos espíritas, foram estes mais objeto de curiosidade que de meditações sérias. O Livro dos Espíritos fez com que fossem encarados pôr outra face: desprezaram-se as mesas falantes, que tinham sido o prelúdio e se ligou o fenômeno a um corpo de doutrina, que compreendia questões concernentes à humanidade. Da aparição do livro data a verdadeira fundação do Espiritismo, que até então só possuía elementos esparsos, sem coordenação, e cujo o alcance não tinha sido compreendido pôr todos. Também foi desde aquela época que a doutrina prendeu a atenção dos homens sérios e adquiriu rápido desenvolvimento. “Em poucos anos, as idéias espíritas contavam com numerosos aderentes nas classes sociais e em todos os países.

O êxito, sem precedentes, é obra da simpatia que essas idéias encontram, mas também é devido, em grande parte, à clareza característica dos escritos de Allan Kardec. “Abstendo-se das fórmulas abstratas da metafísica, o autor soube fazer-se sem fadiga, condição essencial para a vulgarização de uma idéia. Sobre todos os pontos de controvérsia, a sua argumentação, de uma lógica cerrada, oferece pouco material à contestação e predispõe o antagonista à convicção. “As provas materiais, que o Espiritismo fornece tanto da existência da alma como da vida futura, derrocam as idéias materialistas e panteístas. Um dos princípios mais fecundos da doutrina, o qual decorre do precedente, é o da pluralidade das existências, já entrevista pôr inúmeros filósofos antigos e modernos e, nestes últimos tempos, pôr Jean Reynaud, Charles Fourier, Eugène Sue e outros; mais tinha ficado no estado de hipótese, ao passo que o Espiritismo demonstra a sua realidade e prova que é um dos atributos essenciais da humanidade.

Desse princípio decorre a solução de todas as anomalias aparentes da vida humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais. O homem sabe assim donde vem, para onde vai, para que fim está na Terra e pôr que sofre aqui. “As idéias inatas explicam-se pelos conhecimentos adquiridos em vidas anteriores; o caminhar dos povos explica-se pelos homens do tempo passado, que voltam a esta vida, depois de terem progredido; as simpatias e as antipatias, pela natureza das relações anteriores, relações que ligam a grande família humana de todas as épocas aos altos princípios da fraternidade, da igualdade, da liberdade e da solidariedade universal, têm pôr base as mesmas leis a Natureza e não mais uma teoria.

Em vez do princípio: Fora da Igreja não há salvação, que mantém a divisão e a animosidade entre diferentes seitas e que tanto sangue tem feito correr- o Espiritismo tem pôr máxima: Fora da caridade não há salvação, isto é, a igualdade dos homens perante Deus, a liberdade da consciência, a tolerância e a benevolência mútuas. Em vez da fé cega, que aniquila a liberdade de pensar, ensina: a fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade; para a fé é preciso uma base e esta é a inteligência perfeita do que se deve crer; para crer não basta ver, é preciso sobretudo compreender; a fé cega não é mais deste século; ora, é precisamente o dogma da fé cega que produz hoje o maior número de incrédulos, pôr querer impor-se. Exigindo a alimentação das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e i livre arbítrio.(Evangelho segundo o Espiritismo).

Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a iniciar o trabalho e o último a deixá-lo, Allan Kardec sucumbiu a 31 de março de 1869, em meio dos preparativos para mudar de domicílio, como lho exigia a extensão considerável das múltiplas ocupações. Numerosas obras, que tinha em mão, ou que só esperavam oportunidade para vir a lume, provar-lhe-ão um dia a magnitude das concepções. Morreu como viveu: trabalhando. Desde longos anos sofria do coração, que reclamava, como meio de cura, o repouso intelectual, com pequena atividade material. Ele, porém, inteiramente entregue às obras, negava-se a tudo o que lhe roubasse um instante das suas ocupações de predileção. Nele, como em todas as almas de boa têmpera, a lima do trabalho gastou o aço do invólucro. O corpo, entorpecido, recusava-lhe os serviços; mas o espírito, cada vez mais vivaz, mais enérgico, mais fecundo, alargava-lhe o círculo da atividade. Na luta desigual a matéria nem sempre podia resistir.

Um dia foi vencida: o aneurisma rompeu-se e Allan Kardec caiu fulminado. Um homem desapareceu da terra, mas o seu grande nome tomou lugar entre as ilustrações do século e um culto espírito foi retemperar-se no infinito, onde aqueles, que ele próprio havia consolado e esclarecido, lhe esperavam a volta com impaciência. “A morte, dizia mui recentemente, a morte amiúda os golpes na falange dos homens ilustres!… A quem virá ela agora libertar?” Foi ele, depois de tantos outros, retemperar-se no espaço e buscar outros elementos para renovar o organismo gasto pôr uma vida de labores incessantes. Partiu com aqueles que virão a ser os luminares da nova geração, a fim de voltar com eles para continuar e concluir a obra que deixou confiada a mãos dedicadas. O homem deixou-nos, mas a sua alma será sempre conosco.

É um protetor seguro, uma luz a mais, um labutador infatigável, que foi aumentar as forças das falanges do espaço. Como na terra, saberá moderar o zelo dos impetuosos, secundar as intenções dos sinceros e dos desinteressados, estimular os vagarosos – saberá enfim, sem ferir a ninguém, fazer com que todos lhe ouçam os mais convenientes conselhos. Ele vê e reconhece agora o que ainda ontem apenas previa. Não mais está sujeito às incertezas e aos desfalecimentos e contribuirá para participarmos das suas convicções, fazendo-nos alcançar a meta, dirigindo-nos pelo bom caminho, tudo nessa linguagem clara, precisa, que constitui um característico nos anais literários.

O homem, nós o repetimos, deixou-nos, mas Allan Kardec é imortal, e a sua memória, os trabalhos, o Espírito, estarão sempre com aqueles que sustentarem com firmeza e elevação a bandeira, que ele sempre soube fazer respeitar. Uma individualidade pujante construiu o monumento. Esse monumento será para nós na Terra a personificação daquela individualidade. Não se congregarão em torno de Allan Kardec: congregar-se-ão em torno do Espiritismo, que é o monumento pôr ele erigido. Através dos conselhos dele, sob a sua influência, caminharemos com passo firme para essas fases venturosas prometidas à humanidade regenerada. (Revue Spirit. Maio 1869).

Chico Xavier

Francisco Cândido Xavier, mais conhecido por Chico Xavier, considerado o médium do século e o maior psicógrafo de todos os tempos, nasceu em Pedro Leopoldo, pequena cidade do estado de Minas Gerais, Brasil, no dia 2 de Abril de 1910.

Filho de um operário pobre e inculto, João Cândido Xavier, e de uma lavadeira chamada Maria João de Deus, falecida em 1915, quando o filhinho contava apenas com 5 anos de idade. Na altura tinha mais 8 irmãos, tendo todos sido distribuídos por vários familiares e pessoas amigas. Como órfão de mãe em tenra idade, sofreu muito em casa de pessoas de precária sensibilidade.

Aos nove anos seu pai, já casado novamente, empregou-o como aprendiz numa indústria de fiação e tecelagem. De manhã, até às 11 horas, freqüentava a escola primária pública, depois trabalhava na fábrica até às 2 horas da madrugada. Aprendeu mal a ler e a escrever. Quando concluiu o pequeno curso da escola pública empregou-se como caixeiro numa loja e mais tarde como ajudante de cozinha e café.

Em 1933 o Dr. Rômulo Joviano, administrado da Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura, em Pedro Leopoldo, deu ao Jovem Xavier uma modesta função na Fazenda e lá se tornou um pequeno funcionário público em 1935, tendo trabalhado consecutivamente até finais dos anos cinqüenta, altura em que foi aposentado por invalidez (doença incurável nos olhos), com a categoria de escrevente datilógrafo . Não podemos deixar de registrar, sob pena de cometermos grave omissão, que durante as décadas que esteve ao serviço do Ministério da Agricultura, jamais — não obstante a sua precária saúde e trabalho doutrinário, fora das horas de serviço — deu uma única falta ou gozou qualquer tipo de licença, conforme documentos facultados pelo M. A. Em finais da mesma década de cinqüenta, vai residir em Uberaba – MG, por motivos de saúde e a conselho médico, onde permanece até hoje e apenas com a sua magra reforma (aposentadoria).

As suas faculdades mediúnicas são extraordinárias, Sua mediunidade (capacidade natural de ser intermediário entre o plano material e o plano espiritual) manifestou-se, quando tinha 4 anos de idade, pela clarividência e clariaudiência, pois via e ouvia os Espíritos e conversava com eles sem a mínima suspeita de que não fossem homens normais do nosso mundo. Já como jovem e depois como adulto, muitas vezes não diferencia de imediato os homens dos Espíritos. Aos 5 anos, já órfão de mãe, esta manifestou-se várias vezes junto dele encorajando-o e dizendo-lhe que não poderia ir para casa porque estava em tratamento, mas que enviaria um bom anjo que juntaria novamente a família. Esse bom anjo foi a D. Cidália, a segunda esposa de João Xavier, que para casar com o seu pai fez questão de reunir todos os filhos do primeiro casamento e lhe daria depois mais cinco irmãos.

Quando tinha 17 anos, fundou-se o grupo espírita Luiz Gonzaga , onde rapidamente desenvolveu a psicografia, isto é, a faculdade de escrever mensagens dos Espíritos. Época em que se desligaria da Igreja Católica onde deu os primeiros passos na espiritualidade, mas onde não encontrava explicação para os fenômenos que se passavam com ele, designadamente a perseguição de espíritos inferiores de que era alvo. O padre que o ouvia nas confissões foi um conselheiro, um verdadeiro pai e não o dissuadiu do caminho que iniciou no Espiritismo, mas abençoou-o e nunca deixou de ser seu amigo.

No centro espírita começou a psicografar poemas notáveis de famosos poetas mortos, num nível literário tão elevado que os próprios companheiros do grupo não conseguiam atingir integralmente o seu conteúdo. Muitos desses poetas eram totalmente desconhecidos do meio, nomeadamente alguns portugueses: António Nobre, Antero de Quental, Guerra Junqueira e João de Deus. A 9 de Julho de 1932, seria publicada a célebre PARNASO DE ALÉM-TÚMULO , a sua primeira obra psicografada que iria abalar os meios intelectuais do Brasil e tornar conhecida a pacata Pedro Leopoldo.

O estilo dos 56 poetas mortos, entre os quais vários portugueses, era precisamente idêntico ao estilo dos mesmos enquanto vivos, informavam os literatos das academias e universidades dos grandes centros culturais do Brasil, embora não soubessem explicar o fenômeno. Seria o início da sua imponente obra mediúnica que hoje já ultrapassa os 350 livros.

Bastava apenas um desses livros para constituir um roteiro seguro para o homem na Terra rumo à sua alforria, à sua felicidade. Seus ensinamentos revivem plenamente o Evangelho de Jesus e as lições do Consolador que Kardec — o discípulo fiel de Jesus — nos legou com tanto sacrifício e renúncia.

Mas de mil entidades espirituais nos deram informações através das suas abençoadas mãos, provando à saciedade a imortalidade do Espírito e a sua comunicabilidade com os homens. Mas falar de Chico Xavier é falar de EMMANUEL que indelevelmente estará ligado à sua missão. Esse venerando Espírito é o seu protetor espiritual e manifestou-se-lhe pela primeira vez de forma ostensiva em 1931, acompanhado-o desde então até hoje. A respeito desse Benfeitor espiritual nos diz o próprio médium:
Lembro-me de que num dos primeiros contactos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquece-lo.

Emmanuel propõe ainda ao jovem Xavier mais três condições para com ele trabalhar: 1ª condição, DISCIPLINA 2ª condição, DISCIPLINA, 3ª condição, DISCIPLINA.

Entre as muitas dezenas de obras mediúnicas de Emmanuel, destacamos os cinco documentos históricos, retirados dos arquivos do plano espiritual, que constituem autênticas obras primas de literatura, e que nos mostram o nascimento do cristianismo e a sua paulatina adulteração logo nos primeiros séculos da era. São os romances mediúnicos baseados em fatos verídicos: HÁ 2000 ANOS … (a autobiografia de Emmanuel, a história do orgulhoso senador romano Publico Lentulus), 50 ANOS DEPOIS , AVE, CRISTO , RENÚNCIA e PAULO E ESTEVÃO (a história de um coração extraordinário, que se levantou das lutas humanas para seguir os passos do Mestre, num esforço incessante ). Esta última obra, de 553 paginas, por si só justificaria a missão mediúnica de Chico Xavier, segundo o erudito J. Herculano Pires.

Em 1943 começara a utilizar a mediunidade do abnegado médium uma nova entidade espiritual que assinará as suas mensagens com o nome André Luiz. Quem não conhece, mesmo aqui em Portugal, a quadra:

Não se irrite. SORRIA
Não critique. AUXILIE
Não grite. CONVERSE
Não acuse. AMPARE

André Luiz é o pseudônimo utilizado por um espírito que foi médico e cientista na sua última existência e que desencarnou numa clínica do Rio de Janeiro pelo início da década de trinta. É considerado o verdadeiro repórter de além-túmulo. Relata-nos numa séria de 11 livros a experiência do seu pensamento, as dificuldades iniciais, o reencontro com familiares e conhecidos que o precederam na partida para o plano espiritual a observação e as expedições de estudo junto de Espíritos de elevada evolução. Esses relatos começam com o já célebre, livro NOSSO LAR (nome duma cidade do plano espiritual), hoje traduzido em vários idiomas, entre eles o Japonês e o Esperanto e que já vai na 40ª edição em Português, com 800.000 exemplares editados até hoje. Obra que também iria causar e ainda causa uma certa polemica. Nessa série de reportagens a alma humana é profundamente escalpelizada, e onde se confirma na prática os ensinamentos que Jesus nos legou há dois milênios atrás e que Kardec relembra e amplia tão bem sob orientação do Espírito de Verdade. Um dia, no futuro, os médicos, os psicólogos, os sociólogos, etc., ficarão admirados pela sabedoria neles contida, que já no século XX se encontrava no Planeta, apontando diretrizes segura para a felicidade e paz entre os homens.

A obra monumental de Chico Xavier que se considera, segundo suas próprias palavras: um servidor humilde — humilde no sentido da desvalia pessoal , jamais serviu para beneficiar materialmente a sua pessoa. Todos os direitos autorais foram cedidos graciosamente a instituições espíritas, nomeadamente à Federação Espírita Brasileira, e a instituições de solidariedade social. Quando as autoridades públicas lhe concedem títulos de cidadania (mais de cem já lhe foram concedidos) diz que o mérito não é para ela mas para os Espíritos e sobretudo para a Doutrina Espírita que revive os ensinamentos de Jesus na sua plenitude e que ele não passa de um poste obscuro para a colocação do aviso de que a Doutrina Espírita foi premiada com essas considerações públicas .

Há que registrar também que várias centenas de instituições de solidariedade social forma criadas e inspiradas no seu exemplo e obra: orfanatos, escolas para os pobres, lares de deficientes, sopas dos pobres, campanhas do quilo, ambulatórios médicos, alfabetização de adultos, bibliotecas, etc., etc.
Antes de encerrarmos estas notas gostaríamos de registrar ainda o seu ponto de vista em relação às outras doutrinas, filosofias e ideologias, aliás que são o do próprio Espiritismo, mas passemos-lhe novamente a palavra:
Nosso amigo espiritual, Emmanuel, nos aconselha a respeitar crenças, preconceitos, pontos de vista e normas de quaisquer criaturas que não pensem como nós, mas adverte-nos que temos deveres intransferíveis para com a Doutrina Espírita e que precisamos guardar-lhe a limpidez e a simplicidade com dedicação sem intransigências e zelo sem fanatismo .

Estes são alguns dos traços biográficos desse abnegado bem-feitor que renunciou a tudo para que o mundo seja um pouco melhor e que dá pelo nome simples de Chico Xavier.

Oração Nossa – Chico Xavier

Senhor,
ensina-nos a orar sem esquecer o trabalho,
a dar sem olhar a quem,
a servir sem perguntar até quando,
a sofrer sem magoar seja a quem for,
a progredir sem perder a simplicidade,
a semear o bem sem pensar nos resultados,
a desculpar sem condições ,
a marchar para a frente sem contar os obstáculos,
a ver sem malicia,
a escutar sem corromper os assuntos,
a falar sem ferir,
a compreender o próximo sem exigir entendimento,
a respeitar os semelhantes sem reclamar consideração,
a dar o melhor de nos,além da execução do próprio dever
sem cobrar taxas de reconhecimento.
Senhor,
fortalece em nos a paciência para com as dificuldades
dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros
para com as nossas próprias dificuldades.
Ajuda-nos para que a ninguém façamos aquilo
que não desejamos para nós.
Auxilia-nos sobretudo a reconhecer que a nossa
felicidade mais alta será invariavelmente
àquela de cumprir os desígnios ,onde e
como queiras ,hoje, agora e sempre
( Emmanuel ) Mensagem psicografada por Chico Xavier

A Vida Pregressa de Emmanuel            

Após inúmeros contatos com Emmanuel, Chico conseguiu saber algo sobre a vida pregressa do espírito benfeitor: ele esteve na pele de um senador Romano da Judéia, Publius Lentulus, casado com Lívia, com quem teve um filha de nome Flávia. Sua vida era cercada de luxo e ostentação, totalmente devotada ao imperador César, enquanto que Lívia dedicou sua vida a Deus. Presenciou da arquibancada de honra do Circo Máximo, a execução da mulher que amava e que se convertera ao cristianismo, sem manifestar qualquer reação que impedisse a ocorrência funesta.
Desencarnou tragicamente, no ano de 79, em Pompéia, quando da erupção do Vesúvio. Anos mais tarde, reencarnou como Nestório, negro de grande cultura. Foi feito escravo pelos romanos e comprado por uma família nobre de Roma que o aproveitou como professor. Cristão desde a juventude, foi um dos assistentes das pregações evangélicas do apóstolo João Evangelista em Efeso. Freqüentava as reuniões nas catacumbas e, certa noite, na ausência do pregador Policarpo, substitui-o encaminhando a palestra. Após belíssimos ensinamentos, ele e todos os que o ouviram, foram presos e condenados a morrer a flechadas e a serem devorados pelas feras no Circo Máximo.
A mais recente reencarnação de Emmanuel teria sido como o Padre Manuel da Nóbrega, primeiro apóstolo do Brasil. Nasceu em Sanfins, Portugal, em 18 de outubro de 1517 e desencarnou no Rio de Janeiro, no Colégio dos Jesuítas, por ele mesmo construído, no ano de 1570, no mesmo dia e mês de seu nascimento, contando com 53 anos de idade sendo a tuberculose a causa de sua morte.

Mesmo sentindo que Chico estava preparado para receber mensagens psicografadas, Emmanuel impôs uma condição básica para trabalhar ao seu lado: que o médium seguisse, acima de tudo, os ensinamentos de Hippolyte Léon Denizard Rivail, cognominado Allan Kardec (03/10/1804 – 31/03/1869). 

Mensagens Espírita

TRANQÜILIDADE

Comece o dia na luz da oração
O amor de Deus nunca falha.
Aceite qualquer dificuldade sem discutir.
Hoje é o tempo de fazer o melhor.
Trabalhe com alegria.
O preguiçoso, ainda mesmo quando se mostre num pedestal,de ouro maciço é um cadáver que pensa.
Faça o bem quando possa.
Cada criatura transita entre as próprias criações.
Valorize os minutos.
Tudo volta com exceção da hora perdida.
Aprenda a obedecer no culto das próprias obrigações.
Se você não acredita na disciplina, observe um carro sem freio.
Estime a simplicidade.
O luxo é o mausoléu dos que se avizinham da morte.
Perdoe sem condições.
Irritar-se é o melhor processo de perder.
Use a gentileza, mas, de modo especial dentro da própria casa.
Experimente atender os familiares como você trata as visitas.
Em favor de sua paz conserve fidelidade a si mesmo.
Lembre-se de que, no dia do Calvário, a massa aplaudia a causa triunfante
dos crucificadores, mas o Cristo solitário era causa de Deus.
Autor: André Luiz
Psicografou: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

DESEQUILÍBRIOS

Inicio das grandes obsessões é semelhante à pequenina brecha no açude que por vezes não passa de pedra desconjuntada ou de fenda oculta.
Os desequilíbrios da alma começam igualmente de quase nada,principalmente por atitudes e sentimentos aparentemente compreensíveis
mas que, em muitas ocasiões, se deslocam no rumo de ásperas conseqüências.
Desconfiança.
Dúvida. Irritação.
Desânimo.
Ressentimento.
Impulsividade.
Invigilância.
Amargura.
Tristeza sem nexo.
Grito de cólera.
Discussão sem proveito.
Conversa vã.
Visita inútil.
Distração sem propósito.
Na represa, ninguém pode prever os resultados da brecha esquecida.
No caso da obsessão, porém, que, no fundo, se define por assunto de consciência,
é imperioso que todos nós venhamos a reconhecer que, em toda e qualquer
crise de fome, não é o pão que procura a boca.
Autor: Albino Teixeira
Psicografou: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

DIANTE DAS PROVAÇÕES

Diante das provas e tribulações do dia-a-dia, se pausarmos, vez em vez, por alguns instantes, para a necessária reflexão…
E se no curso de nossas reflexões, ponderarmos nas bênçãos que temos recebido;
Nas vantagens que usufruímos perante os companheiros em dificuldade maiores que as nossas na retaguarda;
Na importância da indulgência;
Nos resultados contraproducentes da irritação;
No caráter destrutivo de quaisquer manifestações de rebeldia ou azedume;
Nas lições que nos será possível obter dos obstáculos dignamente suportados;
Nos donativos de calma e bondade que os outros esperam de nós, a fim de garantirem a segurança que lhes é própria;
No significado das nossas atitudes de generosidade e entendimento;
Nos lucros de ordem geral que será lícito auferir tolerância;
E nos testemunhos de prudência e compreensão que todos podemos oferecer, colaborando com os Mensageiros do Cristo de Deus, na sustentação do bem e da paz, do bom ânimo e da alegria de todos aqueles que nos cercam na experiência comum, decerto que saberíamos colocar a esperança e o trabalho, acima de todas as desilusões e de todos os insucessos, sem nos afastar da paciência hora alguma.


Autor: Emmanuel
Psicografou: o médium Francisco Cândido Xavier contido no livro “Urgência”
CONVERSA DE GENTE MOÇA


Paz e amor na reunião
Coração calmo e contente. . .
Isto me faz escrever
A mocidade presente.
Irmãos, a vocês aí,
Que formam na juventude,
Desejo posam fazer
Tudo aquilo que não pude.
Não acreditem na morte
Em que o pijama se estraga,
A vida, – benção de Deus,
É luz que nunca se apaga.
Conservem saúde e força
Na paz do trabalho são. . .
Por dentro do coração.
Futuro? Pensem agora
Na idéia melhor que há. . .
Aquilo que a gente planta
É aquilo que surgirá.
Assunto de casamento,
Anotem como se cria,
O lar não pode nascer
Em jogo de loteria.
Tóxico é tempo perdido,
Guardem juízo apurado;
Dinheiro gasto em bolinha
É futuro ao necessitado.
O esquente não auxilia
Mesmo nas horas de festa;
Há muita pinga enfeitada
Mas para vida não presta.
Quanto ao mais, busquem Jesus
E esquecem exemplos meus!…
Mocidade para o bem
É a senda que leva a Deus 

Autor: Jair Presente
Psicografou: o médium Francisco Cândido Xavier

Dinheiro

O dinheiro não é luz, mas sustenta a lâmpada.
Não é a paz, no entanto, é um companheiro para que se possa obtê-la.
Não é calor, contudo, adquire agasalho.
Não é o poder da fé, mas alimenta a esperança.
Não é amor, entretanto, é capaz de erguer-se por valioso ingrediente na proteção afetiva.
Não é tijolo de construção, todavia, assegura as atividades que garantem o progresso.
Não é culta, mas apóia o livro.
Não é visão, contudo, ampara o encontro de instrumentos que ampliam capacidade dos olhos.
Não é base de cura, no entanto, favorece a aquisição do remédio.
Em suma, o dinheiro associado a consciência tranqüila, alavanca do trabalho e fonte da beneficência, apoio da educação e alicerce da alegria, é uma bênção do Céu que, de modo imediato, nem sempre faz felicidade, mas sempre faz falta.


Autor: Bezerra
Psicografou: Francisco Cândido Xavier

NOTAS

Há saúde do corpo e saúde da alma. Ambas devem esta juntas.
Deus concede-nos recursos mil, cada dia, para alimentar-nos o espírito com as melhores emoções.
Absorvemos os pensamentos uns dos outros.
Auxilia a produção útil da natureza e estarás cooperando com a Providencia Divina.
Cede ao próximo o pão que sobra em tua mesa e o Senhor te enriquecerá de bom animo e alegria.
Atendendo a Deus, a Terra gasta milhões vidas, cada dia, a fim de sustentar-nos.
Falar mal dos outros, ao invés de ajudá-los, é o mesmo que envolver nossos sentimentos
em lama invisível, ao invés de fazê-los brilhar.
Os frutos que te deliciam são os resultados de esforço daqueles que passaram no mundo,
antes de ti. Prepara a sementeira de agora para os que virão no futuro.
Planta uma arvore amiga e ajudarás aos que ajudam.
Quem lança uma boa palavra
De amor e consolação,
Espalha por toda a Terra
Os dons do Divino Pão.
Autor: Meimei
Psicografou: FRANCISCO CANDIDO XAVIER do livro “PAI NOSSO” edição FEB

Turma:

Estamos por aqui, no frente à frente.
Agradeço o papo, mas não esperem sermão.
Transando atividades espirituais com vocês, não passo de garupeta.
Se alguém disser para vocês que sou guia,Corrijam logo a palavra pra guiador, pois carango é comigo!
Estou num gango assim tão legal que, sem esnobar conselho, digo pra vocês dez dicas que limpam a barra de qualquer batente em que o cara esteja.
1.ª a primeira é uma daquelas que chegou ao mundo por Moisés – respeitar pais e mães;
quem não puder seguir as modas dos bigs amizades que a terra nos puseram para jambar, deve agradecer a eles com atenção todo o bem que nos fazem.
2.ª a segunda é agüentar as pontas e manter a garra nos estudos e no trabalho, para que ninguém fique encucado em bofunfa de papai.
3.ª a terceira é não caçar para não perder tempo, nem caminho.
4.ª A Quarta é escolher com quem andam pra saber onde vão chegar.
5.ª A Quinta é deixar a carranca pra quem gosta de fechar o pesqueiro e esperar pelo miserê.
6.ª A Sexta é fugir de brisas e ervas mágicas pra não entregarem a rapadura, diante da vida.
7.ª A sétima é não engrupir a ninguém e não se biritar para que não se envolvam em piadas e canória.
8.ª A oitava pe reconhecer que revirar o sexo sem compromisso é brincar com fogo, buscando, ás vezes, loucura e doença, confa e balaço.
9.ª A nona é auxiliar aos outros em tudo o que a gente consiga fazer o bem.
10.ª A décima é confiar em Deus e saber que somos vistos pela Divina Providência , mesmo onde os tais imaginem estar sós.
Quanto ao mais, procurarem não perder a disciplina com as pedreiras da vida, porquanto ganhar pedal nas praças do mundo não é maré mansa.
Acertem os relógios com o Amigão Jesus Cristo, bola pra frente que já falei

Autor: AUGUSTO CEZAR NETTO
Psicografou: o médium Francisco Cândido Xavier do livro “Falou e Disse”.

Francisco Cândido Xavier…

       Chico Xavier nasceu no dia 2 de abril de 1910 na pequena cidade de Pedro Leopoldo, situada a 35 quilômetros de Belo Horizonte. Filho do vendedor de bilhetes de loteria João Cândido Xavier e da dona-de-casa Maria João de Deus, ele manifestou cedo sua extraordinária capacidade de entrar em contato com o outro mundo. Já aos quatro anos, surpreendeu a todos ao explicar, em linguagem médica, o aborto de uma vizinha.“O que houve foi um problema de nidação inadequada do ovo, de modo que a criança adquiriu posição equitópica”, disse o pequeno Chico, repetindo o que lhe era soprado aos ouvidos por um espírito. Em 1932 foi publicada a primeira obra psicografada por Chico Xavier: Parnaso de Além-Túmulo, que reuniu 14 nomes da literatura brasileira, um coletânea de 56 poesias ditadas pelos espíritos de Augusto dos Anjos e castro Alves, entre outros, que causou polêmica no meio literário. Começou a promover reuniões em sua própria casa até fundar o Centro Espírita Luís Gonzaga. Só a partir de 1967 se torna habitual a psicografia de mensagens pessoais, que passam a ser recebidas todas as semanas, em sessão pública, em Uberaba. Até então eram raros os textos enviados por “mortos” a seus parentes através do médium. Ao longo de sua atividade ele psicografou e publicou mais de 400 livros com mensagens de espíritos. O dinheiro das vendas das publicações era revertido para obras de caridade. O médium Chico Xavier desencarnou em 30 de junho de 2002, aos 92 anos em Uberaba, Minas Gerais. Ele estava com vários problemas de saúde e teve uma parada cardíaca. Ele completaria 75 anos de atividade mediúnica em 8 de julho de 2002.

… valeu! Obrigado Chico.

Quem é Ramatís
Ramatís é um Mestre espiritual, proveniente do sistema estelar de Sírius, onde logrou a libertação do ciclo reencarnatório, vindo para a Terra há mais de 40 mil anos atrás, trazendo consigo conhecimentos ocultos que compuseram a milenar Aumbandhã, em transmigração missionária, acompanhando um grupo de espíritos aqui exilados à época das extintas civilizações da Lemúria e da Atlântida, cuja evolução assumiu o compromisso de acompanhar, e, desde então, vem contribuindo ininterruptamente para a evolução e a conscientização crística da humanidade terrena.

Viveu uma encarnação física na antiga Lemúria, cujos registros se perderam no tempo, sobre a qual não se tem maiores informações.

Ramatís viveu depois encarnado na Atlântida há 28 mil anos, ao tempo de Antúlio de Maha-Ethel, quando pertenceu à classe sacerdotal, na figura do grande filósofo Shy Ramat, integrante de um dos santuários da época, o Templo do Sol e da Paz, onde foi contemporâneo do Espírito que mais tarde seria conhecido sob o pseudônimo de Allan Kardec, o posterior codificador do Espiritismo, que então era profundamente dedicado à matemática e às chamadas ciências positivas.

Foi então um iniciado nos conhecimentos ocultos da Aumbandhã, a Lei Maior Divina, Sabedoria Secreta ou Conhecimento Integral, sistema religioso-filosófico-científico setenário esotérico, cultuado nos Templos da Luz atlantes, trazido de outras constelações do infinito cósmico para contribuir com a evolução da humanidade terrena, e que embasou as filosofias espiritualistas posteriormente formadas, principalmente as filosofias herméticas.

No século XIV a.C, no antigo Egito, Ramatís foi o grão-sacerdote Merí Rá, no reinado do faraó Amenhotep IV (1372 a.C – 1354 a.C), promotor de uma grande reforma religiosa, substituindo as antigas divindades do panteão egípcio pelo culto monoteísta a Aton, o disco solar, tendo mudado seu próprio nome para Akhenaton.

Nessa ocasião, Merí Rá teve a oportunidade de salvar da execução sumária um modesto aguadeiro, que, inadvertidamente, respingou água nas sandálias de uma dama da nobreza egípcia, assumindo para si a sua tutela perante o faraó, e que, mais tarde, reencarnou na figura de seu médium Hercílio Maes.

Posteriormente, em nova passagem pelo Egito, Ramatís teve outro encontro encarnatório com Kardec, que foi então o sacerdote Amenófis, médico e estudioso do “Livro dos Mortos” e dos fenômenos do Além, ao tempo do faraó Merneftá (1225 a.C. – 1215 a.C), filho de Ramsés II.

Segundo o mestre Hilarion de Monte Nebo, e outros sublimes mensageiros espirituais, Ramatís ainda viveu anteriormente na figura de Essen, filho de Moisés e fundador da Fraternidade Essênia, fiel seguidora dos ensinamentos Kobdas; mais tarde, viveu na Hebréia sob a roupagem de Nathan, o grande conselheiro de Salomão.

Na Grécia antiga, por volta do século V a.C, reencarnou como o famoso filósofo Pitágoras de Samos (cerca de 570 a.C – 496 a.C), um possível discípulo de Anaximandro. Supõe-se que tenha visitado o Egito, mais tarde transferindo-se para Crotona, na Magna Grécia (sul da Itália), onde fundou, por volta de 530 a.C, uma comunidade religiosa e política, cujos membros ficaram conhecidos como pitagóricos.

As doutrinas pitagóricas primeiro se desenvolveram no seio dessa comunidade e depois entre os pitagóricos dispersos pela Grécia e no sul da Itália, que acreditavam na transmigração das almas e buscavam praticar um ascetismo purificador.

Pitágoras considerava o número como a essência e o princípio de todas as coisas, introduzindo uma noção de Cosmo que é essencialmente medida e número (harmonia celestial), conceito elaborado numa metafísica que mais tarde influiu decisivamente Platão.

A literatura esotérica considera Pitágoras um alto iniciado nos mistérios egípcios, babilônicos e caldeus, cuja doutrina resumiria os arcanos da natureza em suas teorias matemáticas transcendentes e em sua música das esferas.

Posteriormente, ainda na Grécia antiga, por volta do século IV a.C., época em que se encontravam em ebulição os princípios e teses esposados por Sócrates, mais tarde cultuados por Antístenes, discípulo de Sócrates e mestre de Diógenes, Ramatís novamente reencarnou, agora na figura de conhecido mentor helênico, pregando entre os discípulos ligados entre si por grande afinidade espiritual.

Supõe-se ter sido o próprio Platão, contemporâneo de Antístenes e igualmente discípulo de Sócrates, conforme acreditava Hercílio Maes, segundo revelação de Breno Trautwein, um dos revisores das obras de Ramatís.

Na condição de herdeiro filosófico de Sócrates e trazendo a influência dos pitagóricos, Ramatís, na roupagem carnal de Platão, levantou o problema da verdade, que desemboca no da salvação da própria alma.

Afirmava ele, então, que os objetos da percepção sensível, ou seja, aqueles do mundo físico, acessíveis através dos sentidos humanos, não são verdadeiramente reais, apenas ilusórios; já os objetos do pensamento (os números ideais) são a única realidade, e as coisas sensíveis são apenas seu reflexo; somente deles é que se pode obter um conhecimento certo.

Para Platão, as realidades mais elevadas são os conceitos matemáticos e as idéias de beleza, bondade e justiça, que existem como formas ou arquétipos de um mundo transcendente, cuja forma suprema é o Bem (Deus).

Ele pregava que a alma humana é imortal, purificando-se através de sucessivas existências e, se o pensamento alcança a idéia suprema do Bem, é porque nele se opera a reminiscência de uma vida anterior da alma. A ambição suprema é poder voltar àquele mundo onde as formas podem ser vistas em toda sua indescritível beleza.

Seus ensinamentos buscavam acentuar a consciência do dever, a auto-reflexão, e mostravam tendências nítidas de espiritualizar a vida, em cujo convite incluía-se o cultivo da música, da matemática e da astronomia, pois concluiu pela existência de uma Ordem Superior dominante no Cosmo, ao observar atentamente o deslocamento dos astros.

A literatura esotérica conta que, após a morte de Sócrates, Platão viajou pela Ásia Menor e daí até o Egito, onde se iniciou nos cultos misteriosóficos de Ísis, atingindo o terceiro grau, que lhe conferiu a perfeita lucidez intelectual e a realeza da inteligência sobre a alma e sobre o corpo.

Mais tarde, ao tempo de Jesus de Nazaré, Ramatís reencarnou na figura do conhecido filósofo neoplatônico egípcio, de cultura grega mas de origem judaica, Fílon de Alexandria, também conhecido por Fílon, o Judeu (entre 20–10 a.C. e 50 d.C.), responsável pela famosa Biblioteca de Alexandria.

Profundamente versado tanto em ciência grega como em judaísmo, teve então influência dos filósofos estóicos, pitagóricos e platônicos, defendendo em suas obras a tese da absoluta transcendência de Deus com relação ao mundo e a idéia da transmigração das almas.

Enquanto Fílon, Ramatís tornou-se especialista em Cabala judaica, e muitas de suas obras da época destinaram-se a explicar o judaísmo a leitores pagãos, sustentando que os filósofos gregos deviam a Moisés algumas de suas idéias fundamentais.

Fílon distinguiu-se na tarefa de sistematizar a interpretação dos documentos religiosos por meio de doutrinas científicas, tendo elaborado um método alegórico de interpretação, que aplicou ao Antigo Testamento.

As doutrinas espiritualistas de Fílon inspiraram em grande parte os gnósticos e os neoplatônicos, e seu pensamento exerceu também extraordinária influência em escritores judeus e cristãos posteriores.

Na roupagem carnal de Fílon de Alexandria, Ramatís pode estar pessoalmente em contato com o Jesus de Nazaré na Palestina, por cuja segurança muito lutou. Nessa ocasião teve a oportunidade de efetuar indagações a Seu respeito a alguns de Seus próprios discípulos daquela época, o que lhe possibilitou mais tarde elaborar a obra “O Sublime Peregrino”, em que trata dos principais fatos da existência do amado Mestre no planeta, trazendo uma idéia mais nítida da realidade de seu Espírito angélico.

Mais tarde, no Espaço, Ramatís filiou-se definitivamente a um grupo de trabalhadores espirituais, cuja insígnia, em linguagem ocidental, ficou conhecida sob a pitoresca denominação de “Templários das Cadeias do Amor”. Trata-se de um agrupamento quase desconhecido nas colônias invisíveis do Além, junto à região Ocidente, e se dedica a trabalhos profundamente ligados à psicologia oriental.

Espírito muito experimentado nas lides reencarnacionistas, Ramatís já se havia distinguido no século IV d.C., tendo participado do ciclo ariano, nos acontecimentos que inspiraram o famoso poema épico hindu “Ramaiana”, onde o feliz casal Rama e Sita simbolizam, de forma iniciática, os princípios masculino e feminino.

Unindo-se Rama e Átis, ou seja, Sita ao inverso, então resulta Ramaatís, como realmente se pronuncia em indochinês. Nessa encarnação, Ramatís foi adepto da tradição de Rama, cultuando os ensinamentos do “Reino de Osíris”, Senhor da Luz, na inteligência das coisas divinas.

Os que lêem as mensagens de Ramatís, e estão familiarizados com o simbolismo do Oriente, nem sabem o que representa o nome “RAMA-TYS” ou “Swami Sri RAMA-TYS”, como era conhecido nos santuários da época. É quase uma “chave”, uma designação de hierarquia ou dinastia espiritual, que explica o emprego de certas expressões que transcendem às próprias formas objetivas.

“Rama” é o nome dado à própria Divindade, o Criador, cuja força criadora emana para as criaturas quando pronunciado corretamente. O nome “Ramatís” é um mantra, que reúne os princípios masculino e feminino contidos em todas as coisas e seres; ao se pronunciar o vocábulo Ramaatís, saúda-se implicitamente o Deus que se encontra no interior de cada ser.

Em sua última encarnação na Terra, Ramatís viveu, no século X na Indochina, no corpo de um menino de cabelos negros como ébano, com pele da cor do cobre claro, e olhos verdes em tom castanho escuro, iluminados de ternura, filho de Tiseuama, uma vestal chinesa fugida de um templo, que desposou um tapeceiro hindu de nome Rama.

Era de inteligência fulgurante e desencarnou bastante moço, com menos de 30 anos de idade, no ano de 933 d.C., em razão de problemas cardíacos. Nessa existência, após certa disciplina iniciática a que se submetera na China, tornando-se um bispo budista sino-indiano, fundou e dirigiu um pequeno templo iniciático na Índia, às margens da estrada principal que se perdia dentro do território chinês.

Como instrutor nesse templo, procurou ele aplicar aos seus discípulos os conhecimentos adquiridos em suas inúmeras vidas anteriores. O templo que Ramatís fundou foi erguido pelas mãos de seus primeiros discípulos e admiradores. Cada pedra de alvenaria recebeu o toque magnético e pessoal de seus futuros iniciados.

Alguns deles estão atualmente reencarnados no planeta e reconhecem o antigo mestre através desse toque misterioso, que não pode ser explicado a contento na linguagem humana; sentem-no, por vezes, e de tal modo, que as lágrimas lhes afloram aos olhos, num longo suspiro de saudade!

Embora nessa existência tenha desencarnado ainda moço, Ramatis pôde aliciar 72 discípulos que, no entanto, após o desaparecimento do mestre, não puderam manter-se à altura do mesmo padrão iniciático original. Eram adeptos provindos de diversas correntes religiosas e espiritualistas do Egito, da Índia, da Grécia, da China e até da Arábia.

Apenas 18 conseguiram envergar a simbólica “túnica azul”, e alcançar o último grau daquele ciclo iniciático; os demais, seja por ingresso tardio, seja por menor capacidade de compreensão espiritual, não alcançaram a plenitude do conhecimento das disciplinas lecionadas pelo mestre.

A não ser 26 adeptos que estão desencarnados, cooperando nos labores da Fraternidade da Cruz e do Triângulo, o restante disseminou-se pelo planeta em diferentes latitudes geográficas: de seus antigos discípulos, dezoito reencarnaram no Brasil, seis nas três Américas, enquanto que os demais se espalharam pela Europa e, principalmente, pela Ásia.

Em virtude de estar a Europa atingindo o final de sua missão civilizadora, alguns dos discípulos lá reencarnados emigrarão para o Brasil, em cujo território, segundo Ramatís, se encarnarão os predecessores da generosa humanidade do terceiro milênio.

Ramatís informou que voltará a reencarnar durante o ciclo do terceiro milênio, e um dos seus objetivos é reunir novamente os seus discípulos, agora dispersos, a fim de que eles se congreguem e façam jus à iniciação completa, para então serem integrados no “Raio” ou faixa mental da Ciência Psíquica do plano cósmico.

No templo que Ramatís fundou na Índia, esses discípulos desenvolveram conhecimentos sobre magnetismo, astrologia, clarividência, psicometria, radiestesia e assuntos quirológicos aliados à fisiologia do “duplo etérico”.

Os mais capacitados lograram êxito e poderes na esfera da fenomenologia mediúnica, dominando os fenômenos da levitação, ubiqüidade, vidência e psicografia de mensagens que os instrutores enviavam para aquele cenáculo de estudos espirituais.

Mas o principal “toque pessoal” que Ramatís desenvolveu em seus discípulos, em virtude do compromisso que assumira para com a Fraternidade do Triângulo, foi o pendor universalista, a vocação fraterna, crística, para com todos os esforços alheios na esfera do espiritualismo.

Atualmente, Ramatís ainda opera como mestre nas tarefas dos teosofistas, conhecido entre estes como Kut Humi (ou Koot Humi, o Mestre K.H.), não se cingindo a uma doutrina ou princípio, buscando incentivar os conceitos de universalidade e integração do homem sob a égide do Cristo, através do Código Moral que é o Evangelho.

Dentro do movimento teosófico, Kut-Humi Lal Singh, junto com o mestre Morya, foi o principal inspirador da Sociedade Teosófica, fundada em 1875 por Helena P. Blavatsky e Cel. Olcott, e é considerado Mestre do Segundo Raio, o do Amor-Sabedoria. Possui numerosos discípulos, se ocupa principalmente da vitalização de algumas das mais importantes correntes filosóficas, e se interessa por organizações filantrópicas.

Sabe-se que Ramatís não vive habitualmente em qualquer colônia espiritual situada no Astral do Brasil, mas vem operando, do plano Astral, há muito tempo. Dada sua evolução, Ramatís já não mais dispõe de sua vestimenta perispiritual astralina, utilizando-se de um corpo intermediário apenas em suas incursões no plano Astral ou quando deseja mostra-se a encarnados videntes.

Conhecedor do trabalho sideral da humanidade terrena, ele vem se esforçando para cooperar na sua evolução, cumprindo o compromisso assumido com a Alta Espiritualidade terrena na instrução espiritual das criaturas, estabelecendo as bases de um pensamento universalista que transpõe conhecimentos ancestrais para os encarnados, sucedâneos da codificação kardequiana.

Em seu trabalho em planos invisíveis, Ramatís atualmente supervisiona as tarefas ligadas aos seus discípulos na Metrópole do Grande Coração, uma colônia espiritual no plano Astral congregada por espíritos com índole universalista. Segundo informações de seus psicógrafos mais recentes, ele participa atualmente de um colegiado no plano Astral de Marte.


 Referências:  Spiritsmogi

Rua das flores

Fraternidade Ramatis

Budismo, Deuses Hindus , Ecumenismo & Seicho – No – Ie sexta-feira, jan 27 2012 


Introdução ao Budismo/Introdução


Bem-Vindo
 ao Curso de Introdução ao Budismo da Wikiversidade !
Seja bem vindo ao curso de Introdução ao Budismo da Wikiversidade. Nos próximos módulos estudaremos os príncipios básicos desta filosofia (considerada por alguns também como religião), analisando sua história, seu fundador, ramificações e tradições. Este curso busca ser imparcial no tratamento das informações ensinadas, e pretende fornecer informações básicas que sirvam ao aluno como base para qualquer estudo futuro sobre o tema. Caso queira aprofundar-se mais em seus estudos não hesite em ver os outros cursos de Budismo da Wikiversidade.

O que é Budismo?

Budismo é um conjunto de escolas e ensinos que se focam na figura de Buda. Buda (sânscrito-devanagari: बुद्ध, transliterado Buddha, que significa Desperto, Iluminado, do radical Budh-, “despertar”) é um título dado na filosofia budista aquele que despertou plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos, reconhecendo a origem do sofrimento e como superá-lo atingindo o Nirvana. Geralmente este título é relacionado à Siddhartha Gautama, o fundador do Budismo, mas diversas escolas do Budismo reconhecem outros Budas em diversas eras. Apesar da veneração prestada por algumas escolas budistas, um Buda não é considerado como uma divindade, sendo que a condição de Buda pode ser atingida por qualquer ser humano que se proponha à isto (a forma de se obter este estado que varia de escola para escola).

Resumo

  • Budismo é um conjunto de escolas e ensinos que se focam na figura de Buda.
  • Buda significa em sânscrito o Desperto e é um título dado na filosofia budista aquele que despertou plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos, reconhecendo a origem do sofrimento e como superá-lo atingindo o Nirvana.
  • Geralmente este título é relacionado a Siddhartha Gautama, o fundador do Budismo, mas diversas escolas do Budismo reconhecem outros Budas em diversas eras.
  • O Budismo é uma filosofia de vida baseada integralmente nos profundos ensinamentos do Buda para todos os seres, que revela a verdadeira face da vida e do universo.
  • Quando pregava, o Buda não pretendia converter as pessoas, mas iluminá-las.
  • O Budismo é uma religião prática, devotada a condicionar a mente inserida em seu cotidiano, de maneira a leva-la à paz, serenidade, alegria, sabedoria e liberdade perfeitas. Por ser uma maneira de viver que extrai os mais altos benefícios da vida, é freqüentemente chamado de “Budismo Humanista”.

Introdução ao Budismo/Fundamentos do Budismo

A base dos ensinamentos do Budismo é o sofrimento e a sua consequente extinção. Siddharta Gautama teve a compreensão de que o sofrimento é decorrente do desejo em todas as suas formas. Quando se deseja algo e não se obtêm a frustração gera o sofrimento, assim como quando se obtém o que se deseja há o desejo de manter o objeto do desejo. Para Siddharta, o desejo deve ser purificado de forma a eliminar o sofrimento. Siddharta codificou o mecanismo do sofrimento nas Quatro Verdades Nobres, e como purificar o desejo no Nobre Caminho Óctuplo.

Justamente por ter um aspecto prático, existem muitos debates se o Budismo deve ser considerado uma religião ou não. O Budismo originalmente preocupa-se apenas com a extinção do sofrimento humano, e não busca nenhuma interpretação religiosa ou metafísica do universo, apesar das diversas escolas budistas terem assimilados rituais, cultos e divindades de outras religiões para expressar suas interpretações do budismo através dos tempos. Por isto é comum que muitos praticantes de outras religiões também pratiquem doutrinas do budismo. O judaísmo por exemplo não considera o Budismo em si como uma forma de idolatria.

As Quatro Verdades Nobres são quatro afirmações que descrevem a natureza do sofrimento: As Quatro Verdades Nobres

  • A Natureza do Sofrimento (Dukkha)

(..) esta é a nobre verdade do sofrimento: nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimento; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco agregados influenciados pelo apego são sofrimento.(..)

  • A Origem do Sofrimento (Samudaya)

“(..) esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir.(…)”

  • A Cessação do Sofrimento (Nirodha)

“(..) esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a libertação dele, a independência dele.(…)”

  • O Caminho(Mārga)para a cessação do Sofrimento

“(..) esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.(…)”

O Nobre Caminho Óctuplo

Sabedoria (Prajñā • Paññā)

  • Visão ou Entendimento correcto (samyag-dṛṣṭi • sammā-diṭṭhi): “(…)E o que é o entendimento correto? Compreensão do sofrimento, compreensão da origem do sofrimento, compreensão da cessação do sofrimento, compreensão do caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento. A isto se chama entendimento correto.(…)”
  • Intenção ou Pensamento correcto (samyak-saṃkalpa • sammā-saṅkappa): “(…)E o que é pensamento correto? O pensamento de renúncia, o pensamento de não má vontade, o pensamento de não crueldade. A isto se chama pensamento correto.(…)”

Conduta Ética (Śīla • Sīla)

  • Palavra ou Linguagem correcta (samyag-vāc • sammā-vācā): “(…)E o que é a linguagem correta? Abster-se da linguagem mentirosa, da linguagem maliciosa, da linguagem grosseira e da linguagem frívola. A isto se chama linguagem correta.(…)”
  • Atividade ou Ação correcta (samyak-karmānta • sammā-kammanta): “(…)E o que é ação correta? Abster-se de destruir a vida, abster-se de tomar aquilo que não for dado, abster-se da conduta sexual imprópria. A isto se chama de ação correta.(…)”
  • Modo de vida correto (samyag-ājīva • sammā-ājīva): “(..)E o que é modo de vida correto? Aqui um nobre discípulo, tendo abandonado o modo de vida incorreto, obtém o seu sustento através do modo de vida correto. A isto se chama modo de vida correto.(…)”

Meditação(Samādhi)

  • Esforço correto (samyag-vyāyāma • sammā-vāyāma) : “(…)E o que é esforço correto? (i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu gera desejo para que não surjam estados ruins e prejudiciais que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. (ii) Ele gera desejo em abandonar estados ruins e prejudiciais que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. (iii) Ele gera desejo para que surjam estados benéficos que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. (iv) Ele gera desejo para a continuidade, o não desaparecimento, o fortalecimento, o incremento e a realização através do desenvolvimento de estados benéficos que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. A isto se denomina esforço correto.(…)”
  • Atenção correcta (samyak-smṛti • sammā-sati): “(…)E o que é atenção plena correta? (i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu permanece focado no corpo como um corpo – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. (ii) Ele permanece focado nas sensações como sensações – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. (iii) Ele permanece focado na mente como mente – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. (iv) Ele permanece focado nos objetos mentais como objetos mentais – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. A isto se denomina atenção plena correta.(…)”
  • Concentração correcta (samyak-samādhi • sammā-samādhi): “(…)E o que é concentração correta? (i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades não hábeis, entra e permanece no primeiro jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos do afastamento. (ii) Abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que é caracterizado pela segurança interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos da concentração. (iii) Abandonando o êxtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que é caracterizado pela felicidade sem o êxtase, acompanhada pela atenção plena, plena consciência e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: ‘Ele permanece numa estada feliz, equânime e plenamente atento.’ (iv) Com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a atenção plena e a equanimidade purificadas. A isto se denomina concentração correta..

Nirvana

Nirvana (do sânscrito निर्वाण, Nirvāṇa no pali: निब्बान, Nibbāna) significa literalmente extinção, é o nome dado ao estado de libertação budista do sofrimento. Para cada escola budista, existem interpretações diferenciadas do que seja o Nirvana e de como este é atingido.

Buda descreve o Nirvana como um estado de perfeita paz da mente, livre de qualquer estado aflitivo (kilesa). O Cânon Pali também descreve outras perspectivas sobre o Nirvana: uma delas descreve que o Nirvana é o estado que permite ver a natureza vazia dos fenômenos. Também é apresentado como uma radical reorganização da consciência e seu despertar [1]. O estudioso Herbert Guenther afirma que com o Nirvana “a personalidade ideal, o verdadeiro ser humano” torna-se realidade.[2]

No Dhammapada, Buda diz que o Nirvana “é a maior felicidade”. Esta é uma felicidade duradoura, uma felicidade transcendente alcançada através da iluminação, não baseada na felicidade impermanente das coisas.

Escrituras e referências budistas

Edição do Cânone Pali

Buda não deixou nada escrito, tendo realizado seu ministério de forma oral. De acordo com a tradição budista, ainda no próprio ano em que o Buda faleceu teria sido realizado um concílio na cidade de Rajaghra onde discípulos do Buda recitaram os ensinamentos perante uma assembleia de monges que os transmitiram de forma oral aos seus discípulos. Porém, a historicidade deste concílio é alvo de debate: para alguns este relato não passa de uma forma de legitimação posterior da autenticidade das escrituras.

Por volta do século I a.C. os ensinamentos do Buda começaram a ser escritos. Um dos primeiros lugares onde se escreveram esses ensinamentos foi no Sri Lanka, onde se constitui o denominado Cânone Pali. O Cânone Pali é considerado pela tradição Theravada como contendo os textos que se aproximam mais dos ensinamentos do Buda. Não existem contudo no budismo um livro sagrado como o Tanakh, a Bíblia ou o Alcorão que seja igual para todos os crentes; para além do Cânone Pali, existem outros cânones budistas, como o chinês e o tibetano.

O canône budista divide-se em três grupos de textos, denominado “Triplo Cesto de Flores” (tipitaka em pali e tripitaka em sânscrito):

  1. Sutra Pitaka: agrupa os discursos do Buda tais como teriam sido recitados por Ananda no primeiro concílio. Divide-se por sua vez em vários subgrupos;
  2. Vinaya Pitaka: reúne o conjunto de regras que os monges budistas devem seguir e cuja transgressão é alvo de uma penitência. Contém textos que mostram como surgiu determinada regra monástica e fórmulas rituais usadas, por exemplo, na ordenação. Estas regras teriam sido relatadas no primeiro concílio por Upali;
  3. Abhidharma Pitaka: trata do aspecto filosófico e psicológico contido nos ensinamentos do Buda, incluindo listas de termos técnicos.

Quando se verificou a ascensão do budismo Mahayana esta tradição alegou que o Buda ensinou outras doutrinas que permaneceram ocultas até que o mundo estivesse pronto para recebê-las; desta forma a tradição Mahayana inclui outros textos que não se encontram no Theravada.

Para a maioria das escolas budistas, a historicidade dos textos é independente da obtenção do Nirvana. A maioria das escolas consideram que as histórias, mesmo as fábulas, tem como objetivo principal não o de relatar fatos históricos tal como ocorreram, e sim que devem servir como um meio de se obter consciência dos fundamentos do budismo.

Resumo

  • A base dos ensinamentos do Budismo é o sofrimento e a sua consequente extinção.
  • Siddharta Gautama teve a compreensão de que o sofrimento é decorrente do desejo em todas as suas formas. Para Siddharta, o desejo deve ser purificado de palavras muito cahahjshfufahuf
  • O Nobre Caminho Óctuplo se compõe de : Visão ou Entendimento correto , Intenção ou Pensamento correta , Palavra ou Linguagem correta, Atividade ou Ação Correta, Modo de vida correto, Esforço correto, Atenção correta e Concentração correta.
  • Nirvana ou Nibbana é o nome dado ao estado de libertação budista do sofrimento.
  • Buda não deixou nada escrito, tendo realizado seu ministério de forma oral. O canône budista é baseado nas doutrinas conforme codificadas pelos discípulos de Buda e divide-se em três grupos de textos, denominado “Triplo Cesto de Flores” (tipitaka em pali etripitaka em sânscrito).

Notas

  1.  Peter Harvey, Consciousness mysticism in the discourses of the Buddha. in Karel Werner, The Yogi and the Mystic; Studies in Indian and Comparative Mysticism.” Routledge, 1995, page 82; [1].
  2.  Guenther, The Problem of the Soul in Early Buddhism, Curt Weller Verlag, Constanz, 1949, pp. 156-157.

Introdução ao Budismo/História do Budismo

A história do Budismo desenvolve-se desde século VI a.C até o presente, começando com o nascimento de Siddhartha Gautama, o Buda histórico. Durante todo este período, a religião evoluiu à medida que encontrou diferentes países e culturas, acrescentando ao fundo indiano inicial elementos culturais oriundos do Helenismo, bem como da Ásia Central, do Sudeste asiático e Extremo Oriente. No processo, o Budismo alcançou uma expansão territorial considerável ao ponto de influenciar de uma forma ou de outra quase todo o continente asiático. A história do Budismo caracteriza-se também pelo desenvolvimento de vários movimentos e cismas, entre os quais se encontram as tradições TheravadaMahayana e Vajrayana entre diversas outras.

Índice

A origem do Budismo: Siddhartha Gautama

Príncipe Siddhartha. Gandhara, século 2-3. Musée Guimet, Paris.

Sidarta Gautama ou Siddhartha Gautama (em sânscrito सिद्धार्थ गौतम, transl. Siddhārtha Gautama, em páli Siddhāttha Gotama) foi um príncipe que viveu por volta de 563 a.C. até 483 a.C., no reino de Śākya — que hoje em dia seria parte da fronteira do Nepal com a Índia. Gautama era seu nome de família, que significa “a melhor vaca”, e Siddhartha é uma junção do sânscrito Siddhi (“realização”, “completude”, “sucesso”, “liquidação de um débito”) e Artha (“alvo”, “propósito”, “meta”). Pode ser traduzido como “Aquele cujos objetivos são alcançados” ou ainda “Aquele que cumpriu a meta a que se propôs (na sua vida)”.

Tendo levado uma vida pautada pelo luxo sob a protecção do seu pai, o rei de Kapilavastu (território mais tarde integrado no Império Magadha), Siddharta casou-se ainda jovem com Yassodhara, com quem teve um filho que foi chamado Rāhula (“obstáculo”, em sânscrito). No entanto Siddharta tomando conhecimento das realidades do mundo, concluiu que a vida é sofrimento e aos 29 anos, decidiu deixar a vida palaciana para viver como um asceta na floresta. Praticou meditação e severas austeridades por 6 anos até que, aos 35 anos de idade, teve uma experiência religiosa à qual deu o nome de iluminação. A partir daí passou a ser conhecido como o Buda (Buddha, título honorífico em sânscrito que significa “Aquele que sabe”, ou “Aquele que despertou”), mais especificamente como Buddha Śākyamuni (“o sábio dos Śākya”).

Siddharta como asceta. Gandhara, século 2-3. Museu Britânico.

Viveu até os 80 anos de idade, transmitindo seus ensinamentos e conquistando uma grande legião de discípulos, monges ou leigos (sem ordenação monástica). Gautama foi contemporâneo de Mahaviracom o qual, segundo fontes religiosas e históricas, travou alguns diálogos como opositores.

A sua relutância em nomear um sucessor ou em formalizar a sua doutrina levaria à formação de vários movimentos nos quatrocentros anos seguintes. Em primeiro lugar surgiriam as escolas do Budismo Nikaya, das quais só sobreviveu o Theravada, e mais tarde o Mahayana.

O Budismo primitivo

Antes do patrocínio real de Asoka, o budismo parece ter sido um fenómeno marginal, pouco se conhecendo dos seus primeiros tempos. Dois importantes concílios tiveram lugar, embora o que saiba deles baseie-se em fontes posteriores.

O Primeiro Concílio Budista (século V a.C.)

As cavernas Sattapanni de Rajgir serviram como local do Primeiro Concílio Budista.

O primeiro concílio budista ocorreu em Rajagriha pouco tempo depois da morte de Buda, sob o patrocínio de Ajatasatru, imperador de Magadha, tendo sido presidido por um monge chamado Mahakasyapa. O concílio tinha como objectivo registar os ensinamentos orais do Buda (sutra) e codificar as regras monásticas (vinaya). A Ananda, primo de Buda e seu discípulo, foi pedido que recitasse os discursos do Buda e outro discípulo, Upali, recitou as regras da vida monástica. Estes dois elementos constituem a base do cânone pali, referência de ortodoxia em toda a história do budismo.

O Segundo Concílio Budista (383 a.C.)

O Segundo Concílio Budista foi convocado pelo rei Kalasoka, tendo decorrido em Vaisali, na sequência de conflitos entre escolas tradicionais do Budismo e um movimento de interpretação mais liberal conhecido como os Mahasamghikas. Para as escolas tradicionais, o Buda tinha sido um ser humano que alcançara o estado de iluminação e este poderia ser facilmente alcançado pelos monges seguindo as regras monásticas. Para os Mahasamghikas esta perspectiva era demasiado individualista e egoísta, propondo como verdadeiro objectivo o atingir do estado de budeidade. Tornaram-se proponentes de regras monásticas menos rígidas, que pudessem apelar a um maior grupo de pessoas.

Os Mahasamghikas seriam rejeitados durante o concílio, tendo estes se fixado durante vários séculos no noroeste da Índia e na Ásia Central, como mostram as inscrições Kharoṣṭhī datadas do século I d.C. encontradas perto do rio Oxus.

O proselitismo de Ashoka

Rei Ashoka

O rei máuria Ashoka converteu-se ao Budismo após a conquista brutal que empreendeu do território de Kalinga (hoje Orissa), no este da Índia. Arrependido dos horrores provocados pelo conflito, o rei decidiu renunciar à violência e propagar a religião budista construindo estupas e pilares nos quais se apela à renúncia de toda violência contra as pessoas e os animais.

Este período corresponde à primeira expansão do Budismo para fora da Índia. De acordo com os pilares e as placas deixados por Ashoka (“Éditos de Ashoka“), foram enviados missionários a vários territórios situado a oeste, como o reino greco-bactriano. É também possível que estas missões tenham alcançado o Mediterrâneo, segundo inscrições em pedras deixadas por Ashoka.

O Terceiro Concílio Budista (c. 250 a.C.)

O Terceiro Concílio Budista foi convocado por Ashoka em Pataliputra (Patna) por volta de 250 a.C., tendo sido presidido pelo monge Moggaliputta. O objetivo do concílio era tentar reconciliar as diferentes escolas budistas, purificar o movimento budista de facções oportunistas atraídas pelo patrocínio real e estabelecer as viagens de missionários budistas para todo o mundo.

O cânone pali (Tipitaka; em sânscrito Tripitaka, “os três cestos”), que compreende textos de referência do Budismo tradicional e que se considera ter sido transmitido pelo Buda, foi formalizado nesta ocasião. É composto pela doutrina (Sutra Pitaka), pela disciplina monástica (Vinaya Pitaka) e por um novo corpo de textos de carácter filosófico (Abhidharma Pitaka).

As tentativas de Ashoka de purificar o Budismo acabaram por produzir uma rejeição de movimentos budistas emergentes. Após 250 a.C., a escola Sarvastivada (rejeitada pelo Terceiro Concílio, segundo a tradição Theravada) e a escola Dharmaguptaka tornaram-se influentes no noroeste da Índia e na Ásia Central até a época do império dos Kushana nos primeiros séculos da era comum. A escola Dharmaguptaka caracterizava-se por acreditar que o Buda era um ser que estava separado e acima da comunidade budista, enquanto que a escola Sarvastivadin acreditava que o passado, o presente e o futuro coexistiam ao mesmo tempo.

O mundo helenístico

Proselitismo budista nos tempos do rei Ashoka (260–218 AC).

Alguns do editos de Ashoka revelam o seu esforço em difundir o Budismo pelo mundo helenístico, que na época formava um espaço coeso que ia da fronteira da Índia à Grécia. Os editos mostram um claro entendimento da organização política do mundo helenístico: os nomes e a localização dos principais monarcas da época são indicados. Os monarcas helenísticos Antíoco II do reino Selêucida, Ptolomeu II Filadelfo do Egipto, Antígono Gonatas da Macedónia, Magas de Cirene e Alexandre II de Épiro são apresentados como alvos da mensagem budista.

Para além disso, de acordo com as fontes em pali, alguns dos emissários de Asoka eram monges budistas de origem grega, o que revela intercâmbios culturais entre as duas culturas.

Inscrição bilingue em grego e aramaico pelo rei Ashoka em Kandahar. Museu Cabul(clique na imagem para tradução completa em inglês).

Não se sabe até que ponto estes contactos podem ter sido influentes, mas alguns autores apontam para a existência na época de um certo sincretismo entre o pensamento helenístico e o budismo. É conhecida a existência de comunidades budistas em cidades do mundo helenístico como Alexandria e apontam-se influências do Budismo Theravada na ordem dos Therapeutae.

Expansão asiática

Roda da Lei criada pelos Mons(Dharmachakra), arte de Dvaravati, c.século 8.

Nas regiões a este do subcontinente indiano (aquilo que corresponde atualmente ao Myanmar), a cultura indiana viria a influenciar o povo Mons. Este povo teria sido convertido ao budismo por volta de 200 a.C. graças à influência proselitista de Ashoka, antes do cisma entre o budismo Mahayana e o budismo Hinayana. Os templos budistas Mon mais antigos têm sido datados como pertencentes a um período entre o século I e o século V da era comum.

A arte budista dos Mons foi influenciada pela arte indiana do período Gupta e pós-Gupta, tendo o seu estilo maneirista se difundido pelo sudeste asiático em resultado da expansão do reino Mon entre os séculos V e VIII. A tradição Theravada espalhou-se pela região norte do sudeste asiático sob influência Mon até o século VI, quando começou a ser substituída pela tradição Mahayana.

O Budismo teria chegado ao Sri Lanka no século II a.C. devido à ação de um dos filhos de Ashoka, Mahinda, que por ali teria passado acompanhado por mais seis homens. O grupo teria convertido o rei Devanampiya Tissa e muitos nobres. Foi nesta época que foi construído o monastério de Mahavihara, centro da ortodoxia cingalesa.

A perseguição da dinastia Sunga

A dinastia Sunga (185-73 a.C.) surgiu em 185 a.C., cerca de cinquenta anos depois da morte de Ashoka. Após ter deposto o rei Brhadrata (último representante dos Máurias), o militar Pusyamitra Sunga conquistou o trono. Sunga era um Brâmane ortodoxo que alegadamente era hostil ao Budismo, o qual teria perseguido. Segundo relatos, ele teria destruído mosteiros e mandado matar monges. Em locais como Nalanda, Bodhgaya, Sarnath e Mathura, grande parte dos mosteiros budistas teria sido convertida em templos hindus.

Interação greco-budista (século II a.C. – século I a.C.)

Estátua greco-budista, uma das primeiras representações de Buddha, século 1-2, Gandhara.

Nas regiões a ocidente do subcontinente indiano, existiam reinos gregos na Báctria (norte do Afeganistão) desde o tempo da conquista de Alexandre Magno em 326 a.C. Cronologicamente, surgiria primeiro o reino dos Selêucidas e mais tarde o reino greco-bactriano (a partir de 250 a.C.).

O rei greco-bactriano Demétrio I invadiu a Índia até Pataliputra em 180 a.C., tendo estabelecido um reino indo-grego que duraria em partes do norte da Índia até o século I a.C..

O rei indo-grego Menandro I (rei entre 160-135 a.C.) teria se convertido ao Budismo. As moedas deste rei apresentam a referência “Rei Salvador” em grego e por vezes desenhos da “roda do Dharma”. Após a sua morte, a honra de partilhar os seus restos mortais foi disputada pelas cidades que governou, tendo sido os seus restos colocados em estupas. Os sucessores de Menandro inscreveram a fórmula “Seguidor do Dharma” em várias moedas e retrataram-se realizando a mudra vitarka.

A interacção entre a cultura helenística e budista pode ter tido alguma influência sobre a evolução do Mahayana, pois esta tradição apresenta uma perspectiva filosófica e um tratamento do Buda como um deus que faz lembrar os deuses gregos. É também por esta altura que surgem as primeiras representações antropomórficas de Buda.

A ascensão do Budismo Mahayana

Expansão do Budismo Mahayana entre os séculos 1-10 EC.

A ascensão do Budismo Mahayana a partir do século I a.C. está relacionada com as complexas mudanças políticas ocorridas no noroeste da Índia. Os reinos indo-gregos foram gradualmente aniquilados e a cultura destes absorvida pelos Citas e mais tarde pelos Yuezhi, fundadores do Império Kushana (12 a.C.).

Os Kushanas apoiaram o Budismo e um quarto concílio budista seria mesmo convocado pelo imperador Kanishka por volta do ano 100 a.C. em Jalandhar ou em Caxemira. Esta concílio está associado à emergência do Budismo Mahayana e à separação deste da tradição Theravada, que não reconhece a validade do concílio, o qual denomina como “concílio dos monges heréticos”.

Kanishka teria juntado quinhentos monges em Caxemira, liderados por Vasumitra, para editar o Tripitaka.

Esta nova forma de Budismo caracterizava-se por tratar o Buda quase como um deus e pela ideia de que todos os seres possuem uma natureza de Buda.

A partir de então e no período de alguns séculos, o Budismo Mahayana floresceu e espalhou-se a este, da Índia ao sudeste asiático e em direcção à Ásia Central, China, Coreia e Japão (em 538).

Índia

Após o fim do Império dos Kushanas, o Budismo floresceria na Índia durante a dinastia dos Guptas (séculos IV-VI). Vários centros do saber Mayahana seriam criados, como Nalanda no nordeste da Índia, que se tornaria umas das universidades budistas mais importantes durante vários séculos, com mestres conhecidos como Nagarjuna. O estilo gupta de arte budista tornou-se influente à medida que a religião se difundiu do sudeste asiático à China.

No século VII, o Budismo indiano começou a entrar em decadência em consequência das invasões dos Hunos Brancos e do Islão. No entanto, teria um renascimento durante a época do império Pala, entre os séculos VIII e XII.

Um dos acontecimentos mais marcantes na decadência do Budismo indiano ocorreu em 1193 com a destruição de Nalanda por povos túrquicos islâmicos liderados por Muhammad Khilji. No final do século XII, após a conquista islâmica do baluarte budista de Bihar, os budistas deixaram de ser uma presença significativa na Índia. Para o desaparecimento do Budismo também contribuiu o revivalismo hindu expresso através da escola Advaita Vedanta e no movimento Bhakti.

Apesar de ter nascido na Índia, o Budismo é hoje praticado em pontos isolados do país.

Centro e Norte da Ásia

Ásia Central

A Ásia Central esteve sob influência do Budismo provavelmente deste o tempo do Buda. Segundo uma lenda preservada em pali (a língua da tradição Theravada), dois irmãos mercadores da Báctria, Tapassu e Bhallika, visitaram o Buda e tornaram-se seus discípulos. Quando regressaram à Báctria construiram templos dedicados ao Buda.

A Ásia Central era, já há muito tempo, o ponto de encontro entre os mundos chinês, indiano e persa. Durante o século II a.C., a expansão da Dinastia Han para o ocidente fez com que entrassem em contacto com as civilizações helenísticas da Ásia. Depois disso, a expansão do Budismo para o norte levou à formação de comunidades e de reinos nos oásis da Ásia Central. Algumas cidades da Rota da Seda era compostas praticamente por estupas e mosteiros budistas, sendo provável que um dos seus objectivos seria acolher os viajantes entre este e ocidente.

O Budismo na Ásia Central entrou em declínio com a expansão do islão no século VII. Os muçulmanos não consideraram os budistas como “Povos do Livro” e consequentemente não os toleraram.

Bacia de Tarim

A região oriental da Ásia Central (Xinjiang, Bacia de Tarim) tem revelado ricas obras de arte budista (pinturas murais, esculturas, objectos rituais…), que mostram influências helenísticas e indianas.

A Ásia Central parece ter desempenhado um importante papel na difusão do Budismo para o oriente. Os primeiros tradutores das escrituras budistas para o chinês eram naturais da Ásia Central (da Pártia, Sogdiana ou de Kushan). Os monges budistas da Ásia Central e do Extremo Oriente parecem ter estabelecido contactos culturais significativos, como mostram os frescos da Bacia de Tarim.

China

É provável que o Budismo tenha chegado à China por volta do século I d.C., vindo da Ásia Central (algumas tradições falam também de um monge budista que teria visitado o país no tempo de Asoka).

A introdução oficial do país à religião data de 67 d.C. com a chegada dos monges Moton e Chufarlan. Em 68, sob patrocínio imperial, eles estabeleceram o Templo do Cavalo Branco, que ainda existe hoje em dia, perto da capital imperial Luoyang. No final do século II, uma próspera comunidade budista existia em Pengcheng (actualmente Xuzhou).

Os primeiros textos conhecidos do Budismo Mahayana são traduções em chinês realizadas pelo monge Lokaksema em Luoyang, entre os anos de 178 e 189 d.C.. Os objectos mais antigos que se conhecem relacionados com o Budismo na China são “árvores de dinheiro”, datadas de cerca de 200 d.C., reflectindo o estilo de Gandhara.

O Budismo na China floresceu no início da dinastia Tang. Esta dinastia caracterizou-se de início por uma forte abertura em relação a contactos com o estrangeiro, tendo se verificado entre os séculos IV e XI várias viagens de monges budistas chineses à Índia. A capital da dinastia, Changan (actualmente Xian), tornou-se um importante centro de pensamento budista. A partir dali, o Budismo chegaria à Coreia.

No entanto, no fim da dinastia Tang, as influências exteriores passaram ser mal encaradas. Em 845, o imperador Wuzong proibiu todas as religiões “estrangeiras” (Cristianismo nestoriano, Zoroastrismo e Budismo), com o objectivo de apoiar o Taoísmo. Ao longo do território, o imperador mandou confiscar os bens budistas e destruir templos e mosteiros.

Apesa disso, o Budismo Chan e o Budismo Terra Pura prosperaram durante alguns séculos. O Budismo Chan foi bastante importante durante a era da dinastia Sung, tendo os seus mosteiros funcionado como grandes centros do saber.

Hoje em dia, a China possui uma das mais importantes colecções de arte budista do mundo.

Coréia

O Budismo chegou à Coreia em 372 d.C., quando embaixadores chineses visitaram o reino de Koguryo, trazendo consigo textos e esculturas. O Budismo viria a florescer na Coreia, em particular na sua forma Seon (Zen) a partir do século VII. A partir do século XIV, com o início da dinastia confucionista Yi o budismo seria discriminado e praticamente erradicado, com excepção do movimento Seon.

Japão

O Buda de Kamakura (1252).

O Japão tomou contacto com o Budismo no século VI, quando monges coreanos viajaram até às ilhas levando consigo escrituras e obras de arte. No século seguinte o estado japonês adoptaria o budismo como religião oficial.

O facto de estar situado no fim da Rota da Seda faria com que o Japão preservasse muitos aspectos do budismo numa época em que este começava a desaparecer na Índia, Ásia Central e China.

A partir de 710 vários templos e mosteiros seriam construídos em Nara, entre os quais o pagode de cinco andares ou o templo de Kōfuku-ji. Sob patrocínio real seriam realizadas inúmeras estátuas e pinturas. A criação de uma arte budista japonesa ocorreria durante os períodos Nara, Heian e Kamakura.

Sudeste asiático

Durante o século I d.C., o comércio na parte terrestre da Rota da Seda tendeu a restringir-se devido à ascensão no Médio Oriente da Pártia, um inimigo de Roma. Ao mesmo tempo, entre os Romanos crescia a procura por produtos de luxo de origem asiática. Esta procura reaviveu os contactos por mar entre o Mediterrâneo e a China, funcionando a Índia como intermediária. A partir desta altura, graças aos contactos comerciais e até mesmo intervenções políticas, a Índia passaria a influenciar o sudeste asiático. Rotas comerciais uniam a Índia com a Birmânia, com o sul e o centro de Sião e com a sul do Camboja e do Vietname.

Durante mais de mil anos a influência cultural da Índia foi um factor de unidade cultural entre os países da região. As línguas pali e sânscrita, o budismo Theravada e Mahayana, o bramanismo e o hinduísmo foram transmitidos à região através de contacto directo e de textos literários como o Ramayana e o Mahabharata.

Entre o século V e o século XIII, o Sudeste asiático conheceu impérios poderosos e tornou-se bastante activo nas tradições artísticas e arquitectónicas budistas. Dado que a influência vinha por via marítima a partir da Índia estes países acabariam por adoptar a tradição Mahayana.

Império Srivijaya

O império marítimo Srivijaya, centrado em Palembang na ilha de Sumatra, Indonésia, adoptou o budismo nas suas formas Mahayana e Vajrayana por ordem dos soberanos Sailendra.

Este império difundiu a arte budista durante a sua expansão no sudeste asiático. As várias estátuas de Bodhisattvas que se encontram por toda a região datadas deste período caracterizam-se por um grande refinamento e sofisticação técnica. Um importante legado deste período é o templo budista de Borobodur, em Java, a maior estrutura deste tipo do mundo, cuja construção iniciou-se em 780.

Império Khmer (séculos IX-XIII)

Entre os séculos IX e XIII o império Khmer, de religião budista Mahayana e hindu, dominou a maior parte da península do sudeste asiático. Sob o domínio Khmer, mais de novecentos templos budistas foram construídos no Camboja e na Tailândia. Angkor foi o centro deste desenvolvimento, com um complexo de templos e organização urbana capaz de suster um milhão de habitantes. Um dos reis Khmer mais importantes, Jayavarman VII, construiu grandes estruturas budistas em Bayon e Angkor Thom.

Na sequência da destruição do Budismo Mahayana na Índia no século XI, o budismo Mahayana entrou em declínio no sudeste asiático, sendo substituído pelo budismo Theravada difundido a partir do Sri Lanka.

Emergência do Budismo Vajrayana (século V)

O Budismo Vajrayana, também conhecido como Budismo tântrico, surgiu em primeiro lugar no este da Índia entre os séculos V e VII d.C.. É por vezes visto como uma escola do Mahayana ou chamado como “terceiro veículo” do Budismo. O Vajrayana é uma extensão do Budismo Mahayana no sentido em que não oferece novas perspectivas filosóficas; em vez disso, introduz novas técnicas (upaya ou “métodos eficazes”), entre as quais se incluem o recurso às visualições e às práticas de ioga. Muitas das práticas do Budismo tântrico derivam também do bramanismo.

Os primeiros praticantes do Budismo Vajrayana eram homens que viviam nas florestas à margem da sociedade (mahasiddas), mas por volta do século IX o Vajrayana já se tinha introduzido em centros da tradição Mahayana. À semelhança do que sucedeu com os outros Budismos da Índia, o Vajrayana entrou em decadência com as invasões islâmicas do século XII. Esta forma de Budismo existe ainda hoje no Tibete, onde foi introduzido no século VII.

O renascimento do Budismo Theravada

Expansão do budismo Theravada do século 11 EC.

A partir do século XI, a destruição do Budismo no subcontinente indiano, provocada pelas invasões islâmicas, levou ao declínio da tradição Mahayana no sudeste asiático. Uma vez que as rotas continentais pela Índia estavam comprometidas, desenvolveram-se novas rotas marítimas entre o Médio Oriente e a China que passavam pelo Sri Lanka. Em consequência, o Budismo Theravada acabaria por se difundir pela Ásia.

O rei Anawrahta, fundador do império birmanês, adoptou o Budismo Theravada como religião oficial. Este facto geraria a construção de milhares de templos budistas na capital, Pagan, entre os séculos XI e XIII. Cerca de dois mil deles ainda permanecem de pé. O poder dos Birmaneses decaiu com a ascensão dos Thai e com a tomada da capital pelos Mongóis em 1287; apesar disso, o budismo Theravada continua a ser a principal religião na Birmânia até hoje.

O Budismo Theravada foi também adoptado pelo recém-formando reino tailandês de Sukhothai por volta de 1260. Durante o período Ayutthaya (séculos XIV-XVIII) o budismo seria reforçado como religião, tornando-se parte integrante da sociedade tailandesa.

Na áreas continentais, a tradição Theravada continuou a sua expansão para a Laos e o Camboja no século XIII. No entanto, a partir do século XIV, nas regiões costeiras e nas ilhas do sudeste asiático cresceu a influência do islão, que se expandiu para a Malásia, Indonésia e na maior parte das ilhas até as Filipinas.

Contudo, desde os anos sessenta, o Budismo tem conhecido um renascimento na Indonésia devido em parte às políticas de Suharto que recomendavam aos indonésios a adopção de uma das cinco religiões tradicionalmente praticadas na Indonésia: Islamismo, Protestantismo, Catolicismo, Hinduísmo ou Budismo. Hoje em dia, estima-se que existam cerca de dez milhões de budistas na Indonésia, sendo grande parte deles de ascendência chinesa.

Expansão do Budismo no Ocidente

Mapa da população budista atual, em números absolutos: em vermelho, países com elevado número de budistas; em rosa, países com número mediano de budistas

Após os encontros entre o Budismo e o Ocidente representados na arte greco-budista, um conjunto de informações e lendas sobre o Budismo chegaram ao Ocidente de maneira esporádica. Durante o século VIII, as histórias Jataka budistas foram traduzidas para o siríaco e o árabe como Kaligag e Damnag. Uma biografia do Buda foi traduzida para o grego por João de Damasco, acreditando-se que tenha circulado entre os cristãos como a história de Josafat e Baarlam. No século XIV, Josafat seria declarado santo pela Igreja Católica Romana.

O próximo contacto directo entre o Budismo e o Ocidente aconteceu na Idade Média quando o monge franciscano Guillaume de Rubrouck foi enviado como embaixador à corte mongol de Mongke pelo rei Luís IX de França. O encontro aconteceu em Cailac (actualmente no Cazaquistão), tendo o monge julgado que os budistas seriam cristãos perdidos.

O Budismo começou a despertar um interesse no público ocidental no século XX, após o fracasso de projectos políticos como o Marxismo. Nos anos 1970, o interesse pela realização pessoal substituiu os projectos políticos que visavam a mudar a sociedade. Neste contexto, o Budismo tem experimentado uma forte poder de atracção devido entre outros factores à falta de deidade e a uma certa centralidade da experiência individual.

Resumo

  • A história do Budismo desenvolve-se desde século VI a.C até ao presente, começando com o nascimento de Siddhartha Gautama, o Buda histórico.
  • Durante todo este período, a religião evoluiu à medida que encontrou diferentes países e culturas, acrescentando ao fundo indiano inicial elementos culturais oriundos do Helenismo, bem como da Ásia Central, do Sudeste asiático e Extremo Oriente.
  • O fundador do Budismo foi Sidarta Gautama, um príncipe indiano que viveu por volta de 563 a.C. até 483 a.C., e sistematizou as quatro verdades nobres e o caminho óctuplo.
  • A sua relutância em nomear um sucessor ou em formalizar a sua doutrina levaria à formação de vários movimentos nos quatrocentros anos seguintes. Antes do patrocínio real do rei Asoka, o budismo parece ter sido um fenómeno marginal, pouco se conhecendo dos seus primeiros tempos.
  • O primeiro concílio budista ocorreu em Rajagriha pouco tempo depois da morte de Buda r tinha como objetivo registrar os ensinamentos orais do Buda (sutra) e codificar as regras monásticas (vinaya).
  • O segundo concílio budista foi oriundo dos conflitos entre escolas tradicionais do budismo, que pregavam que a iluminação poderia ser obtida via regras monásticas, e um movimento de interpretação mais liberal conhecido como os Mahasamghikas,que propunha como verdadeiro objetivo o atingir do estado de budeidade, através de regras menos rígidas.
  • O rei máuria Ashoka converteu-se ao Budismo após a conquista brutal que empreendeu na Índia. O rei tornou-se um grande incentivador e propagador do budismo e de viagens missionárias da religião.
  • O terceiro concílio budista foi convocado por Ashoka e tinha o objetivo de tentar reconciliar as diferentes escolas budistas, purificar o movimento budista de facções oportunistas atraídas pelo patrocínio real e estabelecer as viagens de missionários budistas para todo o mundo. O cânone pali, que compreende textos de referência do Budismo tradicional e é considerado ter sido transmitido pelo Buda, foi formalizado nesta ocasião.
  • Introdução ao Budismo/Escolas do Budismo

    Como a maioria das religiões e filosofias mundiais, o Budismo de acordo com a sua evolução histórica dividiu-se em diversos grupos e segmentos que diferenciam entre si em algumas doutrinas e visões do budismo. Não conseguiremos aqui distinguir todos os ramos do budismo que existem ou já existiram, mas analisaremos aqueles de maior relevância histórica.

    Índice

    Escola Theravada

    O Budismo Theravada (do pali: थेरवाद theravāda (sânscrito: स्थविरवाद sthaviravāda); literalmente, “o ensino dos anciões”, ou “o antigo ensino”) é considerado como a mais antiga escola de Budismo ainda existente. Por muitos séculos, o Theravada tem sido a religião predominante no Sri Lanka, Birmânia e Tailândia; atualmente, o número de budistas Theravada em todo o mundo excede 100 milhões de pessoas. Em décadas recentes, o Theravada começou a fincar suas raízes no Ocidente.

    Escola Mahayana

    A Escola Mahayana (em sânscrito: महायान, transl. mahāyāna, “grande veículo”) é atualmente a maior das duas principais tradições do Budismo existentes hoje em dia, a outra sendo o Theravada. As raízes do nome Mahayana são polêmicas e têm sua origem num debate sobre quais seriam os reais ensinamentos do Buda. Embora o movimento Mahayana trace suas origems a Siddharta Gautama, o consenso obtido pelas evidências históricas até hoje indica que tenha se originado no sul da Índia no século I d.C. Foi levado à China por Lokaksema, primeiro tradutor dos sutras Mahayana para o chinês.

    A primeira menção ao Mahayana ocorre no Sutra de Lótus, entre o século I a.C. e o século d.C. As primeiras escrituras Mahayana provavelmente se originaram durante o século I no subcontinente indiano e se espalharam para a China durante o segundo século. Apenas no século V, o Mahayana se tornou uma escola influente na Índia. No decorrer de sua história, o Budismo Mahayana se espalhou pelo leste da Ásia. Os principais países no qual ele ainda é praticado são a China, o Japão, a Coréia e o Vietnã.

    As principais escolas do Budismo Mahayana que possuem um número significativo de seguidores são o Budismo tibetano, o zen-Budismo, a Terra Pura, o Nichiren, o Shingon e o Tendai.

    Budismo Vajrayana

    Estátua Vajrasattva (Buda da purificação),Tibete.

    Vajrayana, também chamado de mantrayana, tantrayana, budismo esotérico ou tântrico e Veículo do Diamante (chinês: 金剛乘, jīngāngshèng, japonês: 金剛乗, kongōjō) , é um conjunto de escolas budistas esotéricas. O nome vem do sânscrito e significa “veículo de diamante”.

    O Vajrayana é, às vezes, considerado como uma extensão do Budismo Mahayana, uma vez que ele difere primariamente na adoção de técnicas adicionais (sânscrito: upāya, “meios hábeis”), ao invés de propor uma filosofia radicalmente diferente.

    O Mahayana possuiria, assim, dois caminhos de prática: o Sutrayana, que prega o aperfeiçoamento através do acúmulo de mérito e sabedoria gradualmente, e o Vajrayāna, que prega a tomada do fruto – a iluminação – como o caminho.

    Budismo tibetano

    Budismo tibetano (também chamado de Lamaísmo,Vajrayana ou Budismo Tântrico), é uma escola budista com grande ênfase na figura dos lamas, nome dado aos instrutores de darma nesta linha budista. O uso mais conhecido do termo é a palavra dalai lama, título de uma linhagem de líderes religiosos da escola Gelug do Budismo Tibetano.

    Budismo Nichiren

    Nichiren Shōnin

    O Budismo Nichiren designa um conjunto de escolas que seguem o ensinamento budista de Nichiren, monge japonês do século XIII.

    Entre outros pontos em comum, essas linhagens afirmam que oSutra de Lótus torna os demais sutras budistas verdades parciais. Os ensinamentos anteriores teriam sido proferidos pelo Buda Shakyamuni em caráter provisório de acordo com a capacidade dos ouvintes, enquanto que no Sutra do Lótus ele profere seus ensinos a partir de um ponto absoluto segundo a interpretação do Sutra de Lótus e do Sutra do Nirvana por Nitiren.

    Outro tópico essencial ao Budismo de Nitiren é a utilização de um único mantra, “nam myoho rengue kyo”, que, em uma tradução simples, significa “Devoto-me à lei mística do Sutra de Lótus”, mas cujas sílabas desdobram-se em outros significados. De acordo com as escolas, o Daimoku (como é chamado o mantra), encerraria em si a Lei do Universo e despertaria a natureza de Buda em quem recitasse. Portanto, outro pilar da fé nos ensinamentos de Nitiren seria o poder de atingir o Estado de Buda na existência atual e, através da disseminação dos ensinos (Chakubuku), buscar a paz mundial (kossen-rufu).

    Dentre as práticas dessa tradição budista, encontram-se a recitação do mantra nam myoho rengue kyo a uma mandala tradicional chamada gohonzon e a realização de duas cerimônias de oração diárias, denominadas gongyô, em que são recitados trechos do Sutra de Lótus na pronuúncia japonesa do texto em chinês.

    Existem dúzias de escolas de Budismo de Nichiren, com significativas diferenças doutrinárias principalmente quanto ao papel exato de Nichiren. Algumas, como a Nitiren Shu, tratam-no como um importante sacerdote que revelou à população o Verdadeiro Budismo, mas submisso ao Shakyamuni. Outras, notavelmente a Nichiren Shoshu e a organização leiga Soka Gakkai, consideram Nitiren como o Buda Original da era de Mappô, dedicando sua atenção a ele em vez de outros Budas, cujos ensinamentos também teriam se tornado impraticáveis e inadaptáveis aos tempos atuais.

    Shingon

    Localizado em KyotoJapãoDaigo-ji é o templo central do ramo Daigo-ha do Budismo Shingon.

    A escola Shingon (眞言, 真言 “verdadeira palavra”) de budismo é uma das maiores escolas budistas japonesas, e é um dos ramos do Budismo Vajrayana juntamente com o budismo tibetano. É geralmente chamado de “Budismo esotérico japonês”. A palavra shingon é a leitura japonesa dos kanji para a palavra chinesa zhen yan, literalmente significando “palavra verdadeira”, que por sua vez é a tradução chinesa da palavra sânscrita mantra.

    O Budismo Shingon surgiu no período Heian (794-1185), quando o monge Kūkai foi para aChina em 804 e estudou práticas tântricas na cidade de Chang’An e retornou com muitos textos e obras de arte. Com o tempo, ele desenvolveu sua própria síntese da doutrina e prática esotéricas, centrados Buda universal, Vairochana (ou, mais precisamente, Mahavairochana Tathagata). Assim, estabeleceu um monastério no Monte Koya, que se tornaria a sede escola de Shingon.

    História

    Shingon gozou de imensa popularidade durante o período Heian, particularmente entre a nobreza da época, e contribuiu largamente com a arte e literatura da época. Posteriormente, o budismo Shingon dividiu-se em dois ramos principais; Kogi Shingon, ou “Shingon antigo,” eShingi Shingon, ou “Shingon novo.” Esta divisão surgiu em primeiro lugar devido à uma disputa política entre Kakuban e sua facção de sacerdotes centrados no Denbōe e a liderança de Kongōbuji, a central do Monte Koya. Kakuban, que fora originalmente ordenado no templo Ninnaji, em Kyoto, estudou em diversos centros monásticos (incluindo o complexo de templos Tendai em Onjiyōji) antes de ir para o Monte Kōya. Através de suas conexões, ele conseguiu ganhar a simpatia de nobre do alto escalão em Kyoto, o que ajudou-o a ser apontado como abade do Monte Kōya.

    A liderança de Kongōbuji, entretanto, opôs-se à indicação sob o pretexto de que Kakuban não havia sido originalmente ordenado no Monte Koya. Depois de vários conflitos, Kakuban e sua facção de sacerdotes trocaram o Monte Koya pelo Monte Negoro, à noroeste, onde eles construíram um novo complexo monástico, atualmente conhecido como Negoroji. Depois da morte de Kakuban em 1143, a facção de Negoro retornou para o Monte Koya. Entretanto em 1288, o conflito entre Kongōbuji e os Denbōe veio à tona mais uma vez. Liderados porRaiyu, os sacerdotes Denbōe mais uma vez deixaram o Monte Kōya, dessa vez estabelecendo o seu quartel general no Monte Negoro. Esse êxodo marcou o início da escola Shingi Shingon em Negoro, que foi o centro de Shingi Shingon até ser saqueado por Toyotomi Hideyoshi em 1585.

    Durante os estágios iniciais sua pregação no Japão, o missionário católico Francisco Xavier foi bem recebido pelos monges Shingon, à partir do momento que ele passou a usar a palavra Dainichi para o Deus Cristão. Na medida em que Xavier aprendeu mais sobre as nuáncias religiosas da palavra, ele mudou para Deusu do latim e do português Deus. Os monges àquela altura também já haviam entendido que Xavier estava pregando uma religião rival.

    Ensinamentos

    Uma mandala japonesa dos cinco Dhyani Buddhas.

    Os ensinamentos Shingons são baseados em textos esotéricos, os principais sendo oMahavairochana Sutra e o Vajrasekhara Sutra. Estes dois ensinamentos místicos são apresentados nas duas principais mandalas Shingon, à saber, a mandala do Reino do Útero (sânsc.: Garbhadhatu Mandala; jp.:Taizokai Mandara) e a mandala do Reino Indestruível/do Diamante (sânsc.: Vajradhatu Mandala; jp.:Kongokai Mandara). O Budismo Vajrayana está relacionado com práticas rituais e meditativas que levam à Iluminação. De acordo com o Shingon, a iluminação não é uma realidade distante e alheia que pode levar eras para se alcançar, mas uma possibilidade real nesta mesma vida, baseado no potencial espiritual de cada ser vivo, conhecido genericamente como Natureza de Buda. Se cultivada, essa natureza luminosa manifesta-se como sabedoria inata. Com a ajuda de um professor genuíno e através do treinamento apropriado de corpo, fala e mente, podemos reivindicar e liberar esta capacidade para o benefício nosso e dos outros.

    Kūkai também sistematizou e categorizou os ensinamentos que ele herdou em dez estágios ou níveis de realização espiritual. Ele escreveu em profusão sobre diferença entre budismo exotérico and esotérico. As diferenças entre budismo exotérico e esotérico podem ser resumidas em:

    1. Os ensinamentos esotéricos são pregados pelos Buda Dharmakaya que Kūkai identifica com Mahavairochana. Oa ensinamentos exotéricos são pregados pelo Buda Nirmanakaya, também conhecido como Siddhartha Gautama, ou um dos Budas Sambhoghakaya.

    2. O budismo esotérico afirma que o estado último de um Buda é inefável e indescritível. Mas apesar de que nada possa ser dito verbalmente, este estado pode ser prontamente comunicável através de rituais esotéricos que envolvem o uso de mantras, mudras e mandalas.

    3. Kūkai sustentava doutrinas exotéricas eram meramente temporárias, meios hábeis (upaya) por parte dos Budas para ajudarem os seres de acordo com suas capacidades de compreenderem a verdade. As doutrinas esotéricas, por outro lado, são a prórpia verdade e uma expressão direta da “experiência introspectiva da iluminação do Dharmakaya”.

    4. Algumas escolas exotéricas do final do Período Nara e início do Período Heian no Japão sustentavam (ou eram retratadas pelos seguidores Shingon como tal) que alcançar a iluminação era possível, mas requeria uma enorme quantidade de tempo (três incomensuráveis eons) de prática para ser alcançada, enquanto que o Budismo esotérico ensina que a Estado Búdico pode ser alcançado nesta mesma vida por qualquer pessoa.

    Tendai

    Tendai (天台宗, Tendai-shū) é uma escola do Budismo japonês, descendente da escola chinesa Tiantai, ou escola do Sutra do Lótus.

    História

    O ensinamento Tiantai foi trazido ao Japão pela primeira vez pelo monge chinês Jianzhen (鑑眞 japonês: Ganjin) na metade do século VIII, mas não foi completamente aceito. Em 805, o monge japonês Saichō (最澄; também conhecido como Dengyō Daishi 伝教大師) voltou daChina com novos textos Tiantai e fez do templo que ele havia construido no Monte Hiei (比叡山), w:Enryakuji (延暦寺), um centro para estudo e prática do que veio a ser o Tendai japonês.

    Filosoficamente, a escola Tendai não desviou substancialmente das crenças da escola chinesa Tiantai. Entretanto, o que Saichō trouxe daChina não foi somente o Tiantai, mas também elementos do Zen (禅, chinês tradicional: 禪), do Mikkyō esotérico (密教), e da escola Vinaya(戒律). A tendência a incluir uma série de ensinamentos tornou-se mais marcante com os sucessores de Saichō, tais como Ennin (圓仁) eEnchin (圓珍). Entretanto, em anos posteriores, esta variedade de ensinamentos começou a gerar sub-escolas dentro do Budismo Tendai. Na época de Ryogen, existiam dois grupos distintos no Monte Hiei: os Sammon, ou Grupo da Montanha, os quais seguiam Ennin, e osJimon ou Grupo do Rio, os quais seguiam Enchin.

    A escola Tendai floresceu sob a patronagem da família imperial e da nobreza japonesa, particularmente do clã Fujiwara; em 794, a capital imperial foi movida para Kyoto. O Budismo Tendai tornou-se a forma dominante de Budismo no Japão por muitos anos e deu origem à maioria dos desenvolvimentos no Budismo japonês posterior. NitirenHōnenShinran, e Dogen—todos pensadores famosos do Budismo japonês de escolas outras que a Tendai—foram inicialmente treinados como monges Tendai. O Budismo japones foi dominado pela escola Tendai num grau muito maior do que o Budismo chinês havia sido pelo sua escola de origem, a Tiantai.

    Devido à sua patronagem e à sua crescente popularidade nas classes superiores, a seita Tendai passou a ser não apenas respeitada, mas também poderosa politica e militarmente. Durante o período Kamakura, a escola Tendai usou sua patronagem para tentar se opor às facções rivais em ascenção—particularmente à escola Nitiren, que havia começado a crescer em força entre as classes médias mercantis, e à escola Terra Pura, que eventualmente conseguiu o apoio de muitos nas classes mais pobres. Enryakuji, o templo no Monte Hiei, tornou-se um centro de poder, frequentado não apenas por monges ascetas mas também por brigadas de monges guerreiros (sohei) que lutavam pelos interesses do templo. Como resultado, em 1571 Enryakuji foi destruído por Oda Nobunaga como parte de sua campanha para unificar o Japão. Nobunaga considerava os monges do Monte Hiei como uma ameaça ou rival em potencial, já que eles podiam empregar a religião para tentar unir a população do lado deles. O templo foi reconstruído posteriormente e continua a funcionar como o templo chefe da escola Tendai nos dias de hoje.

    Ensinamentos

    O Budismo Tendai possui várias percepções filosóficas que permitem a reconciliação da doutrina budista com aspectos da cultura japonesa tais como o Shinto e a estética tradicional. Baseia-se na idéia, fundamental para o Budismo Mahayana, de que a Natureza Búdica, a capacidade de atingir-se a iluminação, é inerente a todas as coisas. Também central ao Mahayana é a noção que o mundo fenomenológico, o mundo de nossas experiências, é fundamentalmente uma expressão da lei budista (Dharma). Esta noção traz a questão de como temos muitas experiências diferenciadas. O Budismo Tendai diz que cada e todo fenômeno é uma expressão do Dharma. Para o Tendai, a mais perfeita expressão do Dharma é o Sutra de Lótus. Portanto, a natureza de todas as experiências sensoriais consiste na pregação do Buda da doutrina do Sutra do Lótus. A existência e experiência de todos os seres ainda não iluminados é fundamentalmente equivalente e indistinguível dos ensinamentos do Sutra do Lótus.

    Terra Pura

    Terra Pura é uma forma de Budismo, também conhecida como Amidismo devido à sua característica de devoção ao Buda Amida, o Buda da Luz Infinita, principalmente pela recitação do nenbutsu. A escola original foi fundada por Honen Shonin (1133-1212). Em japonês, chama-se “Jodo Shu”. Como muitas outras escolas budistas, a Terra Pura dividiu-se em várias. No Brasil a mais conhecida é a Verdadeira Escola da Terra Pura (em japonês: 浄土真宗, Jodo Shinshu), criada por Shinran Shonin (1173-1262),discípulo de Honen Shonin.

    Zen

    Zen ou Zen-Budismo é o nome japonês da tradição chinesa C’han e é associada em suas origens ao budismo do ramo Mahayana. Foi ou é cultivado sobretudo na China, Japão, Vietnã e Coréia. A prática básica do Zen na versão japonesa e monástica é o Zazen, tipo de meditação contemplativa que visa a levar o praticante à “experiência direta da realidade”.

    No Zen japonês monástico, há duas vertentes principais: Soto e Rinzai. Enquanto a escola Soto dá maior ênfase à meditação silenciosa, a escola Rinzai faz amplo uso dos Koans. Um koan (公案) é uma narrativa, diálogo, questão ou afirmação no Zen-Budismo que contém aspectos que são inacessíveis à razão. O koan tem como objetivo propiciar a iluminação do aspirante zen-budista. Um koan famoso é: “Batendo duas mãos uma na outra temos um som; qual é o som de uma mão?” (tradição oral, atribuida a Hakuin Ekaku, 1686-1769). Atualmente, o Zen é uma das escolas budistas mais conhecidas e de maior expansão no Ocidente.

    Segundo Allan Watts, inglês que se notabilizou por sua divulgação do Zen, este, em sua forma original chinesa, não se encontra mais na China, e o que de mais próximo se pode conhecer desta versão original é encontrado em formas de arte tradicionais do Japão, que tenham sido cultivadas e transmitidas segundo esta tradição.

    Influências budistas em outras religiões e filosofias

    A maioria das religiões do oriente, diferenciando-se das religiões ocidentais, apesar de entrarem constantemente em conflito, influenciam diretamente umas as outras, e possuem um maior compartilhamento de conceitos do que as religiões ocidentais. Desta forma, através da história, o Budismo tem influenciando diversas religiões e filosofias, e ao mesmo tempo, em cada lugar que tenha se estabelecido, o Budismo modificou-se e alterou-se, recebendo as influências locais.

    Os deuses hindus

    Um dos grandes feitos do Hinduísmo está na fusão de cultos e deuses em uma vasta mitologia. Há uma infinidade incontável de divindades que com o passar dos tempos as características desses deuses se fundiam para formar uma única divindade. É maravilhoso perceber a unidade de todas as mitologias. Dentro do hinduísmo vemos uma série de princípios cósmicos e psicológicos inerentes a todas as religiões.

    A imagem dos deuses representava as suas características, os diversos braços que uma divindade apresentava significavam extensões de sua energia íntima, e os objetos em suas mãos os símbolos dos seus vários poderes na ordem cósmica.

    Em seguida, estão relacionados alguns dos Deuses Hindus, com suas esposas, seus avataras, seus companheiros e principais características:

    Brahma, O Deus Criador considerado outrora o maior dos deuses porque colocava o universo em movimento, decresceu de importância com a ascensão de Shiva e Vishnu. Aparece de manto branco montando um ganso. Possui quatro cabeças das quais nasceram os Vedas, que ele leva nas mãos junto com um cetro e vários outros símbolos. É o Pai Celestial, criador dos céus e da terra.

    Shiva, O destruidor. Um dos dois deuses mais poderosos do hinduísmo. Apresenta-se de várias formas: o extremado asceta, o matador de demônios envolvido por serpentes e com uma coroa de crânios na cabeça, o senhor da criação a dançar num círculo de fogo ou o símbolo masculino da fertilidade. Mais que os outros deuses é uma mistura de cultos, mitos e deuses que vêem desde a pré-história da Índia. É a representação do Espírito Santo no hinduísmo.

    Parvati (ou Mahadevi) , esposa de Shiva, era a filha das montanhas do Himalaia e irmã do rio Ganges. Com amor, afastou Shiva de seu ascetismo. Representa a unidade de deus e deusa, do homem e da mulher. É nossa Divina Mãe Kundalini, amorosa senhora que é desdobramento do Divino Espírito Santo dentro de nós.

    Uma, é a deusa dourada, que como uma forma de Parvati reflete manifestações mais brandas de seu marido Shiva. Serve ás vezes de mediadora nos conflitos entre Brahma e os outros deuses. É a Mãe Cósmica, toda luminosa, e que tem como manto o céu estrelado.

    Durga, que é outra forma de Parvati como uma deusa feroz de dez braços, nasceu já adulta das bocas flamejantes de Brahma, Shiva e Vishnu. Montada num tigre, usa as armas dos deuses para combater os demônios. É nossa Divina Mãe Interior, responsável pela Morte do Ego em nosso interior.
    Kali, é Parvati transformada na mais terrível deusa do hinduísmo, com uma sede insaciável por sacrifícios sangrentos. Aparece em geral manchada de sangue, vestida de cobras e com um colar de crânios de seus filhos. Representa outro aspecto da nossa Divina Mãe Interior, aquela que destrói poderosamente o Ego nos mundos infernais, quando nós não nos interessamos pelo trabalho consciente da morte do Ego. Se não destruimos o Ego conscientemente, a Natureza Infernal o destruirá violentamente. Isso tudo por amor a nós. Essa destruição se efetua nos infernos atômicos da natureza. Essa é a famosa Segunda Morte, escrita no Apocalipse de São João.

    Nandi, o touro sagrado para o povo do Indostão como um símbolo de fertilidade. Foi absorvido no hinduísmo como o companheiro constante de Shiva , de quem é montada, camarista e músico. Shiva usa na testa o emblema de Nandi, a lua crescente. Uma das representações das energias sexuais transmutadas, que nosso Divino Espírito Santo (Shiva) utiliza para a redenção da Alma.

    Kartiqueia (ou Scanda), substituiu o deus védico Indra como principal deus hindu das batalhas. Filho de Shiva e, em alguns mitos, gerado sem mãe, só se interessa por lutas e guerras. Com seis cabeças e doze braços, comanda as suas legiões celestiais do dorso de um pavão colorido. Representa a Alma Humana, que deve guerrear as forças tenebrosas de nossos inimigos internos, ou Ego. É a Vontade (Thelema), necessária para a Vitória.

    Ganesh, filho de Shiva , com cabeça de elefante, é talvez o deus mais popular. Sábio, ponderado e bem versado nas escrituras, é invocado pelos crentes antes de qualquer empreendimento para assegurar seu êxito. É a Sabedoria divina que a todos guia e dá liberdade, prosperidade e triunfo.

    Vishnu, o conservador. É para muitos hindus o deus universal. Traz em geral quatro símbolos: um disco, um búzio, uma maçã e uma flor de lótus. Sempre que a humanidade precisa de ajuda, esse deus benévolo aparece na Terra como um avatara ou reencarnação. É o equivalente hindu do Cristo Cósmico e do Osíris egípcio.

    Matsia, o peixe de chifres que representa a intercessão de Vishnu num tempo de dilúvio universal. O peixe avisou Manu (que é o Noé hindu) e salvou-o num barco preso ao seu chifre. O peixe representa a energia inteior, sexual, transmutada.

    Curma, a tartaruga. O segundo avatar de Vishnu que apareceu na Terra depois do dilúvio para recuperar tesouros. Na Alquimia medieval, representa o Antimônio, o fixador do ouro em nosso interior. É nosso Ser Interior, todo sabedoria, que, como uma tartaruga, dá um passo após o outro, para a realização da Grande Obra.

    Varaa, o Javali. Originalmente o porco sagrado de um culto primitivo que tornou-se um avatar de Vishnu depois de um segundo dilúvio. Cavando sob a água com as presas, fez subir a terra e reestabeleceu a terra firme. Representa a força do elemento Terra. É a força elemental que se necessita para a Grande Obra Alquímica. É a energia que transforma o chumbo em ouro.

    Narasima, O leão-homem foi avatar de Vishnu. Brahma, tinha dado invulnerabilidade a um demônio durante o dia e durante a noite. O avatar matou o demônio ao crespúsculo. Representa também a Execução, mais cedo ou mais tarde, da Lei.

    Vamana, o anão, outro avatar, que se tornou um gigante para frustrar um demônio que procurava controlar o universo. Tendo permissão para conservar tudo o que pudesse cobrir com três passos, Vamana abrangeu o céu, a terra e o ar intermediário.

    Parasurama, foi Vishnu como filho de um brâmane roubado por um rei kshatryia. Parasurama matou o rei, cujos os filhos por sua vez mataram o Brâmane, então Parasurama matou todos os Kshatryias masculinos durante 21 gerações. Ele representa a Justiça Divina, liderada pelo Mestre Anúbis e seus 42 Juízes do Karma (42 é o dobro de 21). O Karma, quando entre em ação, é terrível e invencível.

    Rama, O herói da epopeia literário-religiosa “O Ramaiana”, foi Vishnu como um avatar que venceu Ravana, o mais terrível demônio do mundo. Rama representa o hindu ideal: um marido gentil, um rei bondoso e um chefe corajoso contra a opressão. O símbolo do grande mestre Rama (ou Ram, como foi conhecido nos períodos pós-dilúvio atlante) é a estrela de 6 pontas, ou hexagrama. Segundo o doutor Jorge Adoum, grande mestre da Fraternidade Universal, foi o grande líder Ram quem expulsou os negros africanos da Índia, nos primórdios da Segunda Sub-raça Ariana. Isso, obviamente, é totalmente desconhecido pela historiografia acadêmica.

    Krishna, o avatar mais importante de Vishnu, foi um deus-herói amado em muitos de seus aspectos: como um menino travesso, como um adolescente amoroso, como um herói adulto que proferiu as grandes lições do “Bhagavad Gita” . Esses aspectos de Krishna tiveram origens diferentes. Krishna foi o avatar da Era de Áries, divulgando a poderosa doutrina dos Grandes Avataras do Cristo Cósmico.

    Buda, como uma encarnação de Vishnu, é um exemplo da capacidade que tem o hinduísmo de absorver elementos religiosos diferentes. Dizem os hindus que o avatar Buda apareceu fundamentalmente para ensinar o mundo a ter compaixão pelos animais. Na verdade, esse grande mestre de compaixão canalizou as energias dos mundos Nirvânicos para o bem da humanidade. Sidarta Gautama (personalidade humana do grande Deus Cósmico, o Buda Amithaba) teve de se encarnar mais algumas vezes na Terra para terminar de cumprir sua missão. Sua encarnação seguinte foi como o mestre Tsong Kapa, o grande reformador do budismo tibetano. O mestre Samael afirma que esse mestre ascenso está, desde o século 17, reencarnado no planeta Marte, cumprindo uma missão cósmica semelhante à missão de Jesus na Terra.

    Lakshmi, mulher de Vishnu, muitas vezes representada sentada numa flor de Lótus e empunhando outra, representa a boa sorte, a prosperidade e a abundância. Seus companheiros são dois elefantes. Sendo por si mesma uma importante deusa. O mestre Samael afirma, na obra O Matrimônio Perfeito, que Lakshmi, como mestre da Grande Fraternidade Branca, auxilia o devoto a sair conscientemente em corpo astral.

    Sita, mulher de Rama, que é um avatar de Vishnu. Ela é uma encarnação de Lakshmi. Representa a esposa hindu ideal. Foi raptada pelo demônio Ravana e levada para a morada deste, mas permaneceu devotada ao marido. Representa a virtude da Fidelidade ao trabalho gnóstico. Não esmorecer nunca.

    Hanuman, o rei dos macacos que emprestou sua agilidade, a sua velocidade e a sua força a Rama para ajudar a salvar Sita de Ravana. Pediu em troca que pudesse viver enquanto os homens se lembrassem de Rama. Assim Hanuman tornou-se imortal. Simbolicamente, o macaco é a Ciência Superior, a Lógica Superior, que possibilita “medir o mundo”, medir a Grande Obra, e saber o quanto se gastará para se realizar o Trabalho Alquímico.

    Garuda, a montada de Vishnu, é uma ave mítica de cara branca, de cabeça e asas de águia e corpo e membros de homem. Transportando o deus no seu cintilante dorso dourado, era ás vezes confundida com o deus do fogo, Ágni.

    PROCEDIMENTO PARA A PRÁTICA DE

    INTEGRAÇÃO COM O GRANDE MESTRE

    O Dharma mais supremo e profundo

    é raramente encontrado em centenas e milhares de kalpas.

    Tendo agora recebido esta transmissão e bênção,

    Faço meus votos de penetrar no verdadeiro significado do Buda.

    Todas as transcrições dos Mantras baseiam-se na pronúncia do Grande Mestre Lu.

     Antes de começar a prática, recomenda-se que os praticantes se sentem calmamente por alguns minutos para regular sua respiração e concentrar suas mentes. Podem também visualizar seus parentes, ancestrais, amigos, inimigos e todos os seres nos Seis Caminhos – deuses, humanos, asuras (anti-deuses), fantasmas famintos, animais e seres do inferno – vindo para a prática.

    orações e Mantra do Boddhisattva de Grande Compaixão

    ORAÇÃO DO INCENSO

    ( SHIAN-TSAN )

    D - - O - - ã - - O - - O - - O - - O - -

    LU SHIAN DSA RE, FA DJE MON SHIN

    (O incenso está agora aceso, derramando-se sobre o Reino do Dharma)

    O - - O - - O - O - - O ã - O - - O - O - O -

    DSU FO HAI HUEI SHI YAU UEN

    (e de longe a fragrância é aspirada pela Assembléia dos Budas Reais)

    O - - O - - - O - O - - ã - O - - O -

    SUEI DZU JE SHIAN YAN

    (Auspiciosas são as nuvens que se juntam, conforme agora pedimos,)

    O - O - O - - O - - O - - O - - O - O - - ã - O

    TSANG YI FAN YIN DSU FO SHEN TCHUEN SHEN

    (com os corações sinceros e honestos, que todos os Budas se manifestem.)

    - - O - O - O - O - - O - - O - - O - - O - O - - ã - O

    NA MO SHIAN YIN GAI PUE SAH MO HO mo ho SAH

    (Saudação ao Iluminado, nuvem protetora de fragrância, Bodhisattvas, Mahasattvas)

    - - O - O - O - O - - O - - O - - O - - O - O - - O - O

    NA MO SHIAN YIN GAI PUE SAH MO HO mo ho SAH

    - - O - ã - O - O - - O - - O - - ã - - O - - O - O - ã

    NA MO SHIAN YIN GAI PUE SAH MO HO mo ho SAH

    PURO CORPO-DHARMA DE BUDA

    ( CHIN DJIN FA SHEN FO )

    O - - O - - O - - O - -

    CHIN JIN FA SHEN FO, CHIN JIN FA SHEN FO,

    (Puro Corpo-Dharma de Buda, Puro Corpo-Dharma de Buda)

    O - - O - - O - - O - -

    CHIN JIN yia FA SHEN PI LU DSE NA FO

    (Puro Corpo-Dharma do Buda Vairocana)

    O - - O - - O - - O - -

    YUEN-MAN-BAU-SHEN-FO, YUEN MAN BAU SHEN FO,

    (Total reverência ao Corpo de Buda, Total reverência ao Corpo de Buda)

    O - - O - - O - - O - -

    YUEN MAN yia BAU SHEN LU SÊ yi NA FO

    (Total reverência ao Corpo do Buda Rocana)

    O - - O - - O - - O - -

    TCHEN BAI YI HUA FO TCHEN BAI YI HUA FO

    (Incontáveis transformações do Buda, Incontáveis transformações do Buda)

    O - - O - - O - - O - -

    TCHEN BAI yia HUA SEN SIH JIA MU NI FO

    (Incontáveis transformações do Buda Shakyamuni)

    O - - O - - O - - O - -

    DAN-LAI-SHIA-SHEN FO DAN-LAI-SHIA-SHEN FO

    (Budas que Virão no Futuro, Budas que Virão no Futuro)

    O - - O - - O - - O - -

    DAN LAI yia SHIA SHEN MIH LI YI TSUN FO

    (Que Virá no Futuro Buda Maitreya)

    O - - O - - O - - O - -

    JI LEH SHI JIEH FO JI LEH SHI JIEH FO

    (Budas do Paraíso Ocidental, Budas do Paraíso Ocidental)

    O - - O - - O - - O - -

    JI LEH yia SHI JIEH AH MI yi TO FO

    (Buda Amitabha do Paraíso Ocidental)

    O - - O - - O - - O - -

    SHI-FAN-SHAN-SHIH FO SHI-FAN-SHAN-SHIH FO

    (Todos os Budas através dos Três Tempos, Todos os Budas através dos Três Tempos)

    O - - O - - O - - O - -

    SHI FAN yia SAN SHIH, YI JIE yi DSU FO

    (Todos os Budas em todos os lugares através dos Três Tempos)

    O - - O - - O - - O - -

    PI LU DSE NA FO YUAN LIH JAU SHA DJE

    (Buda Mahavairocana, Seus votos permeiam todos os Reinos)

    O - - O - - O - - O - O - O

    YI JIE yia GUO TUH CHUNG, HENG DJUAN UH SHANG LUN

    (Em cada um dos Mundos, Ele continuamente gira a suprema Roda do Dharma)

    MANTRA DO BODDHISATTVA DE GRANDE COMPAIXÃO

    (DHARANI)

    Chin-Sou-Chin-Yien-Uu-Ay-Daa-Bei-Sin-To-Lo-Ni

    Na-mo Ta-pe Kuan-Su-In-Pu-Sá ( 3 vezes )

    NA-MO HA-LA-DAN-NA DO-LA-YÊ-YÊ, NA-MO HA-LI-YÊ, PO-LU-GUE-DÊ LEH-PAN-LA-YÊ, PU-TI SA-TO-PO-YÊ, MA-HA SA-TO-PO-YÊ MO-HA KA-LU-NI-KA-YÊ, AN, SA-PA-LA-FA-YI, SU-DA-NA-DA-SIÊ, NA-MO SI-GUI-LI-TÔ YI-MON-HA-RI-YÊ , PO-LU-GUE-DÊ SÊ-PO-LA-RING-TO-FÓ, NA-MO NA-LA-JIN-JI, SI-LI MA-HA PAN-TO SA-MEH, SA-PO-A-TÁ DOU-SU-PAN, A-SÊ, SA-PO-SA-TO NA-MO-PO-SA-TO NA-MO PO-KYA, MO-FA-TE-DOU, DAN-JI-TA, OM A-LO-LU-HI, LU-GA-DÊ, KYA-LO-DÊ, YI-HE-RE, MA-HA PU-TI-SA-TO, SA-PO SA-PO, MO-LA MO-LA, MO-SHI MO-SHI LI-TO-YN, GUI-LU GUI-LU GUE-MAN, DU-RU DU-RU FA-SIÁ-YA-DÊ, MA-HA FA-SIÁ-YA-DÊ, DO-LO DO-LO, DI-LI-NI, SIP-PO-LA-YA, ZE-LA ZE-LA, MO-LA FA-MO-LA, MU-DI-YI, YI-HÉ YI-HÉ SI-NI SI-NA, A-LO-SIAN FÓ-LA-SE-LI, FA-SAN-FA-SIEN FU-LO-SE-YA , HU-LU HU-LU MO-LA, HU-LU HU-LU SI-LI SA-LA SA-LA, SI-LI SI-LI, SU-LU SU-LU, PO-TE-YÊ PO-TE-YÊ, PU-TO-YÊ PU-TO-YÊ, MI-DI-LI-YÊ, NA-LA-JIN-JI, DI-LI BIN-NI-NA, PO-YÊ-MO-NA, SA-PO-HO, SI-TO-YÊ, SO-HA, MA-HA SI-TO-YÊ, SO-HA, SI-TO-YH-YI, SI-BAN-LA-YÊ, SO-HA, NA-LA-JIN-DZ, SO-HA, MO-LA-NA-LA, SO-HA, SI-LA-SAN MA-MU-CHIÊ-YA, SO-HA, SA-PO-MO-HO A-SI-TO-YÊ, SO-HA, ZE-JI-LA A-SI-TO-YÊ, SO-HA, BO-TO-MO ZE-SHI-TO-YÊ, SO-HA, NA-LA-JIN-JI BAN-KA-LA-YÊ, SO-HA, MO-PO-LI SAN-GUE-LA-YÊ, SO-HA,NA-MO HO-LA-DA-LA DO-LA-YÊ-YÊ, NA-MO A-RI-YÊ, PO-LO-GUE-DÊ, LEH-PAN-LA-YÊ, SO-HA, AN, OM, SHI-DEN-DU, MÂN-DO-LO, BAH-TO-YÊ, SO-HA.

    * Mantra de Abertura

    (Junte as palmas das mãos)

    OM MANI PEI MI HOM

    1. Mantras de Purificação

    (Purificação da fala) OM, SHO-LI, SHO-LI, MA-HA SHO-LI, SHO-SHO-LI, SO-HA
    (Purificação do corpo)

    OM, SHO-DO-LI, SHO-DO-LI, SHO-MO-LI, SHO-MO-LI, SO-HA

    (Purificação da mente)OM, FO RI LA DAM, HO HO HUM(Chamando o Espírito Protetor do Local)NAMO, SAM-MAN-DO, MU-TO-NAM, OM, DU-LU DU-LU DI-UEI, SO-HA

    2. Mantra de Invocação :

    OM AH HUM, SO-HA

    (3 vezes)

    Hum Tibetano Sanscrito

    (A finalidade deste Mantra é invocar todas as divindades do altar. Enquanto estiver recitando a sílaba “hum”, visualize em seu coração uma flor de lótus branca segurando a sílaba-semente “hum”. A partir disto, um raio de luz branca muito brilhante sobe e sai através do topo de sua cabeça, entrando no espaço).

    Chamamos sinceramente os Budas e Boddhisattvas:

    Namo o Grande Mestre Vajra da Sagrada Coroa Vermelha Buda Vivo Lian-Sen.

    Namo o Mestre Fundamental Buda Shakyamuni.

    Namo Buda Amitabha do Paraíso Ocidental.

    Namo Boddhisattva Kuan Yin

    Namo Mahasthama

    Namo Buda da Medicina.

    Namo Boddhisattva Ksitigarbha

    Namo a Mãe Dourada do Lago Primordial.

    Namo Padmasambhava

    Namo Boddhisattva Maha Cundi.

    Namo Padmakumara

    Namo Zampalá

    Namo Boddisattva Maitreya

    Namo Mahakala

    O Venerado Guardião do Templo. Skanda, O Venerado Protetor do Dharma

    O Venerado Guardião do Templo. Tialán, O Venerado Protetor do Dharma.

    Namo Deuses da Felicidade, da Nobreza e da Longa Vida

    Namo Protetores Locais

    Todos os Budas em todas as partes, através dos Três Tempos.

    Todos os Boddhisattvas e Mahasattvas.

    Namo Maha Prajna Paramita.

    3. Grande Saudação (usando visualização)

    - 1ª saudação: AOS BUDAS DAS DEZ DIREÇÕES

    Use o Mudra do Altar (Junte as palmas das mãos, com os dez dedos unidos e apontados para cima; entre as palmas das mãos, permanece um pequeno espaço vazio) e faça o seguinte:

    I. Toque o ponto entre as sobrancelhas e visualize uma luz branca que o Buda está emitindo e entra nesse ponto (purificação do corpo)

    II. Toque a garganta e visualize uma luz vermelha que o Buda está emitindo e entra na garganta (purificação da fala)

    III. Toque o coração e visualize uma luz azul que o Buda está emitindo e entra no coração (purificação da mente)

    (Nesse momento, visualize uma prostração perante todos os Budas)

    IV. Finalmente, leve o Mudra novamente à testa e o disperse

    (Se for realizar a prostração física, deve fazê-la após ter dispersado o mudra)

    - 2ª saudação: A TODOS OS BODDHISATTVAS

    Use o Mudra da Flor de Lótus (Junte as bases das palmas das mãos, mantenha os polegares de ambas as mãos se tocando inteiramente e os dedos mínimos de ambas as mãos também se tocando inteiramente, enquanto os três dedos restantes de cada mão ficam estendidos como o desabrochar de uma flor de Lótus) e repita os procedimentos I, II, III, IV, como acima.

    - 3ª saudação: AOS PROTETORES VAJRA (Protetores do Dharma)

    Use o Mudra do Tridente (Entrelace os dedos das mãos, enquanto a base das palmas se tocam. O polegar direito fica sobre o esquerdo e cada dedo da mão direita fica sobre o dedo correspondente da mão esquerda) e repita como acima.

    - 4ª : meio-arco: IGUALDADE UNIVERSAL

    Use o Mudra da Igualdade Universal (Estende-se os dedos indicadores verticalmente com as suas pontas se tocando, enquanto os polegares se mantém horizontalmente, com sua pontas se tocando, e os outros três dedos de cada mão se entrelaçam horizontalmente). Leve o Mudra até as sobrancelhas e faça um meio-arco. Então, disperse o Mudra na testa. (Este arco é oferecido a todos os Budas, Boddhisattvas, Protetores Vajra e Devas).

    4. Oferendas a Budas e Boddhisattvas (use o Mudra de Oferenda)

    Mudra de Oferendaentrelace os dedos de maneira que as palmas das mãos e os dedos fiquem virados para cima. Enganche o dedo indicador da mão esquerda sobre o dedo médio da mão direita. Enganche o dedo indicador da mão direita sobre o dedo médio da mão esquerda. Enganche o polegar da mão esquerda sobre o dedo mínimo da direita. Enganche o polegar da mão direita sobre o dedo mínimo da esquerda. Manipule os dedos anulares de maneira que eles fiquem em posição vertical, tocando-se na parte posterior.

    Visualização: Inicialmente, visualiza-se o Monte Meru no centro do Universo, cercado pelos Quatro Continentes. Sobre o Continente Oriental está o Sol e sobre o continente Ocidental está a Lua. Em seguida, visualizam-se as oferendas (flores, frutos, incenso, etc.), multiplicadas para primeiramente formar uma fileira, então multiplicadas para formar um campo e multiplicadas mais uma vez para preencher todo o espaço, tornando-se um tesouro precioso, enchendo o Monte Meru e todos os Quatro Continentes. Esta oferenda totalmente multiplicada no espaço é dedicada aos Budas, Boddhisattvas e Protetores do Dharma dos reinos superiores e também aos seres dos Seis Caminhos abaixo. Depois de visualizar a oferenda muito claramente, visualize todas as Divindades aceitando a oferenda.

    Então, diz-se o Verso de Oferenda:

    Monte Meru, juntamente com os Quatro Continentes, o Sol e a Lua,

    Transforme este tesouro, que é ofertado aos Budas.

    Possa esta maravilhosa oferenda

    Servir para nos purificar e auxiliar nossa evolução espiritual.

    Recite o Mantra de Oferenda:

    OM, SA-ER-UAH, DA-TA-GA-DA, I-DA-MU, GU-RU LA-NA,

    MAN-CHA-LÁ, KAN, NI-LI-YÊ, DA-YÊ-MI.

    Então, toque o mudra na testa, e disperse-o no ar.

    5. Mantra das Quatro Fases de Iniciação (Junte as palmas das mãos)

    (3 vezes)

    NAMO GURU BEI,

    (ao Grande Mestre)

    NAMO BUDA YÊ,

    (aos Budas e Boddhisattvas)

    NAMO DHARMA YÊ,

    (aos Sutras, Lei Universal)

    NAMO ZEM KYA YÊ

    (aos Grandes Monges)

    Enquanto recita “Namo Guru Bei”, visualize o Guru Grande Mestre Lu aparecendo radiante no espaço à sua frente, acima de você. Para “Namo Buda Yê”, visualize todos os Budas das Dez Direções aparecendo radiantes no espaço. Para “Namo Dharma Yê”, visualize todas as escrituras Budistas aparecendo radiantes no espaço. Para “Namo Zem Kya Yê”, visualize numerosas sanghas e sábios aparecendo radiantes no espaço.

    Após recitar três vezes o Mantra das Quatro Fases de Iniciação, imediatamente visualize o Guru aparecendo, juntamente com as Três Jóias, no Espaço Vazio acima. Visualize-os mesclando-se um ao outro, transformando-se num grande arco-íris de cinco cores (branco, vermelho, azul, verde e amarelo). Este arco-íris de cinco cores entra no praticante através do topo da cabeça e preenche-lhe o corpo todo. O praticante sente então que todos os obstáculos, más ações, feitos impuros e pecados transformam-se em vapores negros e são excretados do corpo, através de todos os poros da pele. O corpo da pessoa se torna claro como um cristal, radiante de luz..

    6. Armadura de Proteção

    - Forme o Mudra do Tridente na frente da testa.

    - Recite o Mantra de Vajrapani:

    - OM, PO LU LAN ZE LI

    (7 vezes)

    Após a recitação, toque com o mudra o ponto entre as sobrancelhas, então a garganta, o coração, o ombro esquerdo, e o ombro direito, e novamente a testa. Visualize uma brilhante luz azul irradiando do mudra. Visualize quatro raios de luz azul se expandindo, um para a esquerda, um para a direita, um para trás e um para a frente. Cada coluna de luz se transforma num Protetor Vajra, formando uma cortina de luz azul envolvendo a pessoa. Disperse o mudra. Finalmente, faça o Mudra do Altar em frente ao coração.

    7. Sutra de Budas e Boddhisattvas

    - Sutra do Grande Rei Avalokitesvara:

    GAO UANG KUAN SÜ YIN DJEN DJING

    KUAN SÜ YIN PU SÁ. NA MO FÓ. NA MO FÁ. NA MO TSANG.

    Saudação ao Boddhisattva Avalokitesvara! Namo Budhaya, Namo Dharmaya, Namo Sanghaya.

    FÓ GUO YÔ YUÉN. FÓ FÁ XIANG YIN.

    A afinidade com as Terras Puras abre as Portas do Dharma.

    CHANG LÊ UO DJING. YÔ YUÉN FÓ FÁ.

    Engajando-se na permanência, felicidade, identidade e pureza, obtém-se a bênção do Dharma.

    NA MO MO HO PO YÊ PO LO MI. SHI DA SHEN DJOW.

    Namo Maha Prajna Paramita, um grande mantra espiritual

    NA MO MO HO PO YÊ PO LO MI. SHI DA MING DJOW.

    Namo Maha Prajna Paramita, um grande mantra de sabedoria

    NA MO MO HO PO YÊ PO LO MI. SHI UH SHANG DJOW.

    Namo Maha Prajna Paramita, um mantra supremo

    NA MO MO HO PO YÊ PO LO MI. SHI UH DANG DANG DJOW.

    Namo Maha Prajna Paramita, um mantra inigualável

    NA MO DJING GUANG MI MI FÓ. FÁ ZANG FÓ.

    Namo a Pura Luz Secreta de Buda, o Buda do Tesouro do Dharma,

    SHI ZI HOU SHEN ZU YÔ UANG FÓ.

    o Tranqüilo Rei Buda com rugido de Leão e velocidade divina,

    FÓ GAO XI MI DANG UANG FÓ.

    o Rei Buda da Luz Sumeru, anunciado pelo Buda,

    FÁ HU FÓ. JIN GANG ZANG SHI ZI YÔ XI FÓ.

    o Buda Protetor do Dharma, o Buda do Tesouro Vajra Leão Que Ruge,

    BAO SHANG FÓ. SHEN TONG FÓ.

    a Preciosa Vitória de Buda, o Poder Sobrenatural de Buda,

    YAO SHI LIU LI GUANG UANG FO

    o Rei Buda da Luz Cristal da Medicina,

    PU GUANG GONG DE SHAN UANG FÓ.

    o Rei Buda da Luz Universal da Montanha Merit,

    SHAN ZHU GONG DE BAO UANG FÓ.

    o Rei Buda da Jóia Que Retém O Mérito,

    GUO SHI TCHI FÓ.

    os Sete Budas do Passado,

    UEI LAI SHIEN JIE TIEN FÓ.

    os Futuros Milhares de Budas desta afortunada Era,

    TIEN UH BAI FÓ. UAN UH TIEN FÓ.

    os Mil e Quinhentos Budas, os Quinze Mil Budas,

    UH BAI HUA SHANG FÓ. BAI YI JIN GANG ZANG FÓ.

    os Quinhentos Budas da Flor de Vitória, os Dez Bilhões de Budas do Tesouro Vajra

    DING GUANG FÓ. LIU FANG LIU FÓ MING HAO.

    e o Buda da Luz Inalterável. Os Budas das Seis Direções:

    DONG FANG BAO GUANG YÉ DIÉN YÉ MIAO ZUN YIN UANG FÓ.

    ao Leste, o Rei Buda da Voz Maravilhosa da Preciosa Luz do Palácio Venerável da Lua,

    NA FANG SHU GUEN HUA UANG FÓ.

    ao Sul, o Rei Buda da Flor das Três Raízes,

    XI FANG ZAO UANG SHANG TONG YAN HUA UANG FÓ.

    ao Oeste, o Rei Buda da Flor Resplandecente do Poder Espiritual,

    BEI FANG YÉ DIÉN TJING DJING FÓ.

    ao Norte, o Buda da Pureza do Palácio da Lua,

    SHANG FANG UH SHU DJING JIN BAO SHOU FÓ.

    Acima, os incontáveis Budas da Vigorosa Coroa de Jóias,

    XIA FANG SHAN JI YÉ YIN UANG FÓ. UH LIANG ZHU FÓ. DUO BAO FÓ.

    Abaixo, o Rei Buda do Tranqüilo Som da Lua. Todos os incontáveis Budas, Buda das Muitas Jóias,

    SHI JIA MOU NI FÓ. MI LÊ FÓ.

    Buda Shakyamuni, Buda Maitreya,

    A CHU FÓ. MI TOH FÓ.

    Buda Akshobhya, Buda Amitabha.

    ZHONG YANG YI TIÊ ZHONG SHANG. ZAI FÓ SHI JIE ZHONG ZHE.

    Todos os seres no Reino Central, e aqueles nas Terras Puras,

    XING ZHU YU DEH SHANG. JI ZAI XI KONG ZHONG.

    ao se moverem da Terra, em direção aos Céus,

    CI YÔ YU YI TIÊ ZHONG SHANG. GE LEN AN WEN XIÔ XI.

    Jorram compaixão ilimitada sobre todos os seres vivos, garantindo-lhes descanso e paz,

    DJOW YE XIÔ CHI. XIN CHANG KYO SONG CI DJING.

    para que possam devotar-se dia e noite. Através da constante invocação deste Sutra,

    NENG MIÊ SHANG SI KU. XIAO CHU ZHU DU HAI.

    a pessoa se liberta do sofrimento das mortes e renascimentos, e fica livre de todos os muitos tipos de sofrimento.

    NA MO DA MING KUAN SÜ YIN. GUAN MING KUAN SÜ YIN.

    Namo a grande sabedoria de Avalokitesvara, o Avalokitesvara Observador,

    GAO MING KUAN SÜ YIN. KAI MING KUAN SÜ YIN.

    o Avalokitesvara nobre, o Avalokitesvara de mente aberta

    YAO UANG PU SÁ. YAO SHANG PU SÁ.

    o Boddhisattva Rei da Medicina, o supremo Boddhisattva da Medicina,

    UAN SHU SHI LI PU SÁ. PU SHIEN PU SÁ.

    Boddhisattva Manjusri, Boddhisattva Samantabhadra,

    XI KONG ZANG PU SÁ. DEH ZANG UANG PU SÁ.

    Boddhisattva Akasagarbha, Boddhisattva Ksitigarbha

    TJING LIANG BAO SHAN YI UAN PU SÁ.

    os bilhões de Boddhisattvas do Tesouro da Montanha Clara e Fresca,

    PU GUANG UANG RU LAI HUA SHANG PU SÁ.

    o Boddhisattva da Luz Universal, Venerável Rei Tathagata,

    NIEN NIEN SONG CI DJING. TCHI FÓ SHI ZUN. JI SHOU DJOW YÉ.

    Cantando este Sutra continuamente, os Sete Budas Venerados no Mundo recitam este mantra :

    (7 vezes)

    LI PO LI PO DEH. KYO HO KYO HO DEH. TOH LO NI DEH.

    NI HO LA DEH. PI LI NI DEH. MO HO TIÊ DEH. DJEN LEN TIEN DEH.

    SO HA.

    8. Mantra de Renascimento (7 vezes)

    (Este Mantra tem por finalidade aumentar a afinidade com a Terra Pura de Amitabha).

    Visualize que seus parentes, ancestrais, amigos, inimigos e todos os seres nos Seis Caminhos – deuses, humanos, asuras (anti-deuses), fantasmas famintos, animais e seres do inferno – ficam em cima de um lótus, recebendo luz do Buda Amitabha, a qual está guiando todos para a Terra Pura de Felicidade de Paraíso de Oeste )

    NA-MO A-MI-DO-PO-YÊ, DO-TA-GA-DO-YÊ, DO-DÊ-YÊ-TA, A-MI-LI-DU PO PI, A-MI-LI-DO SÊ DAN PO PI, A-MI-LI-DO PEK-GA-LAN-DÊ,

    A-MI-LI-DO PEK-GA-LAN-DO, GA-NI-NI KA-KA-LA, JI-DO-KA-LI, SO-HA.

    9. Exercício de Integração com o Grande Mestre (Padmakumara)

    (1). Mudra de Padmakumara (do Grande Mestre):

    Forme o Mudra : “A mão direita fechada, com o polegar e o dedo médio unidos de modo que estes dois dedos formem um círculo; o pulso virado para dentro e os outros dedos apontados para cima (este é o Mudra de Ensinamento). A mão esquerda fechada, os dedos apontando para cima, com o dedo indicador e o polegar unidos de tal modo que formem um círculo, virado para fora; dobre os dedos médio e anular para tocarem a palma da mão; o dedo mínimo permanece apontando para cima (este é o Mudra de Segurar o Lótus). Coloque o pulso direito em frente ao lado direito do peito e o pulso esquerdo em frente ao lado esquerdo do peito.

    Recite silenciosamente o verso de Evocação:

    Sua Natureza é pura como um Lótus e Seu corpo transcende para a forma- Dharma.

    Na Sua mão direita, forma o Mudra de Ensinamento, na Sua mão esquerda, o Mudra de Segurar o Lótus.

    Ele Se manifesta em milhões de Reinos em trajes celestiais.

    Ele é maravilhoso e dignificado.

    Recebendo transmissões da linhagem do Taoismo, Sutrayana e Vajrayana,

    Ele realiza a fusão de todas elas, resultando num Dharma precioso, inestimável.

    O Dharma do Budismo Real pode beneficiar todos os seres sensíveis

    E libertá-los todos, sem que nenhum seja abandonado.

    (2). Visualização

    Primeiro, esvazie sua mente. Então, através da dimensão de consciência aberta, aparece um lago com uma superfície brilhante, como um espelho. No meio do lago está uma montanha alta e íngreme. No cume desta montanha está um lótus de muitas pétalas, sobre o qual se senta o Guru, o Grande Mestre Lu. Ele está usando uma Coroa Budista de Cinco Pontas e seu corpo irradia, para todas as direções, um arco-íris com centenas de cores. Ele está circundado por anéis concêntricos com todos os líderes de linhagem do passado. À sua direita, estão reunidos os Budas das Dez Direções, e à sua esquerda, todos os grandes Boddhisattvas, Sábios e Sanghas. Abaixo dele estão os Quatro Reis Celestiais e outros Protetores do Dharma.

    No ponto entre as sobrancelhas do Guru uma sílaba-semente “OM” jorra um raio de luz branca brilhante, que entra no ponto entre as suas sobrancelhas, limpando obstáculos kármicos do seu corpo. Então, no centro da garganta do Guru, uma sílaba-semente “AH” jorra um raio de luz vermelha brilhante, que entra no ponto central de sua garganta, limpando obstáculos kármicos de sua fala. No centro do coração do Guru, uma sílaba-semente “HUM” jorra um raio de luz azul brilhante, que entra no centro do seu coração, limpando obstáculos kármicos de sua mente.

    Agora o Guru e o conjunto de Budas e Boddhisattvas irradiam um arco-íris de cinco cores (Branca, Vermelha, Amarela, Azul e Verde), envolvendo todo o seu corpo, lavando e removendo todos os obstáculos e karmas negativos de tempos imemoriais. Estes venenos são expelidos através de todos os poros de sua pele em forma de fumaça negra, que desaparece no espaço, deixando a pessoa clara como um cristal e cheia de alegria.

    (Você também pode visualizar o Guru condensando-se num ponto de luz, que entra em seu corpo através do chakra coronário – topo da cabeça -, desce através do canal central para se fixar no Lótus de Oito Pétalas do coração. Gradualmente, esta forma em miniatura se expande em tamanho e preenche completamente o seu corpo. Ao se tornar uno com o Guru, você permanece neste estado de consciência).

    (3). Mantra do Grande Mestre (Padmakumara – 108 vezes):

    Disperse o Mudra na testa e use o colar de contas. Ao recitar a última sílaba “HUM”, mentalize o desabrochar de uma flor de Lótus luminosa no seu coração. Na contagem de cada bola, visualiza-se que o Mestre aparece dentro de uma grande esfera em sua frente, emitindo luz de purificação .

    OM, GU-RU, LIAN-SHEN SIH-DI, HUM

    10. Exercício de Respiração em Nove Fases e Meditação (Entrada em Samadhi)

    Os iniciantes que não estão familiarizados com esta prática, podem realizar a prática mais simples da respiração de círculo completo. Respiração de círculo completo significa respirar calmamente, devagar, e profundamente (cerca de 6 tempos para cada inalação e 6 tempos para cada expiração). O ar deve alcançar o dan-tien (ponto que se situa quatro dedos abaixo do umbigo) ao fim de cada inalação.

    Respiração Circular em Nove Fases:

    Sente-se calmamente, na postura Vairocana alinhada: sente na posição lótus completa com os pés cruzados e presos, descansando nas coxas opostas, com as mãos formando o Mudra de Meditação ou em posição de equilíbrio. A espinha deve ficar reta como um arco; o queixo mais baixo; a língua toca o céu da boca e os olhos ficam focados em um único objeto.

    Visualize seu corpo puro e transparente como um cristal brilhante, com três “canais de energia sutis”, da seguinte forma: O canal central começa no local que está quatro dedos abaixo de seu umbigo (chamado dan-tien em chinês e hara em japonês), e ascende e se abre como uma trombeta dentro do crânio, mas fica ali fechado.

    Os canais esquerdo e direito também começam no dan-tien, mas se dividem em dois ramos que sobem lateralmente, paralelos ao canal central até o nível da coroa (topo da cabeça) e então se curvam para terminar nas narinas esquerda e direita, respectivamente.

    Agora siga os passos adiante da respiração circular em nove fases. Cada respiração deve ser muito lenta, suave, profunda e completa.

    Visualize o seu Guru ou a sua divindade pessoal aparecendo no espaço, irradiando luz branca. Então, visualize a luz branca entrando pela narina direita e aí se transformando em luz vermelha. Visualize a luz vermelha descendo através do canal da direita até o dan-tien e depois subindo através do canal esquerdo, ainda vermelha, e saindo pela narina esquerda como fumaça negra. Esta é a 1ª etapa.

    Visualize a luz branca entrando pela narina esquerda e ali se transformando em vermelha; desce através do canal da esquerda até o dan-tien e, depois, sobe pelo canal da direita e sai pela narina direita como fumaça negra. Esta é a 2ª etapa.

    Visualize a luz branca entrando simultaneamente por ambas as narinas e ali se transformando em luz vermelha, descendo pelos canais laterais até o dan-tien. A luz vermelha sobe então através do canal mediano até o alto da cabeça, para descer novamente através do canal mediano até o dan-tien. Então, no dan-tien, ela sobe tanto pelo canal direito como pelo esquerdo e sai através de ambas as narinas como fumaça preta. Esta é a 3ª etapa.

    A 4ª etapa é igual à segunda; a luz entra pela narina esquerda e sai pela direita.

    A 5ª etapa é igual à primeira; a luz entra pela narina direita e sai pela esquerda.

    A 6ª etapa é igual à terceira; a luz entra e sai através de ambas as narinas.

    A 7ª etapa é igual à terceira; a luz entra e sai através de ambas as narinas.

    A 8ª etapa é igual à primeira; a luz entra pela narina direita e sai pela esquerda.

    A 9ª etapa é igual à segunda; a luz entra pela narina esquerda e sai pela direita.

    Entrando em Samadhi (Meditação Profunda)

    Após o exercício de respiração, você estará muito calmo e poderá prosseguir a meditação profunda, visando a integração com o Cosmos. Mentalize o Grande Mestre presente acima de nós, transformando-se em uma bola de luz brilhante. Esta bola vai se condensando em um único ponto brilhante e entra no seu canal central através do chakra coronário, emitindo luz conforme desce. Mentalize uma flor de Lótus desabrochando em seu coração. O ponto de luz irá pousar lentamente sobre o Lótus. O ponto de luz amplia-se até cobrir todos os seus corpos. Mentalize seu corpo se transformando na forma do Grande Mestre até que não haja mais diferença entre você e ele. Medite profundamente para entrar em equilíbrio total com o Cosmos, sem nenhum sentimento pessoal.

    11. Mantras de outros Budas e Boddhisattvas

    (Buda Amitabha)

    - OM, A-MI DÊ-UAH, SHIÊ

    (Bodddhisattva Avalokitesvara)

    - OM, MA-NI PEI-MI, HUM

    (Boddhisattva Ksitigarbha, purifica os karmas fixos)

    - OM, PUN-LÁ-MÔ LIN-TO-LIN, SO-HA

    (Mantra do coração do

    Boddhisattva Ksitigarbha)

    - OM, HA HA HA, UEI SAM-MO-YIÊ, SO-HA

    (Boddhisattva Maha Cundi)

    - OM, DZE-LI DZU-LI ZHUN-TE, SO-HA

     

    (Zampalá)

    - OM, ZAM-PA-LÁ, CHA-LAN CHA-NA-YÊ, SO-HA

    (Padmasambhava)

    - OM, AH HUM, BE-DZA, GU-RU, BE-MA, SIH-DI, HUM, SHIÊ

    (Padmakumara)

    - OM, AH HUM, GU-RU BEI, AH-HO-SA-SA-MA-HA, LIAN-SHEN SIH-DI HUM

    (Buda da Medicina)

    - DÊ-YÉ-TÁ, OM, BE-KA-DZE-YÉ, BE-KA-DZE-YÉ, MA-HA BE-KA-DZE-YÉ, LA DA SA MO KYAH-DO-AH, SO-HA.

    12. Saudação aos 36 trilhões 119 mil e 500 Budas Amitabha.

    (3 vezes)

    13. Dedicação

    Possam todos aqueles que apreciam o nome do Buda Amitabha

    Nascerem juntos na Terra Pura do Seu Paraíso Ocidental

    Retribuindo a Generosidade dos Quatro Estágios de Cima,

    (Visualizar Amitabha e seu clã aparecendo acima, nos Quatro Estágios da Generosidade)

    E ajudando os que sofrem nos Três Caminhos de baixo.

    (Visualizar três círculos negros, representando os seres dos reinos do inferno, fantasmas famintos e animais)

    Ao ver o Buda, possa eu ser liberado do ciclo de nascimentos e mortes;

    E possa eu desenvolver as qualidades do Estado de Buda

    E assim libertar todos os que sofrem.

    (Visualizar luzes dos Budas e Bodhisattvas brilhando sobre todos os seres, inclusive sobre aqueles nos três círculos negros. O seu karma negativo é purificado e o espaço se torna preenchido com uma luz radiante)

    Como praticante do Budismo Real, dedico este merecimento em prol de todos, que todos possam ter saúde, fiquem livres dos obstáculos, possam se fortalecer na devoção, e que todas as circunstâncias se tornem auspiciosas.

    (Neste momento, pode-se fazer silenciosamente a própria dedicação pessoal)

    - Que todas as súplicas sejam totalmente realizadas.

    (O dirigente levanta o bastão Vajra na mão direita e desenha um círculo, cujo traço é visualizado como uma luz vermelha de fogo radiante).

    - Possam todos os obstáculos ser removidos.

    (O dirigente levanta o bastão Vajra na mão direita e o aponta para o ar, onde uma parede de escuridão é visualizada. Então o dirigente entoa com força, por duas vezes, “Wun”, soando simultaneamente o sino Vajra na mão esquerda e visualizando uma luz branca penetrando e dissolvendo a escuridão).

    14- Mantra de cem sílabas

    OM, BE-DZA, SA-DO SA-MA-YÁ, MA-NU BA-LA-YÁ, BE-DZA SA-DO DE-LU-PA-DE-CHÁ, ZE-ZO MI BA-UÁ, SU-DO KA-YU MI BA-UÁ, SU-PU KA-YU MI BA-UÁ, AN-NU-LA-DO MI BA-UÁ, SA-ER-UÁ, SID-DI, YAN BU-LA-YA-CHÁ, SA-ER-UÁ, KA-ER-MÁ, SU-CHA-MI, JI-TA-MU SI-LI-YAM, GU-RU-HUM, HA HA HA HA HOH, BA-GA-UAN SA-ER-UÁ, DA-TA-GA-TA, BE-DZA, MA-MI MUN-CHA, BE-SI BA-UA, MA-HA SA-MA-YÁ, SA-DO-AH, HUM, PEI.

    15. Grande Saudação usando a visualização.

    1º. Saudação aos Budas das Dez Direções

    (Use o Mudra do Sacrário)

    . Saudação a todos os Bodhisattvas

    (Use o Mudra Lótus)

    . Saudação aos Protetores Vajra

    (Use o Mudra do Tridente Vajra)

    4º. Meio-arco

    (Use o Mudra Universal)

    16. Mantra de Finalização

    OM, PU LIN

    (3 vezes)

    OM, MANI PEI MI HUM

    (fim da sessão)

    Bater palmas duas vezes, visualizando que você está emitindo luz branca. Cruze os braços e estale os dedos, visualizando que você está emitindo luz vermelha.

    COMO FAZER A INICIAÇÃO COM O GRANDE MESTRE LU

    1. PESSOALMENTE

    Marque com antecedência uma visita ao “Quarteirão do Budismo Tântrico Real” (“True Buddha Tantric Quarter”) em Redmond, Washington, Estados Unidos, para receber a energização de sua Iniciação diretamente do Grande Mestre Lu. Telefone: (001) 206-882-0916

    2. POR ESCRITO

    Nem sempre é possível para alguém que mora distante vir pessoalmente fazer a sua Iniciação. Assim, aqueles estudantes que desejarem se iniciar, tem a opção de, no dia 1º ou dia 15 de qualquer mês lunar, às 7.00 horas da manhã, na posição de frente ao sol nascente, recitar três vezes o Mantra das Quatro Fases de Iniciação: “Namo Guru bei, Namo Buddha yê, Namo Dharma yê, Namo Sangha yê” e se prostrar três vezes.

    No dia 1° ou dia 15 de qualquer mês lunar, no “Quarteirão do Budismo Tântrico Real”, Mestre Lu realiza uma cerimônia de “Energização de Iniciação à distância” – para energizar todos os estudantes que não puderam vir pessoalmente.

    Um estudante que faça a sua Iniciação à distância, após realizar os ritos em sua casa, necessita somente mandar uma carta para o “Quarteirão do Budismo Tântrico Real”, declarando que está buscando a Iniciação, juntamente com seu nome, endereço, idade, e um pequena taxa para fazer oferendas aos Budas. Ao receber a carta., Mestre Lu enviará um certificado, uma fotografia do mestre e uma anotação informando o nível de prática com o qual deve começar.

    O endereço do “Quarteirão do Budismo Tântrico Real” é:

    Grande Mestre Sheng-Yen Lu

    17102 NE 40th Ct

    Redmond, WA 98052, USA

    PROCEDIMENTO PARA A PRÁTICA DE

    QUATRO ETAPAS PRELIMINARES TÂNTRICAS

    (Todas as transcrições dos Mantras baseiam-se na pronúncia do Grande Mestre Lu).

    -          Antes de começar a prática, recomenda-se que os praticantes se sentem calmamente por alguns minutos para regular sua respiração e concentrar suas mentes. Podem também visualizar seus parentes, ancestrais, amigos, inimigos e todos os seres nos Seis Caminhos – deuses, humanos, asuras, fantasmas famintos, animais e seres do inferno – vindo para a prática.

    -          Recitar sete vezes da Mantra de Grande Mestre Lu: OM, GU-RU, LIAN-SHEN SIH-DI, HOM

    -          Visualizar a linhagem da Escola de Budismo Real: Buda Vairocano, Lacano, bodddhisattva Lótus e Grande Mestre Lu.

    -          Visualizar a presença do Grande Mestre e budas e bodddhisattvas emitindo luz para bençoar praticantes.

     

    *  Mantra de Abertura (Junte as palmas das mãos)
    OM MANI PEI MI HOM

    ·     1.     Mantras de Purificação

    (Purificação da fala)

    OM, SHO-LI, SHO-LI, MA-HA SHO-LI, SHO-SHO-LI, SO-HA

    (Purificação do corpo)

    OM, SHO-DO-LI, SHO-DO-LI, SHO-MO-LI, SHO-MO-LI,  SO-HA

    (Purificação da mente)

    OM, FO RI LA DAM, HO HO HUM

    (Chamando o Espírito Protetor do Local)

     NAMO, SAM-MAN-DO, MU-TO-NAM, OM, DU-LU DU-LU DI-UEI, SO-HA

     


     

    2. Mantra de Invocação : OM AH HUM, SO-HA (3 vezes)

    Hom   Tibetano                Sanscrito

    (A finalidade deste Mantra é invocar todas as divindades do altar. Enquanto estiver recitando a sílaba “hom”, visualize em seu coração uma flor de lótus branca segurando a sílaba-semente “hom”. A partir disto, um raio de luz branca muito brilhante sobe e sai através do topo de sua cabeça,  entrando no espaço).

    • Chamamos sinceramente os Budas e Boddhisattvas:

    Namo o Grande Mestre Vajra Buda Vivo Lian-Sen.

    Namo Buda Shakyamuni.

    Namo Buda Amitabha do Paraíso Ocidental.

    Namo Boddhisattva Kuan Yin

    Namo Buda de Medicina.

    Namo Boddhisattva Ksitigarbha

    Namo a Mãe Dourada do Lago Primordial.

    Namo Padmasambhava

    Namo Maha Cundi.

    Namo Zampalá

    Namo Boddisattva Maitreya

    Namo Mahakala

    Namo Protetores Locais

    Todos os Budas em todas as partes, através dos Três Tempos.

    Todos os Boddhisattvas e Mahasattvas.

    Todos os Protetores do Dharma, Reis de dragão e Divindades Celestiais 

    Namo Maha Prajna Paramita.

    ·     3.     Grande Saudação (usando visualização)

    Use o Mudra do Sacrário (Junte as palmas das mãos, com os dez dedos unidos e apontados para cima; entre as palmas das mãos, permanece um pequeno espaço vazio) e faça o seguinte:

    I. Toque o ponto entre as sobrancelhas e visualize uma luz branca que o Buda está emitindo e entra nesse ponto (purificação do corpo)

    II. Toque a garganta e visualize uma luz vermelha que o Buda está emitindo e entra na garganta  (purificação da fala)

    III. Toque o coração e visualize uma luz azul que o Buda está emitindo e entra no coração  (purificação da mente)

    (Nesse momento, visualize uma prostração perante todos os Budas)

    IV. Finalmente, leve o Mudra novamente à testa e o disperse

    (Se for realizar a prostração física, deve fazê-la após ter dispersado o mudra)   2ª saudação: A TODOS OS BODDHISATTVAS

    Use o Mudra do  Lótua, visualização igual à anterior  3ª saudação: AOS PROTETORES

         Use o Mudra do Tridente Vajra, visualização igual à anterior  4ª meio-arco: IGUALDADE UNIVERSAL

    4.Oferendas

     

    Mudra de Oferenda

    Visualizar multiplicação de oferendas que enchem tudo universo e oferecer para budas, boddhisattvas e todos seres. Recitar o Verso de Oferenda:

           

    Recite o Mantra de Oferenda:
    OM,  SA-ER-UAH, DA-TA-GA-DA, I-DA-MU, GU-RU  LA-NA,
    MAN-CHA-LÁ, KAN, NI-LI-YÊ,  DA-YÊ-MI.

    Então, toque o mudra na testa,  e disperse-o no ar.

    • 5.     Mantra das Quatro Fases de Iniciação  (Junte as palmas das mãos)

    (3 vezes)NAMO GURU BEI,(ao Grande Mestre)NAMO BUDA YÊ,(aos Budas e Boddhisattvas)NAMO DHARMA YÊ, (aos Sutras, Lei Universal)NAMO ZEM KYA YÊ(aos Grandes Monges)

    • 6.     Armadura de Proteção
    -  Forme o Mudra  do Tridente na frente da  testa.
    -   Recite o Mantra de Vajrapani:
    -         OM, PO LU LAN ZE LI

    -         (7 vezes)Após a recitação, toque com o mudra o ponto entre as sobrancelhas, então a garganta, o coração, o ombro esquerdo, e o ombro direito, e novamente a testa.   Visualize uma brilhante luz azul irradiando do mudra. Visualize quatro raios de luz azul se expandindo, um para a esquerda, um para a direita, um para trás e um para a frente.  Cada coluna de luz se transforma num Protetor Vajra, formando uma cortina de luz azul envolvendo a pessoa. Disperse o mudra. Finalmente, faça o Mudra do Altar em frente ao coração.

     

     

    7. Exercício de Integração com o Boddhisattva Vajrasattva

    Mudra

    Visualização

    Primeiro, esvazie a mente. Então, através da dimensão de consciência aberta, aparece um mar com uma superfície brilhante, como um espelho. No meio do mar, aparece um disco de lua. No meio da lua aparece uma sílaba “Hom” . A sílaba gera e transforma-se em Boddhisattva Vajrasattva, sentado em cima de flor de lótus com uma Coroa Budista de Cinco Pontas. Sua mão direita está segurando a bastão vajra em frente coração e mão esquerda segurando sino ao lado de perna esquerda, No ponto de sua coração, existe um discol de mantra de cem sílabas, gerando e emitindo luz branca.

    O praticante visualiza que está recebendo este feixe de luz, energizando, purificando e limpando seu obstáculos kármicos. O corpo do praticante ficará brilhante e chieo de felicidade.

    8. Mantra do Cem Sílabas( 21 vezes):

    OM,  BE-DZA SA-DO  SA-MA-YÁ,  MA-NU  BA-LA-YÁ,

    BE-DZA SA-DO  DE-NU-PA-DE-ZHÁ,  ZHE CHO  MI BA-UÁ,

    SU-DO KA-YU  MI BA-UÁ, SU-PU KA-YU  MI BA-UÁ,

    AN-NU-LA-DO  MI BA-UÁ,

     SA-ER-UÁ,  SID-DI,  YAN BU-LA-YA-ZHÁ,

     SA-ER-UÁ,  KA-ER-MÁ,  SU-ZHA-MI,  SI-TA-MU, SI-LI-RUN,

    GU RU HOM, HA HA  HA HA HOH, BA-GA-UN,

     SA-ER-UÁ,  DA-TA-GA-TA, BE-DZA  MA-MI MUN-ZHA, 

    BE-SI BA-UA,  MA-HA SA-MA-YÁ,  SA-DO-AH,  HOM, PEI.  

    9. Meditação (Entrada em Samadhi)

    Após o exercício de respiração, você estará muito calmo e poderá prosseguir a meditação profunda, visando a integração com o Cosmos.

    1). Mentalize o Vajrasattva presente acima de nós,

    2) Mentalize uma flor de Lótus desabrochando em seu coração. No meio de flor de lótua têm uma sílaba “HOM”, emitindo luz branca

    3) Mentaliza o Vajrasattva transformando-se em uma bola de luz brilhante. Esta bola vai se condensando em um único ponto brilhante e entra no seu canal central através do chakra coronário, emitindo luz conforme desce. O ponto de luz irá pousar lentamente sobre o Lótus.

    4) O ponto de luz amplia-se até cobrir todos os seus corpos. Mentalize seu corpo se transformando na forma do Vajra sattva até que não haja mais diferença entre você e ele. Medite profundamente para entrar em equilíbrio total com o Cosmos, sem nenhum sentimento pessoal.

    • Verso de dedicação

    O Grande Mestre Buda Vivo Lian Shen ensina ampla Darhma Tântrica,

    o Vajrasattva se manifesta a coração de Vajra.

    Dois se difundir em integração completa,

    eliminando obstáculos kármicos e ficará totalmente purificado.

    • 10. Mantras de outros Budas e Boddhisattvas
    (Buda Amitabha) -  OM, A-MI DÊ-UAH, SHIÊ
    (Bodddhisattva Avalokitesvara) -  OM, MA-NI PEI-MI, HOM
    (Boddhisattva Ksitigarbha, purifica os karmas fixos)  OM, PUN-LÁ-MÔ  LIN-TO-LIN, SO-HA
    (Mantra do coração doBoddhisattva Ksitigarbha)  -  OM, HA HA HA, UEI SAM-MO-DÊ, SO-HA
     
    (Boddhisattva Maha Cundi) - OM, DZE-LI DZU-LI ZHUN-TE, SO-HA
    (Zampalá) OM, ZAM-PA-LÁ, CHA-LAN CHA-NA-YÊ, SO-HA
    (Padmasambhava) - OM,  AH  HUM, BE-DZA,  GU-RU,  BE-MA,  SIH-DI, HUM, SHIÊ
    (Padmakumara) - OM, AH HUM, GU-RU BEI, AH-HO-SA-SA-MA-HA, LIAN-SHEN SIH-DI HUM
    (Buda da Medicina) - DÊ-YÉ-TÁ, OM, BE-KA-DZE-YÉ, BE-KA-DZE-YÉ,   MA-HA BE-KA-DZE-YÉ,  LA DA  SA MO  KYAH-DO-AH,  SO-HA.
     
    •      Saudação aos 36 trilhões 119 mil e 500 Budas Amitabha.
    (3 vezes)
     
    • 11. Grande Saudação usando a visualização.
    1º.  Saudação aos Budas das Dez Direções (Use o Mudra do Sacrário)
    2º.  Saudação a todos os Bodhisattvas (Use o Mudra Lótus)
    3º.  Saudação aos Protetores Vajra (Use o Mudra do Tridente Vajra)
    4º.  Meio-arco (Use o Mudra Universal)
    • 12.    Mantra de Finalização
    OM, PU LIN (3 vezes)
    OM, MANI PEI MI HOM


    NOTAS BIBLIOGRÁFICAS:

    8. WOODROW, Alain, As Novas Seitas, p. 228.

    9. DROOGERS, André, Ciências da Religião, Vol. II, p. 123.
    10. GARCIA, João Fernandes, artigo: “Profetas Falsos de Nossos Dias, Seicho.no-iê”, Jornal Palavra da Vida, nº 89./1980.
    11. BIORK, Israel Carlos, artigo: “Quem São Eles? Seicho-no.iê, a Fraude Que Envolve 400.000 Brasileiros” – Jornal Palavra da Vida, s.d.

    • Budismo, artigo da Wikipédia Lusófona
    • Nirvana, artigo da Wikipédia em inglês
    • Gnossisonline
    • TEMPLO ZEN TI

      da Escola de Budismo Real

      Rua Félix Guilhem 268 /274, Lapa de Baixo

      CEP:05069-000, São Paulo, SP, Brasil

      Compilação: Olenka Franco, Chen Tsung Jye da Associação Jen Ti:

      Referência: tradução e compilação em inglês de Janny Chow da Purple Lotus Society e de Kender Tomko, Acharya, revista em 1991.

Illuminati, Os Templários, A Ordem DemoLay & a religião do Egito quinta-feira, jan 26 2012 


ORDO ILLUMINATORUM

ORDEM ILLUMINATI

Ordo Illuminatorum ou Ordem Illuminati é uma instituição iniciática, filosófica, filantrópica e religiosa. Nos seus fundamentos estão segredos específicos, formando uma sociedade baseada no sigilo e na obediência. A Illuminati é uma associação animada por dois princípios: igualdade e justiça. Toda sua manifestação é baseada nestas duas premissas que são geradoras de luz para a humanidade.

A Ordem, composta de 13 graus, baseados nos ritos de natureza maçônica, templária e nos antigos mistérios, se propõe a levar o mundo a uma Nova Ordem Mundial e para isso conta com as forças motrizes da sociedade como um todo, independente de ideologias e religiões. Sua filosofia é baseada nos mais puros princípios morais, sem esquecer os ensinamentos dos grandes mestres de todos os tempos. Todo iluminado é formado de modo a oferecer o máximo de si, para todos. Sua única vinculação é com a verdade inscrita no templo chamado Natureza.

 

ORIGENS

A Ordem dos iluminados, como também é conhecida, nascida no alvorecer da história da humanidade, foi desenvolvida ao longo do tempo, por diversos líderes, entre eles: Hassan Sabath (nazarins – 1090) e Bayezid Ansari (roshynaia – 1550). Oficialmente, consta que em 1776, o alemão Adam Weishaupt, um professor de direito canônico e membro de uma ordem terciária jesuíta, funda a Ordo Illuminatorum, uma sociedade disciplinada, secreta e voltada ao progresso e a liberdade, baseada em princípios de reforma moral e social, que tinha por objetivo organizar rosacruzes, maçons, esotéricos, clérigos e outras ordens numa poderosa sociedade, com o intuito de promover as mais importantes mudanças político-sociais dos 200 anos seguintes. Seus membros eram recrutados na nobreza, clero, burguesia, sábios, maçons, rosacruzes e templários.

 

PERSEGUIÇÃO, EXTINÇÃO E CLANDESTINIDADE

Da obra dos Illuminati surgiram diversos movimentos sociais, entre eles, o anarquismo, carbonarismo, marxismo, socialismo, o trabalhismo (que elegeu o dia 1° de maio), os democratas e outros diversos partidos e organizações políticas libertárias. Assim se iniciou a mais feroz das lutas contra a tirania, e uma luta implacável contra os dogmáticos. Outros irmãos dedicaram-se ao progresso da ciência, da cultura e da sociedade. Por essa razão, a Ordem foi perseguida e dada por extinta em 1785. Neste momento entendeu-se que uma Ordem anti-tiranica só poderia sobreviver no máximo segredo. Então, acolhidos nas Lojas Maçônicas, os Illuminati puderam continuar com o seu trabalho até o final do Sec. XX.

 

A ORDEM ILLUMINATI NA ATUALIDADE

Os governantes invisíveis da humanidade, nos tempos antigos, escolheram o mestre Hassan ibn Sabbath como o primeiro chefe supremo dos iluminados, até que quatrocentos anos mais tarde surgisse outro grande líder designado para a nova dinastia dos illuminati, o mestre Bayezid Ansari. Duzentos anos depois (1776), a chefia da Ordem muda-se para o Ocidente, sendo o novo mestre supremo Adam Weishaupt.

A partir da extinção da Ordem ocorrida em 1785, houve uma expansão mundial, já que diversos membros banidos da Bavária foram expalhados por toda Europa, América e Asia. Hoje diversas organizações seguem os princípios iluministas, mesmo não usando o denominação ‘Illuminati’. Muitas ordens passaram a imitar suas características, porém, algumas, sem a pureza da doutrina que caracteriza o verdadeiro iluminismo. Então, em 1999, duzentos anos depois desde o último grande chefe, os governantes invisíveis novamente escolheram o seu novo representante, o Mestre Paolo Bortel (maçom/rosacruz) para receber a milenar herança e fundar a nova geração da Ordem Illuminati.

Os conhecimentos da tradição foram organizados conforme as antigas instruções milenares, igualando caracteristicamente as organizações de Hassan Sabbath, Bayezid Ansari e Adam Weishaupt. Sob a jurisdição do poderoso Deus, o mestre atual dirige a Ordem, recrutando simpatizantes em todos os países, independente de raças e credos. “A Ordem Illuminati reúne milhares de seguidores sinceros ao redor do mundo. A idéia de uma Nova Ordem de paz, segurança e prosperidade têm atraído grandes lideranças”.

 

ESTRUTURA DA ORDEM ILLUMINATI

A Ordem Illuminati está organizada de modo sigiloso em diversas partes do mundo e do Brasil. Os locais são mantidos em segredo para dificultar a ação de curiosos e demais instrusos. A Ordem divide-se em Lojas Estaduais, Regionais e Municipais. Conta com uma diretoria e um Conselho, que é orgão máximo de decisão e representação. Como Estruturas Associadas existem: O Círculo Illuminati, destinado a simpatizantes e estudiosos, a Liga Illuminati, para os clericais e membros de ordens religiosas, a Fraternidade Illuminati para os oficiais de carreira das forças armadas, a Juventude Illuminati para os de idade entre 14 a 24 anos, e o Tribunal Illuminati para membros do judiciário.

 

PRINCÍPIOS DA ORDEM ILLUMINATI

1° Crença em Deus
2° Soberania da Ordem
3° Princípios Iluministas
4° Estudo e desenvolvimento dos mistérios de Deus e do Universo
5° Refundação da Ordem em 1° de maio de 1776
6° Manutenção do real segredo como forma de união das irmandades
7° Treinamento especial nas artes e ciências esotéricas
8° Manutenção do sigilo das atividades
9° Respeito as leis do país

 

OS TREZE PONTOS PARA A NOVA ORDEM MUNDIAL

1° Moeda mundial
2° Linguagem universal
3° Monitoramento
4° Renda mínima
5° Pleno emprego
6° Ensino gratuíto até nível superior
7° Repressão total a contravenção e ao crime
8° Saúde e saneamento a nível mundial
9° Planejamento familiar
10° Fim da fome e da miséria
11° Liberdade irrestrita de opinião e manifestação
12° Fim da mendicância, da prostituição e do trabalho infantil
13° Criação da polícia e do exército da Nova Ordem

Para saber mais ou entrar em contato com a Ordem Illuminati, visite o seguinte endereço:

“FIAT JUSTITIA, RUAT COELUM”
“Faça-se a justiça, mesmo que desabem os céus”

Os Templários


ORIGENS

No final do século XI, a Europa, enfrentava uma profunda crise econômica e vivia um momento de estagnação sócio-cultural. O Cristianismo encontrava-se tumultuado e dividido; esse clima tenso era propício para guerras e disputas internas que só colaboravam para o agravamento da situação.

O novo Sumo Pontífice a ocupar o Trono de São Pedro, Urbano II, eleito papa em 1088, revelou-se, muito além daquelas qualidades e funções cabíveis ao suposto representante de Deus na terra, um notável político e excelente articulador.

Um dos sonhos da Igreja da época, e de Urbano II, era retomar a cidade de Jerusalém, cuja posse estava nas mãos dos “infiéis do islã” havia mais de quatro séculos, desde o ano 638 d.C., quando fora tomada pelo exército muçulmano. Além da importância histórica para os cristãos da própria cidade em si, os supostos tesouros ali encerrados, havia também por parte de toda a alta hierarquia do clero, o desejo de “unificar” cristãos ocidentais e orientais sob o jugo único do pontificado Papal. Esses eram motivos mais que suficientes para justificar uma empreitada a terra santa.

A habilidade política do Papa Urbano II conquistou a submissão espiritual de praticamente todos os cristãos ocidentais, fazendo com que parte da Europa entendesse que havia uma necessidade premente e divina de se recuperar aquilo que, por direito, pertencia aos cristãos. E desta forma foi articulada a Primeira Cruzada, cujo divino objetivo era “devolver a Deus o que era de Deus”. Teve início a Primeira Cruzada, e assim Jerusalém viria a cair sob domíínio cristão ocidental. Estava inalgurada a era das “guerras santas”.

As peregrinações, naquela época, eram costumeiras entre os europeus, principalmente entre os cristãos, sendo uma atividade abençoada e encorajada pela Igreja e pelo Papa. Um dos caminhos de maior importância, senão o mais importante, era justamente aquele que conduzia os peregrinos à Terra Santa, ou seja, Jerusalém. Esse caminho, contudo, não era seguro, deixando os que nele se aventurassem a toda sorte de bandidismo, assaltos, etc., e mesmo à morte.

Alguns anos após a queda de Jerusalém, em 1118, nove Cavaleiros então, liderados por Hughes de Payens, todos veteranos da Primeira Cruzada, se reuniam para prestar um nobre serviço ao reino cristão e fundaram a Ordem dos Cavaleiros de Cristo, tomando o tríplice voto de Castidade, Pobreza e Obediência, dedicando suas vidas, dali até a morte, à proteção dos peregrinos e à garantia do Reino de Cristo.

O então novo Rei de Jerusalém, Balduíno II, que sucedera seu primo Balduíno I, logo viu na atitude dos nobres e valorosos cavaleiros algo de grande valor e importância. A título de reconhecimento e confiança, cedeu-lhes terras e construções para que lhes servissem de acomodação e base. As terras eram situadas no local onde supostamente havia sido construído o famoso Templo de Salomão. Não tardou e os “Pobres Cavaleiros de Jesus Cristo” passaram a se denominar de “Cavaleiros do Templo de Salomão”, ou simplesmente de “Cavaleiros Templários” e, assim nasceu a “Ordem do Templo”, cuja denominação completa era: “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”.

 

A LENDA DO GRAAL

Conta uma lenda, que os Cavaleiros Templários, teriam encontrado no Templo de Salomão, documentos e tesouros que os tornaram poderosos. Segundo essa lenda, dentre os tesouros estaria o próprio “Santo Graal”, o cálice onde fora recolhido o sangue de Jesus Cristo na cruz, e o mesmo que fora usado na última ceia.

 

HISTÓRIA

A Ordem do Templo, tornou-se, nos séculos seguintes, numa instituição de enorme poder político, militar e econômico. A sua divisa era: ” Non nobis Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam ! “, o que significa: ” Não por nós Senhor, não por nós, mas para a glória de Teu nome! “

De forma rápida a Ordem ia crescendo, tanto política quanto economicamente. Estavam diretamente sob a autoridade papal, e, portanto, sem responsabilidade para com qualquer Rei ou nação.

Passaram a possuir terras, castelos e muito dinheiro. Tamanha se tornara a sua força que mesmo Reis e Príncipes passariam a confiar toda fortuna que possuíam à sua guarda. Muito da riqueza Templária advém disto, pois boa parte dos bens conferidos à guarda Templária, quer por um motivo ou outro, jamais retornaria às mãos de seu dono original.

Mas o início do século XIV encontraria uma Europa bem distinta daquela de duzentos anos antes. As derrotas do exército cristão, no oriente, impunham um definitivo cessar da era das grandes cruzadas. Não havia mais terras santas a serem defendidas e a idéia de Ordens Militares logo tomaria ares de anomalia, visto não mais haver necessidade de sua principal função: a proteção dos peregrinos.

Nessa época, reinava na França, Felipe IV, cognominado Felipe o Belo. Implacavelmente coerente em seus atos, realçando os aspectos sacerdotais de um monarca, Felipe IV, transformara-se em uma espécie de semideus, conduzindo seu reinado com mão de ferro.

Felipe, como parte de um maquiavélico plano, tentara fazer parte da Ordem do Templo. Mas, para sua ira, seu pedido de ingresso lhe fora negado.

A história, repleta de exemplos de Reis dominados pela Igreja e por Papas, teve em Felipe, o Belo, justamente o oposto. O quadro clérigo da época destacava-se, não pela presumida divina representação terrena de Deus, atribuída a Santa Igreja Católica, mas pelas fortes disputas internas por posições de destaque político dentro do corpo eclesiástico. Felipe, bem consciente deste fato, marcou um encontro secreto com um certo arcebispo, nas ruínas de um mosteiro em plena floresta. Nesse encontro, propõe fazer do inexpressivo arcebispo, Papa, em troca de seis favores, dos quais um, só lhe seria revelado após a eleição. Felipe acertara em cheio na sua escolha. Assim, sob sua influência, um sujeito fraco e ganancioso, o Arcebispo Beltrão de Got, subia ao Trono de São Pedro como Papa Clemente V, em novembro de 1305.

O favor oculto devido a Felipe por Clemente V, só um papa poderia fazê-lo, pois os Templários não estavam submissos a mais ninguém. Era a dissolução da Ordem dos Templários e Clemente V seria o instrumento de Felipe, o Belo.

Felipe, no intuito de elaborar um plano de ação contra os Templários, fez-se infiltrar na Ordem através de vários agentes. O fim da Ordem do Templo estava desencadeado. Em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307, Jacques de Molay e cerca de cinco mil Templários, quase todos aqueles existentes na França, foram encarcerados pelos homens do Rei Felipe, o Belo.

As acusações mostravam heresias as mais diversas, a maioria destas sendo bem comuns aos cotidianos processos movidos pela Santa Inquisição: negação do Cristo, blasfêmia contra Deus, homossexualismo, idolatria ( adoração de Baphomet ), conluio com os infiéis do islã, etc.

O processo de inquisição contra os Templários continuou por sete anos. Seu ápice ocorreu em 18 de março de 1314, quando o último líder dos Templários, Jacques de Molay e Geoffroy de Charnay, foram arrastados à morte na fogueira da Santa Inquisição.

 

A MALDIÇÃO DE JACQUES De MOLAY

A lenda nos diz que, em meio as chamas, pouco antes de morrer, ouviu-se a voz de Jacques de Molay, o último Grão Mestre Templário, intimando seus três algozes: O papa ClementeV, Guilherme de Nogaret (Guarda-Selos do reino) e o Rei Filipe, a comparecer diante do tribunal de Deus, e amaldiçou os seus descendentes. Segundo a lenda, foram essas as suas últimas palavras:

“NEKAN, ADONAI !!! CHOL-BEGOAL !!! PAPA CLEMENTE… CAVALEIRO GUILHERME DE NOGARET… REI FILIPE: INTIMO-OS A COMPARECER PERANTE O TRIBUNAL DE DEUS DENTRO DE UM ANO PARA RECEBEREM O JUSTO CASTIGO. MALDITOS! MALDITOS! TODOS MALDITOS ATÉ A DÉCIMA TERCEIRA GERAÇÃO DE VOSSAS RAÇAS!!!”

Se isso é ou não verdade, não se pode afirmar. Contudo, Clemente morreu trinta e três dias depois e o Rei Felipe, o Belo, o seguiu em pouco mais de seis meses. Aceita ou não, esta Lenda do último Grão-Mestre da Ordem do Templo – Jacques De Molay, as mortes e o próprio mito que cercou os Cavaleiros Templários, permanecem um mistério.

 

A ORDEM SOBREVIVE

O rei Filipe tentou tomar posse dos tesouros dos templários, no entanto quando seus homens chegaram ao porto, a frota templária já havia partido misteriosamente com todos os tesouros, e jamais foi encontrada. Os possíveis destinos dessa frota seriam Portugal, onde os templários seriam protegidos; Inglaterra, onde se refugiaram por algum tempo, e Escócia onde também puderam permanecer com bastante segurança.

Após a aniquilação dos Templários na maior parte da Europa, a Ordem continuou em Portugal, como a Ordem de Cristo ( da qual o Infante D. Henrique foi Grão-mestre ). A Ordem de Cristo herdou todos os bens dos Templários portugueses e desempenhou um papel fundamental nos Descobrimentos.

Na Escócia, a Ordem do Templo contou com a proteção de Robert Bruce Stuart (Roberto I Rei da Escócia) e gozou de liberdade suficiente para continuar suas atividades sem ser incomodada pela inquisição da Igreja Católica. Seus membros ingressaram nas fraternidades maçônicas e em 1314, Robert Bruce e Johan Marcus Larmenio, considerado sucessor de Jacques de Molay, fundam a “Loja dos Maçons Livres e Aceitos do Rito Escocês”. Os Templários sobreviveram nos rituais maçônicos, especialmente no “Rito Escocês Antigo e Aceito” e também na “Ordem DeMolay”.

 

OS TEMPLÁRIOS NA ATUALIDADE

Atualmente, os Templários estão presentes em diversos países, onde se dedicam à atividades em prol do bem-estar moral e material da civilização e progresso do ser humano. Propugnam a ajuda a orfanatos, o amparo à velhice e às crianças desamparadas, o estímulo moral e material às ciências e às artes em geral.

Sendo uma ordem de caráter ecumênico, não faz distinção de raça, credo, nacionalidade e de estirpe, respeitando em qualquer caso, as leis e as tradições de todos os povos e de todos os países por onde estende suas atividades.

Non Nobis Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam!
( Não por nós Senhor, não por nós, mas para a glória de Teu nome! )

 

A Ordem DeMolay

A Ordem DeMolay é uma entidade filosófica, filantrópica e fraternal para homens (jovens) de 12 a 21 anos, fundada nos Estados Unidos em 1919 pelo maçom Frank Sherman Land. É patrocinada e apoiada pela Maçonaria, que na maioria dos casos cede o espaço de seu templo para as reuniões dos “Capítulos”, denominação da célula da organização. No Brasil, está presente desde 1980, com a instalação do “Capítulo Rio de Janeiro nº 001″, com sede no Rio de Janeiro, fundado pelo maçom Alberto Mansur.

A Ordem é inspirada na história e exemplo de Jacques de Molay, 22º e último Grão-Mestre da Ordem dos Templários no século XIV, perseguido pela Inquisição da Igreja Católica e executado por ordem do Rei Filipe IV de França, por não entregar seus companheiros ou faltar com seus juramentos.

Já foram iniciados cerca de 4 milhões de jovens em todo o mundo e mais de 60.000 só no Brasil, distribuídos em mais de 650 Capítulos em todos os estados da federação que se reúnem freqüentemente. Os iniciados na Ordem, após completar 21 anos de idade, são denominados “Sênior DeMolay” e podem acompanhar os trabalhos dos Capítulos, através da Associação DeMolay Alumni.

No mundo, a Ordem DeMolay pode ser encontrada em: Aruba (Países Baixos), Alemanha, Austrália, Bolívia, Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Filipinas, Guam (Estados Unidos), Itália, Japão, México, Panamá, Paraguai e Peru.

 

O BRASÃO DA ORDEM DeMOLAY E SEU SIGNIFICADO

01 – A COROA simboliza a Coroa da Juventude, nos lembra constantemente as obrigações e os sete preceitos da Ordem.

02 – OS NOVE RUBIS E UMA PÉROLA, honram o fundador e os nove jovens que participaram da formação da Ordem Demolay, Frank S. Land, Louis Lower, Ivan Bentley, Clyde Stream, Gorman McBride, Edmund Marshall, Ralph Sewlle e Elmer Dorsey.

03 – O ELMO, simboliza o cavalheirismo, sem o qual não é possível mostrar a delicadeza do caráter.

04 – A LUA quarto-crescente é um sinal de segredo e lembra ao Demolay o seu dever de nunca revelar segredos da Ordem ou trair uma confidência de um amigo ou irmão.

05 – A CRUZ DE CINCO BRAÇOS simboliza a pureza de intenção. Lembrando o lema: “Nenhum Demolay falhará como cidadão, como líder, como homem.”

06 – AS ESPADAS CRUZADAS denotam justiça, retidão e piedade. Simboliza nossa luta contra a arrogância, tirania e intolerância.

07 – AS ESTRELAS RODEANDO A LUA simbolizam os desejos e deveres de irmandade entre os membros da Ordem.

08 – A COR AMARELA predominante, significa a luz.

09 – A COR VERMELHA significa força, energia e coragem.

10 – A COR AZUL está para equilibrar o vermelho, formando o homem perfeito.

 

CRONOLOGIA DA ORDEM DeMOLAY

1244 – Nascimento de Jacques de Molay.
1265 – Jacques de Molay ingressa na Ordem dos Cavaleiros Templários.
1298 – Jacques de Molay é eleito Grão-Mestre da Ordem dos Templários.
1314 – Jacques de Molay é queimado vivo por sua fidelidade.
1865 – Frank Arthur Marshall nasce em Leavemworth, Kansas, em 13 de novembro.
1890 – Frank Sherman Land nasce em Kansas City, Missouri, em 21 de junho.
1912 – Iniciação de Land na Maçonaria, em 25 de maio.
1919 – Frank Sherman Land conhece Louis Gordon Lower e seus amigos, e nasce a idéia de um “Clube” para rapazes, em 19 de fevereiro.
Os rapazes escolhem o nome “Conselho DeMolay” para o seu “Clube” em 24 de março.
Primeira reunião do Conselho DeMolay em Kansas City, organizado pelo fundador, Frank Sherman Land.
Ritual é escrito por Frank Arthur Marshall.
O nome oficial é mudado para Ordem DeMolay.
1920 – O segundo Capítulo é fundado em Omaha, Nebraska.
1921 – Primeira reunião do Grande Conselho da Ordem DeMolay (que posteriormente se chamará Supremo Conselho Internacional).
A Maçonaria passa a patrocinar a Ordem DeMolay.
1922 – Nascimento de Alberto Mansur, em 7 de setembro, em Vargem Alegre – Rio de Janeiro.
1929 – Fundação Internacional DeMolay Alumni Association (Reorganizada em 1984).
1933 – Franklin D. Roosevelt é nomeado primeiro Grande Mestre Honorário.
1937 – Primeira concessão de “Founder’s Gross” (Honraria concedida somente por Frank Sherman Land). O original “Hall da Fama DeMolay” é iniciado por Frank Sherman Land.
1946 – Aprovação da Ordem da Cavalaria (Nobres Cavaleiros da Ordem Sagrada dos Soldados Companheiros de Jacques de Molay).
1950 – Alberto Mansur inicia-se na Maçonaria.
1959 – Frank Sherman Land falece em 08 de novembro.
1967 – Primeiro Congresso DeMolay Internacional.
1969 – Celebração do Cinqüentenário da Ordem DeMolay.
1980 – Fundação da Ordem DeMolay no Brasil, em 16 de agosto.
1985 – Instalação do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, em 12 de abril.
1986 – O “Hall da Fama” é reorganizado.
Primeiro Capítulo local da Alumni Association.
1989 – Primeiro Congresso DeMolay Nacional.
1992 – Primeiro Sênior DeMolay eleito Presidente dos Estados Unidos da América (William “Bill” Clinton).
1993 – A Ordem da Cavalaria é trazida para o Brasil, com a instalação do Convento Sir Percival de Gales, em 04 de setembro.
1994 – Comemorações dos 75 anos da Ordem DeMolay. Fundação da Associação de Seniores DeMolay’s para o Brasil, em 05 de março. Fundados os 3 primeiros Capítulos paraguaios, sob jurisdição do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil.
1995 – Aniversário dos 15 anos de Fundação da Ordem DeMolay no Brasil. Oficialização da Associação de Seniores DeMolay’s para o Brasil, em 18 de março. Fundado e instalado o primeiro Convento dos Nobres Cavaleiros, no Paraná.
1997 – Na cidade de Balneário Camboriú ocorre o verdadeiro “I Congresso Nacional DeMolay no Brasil”, nos dias 23, 24 e 25 de maio, sediado pelo Capítulo “Luiz Zaguini” n.º 151
2000 – Na cidade do Rio de Janeiro, ocorre o “VII Congresso Nacional da Ordem DeMolay” com o intuito de, entre a programação estabelecida, comemora

Rosa Cruz quinta-feira, jan 26 2012 


Rosa cruz 

 

Representação Alegórica do Pai C.R.C.,

fundador da Ordem Rosacruz

Pintura de J.A. Knaap

A antiga Fraternidade Rosacruz consistia de seres altamente espiritualizados, puros e de incomensurável sabedoria.. Eram alquimistas médicos e matemáticos, doze indíviduos do século XIV, que foram orientados por um ser conhecido como “Cristão Rosa Cruz”. Esses seres trabalharam secretamente e formaram uma fraternidade conhecida como “Ordem Rosacruz”. Os conhecimentos de tal Ordem foram ministrados à apenas alguns sábios, sendo que nada foi revelado até o ano de 1614, data da publicação da Fama Fraternitatis, o primeiro manifesto Rosacruz. Essa sociedade secreta ainda existe e ainda trabalha pela elevação da humanidade . Somente aqueles que possuem um amplo desenvolvimento espiritual são admitidos como membros no círculo interno do movimento Rosacruz. Tais “médicos da alma” engajados no controle interno deste grande movimento, estão intimamente associados à evolução do mundo. Esses irmãos  trabalham trabalham de forma secreta, incansável e abnegadamente pelo bem da humanidade.

 

Em 1908, Max Heindel que era de origem dinamarquesa, após ser testado em sinceridade de propósitos e desejo desinteressado em ajudar seus semelhantes,   foi escolhido como o mensageiro dos Irmãos Maiores, para transmitir os ensinamentos Rosacruzes ao Ocidente, preparando a humanidade para a futura Era de Fraternidade Universal.   Por meio de intensa auto-disciplina e devoção ao serviço ele conquistou o status de Irmão Leigo ( Iniciado ) na exaltada Ordem Rosacruz.

Sob a direção dos Irmãos Maiores da Rosa Cruz, gigantes espirituais da raça humana, Max Heindel escreveu o Conceito Rosacruz do Cosmos, um livro que marcou época se tornando uma referência marcante para todos os pesquisadores  da tradição ocultista ocidental e aspirantes à espiritualidade.

Por meio de seu próprio desenvolvimento ele foi capaz de verificar por si mesmo muitos aspectos dos ensinamentos recebidos dos Irmãos Maiores, sintetizados no Conceito Rosacruz do Cosmos, fornecendo um conhecimento adicional mais tarde corporificado em seus numerosos livros.

Uma das condições básicas na qual os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental foram dados à Max Heindel era que nenhum preço poderia ser estabelecido para eles. Tal condição foi fielmente observada por ele até o fim de sua vida terrestre e tem sido cuidadosamente cumprida pelos dirigentes da Fraternidade Rosacruz ( The Rosicrucian Fellowship). Ainda que os livros da Fraternidade sejam vendidos a preços acessíveis,  que garantam a continuidade de suas publicações, os cursos por correspondência e os serviços devocionais e de cura são inteiramente gratuitos. A Fraternidade é mantida  através de doações voluntárias de seus estudantes e simpatizantes, não havendo taxas ou mensalidades obrigatórias.

Passado um determinado tempo e estando ainda tais ensinamentos sob a sua responsabilidade, foi instruído a retornar à América e revelar ao público tais ensinamentos , até então secretos. Nessa época, a humanidade tinha alcançado o estágio mais avançado da religião cristã, quando os mistérios (que Cristo menciona em Mateus 13:11 e Lucas em 8:10) tinham que ser ministrados à muitos e não apenas para alguns.

Quando Max Heindel chegou à América, ele publicou esses elevados conhecimentos em seu livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos” que foi traduzido em diversas línguas e continua a ser editado em várias partes do mundo. Também estabeleceu a Fraternidade Rosacruz como uma Escola Preparatória para a verdadeira, eterna e invisível Ordem Rosacruz, a Escola de Mistérios do Mundo Ocidental.

Ainda que a palavra Rosacruz seja usada por várias organizações, a Fraternidade Rosacruz não tem nenhuma conecção com estas.

 

A Fraternidade Rosacruz, cuja sede mundial está situada em Mt. Ecclesia, Oceanside, California, foi fundada em 1909 por Max Heindel, que organizou e dirigiu todos os seus trabalhos até 1919, data de sua partida física. Sucedeu-o sua esposa Sra. Augusta Foss Heindel, que durante trinta anos dirigiu a Obra a frente de um Conselho Diretor.

A Fraternidade Rosacruz é uma organização de místicos cristãos compostas por homens e mulheres que estudam a Filosofia Rosacruz segundo as diretrizes apresentadas no Conceito Rosacruz do Cosmos. Tal Filosofia é conhecida como os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental e estabelece uma ponte entre a ciencia e a religião.Seus estudantes estão espalhados por todo o mundo; mas sua Sede Internacional está localizada em Oceanside, California, E.U.A.

A Fraternidade Rosacruz não tem conecção com nenhuma outra organização. Foi fundada durante o verão e outono de 1909, após um ciclo de conferências proferido por Max Heindel em Seattle. Um Centro de Estudos foi formado e a Sede da Fraternidade se localizou temporariamente naquela cidade. Providencias foram tomadas para a publicação do Conceito Rosacruz do Cosmos. Com a publicação deste trabalho a Fraternidade Rosacruz foi definitivamente estabelecida.

No Rio de Janeiro, a Fraternidade Rosacruz, a conselho da Sra. Augusta Foss Heindel, foi estabelecida no Rio de Janeiro pela Sra. Irene Gómez de Ruggiero, sendo atualmente dirigida pelo Irmão Probacionista Roberto Gomes da Costa  a frente de um Conselho Diretor.

A Fraternidade Rosacruz Max Heindel não é uma seita ou organização religiosa, mas sim uma grande Escola de Pensamento. Sua finalidade precípua é divulgar a admirável filosofia dos Rosacruzes, tal como ela foi transmitida ao mundo por Max Heindel, escolhido para esse fim pelos Irmãos Maiores da Ordem Espiritual.

Seus ensinamentos projetam luz sobre o lado científico e o aspecto espiritual dos problemas relacionados à origem e evolução do homem e do Universo. Tais ensinamentos, contudo, não constituem um fim em si mesmo, mas um meio para o ser humano tornar-se melhor em todos os sentidos, desenvolvendo assim o sentimento de altruísmo e do dever, para o estabelecimento da Fraternidade Universal.

O fim a que se destina a Filosofia Rosacruz é despertar a humanidade para o conhecimento das Leis Divinas, que conduzem toda a evolução do homem, e, ainda:

(I) explicar as fontes ocultas da vida. O homem, conhecendo as forças que trabalham dentro de si mesmo, pode fazer melhor uso de suas qualidades;

(II) ensinar o objetivo da evolução, o que habilita o homem para trabalhar em harmonia com o Plano Divino e desenvolver suas próprias possibilidades, ainda desconhecidas para grande parte da humanidade;

(III) mostrar as razões pelas quais o Serviço amoroso e desinteressado ao próximo é o caminho mais curto e mais seguro para a expansão da consciência espiritual.

Foram publicados livros e organizados Cursos por Correspondência para os aspirantes que desejam estudar as verdades espirituais, mas como auxílio e não como fim em si mesmo, pois o estudo, em si só, não basta. A teoria precisa da experiência, obtida mediante a prática, para ser desenvolvida em sabedoria e poder. E, precisamente, a Fraternidade Rosacruz destina-se a prestar a orientação necessária aos aspirantes, para se chegar à aplicação da Lei Espitual na solução dos problemas individuais e coletivos.

O Movimento Rosacruz, publica e mundialmente iniciado pelo engenheiro Max Heindel, é fundamentalmente uma Escola de reforma interna para a humanidade, uma Escola de desenvolvimento e expansão de consciência, tratando de nossa origem espiritual e da finalidade de nossa evolução.

 

 

Quando investigamos o significado de qualquer mito, lenda ou símbolo de valor oculto, é absolutamente necessário entendermos que, assim como todo objeto do mundo tridimensional deve ser examinado de todos os ângulos para dele obtermos uma compreensão completa, igualmente todos os símbolos têm também certo número de aspectos. Cada ponto de vista revela uma fase diferente das demais, e todas merecem igual consideração.

Visto em toda sua plenitude, este maravilhoso símbolo contém a chave da evolução passada do homem, sua presente constituição e desenvolvimento futuro, mais o método de sua obtenção. Quando ele se apresenta com uma só rosa no centro, simboliza o espírito irradiando de si mesmo os quatro veículos: os corpos denso, vital, de desejos e a mente significando que o espírito entrou em seus instrumentos, convertendo-se em Espírito Humano interno. Mas houve um tempo em que essa condição ainda não havia sido alcançada, um tempo em que o tríplice espírito pairava acima dos seus Veículos, incapaz de neles entrar. Então a cruz erguia-se sem a rosa, simbolizando as condições prevalecente no começo da terça parte da Época Atlante. Houve também um tempo em que faltava o madeiro superior da cruz. A constituição humana era pois, representada pela Tau (T), isto na Época Lemúrica, quando o homem só dispunha dos corpos denso vital e de desejos e carecia de mente. O que predominava então era a natureza animal. O homem seguia os seus desejos sem reserva. Anteriormente ainda, na Época Hiperbórea, só possuía os corpos denso e vital, faltando o de desejos. Então o homem em formação era análogo às plantas: casto e sem desejos. Nesse tempo sua constituição não podia ser representada por uma cruz. Era simbolizada por uma coluna reta, um pilar ( I ).

Este símbolo foi considerado fálico, indicando a libertinagem do povo que o venerava. Por certo é um emblema de geração, mas geração não é absolutamente sinônimo de degradação. Longe disso. O pilar é o madeiro inferior da cruz, símbolo do homem em formação, quando era análogo às plantas. A planta é inconsciente de toda paixão, desejo, e inocente do mal. Gera e perpetua sua espécie de modo tão puro, tão casto, que propriamente compreendida é um exemplo para a decaída e luxuriosa humanidade, a qual deveria venerá-la como um ideal. Aliás, o símbolo foi dado às raças primitivas com esse objetivo. O Falo e o Yona, empregados nos Templos de Mistério da Grécia, foram dados pelos Hierofantes com esse espírito. No frontispício do templo colocavam-se as enigmáticas palavras: “Homem, conhece a ti mesmo”. Este lema, bem compreendido, é análogo ao da Rosacruz, pois mostra as razões da queda do homem no desejo, na paixão e no pecado, e dá a chave de sua liberação do mesmo modo que as rosas sobre a cruz indicam o caminho da libertação.

A planta é inocente, porém não virtuosa. Não tem desejos nem livre escolha. O homem tem ambas as coisas. Pode seguir seus desejos ou não, conforme queira, para aprender a dominar-se.

Enquanto foi como as plantas, um hermafrodita, ele podia gerar por si, sem cooperação de outrem; mas ainda que fosse tão inocente e tão casto como as plantas era também como elas, inconsciente e inerte. Para poder avançar, necessitava que os desejos o estimulassem e uma mente o guiasse. Por isso, a metade de sua força criadora foi retida com o propósito de construir um cérebro e uma laringe. Naquele tempo o homem tinha a forma arrendondada. Era curvado para dentro, semelhante a um embrião, e a laringe atual era então uma parte do órgão criador, aderindo à cabeça quando o corpo tomou a forma ereta. A relação entre as duas metades pode-se ver ainda hoje na mudança de voz do rapaz, expressão do pólo positivo da força geradora, ao alcançar a puberdade. A mesma força que constrói outro corpo, quando se exterioriza, constrói o cérebro quando retida. Compreende-se isso claramente ao sabermos que o excesso sexual conduz à loucura. O pensador profundo sente pouquíssima inclinação para as práticas amorosas, de modo que emprega toda sua força geradora na criação de pensamentos, ao invés de desperdiçá-la na gratificação dos sentidos.

Quando o homem começou a reter a metade de sua força criadora para o fim já mencionado, sua consciência foi dirigida para dentro, para construir órgãos. Ele podia ver esses órgãos, e empregou a mesma força criadora, então sob a direção das Hierarquias Criadoras, para planejar e executar os projetos dos órgãos, assim como agora a emprega no mundo externo para construir aeroplanos, casas, automóveis, telefones, etc.. Naquele tempo o homem era inconsciente de como a metade daquela força criadora se exteriorizava na geração de outro corpo.

A geração efetuava-se sob a direção dos Anjos, que em certas épocas do ano, agrupavam os humanos aptos em grandes templos, onde se realizava o ato criador. O homem era inconsciente desse fato. Seus olhos ainda não tinham sido abertos, e embora fosse necessária a colaboração de uma parceira, que tivesse a outra metade ou o outro pólo da força criadora indispensável à geração, cuja metade ele retinha para construir órgãos internos, em princípio não conhecia sua esposa. Na vida ordinária o homem estava encerrado dentro de si, pelo menos no que tangia ao Mundo Físico. Isto, porém, começou a mudar quando foi posto em Intimo contato, como acontece no ato gerador. Então, por um momento, o espírito rasgou o véu da carne, e Adão conheceu sua esposa. Deixou de conhecer-se a si mesmo quando sua consciência concentrou-se mais e mais no mundo externo, perdendo ele sua percepção interna, a qual não poderá ser readquirida plenamente enquanto necessitar da cooperação de outro ser para criar, e não tenha alcançado o desenvolvimento que lhe permita utilizar de novo e voluntariamente toda sua força criadora. Então voltará a conhecer-se a si mesmo, como no tempo em que atravessava o estágio análogo ao vegetal, mas com esta importantíssima diferença: usará sua faculdade criadora conscientemente, e não será restringido a empregá-la só na procriação de sua espécie mas poderá criar o que quiser. Outrossim, não usará os seus atuais órgãos de geração: a laringe, dirigida pelo espírito, falará a palavra criadora através do mecanismo coordenador do cérebro. Assim, os dois órgãos, formados pela metade da força criadora, serão os meios pelos quais o homem se converterá finalmente em um criador independente e auto-consciente.

Mesmo presentemente o homem já modela a matéria pela voz e pelo pensamento ao mesmo tempo, como vimos nas experiências científicas em que os pensamentos criaram imagens em placas fotográficas, e noutras em que a voz humana criou figuras geométricas na areia, etc.. Em proporção direta ao altruísmo que demonstre, o homem poderá exteriorizar a força criadora que retiver. Isto lhe dará maior poder mental e capacita-lo-á a utilizar-se de tal poder na elevação dos demais, ao invés de intentar degradá-los e sujeitá-los à sua vontade. Aprendendo a dominar-se, cessará de tentar dominar aos outros, salvo quando o fizer temporariamente para o bem deles, jamais para fins egoísticos. Somente aquele que se domina está qualificado para orientar aos demais e, quando necessário, é competente para julgá-los no modo que melhor lhes convenha.

Vemos, portanto, que a seu devido tempo o atual modo passional de geração será substituído por um método mais puro e mais eficiente que o atual. Isto também está simbolizado pela Rosacruz, em que a rosa se situa no centro, entre os quatro braços. O madeiro mais comprido representa o corpo; os dois horizontais, os dois braços; e o madeiro curto superior representa a cabeça. A rosa está colocada no lugar da laringe.

Como qualquer outra flor, a rosa é o órgão gerador da planta. Seu caule verde leva o sangue vegetal, incolor e sem paixão. A rosa vermelho-sangue mostra a paixão que inunda o sangue da raça humana, embora na rosa propriamente dita o fluido vital não seja sensual, mas sim casto e puro. Ela é, por conseguinte, excelente símbolo dos órgãos geradores em seu estado puríssimo e santo, estado que o homem alcançará quando haja purificado e limpo seu sangue de todo desejo, quando se tenha tornado casto e puro, análogo a Cristo.

Por isso os Rosacruzes esperam ardentemente o dia em que as rosas floresçam na cruz da humanidade; por isso os Irmãos Maiores saúdam a alma aspirante com as palavras de saudação Rosacruz: “Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”; e por isso esta saudação é usada nas reuniões dos Núcleos da Fraternidade pelo dirigente, ocasião em que os estudantes, probacionistas e discípulos presentes respondem à saudação dizendo: “E na vossa também”.

 

 

Templo Rosacruz , Mt. Ecclesia, Oceanside, California, USA.

 

Com o objetivo de promulgar os Ensinamentos Rosacruzes, foi organizada a Fraternidade Rosacruz. A filiação está aberta para todas as pessoas maiores de quatorze anos, cristãs, educadas, que aspiram percorrer este caminho espiritualista, que é a Associação Internacional Rosacruz de Cristãos Místicos. Desejando-a, poderá solicitá-la por carta ou e-mail, expressando as razões pelas quais se inclina pela Filosofia Rosacruz, e enviando-nos nome completo, endereço, data de nascimento, estado civil e ocupação. Os pedidos de filiação deverão ser dirigidos à Fraternidade Rosacruz – Max Heindel, Rua Enes de Souza, 19 Tijuca, Rio de Janeiro, R.J., Brasil, 20521-210 ou ao nosso e-mail rosacruzmhrio@gmail.com.

De qualquer parte do Brasil e do mundo pode-se solicitar inscrição na Fraternidade Rosacruz e realizar o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz por correspondência, que consiste de doze lições, tendo como livro-texto oConceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel. As respostas das lições podem ser enviadas por e-mail, mas sempre remeteremos as lições pelo Correio.

 Não há taxas nem mensalidades. O ingresso na Fraternidade Rosacruz, em nenhum caso, está condicionado a obrigações monetárias. Todos os gastos da Fraternidade são cobertos por contribuições e donativos, voluntários,  de filiados ou pessoas amigas que desejem solidarizar-se com a Obra Rosacruz. Para aqueles em que o coração despertar o desejo de colaborar, a nossa conta bancária é Banco Bradesco – Agência: 3002 – Pio X; Conta Corrente: 93080-6.

A Fraternidade Rosacruz desaprova qualquer comercialização de forças ou conhecimentos espirituais, bem como o seu desenvolvimento negativo, tão prejudicial a quem é alvo de sua prática como a quem lhe serve de veículo. Desta forma, astrólogos e quiromantes profissionais, e ainda médiuns e hipnotizadores praticantes terão seu pedido de inscrição negado até abandonarem, de imediato, tais práticas.

Depois de completar o Curso Preliminar, o estudante é matriculado como Estudante Regular por um período de dois anos, podendo solicitar os cursos Suplementar de Filosofia, Bíblico e de Astrologia.  Findo este, caso haja se compenetrado da verdade dos Ensinamentos Rosacruzes, e se preparado para cortar todos os laços com qualquer outra ordem oculta ou religiosa – excetuando-se as Igrejas Cristãs e Ordens Fraternais – pode assumir o Compromisso, que o admite no grau de Probacionista.

Não pretendemos insinuar, no parágrafo anterior, que as demais escolas de ocultismo não contam. Longe disso. Muitos caminhos conduzem a Roma, mas chegaremos com menos esforço seguindo por um só deles do que ziguezagueando de um para outro. Primeiramente porque nosso tempo e energias são limitados e, além disso, reduzidos por deveres familiares e sociais que não devemos descuidar para atender ao próprio desenvolvimento. A fim de economizar o mínimo de energia de que legitimamente gastaríamos para nós mesmos, e evitar a perda dos poucos momentos vagos que temos à nossa disposição, é que os Guias insistem para renunciarmos a todas as demais ordens.

O mundo é um agregado de oportunidades, mas para aproveitá-las é necessário possuirmos eficiência em certa linha de esforços. O desenvolvimento dos poderes espirituais pode capacitar-nos a ajudar ou prejudicar aos nossos irmãos mais fracos. E esses poderes só se justificam quando o objetivo é Servir à Humanidade.

O método de realização Rosacruz difere dos outros sistemas por um pormenor especial: procura desde o princípio emancipar o discípulo de toda dependência dos outros, tornando-o auto-confiante no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e enfrentar todas as condições. Somente aquele que for tão bem equilibrado pode ajudar ao débil.

Quando certo número de pessoas se reúne em classe ou círculo objetivando o auto-desenvolvimento, mas através de métodos negativos, geralmente os resultados são conseguidos em pouco tempo, seguindo o princípio de que é mais fácil deixar-se levar pela corrente, do que lutar contra ela. O médium, contudo, não é senhor dos seus atos, mas escravo do espírito que o domina. Por isso tais reuniões devem ser evitadas pelos Probacionistas.

Mesmo as reuniões em que se mantenha uma atitude mental positiva não são aconselhadas pelos Irmãos Maiores, porque os poderes latentes de todos os membros são amalgamados. Então as visões dos mundos internos obtidas por quaisquer deles apenas resultam parcialmente da influência das faculdades dos demais. O calor de um carvão no centro de uma fogueira fica aumentado pelo dos carvões que o rodeiam. O clarividente originado num círculo, mesmo que este seja positivo, é como uma planta na estufa – demasiado dependente para que se lhe possa confiar os cuidados dos demais.

Portanto, todo Probacionista da Fraternidade Rosacruz efetua seus exercícios sozinho, no isolamento do seu lar. Seguindo este método, obtém-se resultados mais lentamente. Porém, quando tais resultados aparecerem, manifestar-se-ão como poderes cultivados por ele mesmo, e poderão ser empregados independentemente dos demais. Além disso, os métodos Rosacruzes constroem o caráter, ao mesmo tempo que desenvolvem as faculdades espirituais, resguardando assim o discípulo da tentação de perverter seus poderes divinos em busca de prestigio mundano.

Quando o Probacionista tenha cumprido os requisitos exigidos e completado o termo de provação, pode solicitar instruções individuais dos Irmãos Maiores por meio do Secretário Geral.

 

O Principal Trabalho da Fraternidade Rosacruz

 

O trabalho da Fraternidade é o de predicar o Evangelho ( da próxima Era de Aquário ) e curar os enfermos.

Isto é efetuado tornando os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental disponíveis à todos os que estão preparados para recebe-los e por meio da condução de um Departamento de Cura dedicado a  Cura Espiritual  ao ensino dos principios do bom viver segundo as leis cósmicas.

O trabalho da Fraternidade  é feito através dos esforços de toda a sua coletividade assistida pela Sede Mundial. Muitos amigos no mundo trabalham através de vários Centros e Grupos de Estudo dando aulas de Filosofia Rosacruz, Ensinamentos Bíblicos e de Astrologia Espiritual. O estudo e o ensino constituem uma parte integral do trabalho da Fraternidade.

Astrologia, Uma Ciência Espiritual

 A Astrologia e a Alquimia são as mais antigas ciencias conhecidas pelo homem. Segundo as tradições dos Hindus, as artes astrológicas eram praticadas pelos Atlantes, e descendem dos povos dos continentes perdidos da Atlantida que foram os progenitores dos Arianos. A Astrologia tem sido cultivada por todas as nações civilizadas do mundo. Richard Procter observou que nenhuma civilização atingiu um alto grau de cultura sem incluir a astrologia em seu repertório de aprendizagem.

Os efeitos dos corpos celestes sobre os assuntos terrestres tem sido observados e registrados por milhares de anos. Evidencia-se que nenhum sistema de conhecimento poderia ter sobrevivido as vicissitudes de centenas de eras se não estivesse fundamentado numa verdade demonstravel. Os antigos estavam convencidos por incontáveis observações que os corpos celestes não apenas influenciam os assuntos do mundo, mas também que tal influencia é periódica e consistente, e os elementos envolvidos podem ser representados numa Ciência Exata – a única Ciência Profética Exata que o Homem preservou.


A Astrologia não deve ser confundida com os astrólogos, assim como as leis em relação aos advogados, a medicina com os médicos, e a religião em relação aos teólogos. O homem , como um interprete das verdades universais, está limitado em suas interpretações pelas inevitáveis imperfeições de si mesmo. Em mãos competentes, a Astrologia , em seu presente estado de desenvolvimento, compara-se favoravelmente com a medicina em termos de precisão. O médico não pode diagnosticar uma doença infalivelmente, da mesma forma o astrólogo não pode predizer infalivelmente. Seria inteiramente irracional rejeitar a medicina porque os médicos podem cometer erros, e é igualmente irracional exigir que os astrólogos sejam infalíveis quando nenhuma ciência pode exibir infalibilidade seja em sua teoria ou em sua prática. Qualquer um trabalhando honestamente com a astrologia pode provar a si próprio que a Ciência Astrológica está fundamentada sobre princípios precisos e demonstraveis. Ele pode também provar que ela funciona, e as inconsistencias ou exceções que ocorrem, somente lhe estimula a um maior aprofundamento no manejo dos elementos constituintes desta ciencia.


Existem inúmeras predições registradas na história que evidenciam o valor da astrologia.Muitíssimas pessoas tiveram seu carácter corretamente analizado , e os eventos futuros de suas vidas corretamente preditos. O mero fato que a Ciencia materialista moderna deprecia a Astrologia – sem um adequado exame – nada significa. Cientistas materialistas exibem notoriamente uma atitude extremamente negativa e crítica em relação a todas as matérias ocultistas e metafísicas. A Ciência , todavia, nunca pode refutar a Astrologia e jamais poderá. A maturidade do pensamento científico finalmente iluminará todas as formas de conhecimento material promovendo uma retomada dos fundamentos metafísicos que foram perdidos nas primeiras eras do mundo.

Manly P. Hall

Fonte: “Questions and Answers-Fundamentals of the Esoteric Sciences”, PRS
 


Livros

Meditando com os Signos

Em cada período astrológico estabelecido por um mês solar, os impulsos divinos provenientes de cada uma das Hierarquias Criadoras nos chegam, através dos Astros Regentes, como ajuda para que possamos desenvolver as forças da Alma. Cada um desses períodos, portanto, nos ensina a lição correspondente aos valores que cada Hierarquia Criadora, por Amor, deseja fazer chegar até nós. Outrossim, associadas a cada mês solar, encontramos as palavras-clave sobre as quais deveremos meditar de forma a conseguirmos a correspondente realização espiritual. Que o proveito que cada irmão tire de suas meditações seja o maior possível, em especial das que realizar durante as noites de Harmonias Planetárias, quando, no mês solar correspondente, mais intensos e vibrantes estarão aqueles impulsos.

 Mês Solar de Áries

 

  

 

( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

Como Áries é o primeiro signo de Zodíaco, ele é o local de novos começos. Nos ciclos anuais das passagens do Sol pelos doze signos, ele anuncia o início do ano espiritual. Ele tem sido assim visto mesmo nas nações em que o ano civil se inicia em outros signos do Zodíaco. Moisés indicou o mês de Abib (março-abril) como o começo do ano (Ex 13:4), por ser o mês da germinação do trigo e do milho. Uma ordem também foi dada a Moisés de que a imolação do cordeiro pascal deveria ocorrer quando a Lua Nova estivesse em Áries. No tempo da Páscoa original, o Sol achava-se próximo da estrela El Natik, que significava perfurado, ferido, imolado. A Lua Cheia estava então próxima à estrela Al Sheraton, que também significa machucado ou ferido. Como a Páscoa antecedeu a crucificação de Jesus Cristo, então os Céus proclamam a vinda de grandes acontecimentos para o destino da humanidade.

 

As palavras chave para Áries são pureza e sacrifício, e o símbolo de Áries é um cordeiro ou carneiro. Uma vez que foi sob a égide de Áries que o Senhor Cristo veio à Terra, ele é conhecido como o Bom Pastor. Uma representação pictórica bem conhecida mostra o Senhor carregando um cordeiro nos braços.

 

Durante os primeiros anos da era Cristã, como tem sido dito, o símbolo mais usado não foi o do Cristo crucificado, mas a cruz com um cordeiro repousando em sua base. Não foi senão pelo quarto século de nossa era que o cordeiro foi substituído por uma figura humana pregada na cruz.

 

Há duas cartas do Tarô que representam Áries, uma é a do Bufão e outra a do Alto Sacerdote. O primeiro representa um jovem com uma sacola sobre os ombros e uma rosa aberta na mão. Ele caminha para frente, destemido e ousado, para enfrentar os desafios da vida. É chamado de bufão porque ainda não iniciou sua busca e ninguém verdadeiramente compreende a vida enquanto não entrar no Caminho da Santidade. A outra carta mostra um Alto Sacerdote sentado em um trono, com um halo de luz dourada sobre a sua cabeça. Com ele, estão duas das mais sagradas relíquias, o santo cálice e a sagrada lança. Em sua mão direita, segura o cálice cheio das paixões humanas. Sobre este, colocou sua mão esquerda, indicando que ele obteve domínio sobre os elementos de sua natureza inferior. Essa figura retrata com detalhes a mais elevada expressão de Áries: autocontrole. As palavras do sábio Rei Salomão carregam a nota chave bíblica dessa conquista: “aquele que demora a se zangar é melhor que aquele que é poderoso e aquele que governa seu espírito é melhor que o que toma uma cidade!” Em um estágio mais elevado, o seguinte texto da Revelação se aplica: “Veja, eu faço novas todas as coisas.”

 

Richard Wagner, o Iniciado músico, fundamentou sua magnífica peça espiritual sobre Parsifal, na verdade oculta na simbologia dessas duas cartas do Tarot. Parsifal, o verdadeiro tolo, entra casualmente, como assim o foi, nas terras do Castelo do Graal. Involuntariamente, mata um cisne que flutuava nas águas do lago de cura. Através de seu sofrimento e contrição pela má ação cometida, sua alma desperta e ele entra no Caminho da Busca. Ele agora precisa sair pelo mundo para ser tentado para provar sua força, sua coragem e sua perseverança. Wagner disse que o tema de Parsifal era para ser enquadrado no tema “ forte é o poder do desejo, mas mais forte ainda é o poder anímico ganho através da resistência”. No fim, Parsifal retorna para tornar-se o Alto Sacerdote do Salvat ou Rei dos Cavaleiros do Graal. Usando o traje branco de Mestre e carregando a lança sagrada, ele entra no Templo do Graal para curar o ferimento de Amfortas. Depois disso feito, ele torna-se o instrutor dos Cavaleiros do Graal e o guardião fiel do Cálice Sagrado.

 

O que proporciona a transformação do tolo em Alto Sacerdote? O que transmuta um homem mortal em um que demonstra divindade? É o despertar do grande princípio do EU SOU dentro de si mesmo. É a Ressurreição de seu próprio Espírito Crístico. Esse é o tema do antigo cântico do Templo que ecoa o mais elevado conceito da ressurreição:

 

Antes de todos os mundos, Eu fui!

Através de todos os mundos, Eu sou!

Quando todos os mundos forem apenas lembranças, Eu serei!

 

Na época da Páscoa, quando o Sol ascende do hemisfério sul para o norte, as forças de Cristo passam dos reinos físicos para os espirituais. O corpo da Terra é como o corpo do homem. É interpenetrado pelos veículos mais sutis que se estendem para muito além do corpo físico do planeta.

 

Repetindo, durante os seis meses do ano em que o Sol passa pelos seis signos abaixo do Equador e, pelos seis meses seguintes, quando passa pelos seis signos acima do Equador, a força de Cristo interpenetra os mais elevados reinos espirituais da Terra. Esses reinos são o lar da chamada morte, a região onde eles prosseguem com suas atividades normais por um tempo num ambiente de encantadora beleza e radiância. É aí que os Anjos e Arcanjos conduzem seus vários ministérios para os habitantes do planeta e sua descendência.

 

Quando o Sol entra em Áries, ele aponta para a Ressurreição gloriosa, iniciando a estação da transmutação do ano. Então as águas brancas de Peixes se fundem com o fogo vermelho de Áries, uma combinação que se manifesta na exuberância de flores e canções da primavera. É também, para o homem, a estação de transmutação, a época mais propícia para ele arremessar longe a pedra de sua vida passada e aflorar no poder total de uma consciência ressuscitada. Assim como a natureza troca a melancolia do sono do inverno pelo resplendor da primavera, e o Cristo transcende a agonia do Gólgota pela exaltação da alvorada da Ressurreição, do mesmo modo o discípulo que  fervorosa e persistentemente acompanhou o Cristo no íngreme e estreito caminho  tem a sua própria ressurreição nos recém despertados poderes de Cristo dentro de si mesmo.

 

Essa é a ocasião em que uma transformação surpreendente pode ocorrer dentro de seu corpo templo. Uma nova força emana do líquido branco de seus nervos e se une com uma nova essência nas correntes vermelhas de seu sangue, uma fusão que produz a luz dourada que infunde e envolve o corpo de um Iluminado. São João se referia a essa transformação quando escreveu que algum dia iremos andar na Luz como Ele está na Luz. Vermelho e branco são as cores de Áries e são também as cores da transmutação tanto na Natureza como no homem.

  

 MEDITAÇÃO DE MT. ECCLESIA  PARA O MÊS SOLAR DE ÁRIES

Março 20 a Abril 21                                              Regência: Marte

Nesta época do ano uma nova vida, um aumento de energia, surge com força irresistível em todos os seres vivos, que os inspira e neles infunde uma nova vitalidade, impelindo-os a novas atividades, mediante as quais aprendem novas lições na Escola da experiência.

O Espírito Solar, Cristo, permaneceu em nossa Terra desde o Natal, irradiando a todo ser vivo a Sua Luz, Sua Vida e Seu Amor, que são Seus dons para o mundo.

Na Páscoa Ele volta ao Pai para descansar e absorver nova Vida, que nos trará no próximo Natal.

Que usemos Seus dons para desenvolver nossas possibilidades espirituais, construir corações nobres e corpos sadios – como os utilizam as plantas para crescer em belas formas e delicado aroma.

A clave de Áries é : INICIATIVA – VALOR – AÇÃO RETA.

Façamos bom uso desta Força!

 T  A  U  R  U S

  

 

MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE TOURO

 

( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

 

Enquanto o Sol passa de Áries para Touro, uma pessoa sensível torna-se consciente de uma mudança na atmosfera psíquica da Terra, da elevada carga de radiações masculinas de Áries para o modo gentil e acariciante do signo de Touro, governado por Vênus. A Lua, também de natureza feminina, acha-se exaltada no signo que enfatiza ainda mais a doce e amorosa qualidade de um taurino desenvolvido. É, portanto, de acordo com as influências cósmicas que o “Dia das Mães” é festejado no segundo domingo de maio, quando os atributos femininos dos céus estão em ascendência.

 

Os Antigos representavam Touro como uma alta sacerdotisa sentada em um trono, tendo um  halo em sua cabeça e um  livro aberto apoiado em seus joelhos. Um véu cobria sua face simbolizando um ocultamento dos Mistérios para as multidões não despertadas. A divindade feminina guarda segredos sagrados da vida que nunca são revelados até que um buscador se aproxime com mãos limpas e coração puro.  O véu da sacerdotisa nunca pode ser levantado enquanto o homem guerrear seu semelhante e continuar matando para comer, por esporte, por vaidade ou para praticar crueldades tais como as perpetradas pelos vivisseccionistas. Toda vida é sagrada e precisa ser preservada para que o homem seja merecedor de remover o véu de Ísis e entrar nos mais profundos mistérios da vida.

 

Os taurinos são naturalmente atraídos para atividades em que as qualidades  venusianas encontram expressão. E, uma vez que Touro é um signo de terra, sua expressão tende para as artes práticas. A profissão de curar é favoravelmente influenciada por Touro, com ênfase em manter o corpo físico em perfeitas condições para o espírito que nele habita.

 

A nota-chave de Touro é “Eu tenho”. A nota-chave de Vênus, que rege Touro, é “Eu amo”. Num taurino não desenvolvido, isso leva a um amor possessivo que cerceia a liberdade do objeto de seu amor, o que traz desapontamento, discórdia e sofrimento em seu relacionamento. Débitos cármicos pesados são assim contraídos.

 

Sob a Hierarquia de Touro, a humanidade está pagando um pesado tributo causado anteriormente. Sob seu signo oposto, Escorpião, a dívida está sendo liquidada agora numa escala planetária através de guerras, convulsões sociais e desastres da natureza.

 

Forças transmutantes prevalecentes na natureza são ativas, sob a influência de Touro, para transformar a vida de um discípulo. Todo personagem bíblico ilustra as características de um signo zodiacal. A personalidade que exemplifica as características de Touro é Maria Madalena. Maria, a irmã de Lázaro, exemplifica Câncer, enquanto que a Abençoada Virgem Maria aparece sob o signo de Virgo, a Virgem. Assim, as três Marias, mais proximamente associadas com a vida e ministério de Jesus Cristo correspondem aos três signos femininos representantes do Zodíaco. Maria Madalena, encantadora e sedutora, foi centrada nas correntes de desejo da Terra; então, quando Cristo surgiu em sua vida, a chama vermelha da paixão foi transformada no fogo branco da alma. Foi essa transformação que concedeu a ela o privilégio de ser o primeiro de todos os Seus seguidores a ver o Senhor em Ascenção, e de ser por Ele ordenada a ir dizer aos outros a mais transcendente mensagem de todos os tempos:  “A Morte Não Existe!”

 

MEDITAÇÃO  DE MT. ECCLESIA PARA O MÊS SOLAR DE TAURUS

Abril 21 a Maio 22

Regência: Planeta Venus

As palavras-clave para este mês são:

HARMONIA – ATRAÇÃO – BELEZA – FIRMEZA

O Universo está fundamentado sobre a Harmonia; suas partículas estão unidas pelo poder mágico da Atração, posto em ação pelo Divino Amor.

As vibrações de Amor e Harmonia são as que produzem a Beleza da forma que se vê em todas as Obras de DEUS, e este mesmo Poder Divino é responsável pela estabilidade das Leis da Natureza, que são as mesmas “ontem, hoje e pelos séculos” e podem produzir os mesmos efeitos em nosso pequeno Sistema Solar.

“No princípio era o Verbo…

Todas as coisas por Ele foram feitas; e sem Ele nada do que foi feito se fez.”

São João, 1:1-3

 

 G Ê M E O S 

 

MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE GÊMEOS

 ( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

 

Este é o signo dos gêmeos. No plano material, isso significa dualidade; no plano espiritual, polaridade. Os Antigos designavam a Gêmeos duas estrelas brilhantes: Castor e Pólux. Eles ensinaram que Mercúrio, regente de Gêmeos, outorga imortalidade sobre essas duas estrelas em dias alternados, sugerindo assim,  sutilmente, a natureza dual do signo. Sob a influência de Gêmeos, o homem facilmente oscila de um modo ou de outro: do material para o espiritual, do pessoal para o impessoal.

 

A nota-chave de Gêmeos é a versatilidade. Seus nativos estão caracterizados pela habilidade de fazer bem muitas coisas. Os nativos de Gêmeos freqüentemente se empenham em escrever e falar sobre assuntos espirituais e, algumas vezes, tornam-se pessoas que curam espiritualmente.

 

Gêmeos é um signo mental, e a mente pode conduzir tanto na direção da escuridão ou da luz. São Paulo bem compreendeu isso quando fez o ponto focal de seus ensinamentos o ideal de que “Cristo se forme em você”. Até a mente se cristianizar, acha-se cheia de grandes perigos. Para novamente citar São Paulo: “A mente carnal é antagônica a Deus”.

 

O antigo hieróglifo de Gêmeos era a figura de um alto sacerdote num trono. Duas esfinges, uma branca e outra preta, estavam ajoelhadas a seus pés, um outro símbolo retratando a dualidade do signo de Gêmeos.

 

De acordo com a natureza de Gêmeos, aqueles predominantemente sob sua influência freqüentemente enfrentam a necessidade de escolher uma ou duas coisas ou caminhos; daí ser essencial para eles cultivarem seus poderes de discriminação, poderes enfatizados em Virgem, também regido por Mercúrio, como especialmente importantes. Eles  têm que cultivar estabilidade e fixação de propósitos porque são facilmente influenciáveis. O nativo de Gêmeos precisa  de muito tempo para concentração e meditação sob a afirmação “Aquiete-se, e saiba que eu sou Deus”.

 

Rafael é o embaixador angélico de Mercúrio na Terra, o guardião e o diretor de todos os movimentos de cura no mundo. Rafael também governa os mais elevados ensinamentos do Templo, sendo o mais importante o poder de cura da mente. Esse princípio encontrou ampla aceitação e prática nesses tempos modernos.

 

Uma bela lenda diz que, ao fim de cada dia, o Anjo Sandalphon recolhe todas as orações de ajuda e de cura que vieram da Terra e as coloca diante do Trono de Deus onde, em terna bendição, elas são transformadas em um glorioso arranjo de perfumadas flores. Essa lenda recebeu de Longfellow bela expressão nas seguintes linhas.:

 

E ele reuniu as orações onde se encontrava,

Que transformaram-se em flores em suas mãos,

Em guirlandas de vermelho e púrpura;

E sob o grande arco do portal,

Através das ruas da Cidade Imortal,

Foi espalhada a fragrância que delas emanava.

  

O mesmo pensamento aplica-se a Rafael, o Anjo da Cura, que, por sua proximidade à nossa raça, tem sido chamado de “o amigo do homem”.

 

Rafael, o embaixador de Mercúrio, exemplifica em seu próprio ser os Senhores de Mercúrio que agora acham-se desempenhando um papel incrivelmente ativo no trabalho de iniciação da humanidade. Ele governa os Mistérios, o trabalho inicial da raça humana para a parte remanescente do Período Terrestre. Os Mensageiros de Mercúrio servem a todos aqueles que estão aspirando à Iniciação e, de acordo com Max Heindel, eles receberão sempre mais ajuda com o passar do tempo. Muitas pessoas sensitivas estão percebendo a presença deles, pois os Mercurianos pertencem à nossa onda de vida que originalmente tinham seu lar no Sol. Eles são, entretanto, muito mais adiantados que a humanidade terrestre e Rafael é o protótipo deles diante do Trono de Deus.

 

 

MEDITAÇÃO DE MT. ECCLESIA  PARA O MÊS SOLAR DE GEMINI

Maio 22 a Junho 22

Regência: Planeta Mercúrio á

Em DEUS vivemos, nos movemos e temos nosso ser.

As radiações que vêm a nós neste mês, enquanto o Sol passa pelo Signo Zodiacal de Gemini, nos inspiram e nos animam a esperar e escutar a Verdade de DEUS, que preenche todo o Universo para que conheçamos e compreendamos, e ao fim cheguemos a ser perfeitos , como ELE é Perfeito.

Que tenhamos abertas as janelas do Espírito e da Mente; que nenhuma dúvida, temor, ânsia nem preocupação ofuscante nos deslumbre, para que a Verdade nos torne livres de toda condição adversa.

As claves de meditação para este mês Solar são:

RAZÃO – ADAPTABILIDADE – CONCÓRDIA – DISPOSIÇÃO

para que estabeleçamos e mantenhamos aquele equilíbrio mental que nos permita desenvolver o poder da lógica e adaptar-nos às sempre flutuantes condições do progresso evolutivo, e equilibrar as incursões de nossa energia vital.

“Antes, como está escrito: Coisas que o olho não viu, nem ouvido escutou, nem subiu ao coração do homem, são as que DEUS preparou para aqueles que O amam.”

São Paulo, I Cor., 2:9

 

C    N  C  E  R

 

 

 

 

MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE CÂNCER

 

( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

 

Câncer é o signo mais profundamente místico, o principal signo feminino. A Lua, regente de Câncer, é o local de exaltação de Júpiter e Netuno, e sua nota-chave é fecundidade. Nas águas cósmicas de Câncer, acham-se os germes que animam toda forma terrena pertencente aos diversos reinos da  natureza. Câncer também governa o lar e a família, e suas qualidades tendem a desenvolver atributos de caráter que possibilitam aos pais comandarem amorosa e harmoniosamente seus familiares.

 

O misticismo de Câncer deriva, em parte, de Júpiter, o planeta de expansiva compaixão e generosidade, porém, mais ainda de Netuno, a mais elevada oitava de Mercúrio e o planeta da divindade. O Solstício de Verão no hemisfério norte ( Inverno no hemisfério sul) ocorre quando o Sol entra nesse signo e a estrela fixa Sírius, azul-brilhante-esbranquiçada, derrama sua influência espiritual em grande quantidade sobre a Terra. Como signo da mãe cósmica, Câncer é o portal por meio do qual os egos humanos vêm para renascer.

 

Através da influência de Júpiter, as artes criativas são especialmente inspiradas nessa estação, enquanto que Netuno faz desse período o mais propício para as almas iluminadas passarem pelos portões da luz para o mundo interno e lá experimentarem a vida imortal. Um dos três princípios do ser tríplice do homem é governado pela Lua, por Júpiter ou Netuno. Em suas correlações, a Lua está relacionada com seu corpo físico, Júpiter com sua alma e Netuno com seu espírito.

 

A humanidade em geral responde a Jeová através da influência do Sol físico. Os Iniciados nos Mistérios Menores respondem através da influência do Sol espiritual, o corpo do Cristo Cósmico. Os Iniciados nos Mistérios Maiores respondem através da influência de Vulcano, que corresponde ao corpo solar do Pai. Os astrônomos ainda não descobriram o planeta Vulcano. Ele irá, porém, tornar-se conhecido para o mundo através do resultado de observações científicas, quando bastantes indivíduos tiverem se tornado suficientemente sensíveis para receber suas vibrações. Essa foi a condição sob a qual os planetas Urano, Netuno e Plutão começaram a ter assentamento nos veículos superiores do homem.

 

Os antigos representavam Câncer pela figura de uma mulher com a Lua sob seus pés e a coroa de doze estrelas na cabeça. Esse símbolo foi também usado por São João na Revelação para representar a triunfal restauração do princípio feminino caído, a Eva do Gênesis, para seu divino estado original. Essa exaltada figura feminina simbólica do grande Iniciado da Hierarquia de Câncer é conhecida como Querubim. Um dos maiores Iniciados dessa Hierarquia é a Mãe Cósmica do universo, ao qual pertence este planeta Terra.

 

A Lua como regente de Câncer significa geração;  Netuno exaltado em Câncer significa regeneração. A transmutação da geração em regeneração é o novo nascimento sobre o qual Cristo falou a Nicodemus quando ele foi ao Mestre “durante a noite” . A nota-chave bíblica de Câncer é encontrada nestas palavras de Cristo: “ Enquanto o homem não nascer novamente, ele não verá o Reino de Deus…  Enquanto o homem não nascer da água ( Lua em Câncer) e do espírito ( Júpiter em Câncer), ele não poderá entrar no Reino de Deus ( Netuno em Câncer)”.  Este é um dos mais explícitos ensinamentos da Iniciação dada por Cristo durante Seus três anos de ministério. Todo homem conhece o nascimento natural sob a Lua em Câncer, mas poucos há que aprenderam a percorrer o “estreito e apertado caminho”

 

da renúncia da carne e dedicação ao espírito implícito na exaltação de Júpiter e Netuno em Câncer. Porém, esta é a única e verdadeira chave à elevação da consciência, pela qual o homem é levantado do nascimento natural ou “de água” para a divina expiação do nascimento “de fogo” em espírito.

  

 

MEDITAÇÃO DE MT. ECCLESIA  PARA O MÊS SOLAR DE  CÂNCER

 

Junho 22 a Julho 23

 

Regência : Lua é

 

Durante este mês estamos sob a influência da Mãe Cósmica – o Signo de Câncer – e se nos fizermos acessíveis a suas correntes, mais fácil e perfeitamente aprenderemos as lições que ela nos ensina.

 

Ela desejaria que em nossas mentes IMAGINÁSSEMOS  as coisas de modo claro e preciso. Ajuda-nos, também , ela , a desenvolver a faculdade da INTUIÇÃO -  o comando que recebemos através do coração.

 

Por meio da intuição conhecemos a unidade de toda a vida e, com este conhecimento, surge a SIMPATIA. O Amor faz dessa simpatia um sentimento tão grande e nobre que se estende muito além dos limites do lar individual, abrangendo o mundo inteiro que, em realidade, nada mais é que uma grande e única família de todos os filhos de DEUS em sua escola de experiência.

 

As palavras-clave para este mês são:

 

IMAGINAÇÃO – INTUIÇÃO – SIMPATIA

 

“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei a vós”.

São João, 13:34

LEÃO 

 

MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE LEO

( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

 

Um sábio antigo declarou que como é acima, é abaixo, e como é abaixo, é acima. Todos os Templos de Mistério verdadeiros que existem no plano físico são construídos em harmonia com o modelo zodiacal do céu. Naquele círculo de doze constelações, Câncer e Leo formam as duas colunas da entrada do Templo Cósmico. Correspondentemente,  colunas simbólicas foram construídas na entrada de todos os Templos de Mistério. Todo candidato tem que passar entre elas no seu caminho para a iluminação. Esses dois pilares receberam muitos nomes através dos tempos e seu significado tem sido enfatizado na literatura de mistério de todas as nações. A elas se faz referência como representando os elementos água e fogo, ou indicando os dois metais preciosos, prata e ouro, ou ainda como símbolos de dois corpos celestes, a Lua e o Sol.  Câncer tem sido chamado de mãe e Leo, de pai das almas.

 

Por entre essas colunas, o homem e a mulher da Nova Era terão que passar, de mãos dadas, em completa igualdade, para receberem a gloriosa herança que essa Era irá conceder a seus pioneiros. A Confraria Maçônica ainda tem que aprender que seus segredos mais profundos nunca serão compreendidos até que a Divindade Feminina tenha sido recolocada no seu estado de igualdade com a polaridade masculina oposta.

 

Os Antigos concebiam o signo de Leo como um alto sacerdote sentado numa carruagem, conduzindo duas esfinges, uma branca e outra preta. Um símbolo similar relaciona-se com Gêmeos, mas, nesse caso, as duas esfinges se ajoelham diante do alto sacerdote, significando que era sua tarefa escolher entre o caminho da luz e a senda da escuridão.  Em Leo, a decisão já foi tomada. Tanto a natureza inferior quanto a superior já se acham sob controle.

 

As palavras-chave de Leo são autoridade, domínio e triunfo. Um dos símbolos de Leo é uma espada, signo de conquista e vitória. Que essa espada também representa o poder criativo no interior de um indivíduo é mostrado em várias histórias da Bíblia.  Em Gênesis, por exemplo, encontra-se a descrição da expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden por eles terem comido do fruto proibido da Árvore do Conhecimento do bem e do mal. Em conseqüência de seu pecado, os Querubins montam guarda diante do portão, brandindo uma espada flamejante para impedir que o homem, por meio do acesso à Árvore da Vida, possa adquirir os segredos do corpo etéreo e aprender, desse modo, a imortalizar sua imperfeita forma física.

 

Esses mesmos Seres Celestiais eram representados de pé diante do Templo de Salomão, mas uma flor inteiramente desabrochada substituiu a espada.  Aqui, numa simbologia primorosa, está retratada a conquista de um Alto Iniciado, cujo corpo está misticamente descrito como um jardim florido. Nesse jardim, os dois principais centros de flores são o coração, a estrela diurna do corpo, e a glândula pituitária, o mais elevado dos dois centros espiritualizados da cabeça. É através desses centros de flores, quando totalmente despertados, que as poderosas forças de fogo de Leo agem sobre todo o corpo.

 

Na vida de Cristo, Sua Entrada Triunfal está relacionada às radiações magnificentes de Leo. O Espírito de Cristo estava, nessa ocasião, carregado magneticamente com a glória radiante do Pai, que havia sido conferida sobre ele, uma vez que o Sol estava transitando pelo signo majestoso dos céus. Isso, instintivamente, suscitou, da multidão, hosanas que acompanharam a Sua entrada.

 

Essa cena triunfal foi o começo dos acontecimentos culminantes no ministério terreno de Cristo, seguido por Sua assunção da regência deste planeta para a redenção do mundo. Isso também exemplifica a procissão festiva de um bem sucedido candidato entrando num Templo de Luz Iniciatório. Foi quando ele ouviu o canto angelical dos céus: “ Abençoado é o que vem em nome do Senhor (lei)”, isto é, aquele que caminha na luz espiritual e no amor.

 

A ciência materialista reconhece o Sol apenas em seu aspecto físico. A ciência esotérica reconhece duas esferas solares adicionais ou corpos espirituais interpenetrados. O primeiro desses é o veículo do Logo Solar que conhecemos como o Cristo Cósmico; o outro, de freqüência vibratória ainda mais elevada, é o corpo celestial do Pai do nosso  sistema solar.

 

A humanidade comum responde principalmente à influência do Sol físico, cujas emanações são correlacionadas a Jeová e às religiões de raça desenvolvidas sob sua influência. Foi durante o regime de Jeová que os Mistérios Menores foram inaugurados pelos Senhores de Mercúrio. Com a vinda de Cristo, foi instituída uma nova era, sob a qual o homem não olharia mais para a lei externa a ele, mas para a lei em seu interior, pois o propósito principal da vida para o homem é despertar sua divindade latente, o Cristo interno. Sob a influência de Mercúrio, foram inaugurados os primeiros Mistérios. Cristo veio trazendo os quatro Mistérios Maiores, cujo esboço é dado nos quatro Evangelhos do Novo Testamento. Netuno, o planeta da divindade e da Iniciação, dá à humanidade a ajuda necessária para a compreensão desses Mistérios Maiores que guardam as verdades mais elevadas que podemos entender nesse momento. Mais tarde, a Religião do Pai virá. Quando os pioneiros se qualificarem para a iluminação mais elevada inerente àquela religião, o planeta espiritual Vulcano emergirá para a percepção do homem, fato esse decorrente da lei que estabelece que, na seqüência do tempo, eventos exteriores se seguem aos ocorridos nos planos internos. Isso vai significar a revelação da glória e do poder muito além da capacidade atual da mente humana de compreender ou da linguagem humana de descrever.

 

 

MEDITAÇÃO PARA O MÊS SOLAR DE LEO

 

Julho 23 a Agosto 24

 

Regência: Sol

 

Este mês nos acerca ao próprio Coração do Universo, e, assim como nossos corpos sentem o calor ou o frio dos Raios do Sol físico, nossos corações sentem as irradiações de Amor que vêm do Sol Espiritual, porque o coração é o lar do Amor.

 

Estas são as vibrações astrológicas de que o Signo de Leo é depositário, para penetrar toda a humanidade e tudo o que vive sobre a Terra.

 

O Sol Espiritual neste mês nos diz:

 

VALOR – que tenhamos valor em nossas convicções;

 

FORÇA – que tenhamos a força nascida de um caráter nobre;

 

GENEROSIDADE – que a pratiquemos mas nascida do desinteresse;

 

LEALDADE – que sejamos leais a tudo que é nobre e verdadeiro.

 

Tais virtudes formam os degraus da Escola da Vida pelos quais subimos, à semelhança do Cristo Senhor, partilhando com os demais as bênçãos que recebemos.

 

“Não julgueis segundo as aparências, mas julgai segundo a reta justiça”.

São João, 7:24

 

 

 VIRGEM

  

 

MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE VIRGEM

 ( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

 

A  Mãe Imaculada de todas as religiões do mundo acha-se representada no céu pela constelação de Virgem. Esse Eterno Símbolo Feminino é Ísis do Egito, Ishtar da Babilônia, Minerva da Grécia, Maya da Índia e Maria de Belém.

 

A líder feminina da Hierarquia de Virgem é a Mãe Cósmica do planeta. Para o homem, ela é a personificação do mais elevado princípio divino feminino. As supremas Mestras que vieram à Terra como as Madonas das maiores religiões do mundo são levadas a esse exaltado Ser para serem instruídas no mistério da Concepção Imaculada.

 

A representação pictórica da Virgem é uma donzela carregando numa das mãos um feixe de trigo e segurando na outra uma jóia magnífica, a bela estrela azul e branca Espiga, uma estrela de primeira grandeza. As radiações espirituais dessa estrela foram reconhecidas por muitos dos antigos. Eles construíram Templos dedicados à sua luz celestial onde poderiam receber sua bênção especial. Quando Espiga for novamente contactada, dessa feita por uma raça mais sensível e espiritualizada, o homem realmente estará sob o mais profundo significado da Imaculada Concepção. Como  Mãe Cósmica, é incumbência do signo de Virgem guiar a humanidade nos caminhos da pureza e despertar os elevados veículos do homem através das correntes etéreas mais elevadas em potência que qualquer uma jamais gerada em seu corpo.

 

Espiga significa um feixe de trigo e, assim, descobrimos que tanto o trigo como as estrelas são símbolos associados com Virgem e com as diversas Madonas. Eles não são meramente símbolos ornamentais, mas a insígnia verdadeira dos poderes possuídos por aqueles que tenham alcançado a condição espiritual onde as potências criadoras masculina e feminina acham-se unidas.

 

Belém significa a casa do pão. Uma das mais belas histórias relacionadas com o casamento místico é o relato bíblico sobre Ruth e Boaz. Ruth foi a Belém colher trigo ( o pão da vida ), e levou sua oferenda a Boaz, colocando-a a seus pés. Foi por meio de sua oferenda que ela tornou-se capaz de receber instruções de Boaz, seu professor espiritual, e,  mais tarde, sob sua orientação, receber o ritual exaltado do Casamento Místico.

 

Acha-se estabelecido na doutrina esotérica que o trigo foi um presente de Vênus para a Terra. É uma planta capaz de se reproduzir sem polinização, uma vez que contém em si os dois poderes criadores, um poder propriamente semelhante ao do Senhor Cristo que contém dentro de Si o poder andrógino. Com relação a isso, é interessante notar que o trigo e a Cristandade acham-se intimamente relacionados, pois onde o trigo não crescer, a Cristandade não florescerá.

 

De acordo com a bela lenda grega, os deuses e deusas abandonaram um a um a humanidade após sua descida ao materialismo, até que apenas Astrea, a deusa da justiça, restou. As condições finalmente tornaram-se tais que ela também teve que sair por um tempo e recomeçar nos céus, onde  foi transformada na constelação de Virgem. De lá, entretanto, ela continua a guiar e abençoar o mundo e a humanidade.

 

Virgem é o sexto signo, o significado numérico do seis entrando numa nova vida através do serviço. Na verdade, tem-se dito que “A Sabedoria Secreta está oculta no número. O número esconde o poder de Eloim”.  E Virgem é um signo mental. É governado por Mercúrio, o planeta da razão, que encontra seu lugar de exaltação nesse signo. Ele dá

 

a vivacidade mental que, em sua expressão inferior, inclina-se para o criticismo, mas, em seu aspecto mais elevado, torna-se construtivamente analítico.

 

O primeiro passo na conservação da força vital é pelo auto-controle. O segundo passo é a transmutação. A conservação é realizada pelo princípio da força de vontade masculina; a transmutação é obtida pela elevação do princípio do amor feminino. Esse trabalho está descrito no antigo símbolo da donzela ( Virgem ) fechando a boca de um leão ( Leo ).

 

Um nativo iluminado de Virgem responde à exaltação de Mercúrio neste signo, que transforma o conhecimento em sabedoria, pois sabedoria é conhecimento da alma. Virgem personifica o princípio feminino, sempre associado a sacrifício. Voluntariamente, ele se submete, como o pólo negativo da energia divina, a um ritmo vibratório inferior para que o princípio masculino, o pólo positivo, possa obter uma forma pela qual se manifeste. É esse princípio feminino que é sacrificado pelo bem do mundo, assim como na descida divina do Senhor Cristo, a Terra e seu povo poderão resgatar a luz perdida e alcançar a vida mais abundante.

 

Virgem é o signo da pureza e do serviço. Sua pureza engloba a do alimento que nutre o corpo e a que embeleza a vida. “Aquele que se humilhar será exaltado.”

 

A palavra-chave bíblica de Virgem é: “Aquele que quiser ser o maior de todos deve ser o servo de todos.” O serviço, simbolizado pelo grão dourado de trigo, preenche o tesouro espiritual do nativo de Virgem que os ladrões não podem arrombar e roubar.

 

Virgem é também o signo da cura, um poder que vem com uma vida pura e espiritualizada.  É o signo da Mãe Terra ( Virgem é um signo de terra ) que protege e nutre seus filhos como o fez a Diana dos gregos. Todos os filhotes de animais vivem os primeiros meses sob a benéfica influência do aspecto materno de Virgem. No Cristianismo, entretanto, Virgem é, acima de tudo, o signo da Imaculada Concepção.

                                                                                     

 

MEDITAÇÃO  DE MT. ECCLESIA PARA O MÊS SOLAR DE VIRGO

 

Agosto 24 a Setembro 23

 

Regência: Planeta Mercúrio

 

Virgo diz:

 

SERVIÇO, fundamentado em PUREZA – RAZÃO – DISCERNIMENTO . Esta é a clave para este mês Solar.

 

Divinos são os impulsos que nos chegam nesta época astrológica, porque seu propósito é preparar-nos para servir como Cristo, o Bom Pastor, que nos ensinou que somente quando o coração é puro e pleno de renúncia de si mesmo, se entrega às mais nobre das causas: servir desinteressadamente.

 

Quando possamos distinguir entre o verdadeiro e o falso, por meio da razão chegaremos realmente a ser amigos do Sublime Pastor.

 

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros por amor.”

      -São Paulo, Gál, 5:13

 

  LIBRA

 

 

MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE LIBRA

( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

Cada nação tem celebrado o Ano Novo relacionado com a passagem do Sol por determinado ponto na eclíptica. Esses pontos são quatro, denominados pelos astrônomos de Solstícios e Equinócios. Alguns celebram o Ano Novo no Equinócio da Primavera; outros no Equinócio do Outono; outros ainda no Solstício de Verão ou Inverno.

 

Os antigos Hebreus criaram dois calendários, um laico e outro sacro. O Ano Novo do calendário laico mais antigo começa no mês de Tishri próximo ao Equinócio do Outono. O Ano Novo sacro, que eles parecem ter adotado dos Babilônios, mas que foi sancionado por Moisés (Êx.13:4), cai próximo ao Equinócio da Primavera. Sua festa da Páscoa era celebrada em observância àquela estação. As festas hebraicas eram todas determinadas pelas posições relativas do Sol e da Lua e a Lua Nova era contada no primeiro dia de cada mês.

 

Embora essa disposição enfatizasse a influência lunar de Jeová, ela era esquematizada por Iniciados que entendiam a correlação entre as forças espiritual e material. O Ano Novo laico e o Dia da Expiação ou julgamento eram celebrados na estação do Equinócio do Outono, e ainda são observados desse modo. Eles eram harmonizados a forças que fluíam através do universo com particular intensidade naquela ocasião, e impactavam a terra de modo especial. A constelação na qual o Sol cruza o equador celeste no Outono (hemisfério norte) é Libra, o signo da Balança no simbolismo astrológico e associado a ideais de justiça e equilíbrio.

 

Desde a vinda do Cristo espiritual, a ênfase faz-se sobre o Sol, o calendário solar e o Equinócio da Primavera, mas isso não tem alterado as verdades conhecidas pelos antigos Iniciados. Para os neófitos no Caminho da Santidade que conduz à Iniciação em Cristo, há ainda o Ano Novo espiritual celebrado no Outono, na ocasião em que o Sol cruza o equador celeste.

 

De acordo com a lenda astrológica Cristã, que naturalmente busca correlacionar os fenômenos astronômicos com os ensinamentos bíblicos, Virgem e Escorpião estavam unidos numa mesma constelação antes da Queda. Depois da Queda, eles se separaram e Libra foi inserida entre eles. A configuração astronômica para essa lenda é ainda perceptível no céu. A constelação de Virgem é uma das mais extensas no céu espiritual, atingindo no seu estado natural  cerca de vinte e quatro graus do signo de Virgem, através do signo de Libra, a cinco graus do signode Escorpião, como são medidos hoje em dia quando o Equinócio da Primavera acha-se a cerca de dez graus de Peixes.

 

Os estudantes poderão observar que fazemos uma distinção entre a constelação e o signo. As constelações são as estrelas visíveis aos olhos. Os signos são divisões matemáticas arbitrárias do espaço, medidas a partir do Equinócio da Primavera ao longo da eclíptica em segmentos de trinta graus. O primeiro deles chamado de Áries, o segundo de Touro, o terceiro de Gêmeos e assim por diante, através do Zodíaco. Em um momento, essas divisões matemáticas do espaço ao longo da eclíptica, o caminho do Sol, coincidiam com o Zodíaco natural como aparece no céu. Os Gregos, de acordo com o restante do mundo antigo, usavam primeiro o Zodíaco natural, mas depois mudaram para as divisões matemáticas equalizadas por conveniência astronômica. Diz-se que Hipparchus liderou essa mudança, mas arqueólogos mostraram que os Babilônicos já usavam as doze divisões do Zodíaco da época de Hipparchus, e tornou-se evidente que os Babilônicos também calculavam a relação da precessão dos Equinócios ante de Hipparchus. No que diz respeito à civilização européia, entretanto, o sistema moderno de signos iguais suplantou as mais antigas divisões desiguais do zodíaco natural na época de Hipparchus (século dois A.C.), e o primeiro tem sido usado na astrologia ocidental desde então.

Para os Gregos, o signo de Virgem era Astrea, a Virgem dos céus. Ela segura em suas mãos os Pratos da Justiça (Libra) que estendem-se até a área dos céus que hoje chamamos de Escorpião. Outro sistema chama Libra de “As Garras do Escorpião”, pelo mesmo motivo.

 

Assim, Libra representa o marco miliário no local da decisão da alma, apontando a única direção no caminho da pureza, da castidade e da Concepção Imaculada como simbolizadas em Virgem. Na outra direção, aponta para a “queda” na procriação como simbolizada por Escorpião, o signo da oitava casa  que ordena que todas as formas humanas concebidas pelo modo atual de geração têm que morrer.

 

Esta hora de cada um ter de escolher o seu caminho, todos os neófitos vão enfrentar, como um campo de provas. Antes, ele será julgado digno de receber a luz que sua alma anseia. Os Egípcios representavam esse estado de consciência pela figura do homem de olhos vendados caminhado na direção de um precipício onde enorme crocodilo o aguardava. Nenhum outro símbolo pode verdadeiramente melhor retratar a atual condição da humanidade. Cego dos seus cinco sentidos, o homem apressa-se imprudentemente para a beira da destruição onde a boca escancarada do materialismo (o crocodilo) está pronta para devorá-lo.

 

A personificação da justiça (Libra) é convencionalmente retratada de olhos vendados porque a ação da justiça é impessoal. Não é movida nem por preferência nem por preconceito, colocando-se acima tanto da predileção emocional quanto do preconceito mental de modo semelhante, vendo com clara visão interior os resultados de causas passadas de sucessivos ciclos de renascimento. Quando a visão espiritual tornar-se uma capacidade comum à raça, a justiça deixará de ser representada com olhos vendados. Mais exatamente, virá com olhos abertos, destemida e compadecidamente, contemplar o homem e seu mundo.

 

Em outras constelações do Zodíaco, encontramos simbolizada a Queda do Homem. A Cristandade Esotérica reconhece que isso era também um fenômeno cósmico desse próprio globo físico em sua relação para com o universo e a humanidade que habita a Terra. Uma vez que cada homem é um cosmo em miniatura, ele também incorpora a história da Queda planetária. Quando ele, homem, entra no Caminho da Iniciação, conhecido na Bíblia como “o caminho da santidade”, ele parte da Queda Cósmica para encontrar seu caminho de volta ao estado Edênico.

 

Lendas santas contam que, antes da guerra no Céu e da queda de Lúcifer e seus Anjos, o Sol achava-se diretamente sobre o equador terrestre e a Lua permanecia cheia. Não havia mudanças de estações; o dia e a noite eram  de igual duração. Essa foi a Idade de Ouro.

 

Coincidente à queda de Lúcifer, houve um acontecimento cósmico: o eixo da terra moveu-se para a sua posição atual. Está agora inclinada 23 graus e meio em relação ao equador celeste. Essa mudança de posição ocasionou a mudanças das estações. A natureza da Queda também levou a uma descida gradual do estado etéreo no qual vivia o homem Edênico, para as condições materiais densas que temos hoje. À medida que o Homem seja redimido através da regeneração,  a terra irá vagarosamente endireitar-se e tornar-se mais e mais etérea.

 

Assim, o nosso Globo permanece entre o impulso de Virgem e o seu governante (Mercúrio) de um lado e o Escorpião e seu governante (Marte) do outro. Que a derradeira conquista será de Mercúrio sobre Marte (a mente sobre a matéria) acha-se indicada pelo fato de que em sua evolução a terra já passou pelo que os ocultistas chamam de “A Metade de Marte” do Período Terrestre e já entrou na “Metade de Mercúrio”. Paralelo à evolução do planeta, está o progresso dos reinos da natureza evoluindo a partir disso, um desenvolvimento que terá culminância na vida da humanidade, a onda de vida astrologicamente correlacionada com a constelação de Peixes.

 

 

MEDITAÇÃO DE MT. ECCLESIA  PARA O MÊS SOLAR DE LIBRA

 

Setembro 23 a Outubro 24

 

Regência: Planeta Vênus â

 

“Parai e conhecei que Eu Sou DEUS” - é o pensamento que nos chega neste mês Solar. Somente sossegando a personalidade pode o Eu verdadeiro, que é o Deus Interior, falar-nos e amar-nos.

 

Meditar nas palavras-clave:

REPOUSO – EQUILÍBRIO – JUSTIÇA – ESPERANÇA – HARMONIA ,

ajuda-nos a sossegar a personalidade e a equilibrar as atividades da vida.

 

A meditação ajuda-nos a estabelecer o equilíbrio, e estamos todos trabalhando para alcançar o plano espiritual, no qual não sejamos perturbados pelas condições exteriores e em que seremos corretos em nossos juízos.

 

O Amor é o Fator Básico do Equilíbrio – e DEUS é Amor.

 

“Tu guardarás em completa paz aquele cujo pensamento a ti foi confiado”.

Isaias, 26:3

  

Escorpião

 

 MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE ESCORPIÃO


 ( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

                         

Desde o início do Período Terrestre, a criativa Hierarquia de Escorpião tem dado à humanidade padrões das formas de pensamento cósmico. Por esses padrões, o homem tem aprendido a construir seus corpos característicos. Por isso, os membros da Hierarquia de Escorpião são denominados Senhores da Forma. O Dr. Rudolf Steiner diz que a mente cerebral do homem nada mais é que uma taça para se imergir nesses pensamentos arquetípicos.

 

Nos primeiros dias da evolução humana, os estudantes do Templo de Mistérios podiam contatar diretamente as Hierarquias Celestiais e observar o enorme serviço que elas estavam prestando à raça humana. Por esse motivo, a mensagem das estrelas foi incluída entre os estudos do Templo, e nenhum candidato tinha permissão para receber essas instruções sem uma longa e árdua preparação.

 

Transmutação é a palavra-chave dominante de Escorpião. Durante o período entre o Equinócio de setembro e o Solstício de dezembro, quando a força dourada de Cristo está penetrando mais profundamente nesta esfera, o Arcanjo Miguel, segundo apenas em glória e poder ao Próprio Cristo, acha-se empenhado em limpar e transmutar o acúmulo dos desejos malignos do homem que pendem como uma escura nuvem de miasma sobre a Terra. Juntos, eles purificam e transmutam as formas de pensamentos negativos do homem que permeiam a atmosfera mental do planeta. Devido ao trabalho que executam, pensamentos e substância de desejo mais pura tornam-se disponíveis para o uso do homem na construção de corpos mental e astral mais fortes. Esses, por sua vez, penetram e fortalecem seus veículos etéreo e físico.

 

Escorpião é o signo enigma do Zodíaco. Ele tem dois símbolos: um escorpião, que carrega o ferrão da morte em sua cauda, e uma águia que pode voar mais perto do Sol que qualquer outra ave. Esses símbolos retratam dois aspectos amplamente divergentes deste signo. Sob a influência do escorpião, o homem pode descer às profundezas da degradação; sob a influência da águia, sua natureza inferior é transmutada, podendo ele, assim, subir a maiores alturas espirituais.

 

Outro aspecto do paradoxo de Escorpião são as influências da água e do fogo exercidas através deste signo de elementos opostos, pois Escorpião, um signo aquoso, é governado pelo ígneo planeta Marte. Esta é mais uma indicação das propriedades místicas de Escorpião e do papel que ele tem na regeneração que precede a iluminação. A última só pode ser realizada depois que os princípios água e fogo tiverem chegado a uma união harmoniosa.

 

Tal união foi demonstrada quando o ígneo Raio do Cristo arcangélico tomou posse do corpo do Mestre Jesus. Como um membro da raça humana, Jesus veio sob a Hierarquia de Peixes, estando assim sintonizado com o princípio da água. O que foi posteriormente realizado pelo Ser composto conhecido como Cristo Jesus foi a suprema demonstração do estado ideal, um certo grau de entendimento que toda a humanidade vai ter quando tiver aprendido a combinar os princípios do fogo e da água. Cristo ensinou esta verdade a Nicodemus quando Ele disse:  “A menos que o homem nasça da água e do espírito, não poderá entrar no reino de Deus”, sendo o espírito o princípio do fogo.

 

As condições externas nunca serão dominadas até que as forças interiores opostas e discordantes sejam harmonizadas. Uma vez tendo isso sido feito, o mistério amplamente oculto de Escorpião será revelado. Geração será transmutada em regeneração, de modo a não haver repetição das tragédias como as de Caim e Abel , e Salomão e Hiram Abiff. Os fatores que dividem essas correntes opostas da humanidade terão se rendido ao princípio que a todos une em harmonia. Em muitos mitos e lendas, tanto religiosos como profanos,  este preceito está diferentemente mostrado. Mas, apenas através de um estudo da ciência espiritual das estrelas, pode o seu significado ser compreendido com segurança e clareza.

 

Os Antigos Egípcios, que eram muito versados nos profundos mistérios do conhecimento das estrelas, divulgaram nas pinturas ensinamentos sobre polaridade para que aqueles que não podiam apreendê-los como ciência pudessem deles ter conhecimento intuitivamente através de símbolos apropriados. O seu glifo para Escorpião era o de um esqueleto dentro de uma sepultura aberta atravessada por um arco-íris. Num horóscopo, Escorpião governa a oitava casa, a casa da morte. Mas a casa da morte é também a casa da regeneração. Nela são encontrados ambos o escorpião e a águia. Formas imperfeitas e impuras são levadas à morte. Isso é beneficamente verdade porque nem tudo o que pertence a esse plano é digno de imortalidade. Só a essência da experiência mortal, agregada e incorporada à natureza superior do homem, assimilada, isto é, em sua alma, se torna imortal. É através do poder de Escorpião para realizar a regeneração que um espírito encarnado é capaz de utilizar as formas físicas e a morte inerente a elas como degraus para alcançar uma vida superior e renascer em veículos possuindo elementos de imortalidade.

 

Retornando ao esqueleto como um símbolo dos poderes de Escorpião, encontramos que ele também representa as obras da lei cármica. Nesse aspecto, se apresenta como uma segadeira para ceifar a humanidade; em outras palavras, para remover as formas que são transitórias por natureza. Mas ele também revela que, enquanto a vida não tenha sido identificada com essas formas, não depende delas para a sua existência. Em meio às formas sendo ceifadas, surgem novas mãos, pés e braços, indicando a supremacia do espírito sobre a matéria e apontando para a lei cíclica do renascimento. O arco-íris que atravessa a sepultura é o símbolo da imortalidade. A esse respeito, apresenta-se ainda outra marca do aspecto regenerativo de Escorpião: a promessa de um tempo quando não mais existirão o sofrimento, a dor e a morte.

  

“ O ESPÍRITO JAMAIS NASCEU !


S A G I T Á R I O

 

  

MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE SAGITÁRIO

(Do Livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline)

 

Sagitário, assim como Escorpião, é de natureza dual. Seu símbolo pictórico é um centauro, metade cavalo, metade homem. O primeiro simboliza a natureza inferior do homem; o último, sua natureza superior. O espírito imortal sempre aspira os planos superiores a despeito de parecer o contrário. Por ora, a humanidade elegeu seguir o caminho da materialidade (Escorpião) em vez do caminho da espiritualidade (Virgem). Sagitário tem sido o signo da promessa, da esperança e da aspiração.

Basil Valentine, um antigo Iniciado Rosa Cruz, ilustrou a história da Iniciação com uma série de quadros. Neles, Sagitário é representado por um número de lâmpadas sempre queimando, um hieróglifo que chama a humanidade a elevar-se além da materialidade e obter união com a Divindade para que possa compartilhar do verdadeiro êxtase espiritual.

É interessante notar que quando o fogo espinhal espiritual eleva-se do nível da geração ao plano de regeneração, o ponto onde ele deixa o nível de geração é o plexo sagital localizado na base da espinha dorsal regida por Sagitário.

O signo de Sagitário é governado por Júpiter, planeta da benevolência e expansão. Ele aponta o caminho para o nascimento do Cristo Cósmico que ocorre anualmente na Noite Santa, quando o Sol deixa Sagitário para entrar no primeiro decanato de Capricórnio.

O símbolo pictórico de Sagitário mostra que a metade humana do Centauro mira uma seta para as estrelas. Esse pictograma acha-se modificado numa representação do Cupido, deus do amor, mostrado originalmente com sua seta apontada para a glândula pineal em vez de para o coração. Mais tarde, como o homem perdeu consciência de seu objetivo espiritual elevado, e as afeições centravam-se no pessoal mais do que no princípio, o dardo de cupido foi redirecionado para o coração em vez do centro espiritual localizado na cabeça.

Sagitário correlaciona com o Vau Hebreu, significando Sol ou olho. Essa letra representa brancura e brilho, a luz espiritual de Gênesis e Revelação. É a luz que brilha nas trevas, mas as trevas não prevaleceram contra ela. O símbolo do Tarô para Vau é um homem de pé entre duas mulheres. Uma delas está coroada com ouro do espírito e a outra com a vinha, símbolo do falso espírito. O fruto da vinha estimula o corpo do homem a um êxtase, mas seu impulso por uma tal experiência é sua resposta equivocada da personalidade ao chamamento de seu ego. Thomas De Quincy tornou isso claro em seu “Confessions of an Opium Eater”, a separação da mente da personalidade e sua ligação com a espiritualidade  é o estímulo de Sagitário; e esse é o propósito e o fim da Grande Obra. A Maçonaria Moderna adotou esse símbolo para reproduzir a mesma idéia.

Daí poder-se ver que a mensagem das estrelas revela o caminho da evolução para toda a humanidade. Para a massa semi-adormecida, o Caminho dá voltas e mais voltas em torno da montanha do objetivo; mas para as almas despertas há um caminho curto, estreito e direto que leva ao cume.

Sagitário rege a mente superior do homem, a mente capaz de raciocínio abstrato. A nota-chave bíblica é encontrada na admoestação de Paulo: “Deixe sua mente estar com você, a qual está também em Cristo Jesus”.

Na mitologia grega, a virgem Ariadne leva Teseu para fora do labirinto por meio de um fio. Tanto a virgem quanto o seu fio perderam-se para o homem moderno, mas a intuição superior de Sagitário os substitui, pois a intuição espiritual (o fio) é, de fato, a essência da razão. Quando, havendo percorrido o circuito do Zodíaco, um espírito libertado retorna ao ponto de partida, onde encontra a Virgem dos Céus esperando-o como Ariadne esperou Teseu segundo o antigo mito.

 

 

Meditação de Mt. Ecclesia para o Mês Solar de Sagitário

 

Novembro 23 a Dezembro 22

 

Regência : Planeta Júpiter 

 

Todos nós, no fundo da alma, sabemos que somos uma parte de Deus e que é nosso destino desenvolver-nos à semelhança de Sua Perfeição; e no recôndito de nosso ser subsiste o desejo de conhecer Deus e unir-nos à Sua Luz.

 

As palavras-clave para este mês representam as qualidades que aumentam essa aspiração. São elas:

 

IDEALISMO – REVERÊNCIA – BENEVOLÊNCIA – BONDADE – GENEROSIDADE .

 

A meditação sobre essas palavras-clave ajuda-nos a preparar-nos e a apressar o dia da consecução do que desejamos, porque “o obreiro é digno de seu salário”.

 

“Assim, resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus”.

São Mateus, 5:16

  

  

C A P R I C Ó R N I  O

 

 

 

 

 MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE CAPRICÓRNIO

 ( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

O corpo físico da Terra alcança suas mais elevadas vibrações quando o Sol entra em Capricórnio. O símbolo pictórico para esse signo é uma cabra. A cabra foi o animal oferecido em sacrifício durante a Idade de Áries, quando o Solstício de Inverno estava na constelação de Capricórnio. Esses sacrifícios antigos têm sido sublimados em seus equivalentes espirituais, mas seu significado esotérico, o significado conhecido pelos candidatos às Iniciações, tem sempre sido o mesmo. Mesmo para os Antigos, uma cabra simbolizava sabedoria devido ao reconhecimento geral de que a conquista no caminho se faz apenas através de sacrifício.

 

Nos antigos cerimoniais israelitas, duas cabras eram sacrificadas pelos pecados do povo. Uma era sacrificada diante do altar, enquanto a outra era carregada com seus pecados e levada para o deserto depois das imprecações sacerdotais terem sido colocadas sobre ela. A cabra que era sacrificada representava o estreito e reto Caminho da Iniciação, seguido por poucos, ao passo que a outra era uma referência ao lento progresso do homem através do impulso evolucionário feito sem ajuda.

 

O ritual das Duas Cabras também mostra uma verdade quando destaca a expiação vicária tal como foi promulgada posteriormente por Cristo Jesus, quando Ele tomou para si mesmo os pecados da humanidade. Esses pecados haviam se tornado por demais pesados para os humanos carregarem sozinhos e não poderiam ser liquidados sem assistência divina.

 

Saint Germain representou Capricórnio em um quadro exibindo uma brilhante aurora boreal em ambos os lados de um fundo negro, sobre o qual brilhava uma estrela solitária.

 

Em sua bela canção de amor, Salomão compara os dentes de sua amada a um rebanho de cabras e também ao agrupamento de fogueiras ao lado dos vinhedos de Engedi, um nome com o significado de fonte das cabras que, por sua vez, refere-se às águas da vida eterna. Isso dá um significado mais profundo a muitas referências bíblicas sobre as águas da vida. Davi queria beber as águas de Belém. Os israelitas deixaram, por certo tempo, suas águas próprias naturais por estranhas águas frias. Cristo disse à mulher no poço de Samaria que se ela bebesse da água que Ele lhe deu, ela jamais voltaria a ter sede.

 

Todas essas referências acham-se correlacionadas com o simbolismo espiritual de Capricórnio. Falando de modo místico, há dois “portões” através dos quais os egos passam ao entrar e sair do corpo físico. Cosmicamente, esses são os portões de Câncer e Capricórnio. Os egos adquirem para si trajes de carne através dos poderes de Câncer e da Lua porque Câncer é o signo da Madona cósmica e a Lua é seu regente. Através dos poderes do signo oposto do Zodíaco, Capricórnio, que é regido por Saturno, o ceifador, ocorre a dissolução do corpo mortal do Ego, liberando-o desse modo para que possa retornar aos planos superiores. O fluxo de almas descendo e ascendendo através desses dois portões celestiais é a realidade cósmica do que Jacó viu em sua visão. A história bíblica diz que Jacó viu Anjos subindo e descendo a escada; mas escritores da Bíblia usaram o termo anjo no mesmo significado como agora é geralmente usado para indicar muitas classes de seres não materiais, incluindo egos desencarnados.

 

Cada constelação tem seu lado sombrio que pertence, não às estrelas, mas à terra sobre a qual a sombra cai. A espiritualidade capricorniana não despertada manifesta um forte desejo para adquirir poder pessoal. Os desse signo freqüentemente buscam poder para eles mesmos, seja esse poder material ou espiritual. Os capricornianos são, por isso, inclinados a ser ambiciosos, embora não tanto pelas coisas materiais em si, mas pelo poder inerente a essas possessões.

 

As notas-chaves bíblicas para Capricórnio são “Abençoado é o pobre de espírito, pois dele é o Reino do Céu” e “Abençoados são os mansos, pois herdarão a Terra”.

 

Tem sido dito que Capricórnio cobre três estágios distintos da evolução humana, isto é, o dos escravos, o dos capatazes de escravos e o dos donos.

  

   

Meditação de Mt. Ecclesia  para o Mês Solar de Capricórnio

 

Dezembro 22 e Janeiro 20

 

Regência : Planeta Saturno

 

O ano passado fica para trás e diante de nós estende-se o Novo Ano, como uma folha em branco em que poderemos escrever nossas resoluções para o futuro.

 

E é preciso que examinemos o coração , do ponto de vista das experiências  do ano que passou, para extrair o que nos espera: dias cheios de novas e ilimitadas possibilidades de saúde espiritual e física.

 

Assim como a criança tem que aprender a andar, também o homem deve aprender a utilizar as coisas da natureza que lhe propiciem crescimento e progresso no Plano da Evolução – para começar corretamente, pois tomamos como claves para este mês as palavras:

 

REFLEXÃO – FIDELIDADE – CONSTÂNCIA NAS BOAS OBRAS 

 

a fim de estabelecer estas virtudes em nossas Almas.

 

Este será outro passos no viver segundo as Leis Divinas da Natureza. E se vivermos integralmente segundo elas, nos elevaremos ao Plano  em que não se encontra a enfermidade, nem a dor, nem a ignorância.

 

“Velai e estejas firmes na Fé; portai-vos varonilmente e esforçai-vos”

-São Paulo, I Cor., 16:13

 

  

A Q U Á R I O

 

 


MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE AQUÁRIO

 

( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

 

O símbolo pictórico de Aquário é o Portador de Água, um homem vertendo, de um vaso, a água da vida, despejando-a sobre a terra para seu revigoramento e sua renovação.

 

Aquário rege a aurora da Nova Era. O Sol, pela precessão, já tocou a aura de sua influência eletrizante e, como resultado, a vida humana, em todos os seus aspectos, está experimentando uma tremenda aceleração.

 

Através de seu regente planetário, Urano, Aquário governa as forças mais sutis da Natureza. Por conseguinte, sob sua inspiração, o mundo material vem sendo transformado pelas forças extraídas das fontes de luz e de poder tal como os encontrados na eletricidade e nas forças do átomo agora liberadas. Similarmente, processos que aceleram e despertam os poderes latentes da mente e da alma do homem estão sendo ativados na medida em que os  ensinamentos da Iniciação vão sendo a ele retornados.

 

O Portador de Água é uma figura andrógina na qual os princípios masculino e feminino acham-se igualmente combinados. O resultado psicológico deste estado de equilíbrio é uma relação perfeitamente balanceada entre os sistemas nervosos simpático e cérebro-espinhal. Na terminologia da Iniciação, esse desenvolvimento é conhecido como o Casamento Místico. Uma versão bíblica do processo envolvido é o milagre de Canaã, quando Cristo transforma a água em vinho. Uma concepção simbólica dessa fase da Iniciação é dada por Saint Germain e ela retrata um mar tempestuoso sobre o qual brilham oito estrelas reluzentes. Uma figura feminina despida acha-se parada com um pé sobre a terra e o outro sobre o mar. Segura duas conchas em suas mãos; de uma jorra bondade e, da outra, caridade, qualidades que promovem amizade e fraternidade. Sobre sua cabeça, acha-se uma estrela de oito pontas, formando uma pirâmide em seu centro; uma parte dela é branca e a outra, preta, simbolizando os dois aspectos da lei oculta. Perto da mulher, há uma planta com três botões desabrochados e sobre ela paira uma borboleta com as asas abertas. O símbolo, num todo, indica vida mais rica e os poderes ampliados que Aquário irá doar à humanidade. É sob esse signo que o homem se move na direção do estado de super-homem, e, através desse poder, o reino humano fará nascer um quinto reino, o reino das almas.

 

O símbolo do tarô é similar em alguns aspectos ao de Saint Germain. Ele representa a figura ajoelhada de uma mulher carregando uma urna em cada mão. De uma delas, um líquido está sendo derramado no mar; da outra, sobre a terra. Logo atrás dela, aparece o glorioso reino descrito por São João como o novo céu e a nova terra. Sobre sua cabeça, está a luz brilhante de uma estrela de oito pontas. Em baixo da figura, acha-se a inscrição:  “Aquele que quiser entrar aqui terá que morrer para o seu eu inferior.” E assim continua para declarar que, pela contemplação ( um grau mais profundo de meditação), os olhos da alma se dirigirão do reino exterior das aparências para o reino interno da realidade. A interpretação oculta do líquido sendo despejado sobre a terra e o mar é a abundante chuva do éter de Cristo, pois o Cristo está se aproximando mais da Terra, e os éteres espirituais estão se tornando mais densos, com efeitos mais potentes. O derramamento deles está tornando mais fácil para o homem despertar, em seu interior, seus próprios poderes Crísticos, os quais ele poderá usar para ajudar os outros. E também para apressar a volta do Senhor.

 

São Paulo se referiu ao trabalho natural da lei espiritual quando disse que há leite para os bebês e carne para o homem forte. Toda grande religião universal tem duas fases de ensinamento: profundas verdades esotéricas dadas apenas aos poucos que estejam prontos para recebê-las, e uma versão simplificada dessas verdades para as massas. Como o Equinócio de Março se desloca para trás através de cada signo do Zodíaco, a religião dada ao povo em geral está em harmonia com o signo corrente. As verdades esotéricas mais profundas vêm sob o signo oposto, o do Equinócio de Setembro. Por exemplo, a religião Aquariana para as massas será centrada na Paternidade de Deus e na Irmandade do Homem. Os ensinamentos esotéricos reservados para os poucos serão centrados no signo oposto, Leão, cuja nota-chave está biblicamente descrita nas palavras de São Paulo: “ O  Amor é o cumprimento da Lei”.

 

Sob Leão, o coração iluminado ou sagrado se tornará a luz central do corpo, e o poder do amor será o principal fator motivador da vida. Compartilhamento em vez de avareza será o objetivo principal do mundo de negócios, e então a cooperação tomará o lugar da atual competição. A tolerância irá superar o fanatismo e a reabilitação substituirá a pena capital. Cada indivíduo vai colocar o bem do próximo adiante do seu próprio, e o ideal supremo da vida será servir uns aos outros com amor. A nota-chave bíblica para a nova civilização Aquariana pode ser encontrada nas palavras do próprio Cristo: “ Sois meus amigos ”.

 

Aquário é a décima primeira casa, signo da amizade, camaradagem e fraternidade. A Era  Aquariana que está para vir substituirá a ênfase do desenvolvimento espiritual do indivíduo para o grupo. Isso já se faz notar na crescente atenção dada pelas instituições educacionais ao treinamento de estudantes para o serviço social. Nas escolas ocultas, está evidente uma tendência similar. A conhecida declaração de Cristo, “onde duas ou três pessoas estejam reunidas em meu nome, eu lá me encontro entre elas”,  adquire um significado mais profundo à luz do desdobramento Aquariano.

 

Aquário tem dois governantes: Saturno e Urano. O primeiro governa o que é antigo e pertence ao passado. Urano governa tudo o que é novo e pertence ao futuro. Os antigos retratavam Aquário como uma árvore da vida com dois galhos: um galho terminando numa figura indicativa da velhice e representando o produto de Saturno e o outro galho terminando na figura de belo jovem carregando em suas mãos o Cálice Sagrado, símbolo  da realização sob a influência transformadora de Urano.

 

No atual estágio da evolução, toda a humanidade, individual ou coletivamente, está num período de transição, movendo-se gradualmente da antiga ordem estabelecida para a nova civilização emergente. O antigo está desmoronando e o novo está em processo de formação. Conseqüentemente, nada está estabelecido ou estável. Tudo acha-se num estado de transformação. O turbilhão e o conflito  que agora engolfam o mundo emergem das condições perturbadoras e deslocadoras que acompanham a passagem de uma ordem para a outra.

 

É a função de Saturno, o governante do lado material de Aquário, confinar, limitar e prover formas fixas e seguras através das quais as forças da vida do indivíduo e da sociedade possam ser efetivamente canalizadas no plano material. Esta é a sua contribuição construtiva à vida expressa neste plano da existência. Entretanto, uma vez que a vida evolucionante está constantemente expandindo seus poderes, as formas que Saturno fornece necessitam ser trocadas periodicamente por outras de maior elasticidade e maiores dimensões. Urano está junto com Saturno em Aquário e sua tarefa é destruir formas inadequadas e cristalizadas para que outras possam ocupar seu lugar. Urano destrói apenas o que se tornou um impecilho à vida evolucionante e progressista. Por isso, é chamado detransformador.  É também denominado de o planeta de Cristo, porque sua influência é a da Voz em Revelação associada com o impulso redentor de Cristo que declara: “Veja, eu faço novas todas as coisas”.

 

Em todas as partes é preciso que se note as evidências da próxima era de Aquário. Nas ousadas aventuras submarinas e nas do espaço aéreo, e na preparação das viagens espaciais acham-se revelados os impulsos de Urano que começa a penetrar todo o globo. As crianças de hoje em dia falam naturalmente em viajar à Lua, a Vênus ou Mercúrio, assim como falavam , tempos atrás, em irem a cidades ou lugares nos estados onde nasceram. Como a preparação para a exploração de outros planetas requer planejamentos longos e árduos e disciplina severa, assim também preparativos semelhantes são necessários para o discípulo da Nova Era. Como os cientistas procuram explorar reinos externos de outros planetas que correspondem ao corpo físico da Terra, também os discípulos da Nova Era estão sendo preparados para entrarem em corpos espirituais mais refinados tanto da Terra quanto de outros planetas.

 

As forças dos dois éteres superiores estão se tornando muito mais potentes em sua influência sobre a humanidade. O Éter de Vida ajuda no desenvolvimento da percepção extra-sensorial enquanto o Éter Refletor desperta uma força latente no discípulo na preparação para a Iniciação.

 

Não está tão distante a época em que a palavra Iniciação será bem conhecida e o trabalho de Iniciação recuperará o seu lugar de suprema conquista na vida espiritual. Uma evidência dessa tendência pode ser notada no fato de que, em inúmeras igrejas ortodoxas, grupos de pessoas têm sido formados para estudarem e desenvolverem suas faculdades espirituais latentes no homem que até agora tinham sido vistas como pertencentes exclusivamente ao reino da metafísica e, portanto, bastante distante da esfera da religião como é hoje compreendida.

 

 

Meditação de Mt. Ecclesia para o Mês Solar de Aquário

Janeiro 20 a Fevereiro 19

Regência: Planetas Saturno å  e Urano æ

O Sol, em seu trânsito pelo Zodíaco, nos traz cada mês as radiações de uma das Hierarquias Criadoras que nos ajudam a desenvolver as forças da Chispa Divina de nossa Alma.

Se nos esforçamos conscientemente a responder às notas-clave que emitem estas Hierarquias – que são os Grandes Ministros de Deus – chegaremos com maior rapidez à obtenção da saúde , alegria, poder e entendimento.

As lições  que nos dão neste mês são:

ALTRUÍSMO -  Espírito de servir ao próximo.

COOPERAÇÃO  -  Trabalhar em harmonia com os demais.

AMIZADE – Sentir no coração carinho por todo ser vivo, mantendo firmes na mente nossas responsabilidades individuais.

Se andamos em Luz , como Ele está em Luz, teremos comunhão uns com os outros”.

I Epíst. São João, 1:07

 

 

 P  I  S  C  I  S

 

 

 

MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE PEIXES

 

( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )

 

Os egípcios, com seu fabuloso conhecimento a respeito da ciência das estrelas, criaram uma série de gravuras representando simbolicamente o caminho do Cristo Solar através dos doze signos do Zodíaco.

Há duas importantes representações de Peixes no simbolismo do Tarô. Um representa um indivíduo sem sentidos, ilustrado por um homem enforcado, com um pé sobre o joelho oposto, formando assim uma cruz. A outra representação é uma alma iluminada simbolizada por um casal apaixonado em pé, de mãos dadas, e rodeado por uma grinalda de folhas verdes significando a imortalidade. A grinalda indica a ressurreição do Cristo planetário por ocasião do Equinócio da Primavera.

 

Saint Germain comparou a influência deste signo a um cometa brilhante que, misteriosamente, corta o céu como um relâmpago e ilumina, momentaneamente, a Terra que flutua sobre um mar de cor escura, sob o qual acham-se duas mãos entrelaçadas.

 

O símbolo astrológico de Peixes consiste de dois peixes um ao lado do outro, mas com as cabeças em direções contrárias. Um peixe apenas tem sido amplamente usado para simbolizar o Iniciado porque ele vive nas profundezas misteriosas. Na história de Jonas e da baleia, Jonas permaneceu três dias dentro do corpo do animal, uma alegoria da Iniciação. A história é uma descrição velada da introdução aos Mistérios Menores, conforme eram observados nos Templos pré-cristãos. Esse mesmo modelo é repetido na vida de Cristo, que passou três dias nos reinos internos da Terra durante o intervalo entre Sua Crucificação e Sua Ressurreição. Vale relembrar que o símbolo do peixe foi usado como uma senha entre os primeiros cristãos e por eles usado de vários modos como um símbolo místico. O signo de Peixes tem dois regentes, Júpiter e Netuno. Júpiter é o planeta da Lei e da Ordem. Sob sua influência, a Idade de Peixes testemunhou o desenvolvimento da Igreja Esotérica, da qual duas proeminentes características foram a água (Peixes) e o pão (Virgem). Cristo Jesus rasgou o véu diante do Templo da Iniciação no limiar da Idade de Peixes, abrindo a porta para “todo aquele que quisesse” entrar. Os que respondem a esse chamado ficam sob a influência de Netuno, o regente espiritual de Peixes. Sob Netuno, eles aprendem a percorrer o caminho que os conduz à libertação, o tipo de liberdade que pertence aos filhos de Deus, da qual Paulo falou.

 

Em relação ao desenvolvimento do homem, o trabalho da Idade de Peixes tem sido direcionado para a purificação de sua natureza de desejo. Assim, vemos a batalha para o controle emocional e da alma como sendo a mais importante provação dos Santos medievais e dos personagens que aparecem nas lendas do Santo Graal. O mais elevado objetivo do trabalho de Peixes tem sido a transmutação das emoções básicas em poderes anímicos através da devoção, como ilustrado nas visões extasiadas dos religiosos devotos enclausurados.

 

Peixes é o último dos doze signos do Zodíaco e contém o sumário final das experiências cármicas pertencentes a um completo ciclo de vida. Por esse motivo, ele tem sido chamado o signo das lágrimas e do sofrimento. Vênus, o planeta do amor pessoal, é exaltado em Peixes. Quando o amor pessoal dos nativos de Peixes é egoísta e possessivo, um Jardim de Getsêmane lhes é muito familiar. A nota chave bíblica de Peixes para esse aspecto é: “Seja feita a vossa Vontade e não a minha.”  Só através de completa submissão e renúncia é que os portões do Jardim do Sofrimento serão fechados para sempre. 

 

 

Os dois peixes ligados que representam Peixes contêm um profundo significado esotérico. No seu mais alto significado, eles indicam um estado perfeito de equilíbrio. Nas duas colunas do corpo, o templo físico (os dois sistemas nervosos) a força da direita e da esquerda interagem em harmonia, estabelecendo o equilíbrio entre a cabeça e o coração. Através do sistema nervoso cérebro-espinhal, o espírito se comunica com o mundo objetivo e, através do sistema nervoso simpático, ele se comunica com o mundo subjetivo.

 

Somente dois signos têm Júpiter e Netuno como seus planetas regentes: Câncer e Peixes. Júpiter governa as forças da alma e Netuno, os poderes do espírito. A peregrinação zodiacal sob Peixes irá unir a essência divina da alma com os poderes do espírito. Esse supremo ideal foi dado à humanidade pela Hierarquia de Câncer e sua consecução será consumada sob a orientação de Peixes. A humanidade perfeita fará sua morada na Constelação de Peixes, apropriadamente descrita por aquela figura de um homem e uma moça, de mãos dadas, dentro de uma grinalda sempre verde. Esses seres perfeitos fizeram jus à vida imortal e à eterna juventude. A nota chave bíblica de Peixes, primeiramente soada pela Hierarquia de Peixes no grande Fiat Criador, “Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança”, ressoará então triunfalmente por toda a Terra.

 

Uma antiga máxima astrológica declara que o nativo de Peixes está tão próximo do monte da pureza e da divindade, por um lado, e do abismo caótico da autodestruição, por outro, que tanto os anjos como os demônios permanecem a seu lado para apressá-lo na escolha do caminho a seguir. O hieróglifo acompanhando esta descrição é o de uma linda mulher. Um gênio acha-se ajoelhado a seus pés oferecendo-lhe as riquezas da Terra, enquanto um anjo paira sobre sua cabeça, oferecendo-lhe tesouros celestiais, retratando, assim, a natureza dual de Peixes. Os nativos desse signo podem planar nas alturas da inspiração e muitas das mais privilegiadas almas do mundo aí se encontram, mas ocorre freqüentemente que seus dons são desperdiçados através de suas indulgências para com as desenfreadas emoções do signo.

Peixes é o décimo-segundo signo. Quem nasce sob essa configuração está completando uma série de vidas terrenas e está, por conseguinte, ocupado em limpar dívidas cármicas engendradas no passado. A vida do pisceano é usualmente rica em várias experiências e sobrecarregada de várias responsabilidades. Vênus, aqui exaltado, proclama que os sofrimentos de Peixes normalmente dão origem a obstinados comprometimentos pessoais. Peixes regenerado significa morte do eu pessoal e vida da alma imortal. A morte mística nesse signo ocorre sob as forças de Netuno, planeta da Iniciação. Os que passam através dessas experiências tornam-se pioneiros da Nova Idade.

 

 

Meditação de Mt. Ecclesia para o Mês Solar de Piscis

 

  Fevereiro 20 a Março 20

 Regência : Planetas Júpiter e Netuno

 

As grandes verdades que os Ministros de Deus estão imprimindo nas Almas humanas , durante este mês solar, são as seguintes:

 Não existe vida que não seja vida de Deus. Assim sendo, somos unos com Ele e com todo outro Ser.

 Ao compreender isto, sentimos igual compaixão para com o amigo ou inimigo, porque sabemos que os dois se esforçam, consciente ou inconscientemente, por expressar a Beleza e o Poder de Deus.

 Só obedecendo às Leis gloriosas de Deus – como foram ensinadas pelo Cristo Senhor – poderemos ser liberados da dor, da pobreza e do pesar.

 Que nossa meditação durante este mês e nossa reflexão diária sejam, portanto, sobre:

 UNIDADE – COMPAIXÃO – OBEDIÊNCIA – LIBERAÇÃO 

 e assim, progrediremos cada vez mais no caminho que nos conduz ao alto fim que nos espera.

 “E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos tornará livres”.

-São João, 8:32

 Fontes: Fraternidade Rosa Cruz e Magia Dourada.

 

 

 

 

 



Maçonaria quinta-feira, jan 26 2012 


Primeiramente o meu maior respeito pela a Maçonaria

”  MAÇONARIA  “

A Maçonaria, que é também conhecida como Franco-maçonaria (nome que tem origem nos mestres de obras das catedrais medievais, conhecidos na Inglaterra como Freestone mason), é, antes de tudo, uma associação voluntária de homens livres, cuja origem se perde na Idade Média, se considerarmos as suas origens Operativas ou de Ofício. Modernamente, fundada em 24 de junho de 1717, com o advento da Grande Loja de Londres, agrupa mais de onze milhões de membros em todo o mundo. É o mais belo sistema de conduta moral, que pretende fazer com que o Iniciado seja capaz de vencer suas paixões, dominar seus vícios, as ambições, o ódio, os desejos de vingança, e tudo que oprime a alma do homem, tornando-se exemplo de fraternidade, de igualdade, de liberdade absoluta de pensamento e de tolerância.

Em função disso, os objetivos perseguidos pela Maçonaria são: ajudar os homens a reforçarem o seu caráter, melhorar sua bagagem moral e espiritual e aumentar seus horizontes culturais.

É uma sociedade fraternal, que admite a todo homem livre e de bons costumes, sem distinção de raça religião, ideário político ou posição social. Suas únicas exigências são que o candidato possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de ir em busca da perfeição.

Simbolicamente, o Maçom vê-se a si mesmo como uma pedra bruta que tem de ser trabalhada, com instrumentos alegóricos adequados, para convertê-la em um cubo perfeito, capaz de se encaixar na estrutura do Templo do Gr.’. Arch.’. do Un.’..

Ela se fundamenta na crença em um Ser Superior ou Deus, ao qual denominamos Grande Arquiteto do Universo, que é o princípio e causa de todas as coisas. Parece rígida em seus princípios, mas é absolutamente tolerante com todas as pessoas, ensinado aos iniciados que é mister respeitar a opinião de todos, ainda que difiram de suas próprias, desafiando a todos à mais sincera Tolerância. A Ordem não visa em hipótese alguma lucro ou benefício, pessoal ou coletivo.


Maçonaria e Sociedade 

A Maçonaria exige de seus membros, respeito às leis do pais em que cada Maçom vive e trabalha. Os princípios Maçônicos não podem entrar em conflito com os deveres que como cidadãos têm os Maçons. Na realidade estes princípios tendem a reforçar o cumprimento de suas responsabilidades públicas e privadas.

A Ordem induz seus membros a uma profunda e sincera reforma de si mesmos, ao contrário de ideologias que pretendem transformar a sociedade, com uma sincera esperança de que, o progresso individual contribuirá, necessariamente, para a posterior melhora e progresso da Humanidade. E é por isso que os Maçons jamais participarão de conspirações contra o poder legítimo, escolhido pelos povos. Para um Maçom as suas obrigações como cidadão e pai de uma família, devem, necessariamente, prevalecer sobre qualquer outra obrigação, E, portanto, não dará nenhuma proteção a quem agir desonestamente ou contra os princípios morais e legais da sociedade.

Em suas Lojas são expressamente proibidos o proselitismo religioso e político, garantindo assim a mais absoluta liberdade de consciência, o que lhe permite permanecer progressista, sobrevivendo às mais diversas doutrinas e sistemas do mundo.

Curioso é perceber que sempre onde faltou a Liberdade, onde grassou a ignorância, foi aí que a Maçonaria foi mais contundentemente perseguida, tendo sido inclusive associada aos judeus durante o período de intenso anti-semitismo da Europa Ocidental, nos primeiro e segundo quartos deste século.

 Aprendizado Maçônico 

A transmissão dos preceitos Maçônicos se faz através de cerimônias ritualísticas, ricas em alegorias, que seguem antigas e aceitas formas, usos e costumes, que remontam às guildas dos construtores de Catedrais da Idade Média, usando inclusive as mesmas ferramentas do Ofício de pedreiro Este aprendizado passa pela necessidade de todo
iniciado controlar as suas paixões, de submeter a sua vontade às Leis e princípios morais, amar a sua família e à sua Nação, considerando o trabalho como um dever essencial do Ser Humano. O sistema de aprendizado está assente sobre a busca, por parte de cada Irmão, no seu trabalho dentro da Ordem, e respectivo ao seu Grau, de um aperfeiçoamento interior, em busca da perfeição, para fazer-se um Homem bom, Um Homem melhor.

A Maçonaria estimula a prática de princípios nobres, tais como:
Gentileza
Honestidade
Decência
Amabilidade
Honradez
Compreensão
Afeto 

Para os membros da Ordem todos os Homens, fazem parte da Grande Fraternidade Humana, portanto, todos são Irmãos, independentemente de credo, Política, Cor, Raça ou qualquer outro parâmetro que possa servir para dividir os homens.

Os Três Grandes Princípios sobre os quais está fundamentada a busca do progresso e da auto-realização do Maçom são:

O Amor Fraterno: O verdadeiro Maçon mostrará sempre a mais profunda tolerância e respeito pela opinião dos demais, portando-se sempre com compreensão.

Ajuda e Consolo: Não só entre os Maçons, mas com toda a Comunidade Humana.

Verdade: É o princípio norteador da vida do Maçom, mesmo porque faz-se necessária toda uma vida para chegar-se próximo de ser um bom Maçom.


Organização da Maçonaria 

Desde a fundação da Grande Loja de Londres, em 24 de junho de 1717, as Loja Maçônicas têm-se organizado em Obediências, sejam elas Grandes Lojas ou Grandes Orientes.

Os Maçons estão reunidos em Lojas, que se reúnem regularmente uma vez por semana, geralmente. A verdadeira e antiga Maçonaria, divide-se em três Graus Simbólicos que compõem as Lojas Azuis:
Aprendiz
Companheiro
Mestre


Em regra as Grandes Lojas recebem reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra, que se arroga o direito de guardiã da ortodoxia maçônica, de evidente cunho teísta, enquanto que os Grandes Orientes, são reconhecidos pelo Grande Oriente da França, fiel ainda à constituição de Anderson de 1723, com evidente influência iluminista, e caracterizado por uma profunda tolerância. Porém esta regra não é universal, até porque não existe uma autoridade internacional que confira regularidade Maçônica. Portanto, temos em cada país uma Potência ou Obediência Maçônica, ou ainda, como acontece no Brasil, em Grande Oriente do Brasil (GOB), soberano, e as Grandes Lojas
estaduais e Grandes Oriente independentes estaduais, também soberanos e que não prestam obediência ao GOB (único reconhecido pela Grande Loja Unida da Inglaterra). É por isso que em nosso país temos mais de cinqüenta obediências regulares.

Ora, cada Obediência goza de absoluta soberania e independência em sua base territorial, sem que isso implique num completo desregramento. Exemplo disso é a Confederação Maçônica Brasileira (COMAB), que reúne num foro único os Grandes Orientes estaduais, para que se promovam estudos sobre temas importantes de liturgia e ritualística, que exigem uma determinada unidade. A COMAB apenas sugere a aceitação destas determinações, o que geralmente é bem vindo.

O Grande Oriente de Santa Catarina (GOSC), Obediência Maçônica independente, é governado por um Grão-Mestre, eleito entre os Mestres Maçons, assessorado por um Grande Conselho. Existem também uma Câmara Legislativa e um Poder Judiciário. O GOSC tem uma Constituição e um Regulamento que regem o ordenamento jurídico da Potência.

As unidades administrativas do Grande Oriente constituem-se das Lojas, onde estão congregados os Maçons, sob a liderança de um Venerável Mestre, eleito para um mandato de um ano.


 Regularidade em Maçonaria 

A regularidade Maçônica refere-se a um conjunto de deveres a que estão sujeitos os Maçons, suas Lojas e sua Obediência, os quais podemos resumir em três aspectos principais:

Legitimidade de Origem: Um Grande Oriente ou Grande Loja necessita, para ser regular do reconhecimento e da transmissão da Tradição, por outro Grande Oriente ou Grande Loja previamente regular junto às outras Potências, tendo assim uma Regularidade de Origem;

Respeito às antigas regras: A principal regra a ser seguida é a Constituição de Anderson, de 1723, formulada por Anderson, Payne e Desaguilliers, para a recém-fundada Grande Loja de Londres. Podemos, no entanto, levantar cinco pontos fundamentais para Regras que devem ser respeitadas:

1. Absoluto respeito aos antigos deveres, que estão reunidos em forma de Landmarks;

2. Só é possível aceitar homens livres, respeitáveis e de bons costumes que se comprometam a por em prática um ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade;

3. Ter sempre como objetivo o aperfeiçoamento do Homem, e como conseqüência, de toda a Humanidade;

4. A Maçonaria exige de todos os seus membros a prática escrupulosa dos Rituais, como modo acesso ao Conhecimento, através de práticas iniciáticas que lhe são próprias;

5. A Maçonaria impõe a todos os seus membros o mais absoluto respeito às opiniões e crenças de cada um, proibindo categoricamente toda discussão, proselitismo ou controvérsia política ou religiosa em suas Lojas

Reconhecimento: Além das condições anteriores, para que uma Obediência seja regular, ela deve ser reconhecida por outras, geralmente após um tempo de observação. No entanto, o reconhecimento não é incondicional, pois caso o Grande Oriente ou Grande Loja desvie-se destes preceitos, ele deixa de ser regular, perdendo reconhecimento.

O gráfico estrutural abaixo é inacessível a não-maçons no Brasil.Foi obtido por um Irmão em um site inglês.

Segue abaixo um outro gráfico mostrando as estruturas do Rito Escocês Antigo e Aceito e o Rito de York.

maçonaria já foi acusada de tudo: fazer rituais sinistros, promover orgias, querer dominar o mundo… Até de estar por trás dos assassinatos de Jack, o Estripador. Muita gente acredita que a organizaçãocontrola governos e que seus integrantes usam cargos públicos para se ajudar mutuamente. Os maçons, no entanto, garantem que quase tudo isso é besteira. Eles não passariam de um grupo filosófico, filantrópico e progressista. Reconhecem que ajudam uns aos outros, mas que o dever de auxiliar um irmão está sempre sujeito à obrigação maior de cumprir a lei. Afinal, qual é a verdade sobre essasociedade secreta?

Para começar, a maçonaria não é tão secreta assim. Em vários países, inclusive no Brasil, todo mundo sabe onde ficam as lojas maçônicas e quem são seus membros. Maçons publicam revistas e divulgam suas idéias em sites da internet. E, se antes mantinham seus templos imersos numa aura de mistério, hoje permitem visitas. Nossa reportagem entrou no templo da Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, situada na rua Perón, 1242, em Buenos Aires. Durante 3 horas, conversamos com diversos integrantes da maçonaria – e muitos nos entregaram cartões em que se identificavam como membros da ordem.

A julgar por iniciativas desse tipo, parece que a organização nunca foi tão aberta como hoje. Será que o grande segredo da maçonaria é não ter segredo algum, como dizem alguns irmãos? Pode ser. Mas o certo é que eles ainda mantêm sessões a portas fechadas. Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Grande Loja da Argentina, tem uma explicação para isso. “A maçonaria não é secreta, mas discreta. As cerimônias que realizamos aqui só interessam a nós, são reservadas aos iniciados.” Para Clavero, é exatamente o que ocorre em qualquer reunião, seja de condomínio ou da diretoria de uma multinacional. “Se você não é dono de um apartamento no prédio ou diretor da empresa, não vão deixá-lo entrar.

VÁRIAS MAÇONARIAS

O argumento do grão-mestre faz sentido. Por outro lado, diretores de empresas não costumam se reunir para debater filosofia, vestidos com aventais coloridos e rodeados de objetos simbólicos. Além disso, nem você nem seus vizinhos de apartamento precisam jurar segredo absoluto sobre o que foi discutido na reunião de condomínio. Na maçonaria, é assim que as coisas funcionam. Para entender os porquês disso tudo, o primeiro passo é levar em conta que não existe uma só, mas várias maçonarias.

organização é uma rede global, hoje composta de cerca de 6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes. Os rituais variam muito, de um país para outro. Cada loja tem autonomia, mesmo que pertença a uma federação nacional ou continental. Algumas usam a Bíblia em suas reuniões. Outras, a Torá ou o Alcorão. Essa diversidade permite que os símbolos maçônicos tenham várias interpretações. E foi graças a ela que personalidades extraordinariamente distintas já vestiram o avental da irmandade: de Mozart a dom Pedro 1º, de Winston Churchill a Hugo Chávez (leia mais no quadro das págs. 14 e 15).

Mas as maçonarias também têm muito em comum. Todas elas, independentemente do país, defendem os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Veneram o Grande Arquiteto do Universo – como se referem a Deus. E exigem requisitos dos iniciados, que, depois de passar por uma cerimônia de iniciação, vão galgando postos e acumulando mais e mais conhecimentos. Embora proíbam falar de política e religião dentro do templo, os maçons continuam tendo o poder e a influência de sempre. A mesma que eles usaram para orquestrar capítulos decisivos da história, como a independência do Brasil, dos EUA e de quase todos os países da América Latina.

A origem da maçonaria é um mistério até para os maçons. Uma das teorias diz que ela surgiu há cerca de 3 mil anos, durante a construção do Templo de Salomão, em Jerusalém. O rei israelita teria recrutado o arquiteto Hiram Abif, mestre na arte de talhar pedras, que ensinava os mistérios do ofício apenas a pedreiros escolhidos a dedo. No fim da obra, 3 artesãos exigiram que ele lhes contasse os segredos. Abif recusou-se e acabou sendo assassinado por isso.

O martírio do arquiteto jamais foi comprovado. Mesmo assim, significa muito para os maçons. Em The Meaning of Masonry (“O Significado da Maçonaria”, inédito no Brasil), o maçom britânico W.L. Wilmshurst interpreta a morte do mestre como um desastre moral para a humanidade – como se a chama do conhecimento tivesse sido apagada. “Agora, neste mundo escuro, ainda temos os 5 sentidos e a razão, que vão nos proporcionar os segredos substitutos”, escreve Wilmshurst. A maçonaria, portanto, seria um sistema filosófico que discute o Universo e nosso lugar dentro dele. Quanto mais o maçomsobe os degraus da confraria, mais perto ele chega da Luz – ou seja, o pensamento racional.

Outra tese afirma que os maçons são herdeiros dos templários, os cavaleiros que viajaram à Terra Santa no século 12 para defender os cristãos, mas acabaram perseguidos pela Igreja. E existe também quem defenda uma origem ainda mais remota, no Egito dos faraós ou na Grécia antiga. Para a maior parte dos historiadores , contudo, foi na Europa medieval que a maçonaria assentou suas bases. Ela teria começado na forma de sindicatos de pedreiros (masons, em inglês), que construíam monumentos para religiosos e monarcas – entre eles a Ponte de Londres e a Catedral de Westminster, também na capital da Inglaterra.

“Os pedreiros ingleses almoçavam e deixavam suas ferramentas em pequenas casas chamadas lodges [lojas]”, explica o jornalista americano H. Paul Jeffers no livro Freemasons (“Maçons”, sem tradução para o português). Assim como Abif, eles mantinham em segredo seus métodos de construção, pois eram a garantia de melhores salários.

Esses sindicatos floresceram até o século 16, quando os pedreiros tiveram uma surpresa. Abalada pela Reforma Protestante e pela rixa com o rei Henrique 8º, a Igreja parou de construir catedrais. Resultado: contratos para novas obras minguaram. “A maçonaria entrou em crise e sofreu uma grande mudança. Tudo que era ligado à prática do ofício na pedra passou a ser alegórico, e as ferramentas viraram símbolos na contemplação dos mistérios da vida”, diz Jeffers. A ordem deixou de ser “operativa” para ser “especulativa”. E as lojas maçônicas passaram a interpretar esses símbolos por meio de conceitos morais, éticos e filosóficos. A sociedade foi aberta a outros profissionais, como os cientistas, e deixou-se influenciar até pela alquimia.

Em 1717, 4 lojas de Londres se uniram na Grande Loja Unida da Inglaterra, que marcou o início damaçonaria atual. Em 1723, o maçom James Anderson compilou a tradição oral da irmandade numa constituição, cujos lemas eram ciência, justiça e trabalho. Quem não gostou de nada disso foi a Igreja, sentindo seu poder ameaçado por um grupo que rejeitava dogmas, aceitava seguidores de outras crenças e era contra a influência da religião na vida pública. Pior: discutia seus assuntos em segredo, o que só aumentava a desconfiança da Santa Sé. Em 1738, o papa Clemente 12 emitiu uma bula em que excomungava a maçonaria – ratificada em 1983 pelo cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento 16.

O tiro saiu pela culatra. Quanto mais a maçonaria era difamada, mais ela atraía revolucionários – entre eles, o libertador sul-americano Simon Bolívar e o herói da independência americana Benjamin Franklin. A Revolução Francesa também assumiu os valores maçônicos, mas não com a intensidade que muitos imaginam. “Do mesmo jeito que alguns revolucionários franceses eram maçons, como Jean-Paul Marat, alguns opositores da revolução também eram”, diz o historiador inglês Jasper Ridley no livro The Freemasons (“Os Maçons”, inédito no Brasil). No século 20, a Igreja continuaria no encalço damaçonaria.

CÓDIGOS SECRETOS

história de perseguição explica por que os maçons desenvolveram códigos para se reconhecer no meio de outras pessoas. No aperto de mão, por exemplo, um tocaria com o indicador no pulso do outro. Ao se abraçar, eles colocariam um braço por cima, outro por baixo, em X, e bateriam 3 vezes nas costas. Mais uma forma de comunicação em lugares públicos seria ficar em posição ereta e com wos pés em forma de esquadro.

Em seus textos, os maçons abreviam as palavras usando 3 pontos em forma de delta. Exemplos: “Ir” é irmão, “Loj” é loja. Hoje, boa parte desses segredos já virou de domínio público. Tanto que o termo usado pelos maçons para se referir a Deus – Jahbulon, resultado da união dos nomes Javé, Baal e Osíris – aparece em quase 30 mil páginas na internet.

Para ingressar na maçonaria, é necessário ter ficha limpa, ser maior de idade e acreditar em um deus, seja ele qual for. O candidato precisa ser convidado por um maçom e só se torna aprendiz após ser aceito numa cerimônia de iniciação no templo, onde se compromete a não revelar o que escutar ali dentro.

“Nossa meta é formar homens melhores, ensiná-los a se libertar dos dogmas e a pensar por si mesmos”, diz o grão-mestre argentino Jorge Clavero. “A maçonaria não é como um partido político, que fixa posições. Ela atua na sociedade por meio de seus homens, silenciosamente. O iniciado faz sua obra entre a família, os amigos e em seu local de trabalho.”

Degraus do conhecimento

No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas o de York prevalece no resto do mundo

RITO ESCOCÊS

1º grau – Aprendiz iniciado

2º grau – Companheiro de ofício

3º grau – Mestre maçom

4º grau – Mestre secreto

5º grau – Mestre perfeito

6º grau – Secretário íntimo

7º grau – Preboste e juiz

8º grau – Intendente dos edifícios

9º grau – Mestre eleito dos 9

10º grau – Mestre eleito dos 15

11º grau – Cavaleiro eleito dos 12

12º grau – Grão-mestre arquiteto

13º grau – Mestre do 9º arco

14º grau – Grão-eleito perfeito e sublime

15º grau – Cavaleiro do Oriente

16º grau – Príncipe de Jerusalém

17º grau – Cavaleiro do Oriente e do Ocidente

18º grau – Cavaleiro Rosacruz

19º grau – Grão-pontífice

20º grau – Mestre ad Vitam

21º grau – Patriarca noaquita

22º grau – Príncipe do Líbano

23º grau – Chefe do tabernáculo

24º grau – Príncipe do tabernáculo

25º grau – Cavaleiro da serpente de bronze

26º grau – Príncipe da mercê

27º grau – Comendador do templo

28º grau – Cavaleiro do Sol

29º grau – Cavaleiro de Santo André

30º grau – Cavaleiro kadosh

31º grau – Grão-inspetor inquisidor comendador

32º grau – Sublime príncipe do real segredo

33º grau – Soberano grão-inspetor geral

RITO DE YORK

Mestre de marca

Past master (virtual)

Mui excelente mestre

Maçom do real arco

Mestre real

Mestre eleito

Mestre superexcelente

Ordem da Cruz Vermelha

Ordem dos Cavaleiros de Malta

Ordem dos Cavaleiros Templários

Rumo ao topo da pirâmide

A escalada na hierarquia pode levar uma vida inteira

A estrutura da maçonaria tem a forma de duas escadas que começam e terminam juntas. O 1º passo do candidato é se tornar aprendiz. O 2º nível é o de companheiro de ofício e o 3º, de mestre maçom. Os 3 degraus iniciais são comuns ao rito escocês e ao de York. Depois disso, quem quiser subir na hierarquia deve escolher entre os dois sistemas ritualísticos. No escocês são 33 graus, enquanto o de York tem apenas 10. A história dos ritos também é diferente: para muitos estudiosos da maçonaria, o ritual escocês foi fundado na França por imigrantes que fugiam de perseguições. Já o de York surgiu na cidade inglesa de mesmo nome, onde teria sido aberta a primeira loja maçônica da Grã-Bretanha. No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas estima-se que 85% dos maçons em todo o mundo pratiquem o de York.Alguns personagens importantes da tradição maçônica aparecem sobre os degraus desta ilustração, publicada pela primeira na revista americana Life, em 1956. Entre eles, o rei Salomão (indicando o caminho na base do rito escocês), que construiu o 1º Templo de Jerusalém, e George Washington (no 20º grau do mesmo rito, mestre ad Vitam), primeiro presidente dos EUA. Sob o arco estão as organizações irmãs da maçonaria. Mestres maçons são aceitos na Grotto e na Altos Cedros do Líbano. Meninas que têm um maçom na família podem ingressar na Filhas de Jó ou na Ordem das Garotas do Arco-Íris; mulheres, na Estrela do Oriente; e rapazes, na DeMolay. Apenas maçons de grau 32 e Cavaleiros Templários podem entrar para o Shrine. E a mulher de um Shrine pode ser uma Filha do Nilo.

Até na lua!

De presidente a astronauta, maçons que entraram para a história

GEORGE WASHINGTON – 1732-1799

Foi o primeiro e único a exercer ao mesmo tempo os cargos de mestre de uma loja e presidente dos EUA. Um terço dos presidentes americanos foram da maçonaria.

AMADEUS MOZART – 1756-1791

Um dos maiores compositores de todos os tempos, ingressou na maçonaria a convite de Joseph Haydn, outro gênio da música, membro de uma loja em Viena.

DOM PEDRO 1º – 1798-1834

Chegou ao posto de grão-mestre no Brasil. Deixou a maçonaria assim que foi declarado imperador e proibiu os trabalhos da organização no país, temendo que seu poder fosse contestado.

WINSTON CHURCHILL – 1874-1965

Primeiro-ministro britânico durante a 2ª Guerra Mundial, foi iniciado em 1901, aos 26 anos de idade, na loja maçônica Studholme, em Londres, quando já era parlamentar.

HUGO CHÁVEZ – 1954-

Iniciado por um guarda-costas, segue os passos de outros maçons históricos que ele adora citar em discursos, entre eles: Simon Bolívar, José Martí e San Martín.

NEIL ARMSTRONG – 1930-

O primeiro homem a pisar na Lua era maçom. Ele teria vestido seu avental sobre o traje lunar durante a missão da Apolo 11, mas não há provas de que isso realmente tenha acontecido.

Para saber mais

• Freemasons

H. Paul Jeffers, Kensington Publishing, 2005 (em inglês).

Por dentro do templo maçônico

Um passeio pela Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, com explicação para tudo que você veria lá dentro

• ALTAR

Corresponde ao Santo dos Santos, o lugar mais sagrado do antigo Templo de Jerusalém. A poltrona central é usada apenas pelo venerável-mestre, que conduz os rituais.

• COMPASSO E ESQUADRO

Remetem ao tempo em que os maçons eram pedreiros. Por desenhar círculos perfeitos, o compasso representa a busca da perfeição. Já o ângulo reto do esquadro sugere honestidade. A letra “G” vem de God – “Deus” em inglês.

• SOL E CÉU AZUL

São vários os significados atribuídos ao Sol na maçonaria. Rente ao teto do templo, ele pode ser interpretado como conhecimento e esclarecimento mental ou intelectual. O céu azul simboliza a natureza e o Universo.

• CIÊNCIA, JUSTIÇA E TRABALHO

Os 3 adultos à esquerda, neste quadro do italiano Enrique Fabris, representam a ciência (ancião com a tocha da razão), a justiça (mãe carregando o filho) e o trabalho (homem vigoroso com ferramentas). A esfinge central refere-se à sociedade iniciática e o longo caminho a ser seguido pelo homem na busca do conhecimento. O Sol simboliza a natureza, presente em seus 4 elementos: água, fogo, ar e terra. Deles, apenas a água não pode ser dominada pelo homem – daí o mar revolto no quadro.

• AVENTAL

Símbolo de trabalho, ele protege o maçom e indica seu grau (na foto, Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Loja Argentina de Maçons Livres e Aceitos). As luvas, sempre brancas, significam pureza, retidão moral e igualdade.

• ESTRELA DO ORIENTE

Com 5 pontas, ela simboliza o homem em seus 5 aspectos – físico, mental, emocional, intuitivo e espiritual. Ao fundo, observa-se a pirâmide com o olho que tudo vê, uma alusão a Deus.

• PISO XADREZ

Representa povos do mundo unidos pela maçonaria. Os triângulos e quadrados simbolizam a harmonia que pode existir na diversidade. Também sintetizam os contrários: Bem e Mal, corpo e espírito. 
Grande Oriente de São Paulo

OS 33 GRAUS.

O aprendizado maçom está dividido por etapas. Cada etapa é desenvolvida numa Câmara própria, com seus respectivos graus. São elas: Lojas Simbólicas (do 1o. ao 3o. grau), Lojas de Perfeição (do 4o. ao 14o. grau), Capítulos (do 15o. ao 18o. grau), Conselhos de Kadosch (do 19o. ao 30o. grau), Consistórios (31o. e 32o. graus) e Supremo Conselho (33o. grau).

1o. GRAU : APRENDIZ – O Aprendiz deve, acima de tudo, saber aprender. É o primeiro contato com o Simbolismo Maçônico. Aprende as funções de cada um no templo e sempre busca o desenvolvimento das virtudes e a eliminação dos vícios. Muitos maçons antigos afirmam que este é o mais importante de todos os graus.

2o.GRAU : COMPANHEIRO – A fase de Companheiro propicia ao maçom um excepcional conhecimento de símbolos, além de avanços ritualísticos e desenvolvimento do caráter.

3o.GRAU : MESTRE – É o chamado grau da plenitude maçônica. No âmbito do Simbolismo (Lojas Simbólicas) é o grau mais elevado que permite ocupar quaisquer cargos. O Mestre possui conhecimentos elevados da história e objetivos maçônicos.

4o.GRAU : MESTRE SECRETO – Neste grau, além de outros conhecimentos, o maçom aprende as virtudes do Silêncio. Avança, fantasticamente, no conhecimento de símbolos utilizados na Maçonaria em geral.

5o.GRAU : MESTRE PERFEITO – Aprende-se no 5o. grau a meditação interior. Privilegia este grau, o princípio moral de render culto à memória de honrados antepassados. Completa o conhecimento dos graus anteriores.

6o.GRAU : SECRETÁRIO ÍNTIMO ou MESTRE POR CURIOSIDADE – É dedicado à necessidade de se buscar o conhecimento, sem o qual não há progresso. Contudo, adverte para a vã curiosidade, capaz de gerar malefícios. Investiga-se a miséria social e as maneiras de combatê-las, dentre outras coisas.

7o.GRAU : PREBOSTE E JUIZ ou MESTRE IRLANDÊS – Neste grau estuda-se a eqüidade, os princípios da Justiça, o Direito Natural e alguns princípios éticos da liderança.

8o.GRAU : INTENDENTE DOS EDIFÍCIOS ou MESTRE EM ISRAEL – Dedica-se a estudar a fraternidade do homem através de valores como o trabalho e o direito à propriedade. Combate à hipocrisia, à ambição e à ignorância.

9o. GRAU: MESTRE ELEITO DOS NOVE – Estuda-se a realidade dos ciclos, as forças negativas e a força da reconstrução.

10o.GRAU : MESTRE ELEITO DOS QUINZE – Estuda-se a extinção de todas as paixões e as tendências pouco proveitosas, censuráveis.

11O.GRAU : SUBLIME CAVALEIRO ELEITO ou CAVALEIRO ELEITO DOS DOZE – Dedica-se à regeneração.

12o.GRAU : GRÃO-MESTRE ARQUITETO – Estuda o poder da representação popular.

13o.GRAU : CAVALEIRO REAL ARCO – Estuda os magos pontífices do Egito e de Jerusalém.

14o.GRAU : GRANDE ELEITO ou PERFEITO E SUBLIME MAÇOM – É o grau mais alto das Lojas de Perfeição. Proclama o direito inalienável da liberdade da consciência. Defende uma educação digna para que o homem possa ter governantes que assegure direitos e obrigações compatíveis.

15o.GRAU : CAVALEIRO DO ORIENTE – Dedica-se à luta incessante para o progresso pela razão.

16o.GRAU : PRÍNCIPE DE JERUSALÉM – Estuda a vitória da liberdade como consequência da coragem e perseverança.

17o.GRAU: CAVALEIRO DO ORIENTE E DO OCIDENTE – Explora o Direito de reunião.

18o.GRAU : CAVALEIRO ROSA-CRUZ – É dedicado ao triunfo da Luz sobre as Trevas. É a libertação pelo Amor.

19o.GRAU : GRANDE PONTÍFICE – Fala sobre o triunfo da Verdade, estuda o pontificado.

20o.GRAU : MESTRE AD VITAM – É consagrado aos deveres dos Chefes das Lojas Maçônicas.

21o.GRAU : NOAQUITA ou CAVALEIRO PRUSSIANO – Estuda os perigos da ambição e o arrependimento sincero.

22o.GRAU : CAVALEIRO DO REAL MACHADO ou PRÍNCIPE DO LÍBANO – Estuda o trabalho como propagador de sentimentos nobres e generosos.

23o.GRAU : CHEFE DO TABERNÁCULO – Dedica-se à vigilância dos valores propagados pela Ordem e ao combate da superstição.

24o.GRAU : PRÍNCIPE DO TABERNÁCULO – Dedica-se à conservação das doutrinas maçônicas.

25o.GRAU : CAVALEIRO DA SERPENTE DE BRONZE – Dedica-se ao combate ao despotismo.

26o.GRAU : PRÍNCIPE DA MERCÊ ou ESCOCÊS TRINITÁRIO – Estuda princípios de organização social através da Igualdade e Harmonia.

27o.GRAU : GRANDE COMENDADOR DO TEMPLO – Defende princípios de governo democrático.

28o.GRAU : CAVALEIRO DO SOL ou PRÍNCIPE ADEPTO – Estuda a Verdade.

29o.GRAU : GRANDE ESCOCÊS DE SANTO ANDRÉ – É dedicado à antiga Maçonaria da Escócia.

30o.GRAU : CAVALEIRO KADOSCH – Fecha o ciclo de estudos no Kadosch. É um grau de estudos profundos a respeito do Simbolismo e Filosofia Maçônicos.

31o.GRAU : GRANDE JUIZ COMENDADOR ou INSPETOR INQUISIDOR COMENDADOR – Estuda o exame de consciência detalhado. Só os conscientes podem ser justos.Estuda-se História.

32o.GRAU : SUBLIME CAVALEIRO DO REAL SEGREDO : Estuda o poder militar.

33o.GRAU : SOBERANO GRANDE INSPETOR GERAL : É o último grau. Fecha o ciclo de estudos. É, em última análise, o maçom mais responsável ( pois todos o são!) pelos destinos da Maçonaria no país (no que tange ao Filosofismo).É o guardião, mestre e condutor da Maçonaria.

OBS.: O objetivo foi dar uma visão geral de cada um dos graus. Evidentemente os mesmos tem muito mais conteúdo do que foi comentado. Bons livros de Maçonaria, dedicados ao público em geral, podem – com certeza – subsidiar de forma mais apropriada àquele que pretenda saber mais. Há livros que comentam quase tudo da Maçonaria. Os verdadeiros segredos, contudo, permanecem exclusivos: palavras de passe, os toques e os diversos sinais.

Uma Iniciação sempre traduz uma expectativa porque é um princípio, e todo começo importa em fato novo.

Em Maçonaria a Iniciação é a chave, o ponto de partida, precedida, tão somente, pelos atos preparatórios…

O vocábulo Iniciação não se apresenta isolado; deva-se entender a palavra sob o aspecto filosófico, portanto ela é compreendida como sendo entrar em iniciação ou seja, ingressar num início.

Uma iniciação não é um ato comum e tampouco exclusivo da Maçonaria ou de outra Instituição paralela. A criança é iniciada na escola quando ingressa no complexo (para ela) mundo das letras e dos números, da escrita e da oralidade. A puberdade envolve uma iniciação ao sexo; a maioridade, a iniciação à vista.

A evolução normal dos povos civilizados apresenta uma tendência para a simplificação. A iniciação maçônica de hoje difere muito da dos tempos iniciais, como acontece com os processos miciáticos religiosos. O homem atual desenvolveu o poder da síntese, deixando de lado as evoluções desnecessárias. Questiona-se muito a respeito da validade ou não deste comportamento que, atingindo a Igreja, lhe causou certos transtornos.

O fator que mantém as tradições e que apresenta a iniciação maçônica como tradição do que era em séculos passados, é o símbolo. A supressão de certos atos, com a justificativa de modernizá-los, de simplificá-los, de adaptá-los às circunstâncias da atualidade, vem ferir a validade do símbolo. A Maçonaria atual, modernizada, não abre mão de certos atos simbólicos porque eles representam de modo compreensível todo um conjunto de mistérios.

A revelação não supre o valor do símbolo. O mistério permanece e cada vez mais ele pode ser fortalecido e também ampliado, renovado e recriado. A mística é a grande atração para os maçons. Eles aceitam e mantêm a tradição.

Paralelamente à iniciação, o iniciado deixa ou adquire hábitos, jura e promete novas atitudes, novos comportamentos, nova filosofia de vida. Podemos exemplificar com a iniciação do sacerdote da Igreja que faz voto de celibato. Os Templários faziam voto de pobreza.

Se fôssemos verificar a respeito das variações iniciáticas entre os povos, religiões, raças e posições geográficas, nos perderíamos em um emaranhado de conceitos, válidos todos eles quando questionados e quando recebida a justificativa.

A criação do homem, embora lendária, foi uma iniciação. Juntado o pó com a água, feito o barro, concluída a modelagem, veio o sopro divino e, ainda que surgindo adulto, o primeiro homem símbolo teve um longo aprendizado. A sua posição era cômoda porque nada tinha para deixar atrás ou de lado. Tudo era princípio.

Houve, sim, um voto. Apenas um: o de não comer dos frutos da Árvore do Conhecimento.

Não temos qualquer preocupação em duvidar desse princípio da criação. Mesmo que tenha sido uma tradição simbólica, início da saga hebraica, ele representa um ponto de partida. Se, antes, já existia o ser humano – os denominados “filhos da terra” – desses não temos a história. Iremos nos defrontar com teorias, as mais credenciadas, mas não poderemos sobre essas teorias construir nossa filosofia. A Maçonaria acredita num princípio e aceita a tese hebraica, porque obedece aos Landmarks, que são os 25 princípios básicos de sua doutrina. A importância de estabelecer critérios analíticos em torno desse princípio não é vital. O posicionamento maçônico atual é o de crer e aceitar a existência de um Deus a quem denomina de Grande Arquiteto do Universo e da existência de uma vida após a morte.

Portanto, iniciação implica em aceitarmos um novo princípio. com todas as injunções que o compõem, inclusive com abrir mão de tudo o que era antes da iniciação.

Esta secção, separando o passado do presente, não é possível ocorrer no plano físico.

O iniciado, ao deixar o Templo, ao retornar ao “mundo”, esquece a sua nova condição e readquire o comportamento que tinha, isto paulatinamente, porque a “natureza não dá saltos”. O mundo então o recebe como ser mais aperfeiçoado. Toda iniciacão se desenvolve no plano mental, espiritual e místico.

Muitos tendem a dar à Maçonaria um aspecto religioso e assim, dentro das Lojas, formam-se correntes as mais diversas. O religioso, de forma geral, tende a adaptar a Maçonaria aos seus princípios; assim, sob o ponto de vista espírita, o maçom espírita praticante construirá em sua iniciação um panorama que não conflitue com sua crença. Porém, sem afirmar que a Maçonaria é agnóstica, a religião, embora extremamente necessária, não está incluída na filosofia maçônica. Crer em Deus e numa vida futura não implica em qualquer princípio religioso. A religião fundamenta-se sempre, na fé. A Maçonaria prescinde desta fé. O maçom religioso será, sempre, um maçom compreensivo, embora os seus conhecimentos religiosos possam frear a sua caminhada para o alto.

O religioso crê no dualismo: Deus e Diabo. A Maçonaria aceita a Deus como um Princípio, sem a preocupação de perquirir sobre a origem deste Princípio, O homem, é criatura; o Criador é Deus. O homem é eterno; a Eternidade é Deus.

Temos, portanto, na iniciação um aspecto curioso: trata-se de uma Iniciação Maçônica e não de uma iniciação religiosa. Uma iniciação escolhida, aceita, experimental, e não uma iniciação imposta. A religião pode ser seleção, mas genericamente é imposta.

Nossos pais, por exemplo, nos impõem um nome que devemos suportar até a morte. Paralelamente, nossos pais nos dirigem para uma religião: a religião deles. Na maturidade, o homem pode escolher o seu próprio destino religioso, porém, a influência do lar será a base de tudo. A Maçonaria tem a faculdade de reconduzir o descrente para a sua crença inicial.

A Maçonaria aproxima o seu adepto a Deus. Ela o apresenta como uma obra perfeitamente construída, adornada e acabada por um Grande Arquiteto. O mistério se denomina, também, Deus. Para a Maçonaria o Diabo nada é; ela aceita o dualismo como equilíbrio de forças. O Diabo será apenas oposição, descrença, desamor.

O homem passa constantemente por iniciações. Nem sempre, são iniciações conscientes.

A Iniciação Maçônica, como vimos, é formada por um conjunto de fatores. Inicialmente individual, para posteriormente integrar-se a um grupo.

As iniciações inconscientes resultam de uma evolução espiritual; o que se processa no homem, dentro de seu universo, ainda não está muito bem definido, mas existe. E a materialização do “conhece-te a ti mesmo”, da revelação do grande mistério da Criação. Homem, quem és?

A Maçonaria dá muitas respostas, mas se torna necessário que o candidato passe, efetivamente, por uma Iniciação. A Maçonaria precisa com muita urgência, para sobreviver, de iniciados, e não de elementos que passam por uma iniciação sem que a morte se efetive. Para uma comparação, com a finalidade de que haja compreensão maior, foi necessário para Jesus que morresse para cumprir a sua missão de redimir o homem. Sem uma morte, não haverá iniciação.

… Portanto, em resumo, a Iniciação nada mais é do que a aceitação da morte. Assim, esta morte perde o seu aspecto trágico.

Quando o homem se convencer de que a morte é redenção e não castigo, não a temerá; a receberá como Iniciação para uma nova aventura. Todos aqueles que tiverem um amigo maçom e que forem propostos como candidatos ao ingresso na Maçonaria, terão uma oportunidade única e exclusiva. Sempre, contudo, que o candidato busque entender a Iniciação.

Nos Estados Unidos, onde a Maçonaria é levada a sério, as Lojas distribuem aos candidatos um manual que serve de orientação. Nós, brasileiros ainda temos tabu quanto ao ingresso na Ordem. O candidato, já adentrando a Câmara das Reflexões, ainda ignora o que seja a iniciação. Esta falha é imperdoável.

Cabe ao apresentador, ao padrinho esclarecer seu afilhado acerca do que seja a iniciação maçônica. Obviamente se esse mestre souber realmente da importância deste conhecimento.

O homem em núpcias prepara-se para a iniciação do casamento, tendo já passado por um período de noivado. O casamento indubitavelmente, é uma das fases mais importantes tanto para c homem quanto para a mulher. Trata-se de uma iniciação séria que cada vez menos é assim considerada, pois assistimos a desfazimentos de casamento por motivos os mais fúteis possíveis.

O importante da iniciação do casamento é que se apresenta contínua. Cada dia que passa surgem problemas que devem ser solucionados, e isto perdura até o fim; não o fim de um casamento mas o da vida.

Passado o período de “mel”, surgem os filhos e a grande problemática do amadurecimento, o encaminhamento dos filhos para a vida, as questões que.eles geram, as preocupações. Depois, vem os netos, as enfermidades, a velhice. Muitas vezes o casamento se interrompe com a morte da companheira, afastamento permanente que causa traumas. Mesmo havendo separação, prematura ou não, as funções geradas pelo casamento não cessam; em caso de separação judicial, subsiste a manutenção do outro cônjuge, dos filhos menores e desamparados: uma continuidade trágica, perturbadora, que traz, sempre, infelicidade.

Assim é o maçom. A sua iniciação não apresenta um ponto estanque; é contínua e permanente, porque a cada dia que passa novas experiências surgem. Até o fim, o fim da vida, o maçom prossegue nos atos misteriosos e místicos da iniciação. O maçom é para sempre, in eterno.

Temos a iniciação profissional. No início entusiasta, depois rotineira. Conforme a profissão, ela se apresenta insossa, repetitiva, um castigo, tudo sempre igual: um patrão. uma tarefa, sempre em busca da aposentadoria. Há profissões, porém, que exigem progresso, atividade constante, e que dão grande satisfação; como acontece nas pesquisas científicas. A Maçonaria também possui essa parte: a grande busca, a experiência, o próximo como elemento de trabalho operativo. Essas iniciações são simultâneas: religiosas, espiritualistas, científicas, operacionais, místicas, enfim, um corolário de princípios que não cessa prossegue até o fim da vida, desta vida.

Não podemos fixar uma norma a respeito da iniciação; a Maçonaria dispõe de tradição para realizar iniciações formalmente iguais, revestidas de simbolismo escolar. No entanto, nem a Maçonaria, nem as religiões, nem a própria vida, iniciam alguém. A iniciação é mística individual, pois ela se realiza dentro do indivíduo. Se obedece a ritos rígidos, esses são externos, daí que a cerimônia iniciática se reveste de características fixas, enquanto a cerimônia mística envolve a personalidade do iniciando e difere de indivíduo para indivíduo. Com isto, surge a incógnita da possibilidade ou não de encararmos uma iniciação rotulada de atualizada ou moderna.

A iniciação, seja qual for, será sempre paralela ao desenvolvimento espiritual do indivíduo. Uma obra clássica não significa antiga, de séculos passados. O clássico pode ser moderno e atual; o que classifica é o lugar que encontra na sociedade. Assim, podemos fixar uma iniciação clássica como a aceita por uma maioria. Sempre, porém, ela será atual no conceito do iniciando e não no conceito do iniciador.

A instrução era feita, há cinqüenta anos atrás, de conformidade com os métodos tradicionais; primeiramente, a alfabetização, para depois, ano após ano, num trabalho de paciência beneditina, incutir na mente do aluno o conhecimento previamente programado, numa escala crescente para desenvolver o raciocínio até atingir a universidade, onde a personalidade do mestre passava a plasmar a cultura.

Hoje, a televisão se encarrega de tudo. Amanha, quem sabe, a telepatia dará a orientação precisa e correta.

Portanto, quando se cogita de entender o que seja uma iniciação, deve-se atentar a todas as suas nuances e facetas, para, depois, colher os resultados. Ë por este motivo que sempre alertamos: o iniciado não é o que passa por uma iniciação, mas o que inicia.

O segredo, o grande segredo maçônico é o comportamento do iniciando na Câmara das Reflexões, tão conhecida pelos maçons e de certo modo um assunto esotérico, ainda particular, de vendado de forma muito discreta numa linguagem apropriada compreensão dos maçons, daqueles verdadeiramente iniciados.

O candidato, concluída a sindicância e aprovado pelo plenário, sem voto divergente, é chamado. Esta chamada contém muito misticismo. Dissera Jesus ao discípulo: “vem e segue-me”. O candidato, nesta altura já avisado de que a sua entrada para a Maçonaria foi aceita, responde a chamada. Ë muito importante ser chamado.

Na competição atual, o homem busca alcançar um espaço; ele desbrava caminhos, luta e nem sempre vence.

Porém, na Maçonaria, quando menos espera, recebe o chamado, transmitido pelo seu apresentador, seu padrinho. Esse chamado deve ser atendido? O que passa pela mente do candidato? O atender o chamado significa um ato de obediência. A obediência de modo geral, significa submissão, ou seja, uma concordância tácita de que tem disposição para ingressar em uma Instituição que desconhece. O enigma deve ser decifrado e o homem, por ser desafiante, ousado, impetuoso, passa a enfrentar o desconhecido. Ignora o nome dos participantes da Instituição onde anuiu ingressar, ignora a filosofia do grupo, os conceitos, a parte esotérica. Porém, aceita e acompanha o padrinho até o Templo.

Atender ao chamamento é o resultado do trabalho de preparação que aludimos acima. Toda Loja, toda jurisdição maçônica trabalhou com muito interesse para atrair o novo irmão que irá beneficiar com a sua personalidade e presença a fraternidade universal. É o retorno, o eco das vibrações enviadas através da mente, da voz, das práticas, do misticismo, do mistério. Se o chamamento for bem equacionado, se as vibrações emanadas tiverem sido bem distribuídas, indubitavelmente atingiram em cheio o candidato e ele não poderá, de modo algum, negar o chamamento.

Não será ele quem decide. A congregação é que decidiu recebê-lo. E fatalidade da preparação a que ninguém escapa, a atração irresistível em busca, inconsciente, da perfeição. Assim, o candidato se entrega totalmente â iniciação. Aqui cesa. a participação individual para dar lugar à participação do grupo.

8 RITUAIS MAÇÔNICOS EM DETALHES

Publicado por Redação em 02/07/2010 às 14h47

O mistério acaba aqui: para entender melhor o universo da maçonaria, conheça a história e as características dos mais tradicionais ritos maçônicos espalhados pelo mundo e pelos tempos, dos mais praticados aos mais obscuros

Texto • Redação

Tentar adentrar no mundo da maçonaria sem ser iniciado não é nada fácil. Por mais que a ordem não se auto-intitule como secreta, passam-se séculos e seus segredos continuam a ser muito bem guardados por seus membros. Mas, graças a pesquisadores como o escritor português Pedro Silva, conseguimos desvendar parte dos fascinantes enigmas maçônicos. Em seu livro O código da maçonaria (Universo dos Livros), Silva nos presenteia com revelações de símbolos, apresentação de temas polêmicos e até nos convida para uma viagem para mostrar a história dessa instituição nos mais variados países ao redor do mundo. Nas páginas a seguir, você vai poder acompanhar um trecho desta obra que traz interessantes e esclarecedores detalhes sobre os oito principais ritos maçônicos.

Rito de Emulação

Mais utilizado pela Grande Loja Unida da Inglaterra, pensa-se estar próximo da mais antiga e pura Maçonaria. Neste caso, somente os três graus principais do ofício são chamados principais. Os demais Conhecem-se por “adicionais”, com destaque para o Royal Arch, considerado “a quinta-essência da filosofia maçônica”.

Outros dos graus inseridos neste caos é o de Mark Master, continuidade do grau de companheiro, cujo simbolismo anda em torno da leitura do Salmo 118, e a ligação dos Evangelhos à figura de Jesus Cristo. Por último, destaque para o Rito de Iorque, praticado nos Estados Unidos da América, o qual, além dos três graus simbólicos, aposta ainda nos dois complementares supracitados, a par dos graus críticos (como o Select master) e as Ordens de Cavalaria (em que se incluem a Red Cross e a Order of the Temple).

Rito Escocês Antigo e Aceito

Provavelmente um dos mais famosos entre todos, sendo que “continua a ser regido pelas Grandes Constituições de 1786, atribuídas por Frederico II. Os supremos conselhos formam uma confederação, senão de direito, pelo menos de fato, e efetuam conferências internacionais periódicas em que se procede a troca de pontos de vista sobre os problemas comuns, traduzindo-se em recomendações” (obra citada de Paul Naudon, p.111). Na verdade, os princípios adotados em 1875 garantem a existência de um princípio criador com o nome de Grande Arquiteto do Universo, sobrepondo-se à utilização do termo “Deus”.

Segundo os rituais inerentes a ele, os três primeiros graus garantem a iniciação tradicional, ao passo que os graus entre o 4º e o 14º conduzem ao conhecimento filosófico, os dos 15º ao 18º à identificação com o fator universal através do amor e o 30º grau é a síntese de todos os outros. Por último, 31º, 32º e 33º são graus puramente administrativos.

Rito Escocês Retificado

Tendo nascido no seio da Estrita Observância (fundada em 1756 pelo Barão de Hund), teve grande influência de J.B. Willermoz (1730-1824), um comerciante natural de Lyon. Sob sua presidência em 1778 realizou-se o dito Convênio das Gálias, com o intuito de reformar a Franco-Maçonaria. O Rito Escocês Retificado é composto pelas Lojas simbólicas de S. João (aprendizes, companheiros e mestres), pelas Lojas de Santo André (mestre escocês) e pela Ordem Interior (escudeiros noviços e cavaleiros benfeitores da Cidade Santa), dirigida por um Grão-Priorado e organizada em prefeituras e comendadorias.

O Código do Rito estipula que o “primeiro compromisso do franco-maçom é observar fielmente os seus deveres com Deus, o rei, a Pátria, os Irmãos e si próprio. Só o jura depois de haver a garantia do respeito que ele tem à Divindade e da importância que dá aos haveres do homem honrado. A cerimônia da sua recepção (…) prova-lhe que todos os Irmãos estão penetrados no amor do bem. Todos se comprometeram pelas mais santas promessas a amar e a praticar a virtude, a votar-se à caridade e à beneficência”. Segundo o ritual de iniciação de 1778, o recipiendário presta juramento sobre o Evangelho de S. João “de ser fiel à santa religião cristã, aos seu soberano e às leis do Estado” (obra citada de Paul Naudon, p.112-113). O maior destaque deste rito, em relação ao chamado Escocês Antigo, é, efetivamente, que neste caso há a referência explícita a Deus e à igreja cristã. Destaque, neste caso, para os grupos de graus deste rito: Loja de São Jorge, que abrange os chamados três graus básicos da Maçonaria – Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom; Loja de Santo André, que inclui os Mestres Escoceses, extraídos diretamente do Rito Escocês Antigo e Aceito; e Ordem interior, composta pelos graus de Escudeiro Noviço e Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa.

Rito Sueco

Bastante similar ao rito anterior, este nasce pela idéia de Eckeleff, na Suécia, no ano de 1756. Foi Eckleff que criou a primeira “loja escocesa de Santo André”, denominada A Inocente. Imbuídos do espírito do templarismo, o rito sueco assume o seu caráter puramente cristão, possuindo dez graus repartidos por três grupos distintos, a saber: Lojas de Santo André, Lojas de São João e Capítulos. Além disso, há ainda a destacar que, na Suécia, o chefe do 11º grau, chamado de Cavaleiro Comendador da Cruz Vermelha, a par de ser denominado oficialmente Vigário de Salomão, incrementando ainda mais as ligações anteriores, tem sido sempre detido pela mais alta figura da monarquia sueca, no caso o próprio Rei. A sua aparição na Suécia acontece no ano de 1853 e, de lá para cá, esse rito tem sido seguido à letra, tendo-se expandido igualmente para países vizinhos como Noruega e Islândia.

Rito de Mênfis

Foi constituído em 1838 por Marconis de Nègre e tem, tal como o rito sueco, uma forte tradição dos antigos cavaleiros templários. De acordo com sua linha histórica, teria sidoesta Ordem medieval a fundadora direta do rito de Mênfis. Porém, resta saber quem teria passado esse conhecimento aos cavaleiros do Templo. A resposta reside no sábio egípcio, de nome Ormus, o qual era sacerdote da cidade de Mênfis, uma das mais importantes do Antigo Egito, e posteriormente convertido ao Cristianismo sob o nome de São Marcos. Este rito compõe-se com noventa e cinco graus, um dos mais elaborados de que há conhecimento, tendo-se integrado, no ano de 1862, no Grande Oriente.

Rito de Misraim

Este rito analisado sabemos ter sido criado em torno de 1813 na Itália e introduzido, com maior vigor, na França por Marc, Michel e Joseph, três irmãos de apelido Bédarride. Utilizando comparações bíblicas, os seus promotores defendem que o rito de Misraim provém diretamente de Deus, que teria passado a sua vontade a Misraim, um dos reis do Antigo Egito. Tal como o rito anterior, este também possui vasto leque de graus, em número de noventa, divididos em quatro grandes pilares, no caso: simbólico, filosófico, místico e cabalístico. Uma das últimas lojas que se sabe praticar este rito era a Loja Mãe Arco-Íris.

No ano de 1959, após ter sido desperto novamente por Probst-Biraben, ambos os ritos (Mênfis e Misrai) fundiram-se, dando origem ao Supremo Conselho das Ordens Maçônicas de Mênfis e de Misraim Reunidas. Em 1963, abreviaram o nome para Rito Antigo e Primitivo de Mênfis-Misraim, funcionando ainda hoje na Europa , América do Sul e Austrália. A distribuição dos graus é a seguinte: o 9º é o  Mestre Eleitos dos 9; 18º, Cavaleiro Rosacruz; 30º, Cavaleiro Kadosh; 32º, Príncipe do Real Segredo; e 33º, Soberano Grande Inspetor-Geral.

Rito Francês

No período de cisão, existente no seio da Grande Loja de França, em 1773, as mudanças teóricas não podiam deixar de acontecer. Não apenas se deu a criação do Grande Oriente de França e da Grande Loja Nacional, esta última com atividade errante e de curta duração, como também a determinação, em 1786, através da Assembléia do Grande Oriente de um sistema gradual de sete graus, de cariz profundamente francês, conhecido por rito francês moderno.

Aos três graus básicos (aprendiz, companheiro e mestre) juntaram-se aos superiores Mestre Eleito e Mestre Escocês, assim como os de Cavaleiro do Oriente e Soberano Príncipe Rosacruz. Mais tarde, em 1877, dando surgimento ao processo de separação que já havia acontecido anos antes, o Grande Oriente afastou-se também em nível oficial do “deísmo” antigo, avançando de forma vincada para a denominação de “Grande Arquiteto do Universo”.

Rito Operativo de Salomão

Entre todos, este é o mais recente, tendo sido criado na França no ano de 1974, pelos membros da “Ordem Iniciática e Tradicional da Arte Real” (O.I.T.A.R.). Esta era composta por um pequeno grupo Franco-Maçons independentes, sendo que a Bíblia fazia parte notária do seu ritual. Basicamente, integra nove graus, divididos em classes distintas, a saber: Primeira Classe, que engloba Aprendiz, Companheiro e Mestre; Segunda Classe, com Mestre Secreto e Mestre da Marca; Terceira Classe, incluindo Cavaleiro do Arco real e Cavaleiro Rosacruz; e Quarta Classe, com Guardião do Templo e Mestre de Nome Inefável.

vitral.gif (21726 bytes)

FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DA MAÇONARIA

Klebber S Nascimento

02.05.2010

Nossa Augusta Ordem é uma instituição em que o filosofar é tarefa que requer todo o nosso interesse e reclama todo o nosso esforço. Em cada um de nossos símbolos, em cada página de nossos Rituais e em cada etapa da História Maçônica, temos sempre algum vestígio ou princípio de caráter filosófico. Não se pode ser maçom autêntico sem adentrar ao estudo filosofia, especialmente no Grau de Companheiro.

Perguntaram, certa vez, a um filósofo: “ Para que filosofia?” E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações”. A primeira resposta à perguntas “ O que é filosofia? “ pode ser, pois, a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Em outras palavras, distinguir o real do aparente.

A filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum, e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Por isso Sócrates, o patrono da Filosofia, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei que nada sei”.

Preliminarmente, busquemos conhecer suas origens. A palavra filosofia é grega, composta pela junção de duas outras: Philo e Sophia. Philo significa amizade, amor fraterno. Sophia que dizer sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. O filósofo é aquele que ama a sabedoria, que tem amizade pelo saber, que deseja saber.

Os Historiadores de Filosofia dizem que ela nasceu no século 7º e início do século 6º antes de Cristo, embora não seja um fato especificamente grego.

Em verdade, a Filosofia grega tem dívida com a sabedoria dos orientais, não só porque as viagens colocaram os gregos em contato com os conhecimentos produzidos por outros povos (sobretudo os egípcios, persas, babilônios, assírios e caldeus), mas também porque os dois maiores formadores da cultura grega antiga, os poetas Homero e Hesíodo, encontraram nos mitos e nas religiões dos povos orientais, bem como nas culturas que precederam a grega, os elementos para elaborar a mitologia grega que, depois, seria transformada racionalmente pelos filósofos.

É que os gregos imprimiriam mudanças de qualidade tão profundas no que receberam do Oriente e das culturas precedentes, que até parece terem criado sua cultura a partir de si mesmos. Dessas mudanças, podemos mencionar algumas que nos darão a idéia da originalidade grega:

Os gregos transformaram em matemática (aritmética, geometria, harmonia) o que eram expedientes práticos para medir, contar e calcular; transformaram em astronomia (conhecimento racional da natureza e do movimento dos astros) aquilo que eram práticas de adivinhação e previsão do futuro; transformaram em medicina (conhecimento racional sobre o corpo humano, a saúde e a doença) aquilo que eram práticas de grupos religiosos secretos para a cura milagrosa das doenças.

Os gregos, diante da herança recebida, inventaram a idéia ocidental da razão como um pensamento sistemático que segue regras, normas e leis de valor universal, isto é, válidas em todos os tempos e lugares. Assim, por exemplo, em qualquer tempo e lugar 2+2 será sempre igual a 4; o triângulo terá sempre três lados; o Sol sempre será maior do que a terra, ainda que pareça menor do que ela etc.

Os gregos não inventaram apenas a ciência ou a filosofia. Mas inventaram também a política (palavra que vem de polis, que, em grego, significa cidade organizada por leis e instituições), instituindo práticas pelas quais as decisões eram tomadas a partir de discussões e debates públicos e eram adotadas ou revogadas por voto em assembléias públicas; estabeleceram instituições públicas (tribunais, assembléias, separação entre a autoridade do chefe de família e autoridades pública, entre autoridade político-militar e autoridade religiosa) e, sobretudo, criaram a idéia da lei e da justiça como expressão da vontade coletiva pública e não como imposição da vontade de um só ou de um grupo, em nome de divindades.

Analisemos a Filosofia grega em seus dois primeiros períodos: o pré-socrático, ou cosmológico, e o socrático, ou antropológico.

Os principais expoentes do período cosmológico foram Tales de Mileto, Pitágoras e Parmênides. Como principais características dessa época, podemos destacar a explicação racional sobre a origem, ordem e transformação da natureza, da qual os serem humanos fazem parte;a afirmação de que “ nada vem do nada e nada volta ao nada “, isto é, que o mundo (cosmo) ou a Natureza é eterno; que nada se cria ou tudo se transforma sem jamais desaparecer; e a afirmação de que todos os serem além de serem gerados e serem mortais estão em contínua transformação, sem por isso perder sua ordem, sua forma e sua estabilidade. A mudança – nascer, morrer, mudar de qualidade ou de quantidade – chama-se movimento. E o mundo está em movimento permanente.

Já o filósofo Sócrates, considerado o patrono da Filosofia, propunha que antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conheça-te a si mesmo”, gravada no pórtico do Templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates.

Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem, particularmente do seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade.

O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão. Segundo ele, Sócrates era um homem que andava pelas ruas e praças de Atenas, pelo mercado e pela assembléia, indagando a cada um: “Você sabe o que é isso que você está dizendo?” “Você acha que conhece realmente aquilo em que acredita, aquilo em que está pensando, aquilo que está dizendo?” “Você diz”, falava Sócrates, “o que a coragem é importante, mas o que é a justiça?” Você acredita que a justiça é importante, mas que é a justiça? Você diz que ama as coisas e as pessoas belas, mas o que é beleza?

Sócrates fazia perguntas sobre as idéias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. Sua perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, pois quando tentavam responder, descobriam surpresos, que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas idéias. Mas o pior não era isso. O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates respondesse por elas ou para elas,mas Sócrates,para desconcerto geral, dizia: “Eu também não sei, por isso estou perguntando”.

A consciência da própria ignorância é o começo da Filosofia. O que procurava Sócrates? Procurava a essência verdadeira da coisa, da idéia, do valor. Procurava o conceito e não a mera opinião.

Qual a diferença entre uma opinião e um conceito?

A opinião varia de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de época para época. É instável, mutável, depende de cada um, de seus gostos, e preferências. O conceito, ao contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o pensamento descobre, após análise racional, reflexão isenta de preconceitos e pela prática da meditação.

Ao fazer suas perguntas e suscitar dúvidas, Sócrates fazia os atenienses pensar, não só sobre si mesmos, mas também sobre a polis. Aquilo que parecia evidente acabava sendo percebido como duvidoso e incerto. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno – a cicuta – e obrigado a se suicidar. Por que Sócrates não se defendeu? “Porque”, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. Se eu me defender, o que os Juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter de renuncia à Filosofia”. Essa narrativa consta da obra Apologia de Sócrates, isto é, a defesa de Sócrates feita por seus discípulos, contra Atenas.

Ao longo da história, o pensamento filosófico percorreu os mais variados caminhos, seguiu interesses diversos, elaborou muitos métodos de reflexão e chegou a várias conclusões, em diferentes sistemas. É verdade que muitos desses sistemas filosóficos e até mesmo religiosos tidos como doutrinas verdadeiras acabaram por se tornar equivocados, na medida em que se arrogaram detentores exclusivos da Verdade, surgindo daí os dogmas, isto é, os pontos indiscutíveis de qualquer doutrina ou sistema, que devem ser aceitos sem exame e sem crítica.

Ocorre que a Verdade, esse mistério inatingível, que nos atrai com força irresistível, é muito vasta, muito vivaz, muito livre e muito sutil para deixar-se prender, imobilizar e petrificar na rigidez de um sistema filosófico. Cada ser humano detém a sua verdade, que é a concepção do momento em torno de um assunto, problema ou equação. As verdades científicas, então, são as mais mutáveis. Basta lembrar que em determinado momento da história da humanidade acreditava-se que a Terra era quadrada. Em outra época, que ela era o centro do Universo, com os demais planetas girando em seu redor.

Tudo isso nos leva a concluir que a Verdade Absoluta é algo inatingível, é uma abstração. Aliás, a essência da Filosofia não é a verdade absoluta, senão a busca da mesma, o que o Maçom faz, incessantemente, a partir da Iniciação. O saber filosófico maçônico nunca está findo ou concluso, pois filosofar é buscar o saber. As perguntas têm, na filosofia maçônica, maior importância que as respostas, pois, valendo-se do valor dos símbolos, toda resposta provoca e gera outra pergunta.

Uma fórmula moderna do que se deve entender por filosofa é conversar consigo mesmo, refletir sobre os próprios pensamentos e meditar para, finalmente, encontrar a sua verdade. São atividades interiores cujos resultados tem se revelado dos mais promissores, posto que brota e floresce da própria consciência. Infelizmente, a atividade filosófica não surge para todos os Maçons,nem se faz presente no momento da Iniciação, uma vez que nem todos estão sintonizados com esses valores.

Essa flexão corre porque o homem vive submerso e afogado na vida puramente substantiva e animal, ocupado em satisfazer suas necessidades vitais. Essa maneira de viver é fomentada, na atualidade, pelo mundo da ciência e da tecnologia. Somos escravos do relógio. Trabalhamos como máquinas, obedecemos cegamente a hábitos e rotinas, cumprimos atos triviais e sem sentido, desenvolvemos o ritual em Loja sem nos preocuparmos com o seu real significado. Não podemos “perder tempo” ouvindo um amigo, olhando as estrelas, brincando com uma criança ou vendo um por-do-sol.

Pitágoras contava três tipos de pessoas que compareciam aos jogos olímpicos, a festa mais importante da Grécia: as que iam praticar o comércio durante os jogos, ali estando apenas para servir a seus interesses, sem preocupação com os jogos ou com as disputas; as que iam para competir, isto é, os atletas e os artistas, pois havia também competições de dança, poesia, música e teatro; e finamente as que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Esse terceiro tipo de pessoa,dizia Pitágoras, é o filósofo.

Com isso, Pitágoras queria dizer que o filósofo não é movido por interesses financeiros, não coloca o saber como propriedade sua, como uma coisa para ser comprada e vendida no mercado. Também não é movido pela competição, quer dizer, não faz das idéias e dos conhecimentos uma habilidade para vencer competidores ou atletas intelectuais, mas é movido pelo desejo de observar, contemplar,julgar e avaliar as coisas, as ações, a vida. Em resumo: pelo desejo de saber. A verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e está diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos olhos do espírito para vê-la.

O Maçom há de ser um filósofo, na medida em que deve amar a sabedoria, buscar incessantemente a verdade, ir além das aparências, combater a ignorância e os preconceitos, discutir idéias e não coisas, e, principalmente, refletir sobre o Enigma da Vida: “De onde viemos, o que somos, para onde vamos?” Qual o verdadeiro sentido da vida? Qual o nosso papel na sociedade em que vivemos? Quais as nossas possibilidades, quais as nossas responsabilidades? Estamos colocando à Glória do Grande Arquiteto – e a serviço da humanidade – os talentos que Ele nos dotou? Estamos ajudando a construir uma sociedade mais justa e perfeita?

Cada um que tire suas conclusões…

Fontes:
Webmaster

Tríada,

Ricardo Aparecido dos Reis &

Bruxos Poderosos

Próxima Página »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 5.228 outros seguidores